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sábado, 30 de abril de 2022

Meu conto quase inédito do tempo em que eu não tinha certeza, mas que a arte acalmou minha mente, postado em um sábado nublado de final de mês: In Patience

Fim nublado do último final de semana do último dia de abril. Costumeiramente, os últimos fins de semana de fins de mês são períodos tradicionalmente melancólicos de encerramentos de ciclos (um mês que se vai, o salário que se esgota, o bolso, inutilizado, ansioso pelo quinto dia útil, um jargão ‘como este ano está passando rápido’, repetido entre os compadres e as comadres), ao mesmo tempo, que a renovação, o novo mês pede passagem. Num outono sereno como o de 2022, a sensação de melancolia entre novos fins e velhos recomeços se expande, enquanto o desejo de dias melhores (ah, o jargão ‘esse mês eu resolvo todas as pendências’ ressurge das cinzas de fracassos dos meses anteriores) e a sensação de iminência de uma nova garoa de pessimismo (ah, ‘tenho de medo de dizer que vai piorar, pois, atualmente, sempre piora, é outro jargão influenciado pelos meses de trevas anteriores) se beijam num tenso e, ao mesmo tempo, delicioso paradoxo. Um sereno, quase chuva, um mês que quase chega, um quase meio ano, quases “Quase” como a poética cheia de melancólicos vazios de Mário de Sá-Carneiro, escritor modernista português, autor do primoroso “Céu em fogo”, mestre artista que nasceu no fim do mês de abril (Lisboa, 19 de Maio de 1890) e escolheu o mês de maio para sua autodissolução (Paris, 26 de Abril de 1916).
O conto, de minha autoria, que trago hoje, inédito no blog, mas já publicado em coletânea do Grêmio Barramansense de Letras, traz essa boemia melancólica, repleta de cheios vazios, de quases (por sinal, o texto quase foi classificado em alguns certames literários; é um dos preferido de leitores queridos por mim, como a vizinha amiga Cláudia, chegando ao quase gosto popular, mas fadado ao sucesso do fracasso de ser sempre um quase algo) e traz como inspiração o clima sereno enigmático da poética do mestre Mário de Sá-Carneiro, um pouco do canastrão dramático personagem Arturo Bandini dos romances “Pergunte ao pó”, “Espere pela primavera, Bandini”, entre outros, de John Fante (coincidentemente, outro mestre escritor que idolatro, também nascido em abril [(Denver, Colorado, 8 de Abril de 1909] e falecido em maio [Los Angeles, Califórnia, 8 de Maio de 1983]), uma das cenas de dança em filme mais emblemáticas que já assisti em filmes (a cena do magnífico filme sul-coreano “Burning” [“Em Chamas”], de 2018, em que a personagem Hae-mi dança, transmitindo sensualidade, resquícios de boemia vazia, desejos de amor, vida contraditória, liberdade vã e tristeza e despertando nos que a veem (isso vaza além da cena] poderosos desejos de amor incondicional, perigosas fúrias serenas, posses, ciúmes e invejas – o filme é mais-que-fodástico, amigos, é impressionante; tanto que o meu conto surgiu alguns dias depois) e noites ligeiramente embriagadas no Bar Aqualume, do tio Jorge e da tia Rosana, em Valença/RJ, quando lá havia uma jukebox, que, volta e meia, aleatoriamente, alguém escolhia, para ouvir nela, a canção “Patience”, de Guns’n Roses. "Céu em fogo", "Em Chamas", pós melancólico-festivos de Bandini, fogos efêmeros no Aqualume, toda essa mistura de influências, regadas a mais algumas (over)doses de álcool, e uma ressaca melancólica existencial geraram o conto “In Patience”.
Para corroborar com os ares melancólicos deste fim nublado do último final de semana do último dia de abril, deixo para os amigos leitores o conto “In Patiente”. Leiam (e bebam-no) com ou sem moderação.

In Patience
Mais um conto embriagado de Carlos Brunno Silva Barbosa, escrito em guardanados de botequim (no Bar Aqualume, ou Bar do Tio Jorge, pra ser mais específico)

    Será que existe algo mais deprimente do que ouvir “Patience” numa jukebox antiquada, posta no canto do botequim recém pintado, às 3 e pouca da madrugada, após a nona ou décima cerveja? Meus ouvidos embriagados perguntam-me isso, enquanto meus olhos assistem à dança solitária da moça (não tão moça) cambaleante (muito cambaleante) que selecionara no velho aparelho musical o dramático e pasteurizado hit da banda Guns n’Roses.
    A moça, nem tão moça, dança sozinha com movimentos trôpegos, perigosamente intensos, e, mesmo assim, desajeitadamente suaves e harmônicos, como se reencontrasse e abraçasse um velho amigo em uma dessas festas de ex-colegas de faculdade. Sua dança parece acompanhar um par invisível e irresistível, um fantasma hipnótico e sensual. Os olhos dela estão fechados, como se o antigo sucesso a transportasse para outros tempos, talvez a um futuro alternativo, talvez a um passado que se mantém no presente, fora do prazo.
    Meus olhos semiabertos vigiam a moça impunemente, pois ela me ignora, atenta apenas aos acordes da canção. Talvez eu devesse ir embora, afinal já bebi demais; talvez eu estivesse alucinando diante daquela balada antiga e daquele inusitado ritual; talvez nem houvesse moça, nem “Patience”; talvez nada faça sentido, mas, há muito tempo, cansei-me de buscar sentidos. Por isso, talvez, eu fiquei.
    Por mais que a moça me pareça uma completa estranha, sinto que estamos conectados – talvez ambos ignorássemos os versos em idioma estrangeiro e só nos guiássemos pelo ritmo melancólico; talvez os nossos passados tivessem o mesmo prazer sádico de não passarem completamente e nos fazerem sempre olharmos pra trás; talvez não houvesse moça, nem “Patience”, nem conexão, nem talvez e eu simplesmente fiquei ali estagnado, altamente alcoolizado, sem saber o que fazer.
Então a música acaba; a jukebox exige mais fichas que a moça não lhe dá. Ela acorda de seu frenesi e, de repente, me olha com aquele ar de criança brincalhona surpreendida por um adulto taciturno e intrometido. O estranhamento e a surpresa são mútuos, mas duram poucos segundos. Uma poeira imperceptível passa entre nós, então uma luz bonita e triste ilumina seu rosto e ela me sorri.
    - Vamos embora, Artur, é hora de partir.
    Talvez não tivesse que rimar; talvez fosse apenas (d)efeito de muito álcool no sangue; talvez eu escrevesse tudo isso num monte de guardanapos enquanto me sentia cada vez mais sozinho e embriagado; talvez “Patience” continuasse na jukebox; talvez empregasse mal os tempos verbais; talvez não houvesse nada entre mim e a moça; talvez jamais saiba dizer se, algum dia, realmente houve tempo, música, moça e talvez .
    Só sei que pego nas mãos dela decidido e algo hesitante entre mim e ela chora enquanto partimos. Pra onde vamos agora, eu não sei...



A cena do filme sul-coreano "Burning" que inspirou o conto.

"Patience", de Guns N'Roses



sábado, 3 de outubro de 2020

Um poema meu relembrado no momento de espanto: O sentido do amor na falência de sentidos

Olá, caros amigos leitores deste contemporaneamente empoeirado blog (minhas visitas e ânimos têm sido cada vez mais raros para uma plena continuidade), como super-herói de grandes HQs americanas, tenho morrido e ressuscitado constantemente como escritor e atualizador das postagens deste meu espaço lírico-virtual de confissões, nerdices, geekices, literatices e outras chat-ices (sim, no fundo, no fundo, é assim que muitos veem a arte – quando não estão em campanhas políticas ou posando de pimbas [pseudointelectuais metidos a bestas]; poucos trazem o germe kamikaze-masoquista-rimbaud-maníaco-bipolar-melancólico-agressivo-ensandecido de curtirem como eu um verdadeiro amor pela desassossegante arte, que nos salva a partir da perdição sublime, inquietação, estranheza, espanto e gosto pela beleza do bizarro associado ao não bizarro, e isso não é um ato de vaidade, arrogância e superioridade - é mais um sacrifício voluntário apaixonado, até porque nós, artistas, somos vistos como autênticos ETs [perceba que a palavra poetas traz as 3 letras que formam a sigla ETs] para a maioria da sociedade que tão inusitadamente representamos, ironizamos, cuspimos e abraçamos).
O Mestre Poeta-Maior Ferreira Gullar dizia que a poesia vem do espanto (ele citava isso, associando ao episódio em que sentiu dor na coluna e, assustado, percebeu a importância desta, tornando-a matéria prima lírica de um poema seu). E meu retorno está associado a este sentimento ferreira gullarniano de inspiração: o espanto. Recentemente, passei por uma possível virose muito próxima da Covid-19: tive dores no corpo todo, falta de olfato e de paladar (descartei a doença da mais recente pandemia pela ausência de febres e problemas respiratório). As dores no corpo, após alguns dias, passaram, mas ainda sofro com os resquícios da falta de olfato e de paladar. E aí veio o lírico espanto: a percepção da falta dos dois sentidos, o susto do novo normal sem sabores e cheiros.
Isso trouxe-me à memória o apocalíptico, dramático e sublimamente romântico filme, com o irônico título de “Perfect Sense” (no Brasil, foi traduzido com a figura de linguagem mais implícita, mas com título ainda icônico e maliciosamente apelativo de “Sentidos do amor”). A história é marcante, emocionante e bem desenvolvida: Um casal vive um romance enquanto uma estranha doença assola a sociedade. Aos poucos, as pessoas começam a perder os sentidos humanos. Sem olfato ou audição, eles insistem na sua história de amor e experimentam sensações desconhecidas. A grande ironia paradoxal do filme é que o protagonista Michael, interpretado pelo mais que fodástico Ewan McGregor, outrora constante escapista de relações amorosas duradouras, finalmente encontra o amor por alguém (a também protagonista Susan, interpretada pela mais que fodástica – fã da exposição de nudez de seus belos seios [ainda não vi um filme em que ela o oculte] Eva Green), logo quando os seus sentidos humanos estão sendo perdidos. É um daqueles filmes que estão no meu top 10 dos mais emocionantes e fodásticos a que já assisti. Marcou-me tanto que me inspirou um poema. Aproveito para deixar-lhes o link de um blog parceiro, o mais que fodástico Sonata Première, para que possam assistir ao filme aqui recomendado: 
https://sonatapremieres.blogspot.com/2012/04/sentidos-do-amor_1676.html
No meu poema, intitulado “O sentido do amor na falência de sentidos”, diferente do enredo do filme, a perda de sentidos humanos ocorre à medida que a relação amorosa humana vai sendo perdida (sim, dei toda essa tradicional volta alucinada como introdução para o poema que compartilharei hoje; se isso não lhe fez sentido, bem, acho que é meio novato[a] aqui nas postagens do blog, pois sempre faço assim, mas, nesse caso especial, sentir falta de sentido tem muito sentido para o poema e para tudo que escrevi até o momento). Em 15 de outubro de 2018, meu poema “O sentido do amor na falência de sentidos” foi selecionado no II Concurso Literário da Fundação Cultura Barra Mansa (FCBM) e da Biblioteca Municipal Adelaide Franco. Agora, em outubro de 2020, completando quase exatos 2 anos depois, o poema retoma destaque em minha memória lírico-afetiva diante desse momento de quase rigoroso isolamento social completo (com muita carência de relações amorosas concretas, confesso) e diante do espanto com a minha temporária falta de alguns sentidos humanos, como o olfato e o paladar. Por esse motivo, resolvi retornar ao blog, compartilhando esse marcante poema meu.
Espero que gostem, amigos leitores! Abraços saudosos na distância, muito amor mesmo sem todos os sentidos e Arte Sempre!
 
O sentido do amor na falência de sentidos
Carlos Brunno Silva Barbosa
 
Primeiro a dor sequestrou meu sorriso,
lembrando-me de todos os cheiros não sentidos
e outros tantos esquecidos
como o perfume de amor em nosso último jantar a dois...
Foi assim que perdi meu olfato
- todo aroma se tornou um passado sem fragrância...

Depois veio o desespero, a agonia da solidão, 
o desassossego despertando uma fome sem freio
e sem solução:
meus lábios famintos pelos teus seios fartos e macios...
Foi duro acordar sozinho e sem paladar
- o alimento mais saboroso passou a ser temperado com vazios...

Em seguida a fúria afagou minha fronte,
joguei em ti a culpa por todos os meus rompantes
e te vi ainda mais distante de mim;
o apartamento quebrado preservou apenas o teu retrato sem vida...
Em cacos, perdi minha audição
- a raiva externada passou a ecoar apenas em minha consciência culpada...

Agora só me resta a busca obstinada pelo perdão,
a corrida desenfreada pela reconciliação,
mesmo que isso me custe a visão;
por isso te abraço tão desesperado,
com o peito aberto e os olhos fechados:
preciso retomar o contato com teus lábios,
mesmo cego, surdo, sem paladar e sem olfato,
preciso reencontrar o amor, antes que eu perca o tato...






sábado, 11 de maio de 2019

40 anos de idade e muitas solidões coletivas pra contar: Eu, Carlos Brunno, na visão lírica imagética audiovisual cinematográfica de outros

Correria pós-aniversário (fiz 4.0 no último dia 07 de maio), enxames de notas, provas, trabalhos e prazos + dia das mães e tantos etcéteras que o tempo nem liga denos ver tão ocupados e prefere seguir acelerado em sua cinza das horas voraz, a postagem de hoje sai meio às pressas e meio autorreferente e meio diferente: é uma compilação de imagens e vídeos com meu eu espalhado por canais de youtube, memes, imagens líricas, etc - como aqui é um diário solitário coletivo, resolvi misturar as coisas, compartilhar bons momentos, fragmentos de mim pelos outros compilados numa mesma postagem.
Eis um pouco de mim com os outros (na visão de Jammy Said, Rafael Clodomiro, Helene Camille, Jorran Souza, Kauane Hrescak, Cláudio Alcântara), de meus momentos líricos solitários coletivos - uma postagem bem autorreferente (ao mesmo tempo que rápida de fazer pra não deixar o blog no marasmo), mas de coração para os amigos leitores que lembraram do meu aniversário e/ou acompanham o blog e curtem a arte deste blogueiro escritor sempre enrolado que vos escreve.


Fragmento de metapoema de minha autoria
na arte design de Jammy Said


Meu poema "Esferográfico Blues"
na arte design da multiartistamiga Jammy Said
Foto de Kauane Hrescak com um de seus poemas favoritos de minha autoria
"O Abraço mais quente":
Curta experimental de Helene Camille
para meu microconto "Amor é fogo que arde sem se ver"

Leitura de meu poema "Benditos sejam os malditos",
realizado pela divartistamiga Helene Camille

"Central de Atendimento S.O.S.":
Meu conto "Fale conosco (Ana e Téo)
em versão curta metragem de Jorran Souza

Improviso poético realizado no Prêmio Olho Vivo 2014
ao lado dos espetaculares artistamigos
Rosangela Carvalho e Pedro Henrique Mezzabarba,
no canal de Cláudio Alcântara (Olho Vivo):

Participação minha no Prêmio Olho Vivo 2015
registrado pelo canal de Cláudio Alcântara (Olho Vivo)

Premiação de meu nono livro
"Foda-se & Outras Palavras Poéticas"
no Prêmio Olho Vivo 2015,registrado pelo canal de Cláudio Alcântara (Olho Vivo)

Parceria Lírico Musical com Rafael Clodomiro,
registrado pelo canal ALira

Meus agradecimentos por lembrarem 
de meu aniversário:

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Solidões Compartilhadas, Contempladas e Premiadas: As lindas e alegres paisagens líricas dos artistalunos da Escola Alcino em contraste com meu trágico e premiado Cemitério de Vagalumes


Yeah, amigos e artistamigos, seguimos e frente no blog com a liricamente riquíssima retrospectiva literária deste ano. E como tem poema premiado aqui pra divulgar (isso sem contar os inúmeros textos iluminados, porém [ainda...] não contemplados! 2018 foi superespecial para mim (ou melhor, está sendo, pois hoje mesmo recebi uma notícia de uma nova premiação em outro fodástico concurso literário) e para os jovens artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva.
Registro fotográfico enviado vai e-mail pra mim pelo escritor acadêmico amigo Paulo Tórtora: lembrança de mais uma conquista literária no Dia do Poeta: hoje, dia 20 de outubro, quando fui à Cerimônia de Premiação do 7.º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (AML), no qual conquistei o segundo lugar na Categoria Adulto com o poema "Cemitério de Vagalumes".
Hoje relembro mais algumas conquistas literárias neste ano: no Dia do Poeta (20 de outubro), fui à Cerimônia de Premiação do 7.º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (AML), no qual conquistei o segundo lugar na Categoria Adulto com o poema "Cemitério de Vagalumes". Além disso, os queridos artistalunos teresopolitanos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, onde leciono, Carine Gonçalves Arruda [na época, do 8.º C, em breve 9.º Ano], Patrick Martins Vieira [idem, também 8.º C, em breve 9.º Ano], Ester Rodrigues Monnerat [na época,8.º B, em breve 9.º Ano] e Emily Medeiros de Oliveira [também 8.º B, em breve 9.º Ano], apesar de não contemplados com os primeiros lugares, receberam um Diploma de Reconhecimento da AML pelos seus valiosos escritos líricos.
Projeto de Produção Textual Descrição Poética
da Paisagem ao nosso redor.
Cena do filme "De encontro com o amor" ("Shadows in sun")
Antes de postar os poemas premiados, vamos à concepção dos mesmos, afinal essas introduções que escrevo servem exatamente para dar detalhes da pré-produção lírica. Os poemas dos artistalunos diplomadamente reconhecidos na AML fizeram parte de uma pré-seleção do Projeto de Produção Textual Descrição Poética da Paisagem ao nosso redor, escritas após assistirmos à comédia romântica “De encontro com o amor” (no original – que é o título mais lírico -, “Shadows in Sun”), que apresenta um imaginário escritor atormentado chamado Weldon Parish, que não escreve há mais de 20 anos, mas dá dicas de escrita/descrição poética ao editor Jeremy Taylor, apaixonado pela filha de Weldon, Isabela, e com a difícil missão de fazer Weldon retornar às práticas literárias – tudo isso recheado de situações românticas, dramáticas e engraçadas no lindo cenário de um vilarejo, rico em paisagens naturais, da Itália.  A produção textual foi realizada após uma aula passeio ao redor da área externa da escola, que envolveu educação do olhar à cor local, revisão de adjetivos e reforço na apreensão e compreensão das principais figuras de linguagem e do gênero textual poema em prosa ou em verso (ficava à escolha do artistaluno) e descrição poética, e cada artistaluno poderia escrever onde se sentisse mais à vontade – ao ar livre ou na sala. Os poemas de Carine, Patrick, Ester e Emily se destacaram (apesar da imensa qualidade das demais descrições poéticas – em outra postagem, trago mais algumas, principalmente as prosas poéticas, cujas características – ser em escrita em prosa, e não em verso - não permitiram que fossem concorrentes no certame literário) e concorreram, com reconhecimento e destaque merecido, no 7.º Concurso Literário da AML.
Já o poema “Cemitério de vagalumes”, de minha autoria, .º Lugar na Categoria Adulto no 7.º Concurso Literário da AML, teve seu rascunho escrito por mim há algum tempo – na época, eu estava muito sensibilizado com os tristes acontecimentos no mundo, principalmente a guerra na Síria, que vitimava muitos inocentes, com triste destaque às crianças (aquela foto da criança exilada morta na beira da praia não me sai da cabeça e, como no filme “Crianças invisíveis”, me lembra o quão trágico e sem sentido é a violência em ambientes hostis em guerra), somado às lembranças do excelentíssimo anime “Túmulo de vagalumes” (1988), ao qual havia assistido recentemente graças ao mais que fodástico blog “Sonata Première” (segue o link: https://sonatapremieres.blogspot.com/2014/11/o-tumulo-dos-vagalumes.html  ). No trágico e icônico desenho do diretor  Isao Takahata (é tragédia sobre tragédia, melancólico demais, daqueles que você chora diante de tanta crueldade e sofrência da humanidade em eterna guerra consigo mesma), os irmãos Setsuko e Seita vivem no Japão em meio a Segunda Guerra Mundial. Após a morte da mãe num bombardeio americano e a convocação do pai para a Guerra, eles vão morar com alguns parentes. Insatisfeitos, saem da cidade e acabam num abrigo isolado na floresta, onde lutam contra a fome e as doenças e se divertem com as luzes dos vagalumes. Amigos leitores, se quiserem chorar e temer a desumanidade humana, assistam a esse anime desesperançado! Pois bem, diante de tais tristes e desesperadoras inspirações, construí o meu poema, forjando uma nova situação, na qual o eu lírico em um cenário de violenta guerra, encontra o corpo de uma criança morta, vítima da guerra. O poema sofreu várias transformações desde sua primeira concepção – primeiramente, o construí como soneto, mas o formato e as emoções vazavam e pediam mais que 14 versos. A única formatação mantida desde o primeiro esboço foram os versos decassílabos, que refletem a impotência do eu lírico diante da criança morta, vítima da guerra – os sentimentos de desespero e melancolia se expandem nele e tentam extravasar a medida, mas o universo bélico está no formato rígido, impassível. O conteúdo traz influências simbolistas de Alphonsus de Guimaraens e de Cruz e Souza – o diálogo melancólico com a paisagem viva versus a visão da inocente morta no antinatural cenário da floresta queimada e violentada pela guerra. Assim como veteranos de guerra, o poema “Cemitério de vagalumes” sofreu diversas derrocadas em concursos literários durante anos (mesmo amplamente derrotado, insisti nele) até ser finalmente consagrado no 7.º Concurso Literário da AML.
Bem, considero que já falei até demais, afinal a melhor interpretação sempre será a de cada um de vocês, amigos leitores, pois é a leitura e visão pessoal de cada um de vocês que enriquecem os cenários da arte literária, dessa nossa estimada, amada, idolatrada arte de solidão coletiva compartilhada. Na ordem, posto os poemas dos iluminados artistalunos Carine, Patrick, Ester e Emily, seguidos de meu poema premiado “Cemitério de vagalumes” e um vídeo com minha leitura do escrito contemplado durante a Cerimônia de Premiação do 7.º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (AML), na tarde de 20 de outubro deste ano.
Espero que gostem, curtam, questionem e comentem, amigos leitores! Paz e Arte Sempre!

Linda paisagem ao redor

Vejo uma linda paisagem ao meu redor
com várias árvores e várias flores,
pássaros fazendo seus ninhos
e o sol exaltando as cores.

À noite, uma linda lua no céu
e várias estrelas a brilhar;
nunca vi nada tão lindo
quanto o sol de manhã chegar.

Vejo várias nuvens no céu
movimentando-se lentamente,
várias montanhas maravilhosas
e vários lugares diferentes.
 (Poema de Carine Gonçalves Arruda [8.º C], ganhador do Diploma de Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)



Um dia lá fora

Fui lá pra fora e vi as nuvens brilhando.
Olhei pra meu lado
e vi meus amigos me acompanhando.
Olhei e fiquei emocionado
só de saber que tenho amigos de verdade
ao meu lado.
 (Poema de Patrick Martins Vieira [8.º C], ganhador do Diploma de Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)



Outra maneira

Eu vejo o contraste
do sol com o céu azul,
as nuvens cobrindo
as montanhas verdes,
o vento balançando
as belas folhas
das árvores,
as flores vermelhas
que combinam com o amor.

Sinto o ar puro
das árvores,
o sol iluminando
seu lindo olhar.

E, por fim,
finalmente te enxergo
de uma outra maneira.
 (Poema de Ester Rodrigues Monnerat [8.º B], ganhador do Diploma de Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)



Conforme o vento

Eu vejo um lindo céu azul
em meio às montanhas
com o contraste do sol
entre as nuvens
iluminando seu sorriso.

As folhas balançam
conforme o vento.

As belas flores
pintam em meu coração
uma bela paixão.

E, no fim de tudo,
percebo que encontrei
um grande amor.
 (Poema de Emily Medeiros de Oliveira [8.º B], ganhador do Diploma de Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)



Cemitério de vagalumes

Foi ali, entre o verde sobrevivente
da floresta ferida pela guerra,
que encontrei seu corpo beijando a terra:
era uma menina, um pingo de gente.

Seu rosto trazia a noite que aterra
almas que buscam um sol no poente
e só encontram a morte iminente;
era mais um astro que a treva encerra.

Seus dedos inúteis para brinquedos...
Infância frágil que abranda rochedos...
Seu sangue tem cheiro de asa quebrada...
Corpo sem luz como estrela apagada...

- Por que os vagalumes morrem tão cedo? –
Pergunto em vão para o surdo arvoredo.
Levo o anjo morto pela leve estrada
E a paz breve pesa mil toneladas...
 (Poema de Carlos Brunno Silva Barbosa, 2.º Lugar na Categoria Adulto no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)




domingo, 26 de novembro de 2017

Solidões Compartilhadas: O Apocalipse Agora de Raquel Tavares/Kel Lestat

Há um bom tempo, pretendo compartilhar minhas solidões poéticas com a fodástica poetamiga que estreia hoje no blog: seu nome é Raquel Tavares, mas liricamente ela atende pelo codinome Kel Lestat. Conheci Raquel Tavares, através da divartistativistamiga Janaina da Cunha, em eventos do saudoso e sempre mais-que-fodástico Identidade Cultural e Movimento Culturista. Admirei e me fascinei logo pela fodástica poética de Raquel Tavares/Kel Lestat - ela levava quase sempre uma pasta com diversos poemas dela, de diversas fases e estilos e eu tive a honra de ler alguns destes poemas em primeira mão, entre eles o que destaco hoje aqui no blog: o emblemático “Apocalipse Agora”. Pode-se notar que o título é uma referência direta ao clássico Cult “Apocalipse now”, drama/aventura do renomado diretor Francis Ford Coppola, Palma de Ouro no Festival de Cannes e nomeado ao Oscar de Melhor Filme e o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama, com elementos de “Dispatches” de Michael Herr, a versão cinematográfica de 1965 da obra “Lord Jim” de Conrad, “Coração das trevas”, também de Conrad, e Aguirre, der Zorn Gottes (1972) de Werner Herzog.
Assim como o roteiro desse filme é super-complexo e passou por diversos percalços/momentos conturbados na produção até alcançar a glória, o eu lírico do poema de Raquel Tavares/Kel Lestat passa, verso a verso, por uma espécie de viagem de autodescoberta e destruição do que lhe foi pré-estabelecido até sua autorreconstrução (lembra muito o personagem lucidamente enlouquecido – e, ao mesmo tempo, alucinadamente são - magistralmente interpretado por Marlon Brando no filme “Apocalipse Now”).
A poética de Raquel Tavares/Kel Lestat é assim: mistura de forma genial referências cinematográficas, musicais (segundo a própria escritora, sua fase atual consiste em se inspirar em canções de seu gosto – por sinal, ela está me devendo algumas dessas produções líricas mais recentes), geeks, nerds e cults a um lirismo febril, emocionado (tanto que se torna emocionante) e vibrante, com uma linguagem sem rebuscamentos, mas por isso ardilosamente fodástica e complexa, pois esconde na primeira leitura a multiplicidade lírica maravilhosa e a riqueza de referências que pode passar despercebida à primeira vista. Aconselho aos amigos leitores que leiam e releiam o poema – na primeira leitura, já encontrarão algo fascinante; se lerem mais uma vez, ficarão ainda mais fascinados. Acompanhemos o Apocalipse agora de Raquel Tavares/Kel Lestat, amigos leitores! (segue também o link da página lírica dela no facebook, onde volta e meia, ela apresenta um novo poema: https://www.facebook.com/Meu-apocalipse-500559333420181/ )

Apocalipse agora
(Kel Lestat)

Meu apocalipse é agora
Eu quero me perder
Pra quem sabe assim poder me encontrar
E também a ti, amado meu,
Que nem sei quem és.
Destruir tudo a minha volta,
Apagar as lembranças,
Queimar as palavras,
Esquecer os rostos,
Deixar tudo em branco,
Limpo, vazio,
Libertar-me do que não me serve.
Desconstruir o meu mundo
E começar outro totalmente diferente.
Abrir espaço para felicidade.
Uma nova vida,
Um novo fôlego,
Um renascer sem último suspiro.
E continuar
Sem sustos,
Sem medos,
Sem mágoas.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Diários, Poemas e Contos e Apresentações Teatrais com Poderes Além da Vida

Um projeto pedagógico da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, do qual me orgulho muito de ter feito parte, devido ao inspirador e empolgante envolvimento dos alunos da Aceleração V (que corresponde ao sétimo e oitavo ano para alunos com defasagem idade/série – para diminuir a discrepância eles cursam duas séries num ano letivo só) foi o trabalho interdisciplinar olímpico que envolveu, na matéria na qual leciono (Português), uma produção textual envolvendo o filme “Além da vida” [“Peaceful Warrior” (2006)], baseado no excelente livro “O caminho do guerreiro pacífico”, romance semiautobiográfico de Dan Millman.
Após a exibição do filme e o conhecimento de trechos do livro de Dan Millman, os escritores-alunos da Aceleração V produziram fodásticos textos de diversos gêneros textuais (diários, contos e poemas) inspirados na obra cinematográfica assistida. Tais redações ficaram tão maravilhosamente bem escritas que, primeiro, estimularam o Professor de Educação Física – já conhecido e reconhecido poetatleta da escola e com várias solidões líricas compartilhadas aqui no blog – Genaldo Lial da Silva Lial a escrever também um poema inspirado no filme, e, depois, ainda serviram de base para o esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, apresentado pelo Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino! na abertura da  Reunião de Pais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em julho deste ano (sim, a postagem está bastante atrasada, mas finalmente chega ao blog).
Hoje tenho o prazer incomensurável de compartilhar minhas solidões poéticas com os fodásticos textos dos talentosos escritores-alunos da Aceleração V, acompanhados do fenomenal poema do sempre mais-que-fodástico professor-poetatletamigo Genaldo da Silva Lial e do vídeo da apresentação do esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, que teve a participação de talentosos atores-alunos da própria Aceleração V e dos 9.º e 8.º Anos.
Que os sonhos líricos dos professores e escritores-alunos também encantem e inspirem vocês, amigos guerreiros leitores pacíficos!

Diários, Poemas e Contos 
com poderes além da vida



Querido diário,
Hoje estou indo para as Olimpíadas, espero que tudo ocorra como imaginei e que eu consiga me classificar, para que a minha família se orgulhe de mim, e, se um dia eu tiver um filho, que eu possa contar pra ele sobre meu passado brilhante.
Paulo Sérgio e Bruno – Aceleração V

O dia dele começou mal
         Ele estava na moto em alta velocidade e bateu de frente com o carro. Quebrou a perna e não conseguiu mais fazer o que tanto ama: a ginástica artística.
         Com a ajuda de um senhor chamado Sócrates, ele começou a treinar de novo, voltou a fazer o que tanto ama e, no final, conseguiu se classificar.
Silvio e Lorran – Aceleração V



Ser feliz

Me perguntaram se eu sou feliz...
Disse que tudo tenho, mas não soube responder.
Reflito em prantos:  Do que adianta tudo ter
Sendo que nada tenho?
Do que adianta poder tudo
Sendo que não há liberdade?
Do que adianta amar sem o Amor?
Viver sem vida...
Pois bem, agora tenho uma resposta:
Não sou feliz,
Pois não tenho um amor,
Um objetivo,
Uma razão para viver.
Cassiane Santos e Jackson Santos – Aceleração V

Hoje acordei
Olhei na janela
Vi vários pássaros
Cantando alegremente
Só que era coisa
Apenas da minha mente.

Assim é nossa mente
Ela controla a gente
Que até nos surpreende.
David Pereira Pires – Aceleração V



Tudo acontece 
Nunca pensei em como conheceria minha vida e como ela acontece... Nunca pensei em como pensar nela, mas sabia que alguém poderia me ajudar.
Então encontrei Sócrates, um homem sábio, que me ensinou a perceber como tudo acontece, mesmo que não percebamos os fatos mais simples.
Bárbara – Aceleração V

Superar-se a cada dia

Superar-se a cada dia,
Superar suas dificuldades:
Se caiu, levante;
Se errou, recomece!

Surpreender-se,
Surpreender-se a cada dia,
Vencer os obstáculos
Os obstáculos da vida.
Angélica e Thaís – Aceleração V




Para vencer um obstáculo
É preciso coragem e determinação

Você tem que se concentrar
Pra não errar, nem cair no chão

Deixe sua mente vazia
Pense somente nos movimentos

E nunca se esqueça
Que você não precisa
Ganhar pra ser feliz!
Flaviane – Aceleração V

Cada movimento tem que ser perfeito,
Cada segundo é único
E eu vou sempre tentar,
Vou conseguir,
Vou impressionar
E nas Olimpíadas vou arrasar
Custe o que custar
Eu vou estar lá!
Paulo André – Aceleração V



O CAMINHO

A insegurança que a certeza do futuro incerto traz
Corrige o rumo da vida que às vezes ilusória demais

Passa sutil rasteira no meu inflamado ego
E mostra que pouco vale tudo aquilo a que me apego

Na voraz velocidade dos compromissos diários
Atropelo sem perceber o que é realmente necessário

A partida e a chegada, sim, eu super valorizo
Sem notar que é no percurso que eu me realizo

E a tal ilustre medalha que é muito cobiçada
Não tem mais valor que o decorrer de uma jornada
Genaldo Lial da Silva, 15/06/2016.
(inspirado no tema do filme “Poder além da vida”)




Vídeo do esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, apresentado pelo Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino! na abertura da  Reunião de Pais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em julho deste ano


Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...