
Para construir o poema, me inspirei nos eus líricos meio dilacerados das letras das canções do Guns e fiz referências dentro do texto ao nome e símbolo da banda (Guns n' Roses) e ao título e refrões de alguns de seus sucessos, como "Paradise City", "November rain", "Patience", "Civil War", "Live and let die" e "Yesterdays". Espero que a aniversariante Bruna Rodrigues e demais fãs (dos mais escandalosos aos mais enrustidos) aprovem a minha ousadia:
Uma arma cercada de rosas
É uma arma cercada de rosas esse amor que te atiro;
Por isso a fragrância feroz no gatilho sensível,
Por isso a dor do espinho quando recebes os meus tiros.
Sabes como é difícil manter a vela aquecida
Pra acionar as pólvoras de um amor perfeito,
Depois que as chuvas frias de novembro molharam o quarto
rarefeito
(É arma sem balas certeiras esse amor que te trago em
batalhas perdidas).
È uma arma clandestina esse amor eterno e furioso;
Por isso o coldre pesado, trabalhoso de carregarmos nesse
ano rancoroso,
Por isso as saudades da Cidade Paraíso nesse ambiente
perigoso.
Sei como é difícil entender esse meu estranho ser e estar ao
teu lado
A viver e a me deixar morrer – é simples e, ao mesmo tempo,
complicado,
Depois que as chuvas do passado se mantêm presentes em nosso
hoje desmoronado
(É arma sem garantias esse amor que te ofereço em triste e
satisfeito agrado).
É uma arma sem lágrimas visíveis esse amor que te choro
calado;
Por isso o falso deserto aonde há extrema umidade,
Por isso essa salva de tiros num estampido quieto e sem
vontade.
Sabemos como é difícil manter nossa guerra civil civilizada,
Pois sempre haverá corações feridos em nossa terra
bombardeada,
Depois que as tempestades da tua paciência pereceram nas
chamas da minha ausência
(É arma traiçoeira esse amor que te ofereço em promessas
desfeitas).
É uma arma cercada de rosas medrosas esse amor que te atiro
Por isso o medo de espantar as pétalas depois do tiro,
Por isso esse permanente espinho que carrego comigo e, com o
qual, te firo
(Mesmo quando não quero, eu ainda te firo...).