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domingo, 24 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto C (o último?)

C

O fim é mera preguiça da escrita, um pedido de pausa para as mãos cansadas da continuação da coletiva solidão, é perceber que o filhote fantástico está maduro e pronto pra voar sem nossos mimos. Pode tirar essa veste obscura, enganado leitor enlutado, que o fim é uma farsa que nunca acaba, pois o último poemeto de solidão possui três pontos finais, é o final se repetindo várias vezes até virar reticências e se tornar eternidade.


sábado, 23 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCIX (o penúltimo)

XCIX

Não morri, jovem carpideira. Parei de respirar só pra ver o quão lindo fica teu rosto diante da tristeza de minha partida inventada.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCVII

XCVII

Que a Morte me dá uns selinhos de vez em quando não nego, prezada fofoqueira, mas esse papo de que Ela me beijou pra valer não posso confirmar sem me comprometer. Sou casado com a Eternidade, a aliança com Essa está presa em minha arte, não posso remover.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCVI

XCVI

Além de inventarem minha morte, agora disputam minhas cinzas imaginárias. Gente mais biruta! Tenho convicção absoluta de que, mesmo diante do fogo mais voraz, meus hipotéticos restos mortais teriam um tom colorido, pois seriam as sobras reais de mim mesmo, o brinquedo mais fictício e mais bem feito da minha fábrica de realidade fantástica sem freio.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCV

XCV

Minha caneta está sem tinta, minha querida. Por isso só posso corresponder ao teu amor com a entrega de minhas mãos vazias, que, por tanto tempo, mantive escondidas por horror ao seu realismo sem encanto, envergonhado de suas linhas imperfeitas. Na falta de tinta na caneta, só posso te oferecer a minha vida inteira, uma folha em branco, cheia de fantasias em prantos.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCIII

XCIII

O melhor peixe do rio não é o pescado. O melhor peixe do rio é o sábio, que não cai em armadilha fácil. O melhor peixe do rio é o que escapa da isca realista, nada nas águas da fantasia, esse é o peixe mais desejado. Pra pescar esse bicho tão difícil desse rio, brinco de atirar um anzol invisível. Minha isca? Deixar o peixe como impossível conquista pra manter a pescaria infinita.

Tela "Pescando no lago", de Leila Proença.
Mais quadros da artista em:
http://www.artmajeur.com/pt/artist/leilaproenca/collection/cenas-do-cotidiano/1165373



sábado, 2 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XCI

XCI

Não existe maior terror que viver o sonho frustrado de encontrar todos os canais de tevê fora do ar. Dá a falsa impressão de que a realidade triste e consumista não vai voltar pra sua família. Mas lá vem o competente suporte técnico: se deixa a tevê ligada, de novo o pesadelo na sala de estar – telejornais, novelas, reality shows, comerciais, as verdades mais falsificadas e banais sintonizam todo ambiente familiar. A minha fantasia mais otimista revela-se a mais apocalíptica diante de tanta falta de ar.



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XC

XC

Ah, enfermeira linda, se lhe causa pena a minha senilidade inventada, por que não contribui com minha fantasia fantástica e me cura com sua juventude assanhada? Ai, a salvação de minha vida: eu tão velhinho voltar a ter trinta e, safada fantasia, voltar a fazer amor com uma menina.




quinta-feira, 31 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXXIX

LXXXIX

Às vezes arrumo a casa. Ai de mim que o hospício visite minha residência e descubra que minha senilidade inventada é uma máscara pra minha loucura em evidência. Às vezes arrumo a casa só pra manter minha desordem intacta.


sábado, 26 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXXVI

LXXXVI

Morri aos 87 anos vítima de pneumonia: nem eu mesmo poderia imaginar mais ilustre fantasia! Aqui jaz o velho sonhador assassinado por uma febre de melancolia!



sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXXV

LXXXV


Ok, jornalista cético, eu confesso: jamais escrevi uma só linha. Macondo, Gabriel, Márquez, García, o mundo inteiro, meus livros, minha morte e minha vida, são tudo mentira! Por sinal, senhor jornalista, não podes gravar esta entrevista, pois tu e eu também são fantasias minhas...


quinta-feira, 24 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXXII

LXXXII

O invento mais triste da América Latina: sua desigualdade social é o realismo fantástico do sistema político mais irracional. Nem o Inferno de Dante imaginou provações mais angustiantes para a população ignorante.




quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXXI

LXXXI


Pra destruir o inverossímil “american dream”, inventei-me socialista no mundo capitalista. Ah, logo eu, tão anarquista, tornei-me um bolchevique caçado pela CIA! Pra destruir a efemeridade de um falso sorriso amigo, bastou-me sorrir pro seu maior inimigo.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXX

LXXX

Só aceitei o diagnóstico de demência senil pra poder declarar-me filho de uma pátria que não me pariu, sem ter que enfrentar nenhum fuzil de elogios, nem balbucios dos colombianos convictos. A invalidez declarada permite a solidez de minha insensatez inventada.


Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...