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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Solidões Compartilhadas: A luz lírica de Mateus Machado em "Dia Nublado"

Após breve pausa (acabei até deixando passar o Dia do Poeta – não esqueci não, mas estava em momento de muito trabalho e produção), volto às postagens no blog e hoje compartilho minhas solidões coletivas com o jovem e talentoso poeta teresopolitano Mateus Machado, ex-artistaluno da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, escola onde até os tempos atuais leciono.
Em conversas via WhatsApp, Mateus Machado me confessou a melancolia pela qual passava em dias nublados. Naquele momento do bate-papo, percebi a chance de me acertar com meu passado profissional (na época em que ele estudava, entre 2011 e 2013, [se não me falha a memória], Mateus participava dos vídeos do Luz, Câmera...Alcino!, escrevia contos, crônicas, mas evitava produções textuais de poema, segundo ele mesmo, por não se considerar capaz de escrever poemas – impressão negativa e equivocada que não consegui tirar dele no período e que sempre me ficou engasgada, pois ele se transferiu da escola antes que eu pudesse convencê-lo do lirismo represado dentro dele) e estimulei-o, durante a conversa on line, a escrever sobre as sensações que o dia nublado lhe trazia. E, sim, foi neste momento carente de luz solar, a inspiração poesia brilhou em Mateus Machado e o talentoso escritor gestou seu magnífico poema “Dia nublado”, que vocês lerão e terão, como eu, a oportunidade de também ficarem admirados com esta maravilhosa obra poética, logo abaixo.
A aceitação de Mateus Machado para o desafio poético também oportunizou a ressurreição do projeto Luz, Câmera...Alcino! Veteranos, que envolve produções de vídeos com queridos e mais-que-fodásticos ex-artistalunos, atuais super-artistamigos. Nunca, em muito tempo de vida e poesia, dias nublados foram tão iluminados!
Fiquemos com o fodástico poema “Dia Nublado”, do mais-que-fodástico poetamigo Mateus Machado, para iluminarmos nossa (já nem tão mais) obscura realidade.


Dia Nublado
Poema de Mateus Machado

Dia nublado assim fica um pouco triste
É bom pra quem talento e inspiração
Lembrar das pessoas e dos momentos bons e das boas recordações
Em tempos da pandemia tivemos que nos afastar um pouco da família e de amigos
Saudades das boas risadas e dos abraços aconchegantes.
Assim termina o que nunca se acaba – saudade infinita.

“Dia Nublado”, o vídeo
Caso não esteja visualizando (o Blogger tem dado uns tilts com postagens que contenham vídeos do Youtube quando visualizadas em dispositivos como aparelhos celulares), basta acessar o link: https://youtu.be/AYK2omoa76o

domingo, 11 de outubro de 2020

Solidões Compartilhadas: A premiada poeta Andresa Ferreira da Silva nos conta como foi depois que tudo começou

Hoje o blog traz uma notícia cultural chique demais: Andresa Ferreira da Silva, aluna do 9.º Ano A na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva (e da Sociedade dos Poetas Vivos do Alcino), unidade de ensino onde leciono Redação, em Teresópolis/RJ, foi a representante de Teresópolis na 8.ª Edição do Festival Intermunicipal de Poesias nas Escolas, evento organizado pelo artistativistamigo Alex Sandro Oliveira (quem quiser assistir ao maravilhoso evento é só clicar neste link da live do Festival: 
https://www.facebook.com/100003913187579/videos/1851958098277945/ ) e, na última sexta-feira, dia 09/10, conquistou, com louvor merecido, o 3.º lugar neste tradicional e formidável certame literário estudantil!
Por esse motivo, retomo as Solidões Compartilhadas do blog com o premiado poema “Depois que tudo começou”, de autoria da magnífica e hipertalentosa poetaluna Andresa Ferreira da Silva, por escrito e declamado pela própria autora, em vídeo dirigido pela também magnífica e hipertalentosa (e também premiadíssima) poetaluna do 8.º Ano A e cinegrafista Jamile Ferreira Silva, irmã de Andresa, membro também da Sociedade dos Poetas Vivos do Alcino e artistaluna efetiva-faz-tudo do Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino! 
Em tempo: Além de ser uma obra prima, rica em recursos (ritmo, figuras de linguagem, etc), o belíssimo poema “Depois que tudo começou” também merece destaque especial pela visão lírica diante do problema contemporâneo – a pandemia de Covid-19 -, retratado de maneira tocante, singela e com uma mensagem final de esperança que todo nosso universo em crise merece ler. 
Agradeço a todos os amigos leitores que sempre deixam sua torcida lírica e vibração positiva pelo blog, pelas conquistas de nosso ensino público, cheio de poesia e luz, mesmo em tempos de crises e insanidades. Meus aplausos a todos os envolvidos direta e indiretamente nesta nossa maravilhosa conquista; todos vocês tornam a íngreme trajetória em defesa da boa educação e da poesia mais linda e mais aprazível para ser seguida e continuada! Ao infinito e avante! Educação, Amor e Arte Sempre! 

Depois que tudo começou 

A vida mudou bastante 
Depois que tudo começou 
E parece que, em um instante, 
A porta se fechou. 

Sair não posso mais; 
Muita gente se isolou, 
Pois esses vírus são mortais 
E a nossa rotina ele mudou. 

Logo tudo vai voltar ao normal, 
Acredite que tudo vai passar, 
Mas, enquanto esse dia não chega, 
Você precisa se cuidar. 

Tenha esperança, 
Juntos vamos além, 
Porque, depois da tempestade, 
O arco-íris sempre vem. 
Poema de Andresa Ferreira da Silva, aluna do 9.º A da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Arte com Xadrez: Luz, Câmera... Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem Enxadrista que Sabiamente Calculava


Recebi com felicidade a notícia de que, capitaneados pelo Professor de Educação Física, Treinador, Enxadrista, Maratoneiro, Mestre Poetatleta Genaldo da Silva Lial, vários jogadores artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva representarão esta unidade escolar na qual leciono no Torneio de Xadrez que acontecerá amanhã, de manhã e de tarde, durante o tradicional evento (que ressurge após um breve hiato de alguns anos) dos Jogos Estudantis de Teresópolis/RJ. Tal notícia me fez lembrar que ainda não compartilhei com os amigos leitores do blog o texto do esquete teatral escrito por mim, neste ano de 2019, para o tradicional e popular Torneio Xeque Mate, que ocorre há 9 anos na escola (sendo que o nosso grupo teatral escolar, chamado Luz, Câmera...Alcino!, tem a honra de apresentar um esquete de abertura – sempre inédito e envolvendo de forma direta ou indireta a literatura, os quadrinhos, a cultura pop, a sátira a assuntos contemporâneos e o xadrez -  há 5 edições do maravilhoso evento esportivo), nem o vídeo com a encenação e sua ficha técnica, nem o vídeo documentário produzido após a apresentação.

Ciente desta ausência, preenchemos as lacunas e trago aos amigos leitores o esquete "Luz, Câmera...Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem que Sabiamente Calculava", obra satírica escrita por mim e livremente inspirada no conto do xadrez do livro "O Homem que Calculava", de Malba Tahan, + poema de Gregório de Matos + poema de Genaldo Lial, o vídeo com as duas apresentações do Luz, Câmera...Alcino! 2019 e o divertido documentário gravado após a apresentação pelos próprios artistalunos envolvidos no esquete.
Espero que os amigos leitores do blog curtam o esquete em seus vários formatos e se divirtam e se encantem como nós com a magia da arte e do xadrez (e lembrem-se de torcer pelos nossos queridos enxadristas artistalunos amanhã de manhã e de tarde na disputa esportiva interescolar de xadrez).
Boa Diversão! Alcino, Educação, Esporte e Arte Sempre!

Esquete “Luz, Câmera... Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem Enxadrista que Sabiamente Calculava”, o texto
Personagens:
BEREMIZ
MALBA TAHAN_
JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA
DIRETOR
CONTRARREGRA
NARRADOR/SANDMAN
SERVA DE VÉU 1
SERVA DE VÉU 2
REI IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO PRIMEIRO
SÚDITO QUARTZO LORENZETTI
DIPLOMATA PEDRERNESTO
PROFESSOR DA ALEGRIA
CHEFE DA GUARDA
GUARDA 1
GUARDA 2
POETA
DICIONÁRIO VIVO
LAHUR SESSA
CORINGA
ARLEQUINA
CONTADOR GUEDIM

No palco, mais para trás, estarão as duas Servas de Véu segurando um lençol/pano ocultando parte do cenário (que será onde acontecerá os eventos principais – atrás do lençol/pano estará o Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro em trono e uma mesa). Mais ao lado, NARRADOR/SANDMAN dorme. Os primeiros personagens se apresentarão à frente desta imagem.

BEREMIZ (orgulhoso): Bom dia, senhoras e senhores, sou Beremiz, um grande calculista persa, e a peça a qual vocês assistirão hoje é inspirada em um conto, uma história curta e inventada, que eu contei ao grande califa Al-Motacém.
Entra Malba Tahan
MALBA TAHAN (empurrando Beremiz): Mentira! Senhoras e senhores, sou Malba Tahan, o famoso escritor árabe, e a peça a qual vocês assistirão hoje é inspirada em um conto escrito por mim. Beremiz é apenas um personagem que eu criei para meu livro “O Homem que calculava”.
Entra Júlio César de Mello e Souza
JÚLIO CÉSAR DE MELLO E SOUZA (empurrando Malba Tahan): Mentira! Senhoras e senhores, sou Júlio César de Mello e Souza, famoso matemático e escritor brasileiro, e a peça a qual vocês assistirão hoje é inspirada em um conto escrito por mim. Malba Tahan é apenas um heterônimo meu, isto é, um personagem que eu inventei para assinar os livros em meu nome, para que os leitores comprassem os livros de um escritor brasileiro pensando que fosse de um escritor árabe. Beremiz é apenas um personagem que eu criei para meu livro “O homem que calculava”, cujo livro eu assinei como Malba Tahan.
Entra o diretor
DIRETOR (muito bravo): Que bagunça é essa na minha peça? Quem colocou esses três personagens aqui? Contrarregra!!!!
CONTRARREGRA (medroso): O que foi, chefinho? Bom dia (para o público). Bom dia (para o diretor)
DIRETOR: Que bom dia nada! Não tem nada de bom nesse dia! Já começaram bagunçando a minha peça! Quem mandou colocar esses três personagens no início desta peça?
CONTRARREGRA (mais medroso ainda): Vo-você sa-sabe como é, chefinho... Esses personagens vivem querendo aparecer, surgem do nada! Mas já tô expulsando eles, ok? Xô, xô, xô (enxota os personagens do palco como se fossem animais).
DIRETOR (sozinho e sempre bravo): Pra que que eu aceitei essa porcaria de trabalho? Pois bem, prezado público, uma explicação agora é necessária. A peça a qual vocês irão assistir é inspirada em um conto, uma história curta e inventada, contada pelo personagem Beremiz ao califa Al-Motacém no livro de contos “O homem que calculava” (mostra o livro), de Malba Tahan, heterônimo do escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza. A versão em peça é uma adaptação desse conto escrita por um professor maluco chamado Carlos Brunno, que eu nunca nem vi e tenho raiva de quem viu. A versão que esse tal de Carlos Brunno fez é muito diferente da versão original. Pra ser sincero, eu pessoalmente acho essa versão desse tal de Carlos Brunno uma porcaria e recomendo que vocês leiam o original que está no livro “O homem que calculava”, que tem na biblioteca da sua escola. Só aceitei dirigir essa peça porque, com a escassez de emprego hoje em dia, eu tinha que trabalhar. Bem, é isso. Agora assistam à peça QUIETOS e me deixem trabalhar! Contrarregra, chama o dorminhoco do Narrador pra gente começar logo essa peça!
CONTRARREGRA (acorda o narrador): Narrador, vai logo! É a sua vez! (fala pra si, enquanto o NARRADOR abre preguiçosamente os braços e se direciona vagarosamente para a frente do palco) Ô vida cansativa, ô cambada de personagens ruins de jogo! Preciso mudar de emprego urgentemente.
NARRADOR/SANDMAN (de frente para o público): Olá, meu nome é Sandman, sou o Senhor dos Sonhos. Hoje trago-vos a história de meu sonho mais recente que veio pra mim após a leitura de um livro. Peço que sonhem comigo para que possamos acompanhar a história. Por isso, peço que fechem os olhos. Fechem os olhos. (atira purpurina no público) Isso, fechem os olhos. E agora reabram os olhos e sejam bem-vindos à história do meu sonho. (as duas SERVAS DE VÉU que seguravam a cortina, afastam-na e percebe-se que havia ali um rei, aparentando tristeza, sentado em seu trono. À frente, uma mesa [que será usada de várias formas mais tarde; como para ser colocado o tabuleiro de xadrez]. As 2 SERVAS DE VÉU passam cada uma a um lado do rei e passam a abaná-lo com leques ou espanadores).  Era uma vez um reino muito distante, governado pelo Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro, que vivia muito triste... Acompanhemos sua trajetória.
Rei IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO PRIMEIRO chora copiosamente e assoa o nariz em um lenço. Entram o SÚDITO QUARTZO LORENZETTI e o DIPLOMATA PEDRERNESTO.
QUARTZO LORENZETTI: Meu rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro, precisa parar com essa tristeza! O reino está uma bagunça! Falta pão! O povo sente fome!
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO: Fome, ora, fome! São todos uns va-ga-bun-dos isso sim! Estão com fome, falta pão? Que comam as goiabas divinas das Damas de Ares; é só invadir os jardins das vizinhas, trabalhar o roubo e roubarem, táoquêi! Não me venham com problemas, pois minha tristeza é infinita. (volta a chorar copiosamente)
DIPLOMATA PEDRERNESTO: Nosso rei sofre muito desde a morte de seu filho Iadavinha Zahyrzinho Bozocracinho...
(Rei Iadava Zahyr Bozocrácio chora mais ainda e assoa o nariz)
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO: Aqueles bárbaros vermelhos e barbudos, cambada de va-ga-bun-dos, mataram meu pobre filhinho Iadavinha Zahyrzinho Bozocracinho, só porque a gente queria invadir o país deles. Assassinos va-ga-bun-dos! Agora eu sofro eternamente sem meu filhinho querido, tico-tico do paipai... (e chora e assoa o nariz)
QUARTZO LORENZETTI: Mas, piedoso e majestoso chefe, precisa se recuperar do luto...
DIPLOMATA PEDRERNESTO: Para tirá-lo desta tristeza sem fim, trouxemos um professor de alegria.
(entra o Professor de Alegria, todo sorridente)
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (triste e irritado): Professor? Não preciso de professor, eu aprendi tudo sozinho, sou um autoditado!
PROFESSOR DA ALEGRIA (sempre sorridente, intervém didático): Desculpe-me, majestosa prepotência, mas a palavra adequada para designar uma pessoa que aprende as coisas sozinha, sem necessidade de professor é “autodidata”.
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (mais irritado ainda): Ousa me corrigir, seu idiota útil duma figa! Guardas, prendam esse va-ga-bun-do! (Guardas prendem o Professor da Alegria, que agora sorri timidamente. Iadava Zahyr Bozocrácio dirige-se para o súdito QUARTZO LORENZETTI) Súdito Quartzo Lorenzetti, avise o Ministro Oláquio Pau de Sebo pra cortar toda verba da educação.
SÚDITO QUARTZO LORENZETTI: Já cortamos, piedoso e majestoso chefe.
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO: Ah, tá. Então aumentem o imposto dessa cambada de va-ga-bun-dos! E, agora, me deixa aqui com minha tristeza sem fim, táoquêi. (volta a chorar e assoar o nariz)
DIPLOMATA PEDRERNESTO: Ainda não podemos deixá-lo-á com tamanha tristeza, magnânimo mestre. Se professores não te satisfazem, trouxe-te-lhe um poeta.
Guardas trazem arrastado o poeta.
DIPLOMATA PEDRERNESTO: O poeta veio de bom grado (nesse momento, o poeta tenta fugir, mas os guardas o seguram), pra declamar-te-lhe um poema pra alegrá-lo-ei. Comece a declamar o poema para seu piedoso e majestoso chefe, prezado poeta!
POETA (descontente): Trouxe-te um soneto, majestoso sacripanta.
(cena congela. Entra DICIONÁRIO VIVO)
DICIONÁRIO VIVO (com um dicionário nas mãos): Soneto é um poema de quatorze versos, distribuído em duas estrofes com 4 versos cada e 2 estrofes com 3 versos cada. Costuma ter seus versos (linhas) contados em dez ou doze sílabas poéticas e costuma ter rima. Já sacripanta significa aquele que é velhaco, patife, indigno. Continuemos a história...
(cena descongela com a saída do Narrador/Sandman.)
POETA: Eis o poema que faço em sua homenagem, majestoso senhor das bestas.
“Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.”
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (triste e irritado): Bela porcaria! Não entendi nada! Poema é coisa de va-ga-bun-do, táoquêi! (saudoso) Ah, que saudades do meu falecido filhinho Iadavinha Zahyrzinho Bozocracinho, ele adorava cortar o pescoço desses poetas va-ga-bun-dos! O Rei da Nova Inglaterra, meu querido amigo Donats Trumpet já dizia: ‘Poetas são seres ‘dangerigosos’!” Guardas, prendam esse va-ga-bun-do! (Guardas levam o poeta, que vai embora com ar debochado). Agora chega das suas trapalhadas, Diplomata Pedrernesto, ninguém pode me tirar desta tristeza sem fim.
Entra Lahur Sessa.
LAHUR SESSA: Eu posso, querida majestade!
SERVA DE VÉU 1: É um iluminado?
SERVA DE VÉU 2:  É um pavão?
QUARTZO LORENZETTI (empolgado): Não, é o sábio Lahur Sessa com um tabuleiro de xadrez na mão!
DIPLOMATA PEDRERNESTO (agradecido): Graças, Lahur Sessa é nosso herói e da tristeza tirá-lo-á, piedoso e majestoso chefe!
Lahur Sessa coloca um tabuleiro de xadrez na mesa.
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (surpreendido): O que é isso, jovenzinho?
LAHUR SESSA: Este é um tabuleiro de xadrez, querida e desafortunada majestade. Tal jogo dispõe de oito peças pequeninas - os peões. Representam a infantaria, que ameaça avançar sobre o inimigo para desbaratá-lo. Secundando a ação dos peões vêm as torres, representadas por peças maiores e mais poderosas; a cavalaria, indispensável no combate, aparece, igualmente, no jogo, simbolizada por duas peças que podem saltar, como dois cavalos, sobre as outras; e, para intensificar o ataque, incluem-se – para representar os guerreiros cheios de nobreza e prestígio - os dois vizires do rei . Outra peça, dotada de amplos movimentos, mais eficiente e poderosa do que as demais, representará o espírito de nacionalidade do povo e será chamada a rainha. Completa a coleção uma peça que isolada pouco vale, mas se torna muito forte quando amparada pelas outras. É o rei.
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (intrigado): Hum, interessante! Mas por que é a rainha mais forte e mais poderosa que o próprio rei? Que eu saiba mulher só nasce depois de uma fraquejada dos homens, esses sim, mais poderosos que o sexo frágil.
LAHUR SESSA: A rainha é mais poderosa, porque representa, nesse jogo, o patriotismo do povo. A maior força do trono reside, principalmente, na exaltação de seus súditos. Como poderia o rei resistir ao ataque dos adversários, se não contasse com o espírito de abnegação e sacrifício daqueles que o cercam e zelam pela integridade da pátria?
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (contente): Isso, isso, pátria acima de todos! Finalmente um jogo que me entende!
DIPLOMATA PEDRERNESTO (satisfeito): Olha, Quartzo Lorenzetti, Lahur Sessa conseguiu fazer o rei esquecer sua tristeza e sorrir.
QUARTZO LORENZETTI (também satisfeito): Sim! Agora deixemos eles a sós, se divertindo!
DIPLOMATA PEDRERNESTO: Sim, partamo-les.
DIPLOMATA PEDRERNESTO e QUARTZO LORENZETTI saem. Enquanto LAHUR SESSA mostra o jogo para IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO, entra NARRADOR/SANDMAN.
SANDMAN: E, encantado com o jogo, o rei Iadava Zahyr Bozocrácio passou horas e horas aprendendo o jogo de xadrez.
SANDMAN sai.
LAHUR SESSA: ... E essa aqui é uma jogada rara e rápida chamada Mate do Louco.
Entram CORINGA e ARLEQUINA.
CORINGA: Opa! Rá, rá, rá! Eu escutei “louco”! Opa, me chamaram, rá, rá, rá (atiram água no público)
DIRETOR (entra mais uma vez bravo no palco; cena congela): Contrarregra!!!! Que bagunça é essa!!! Quem mandou esses personagens malucos, que não tem nada a ver com a peça aparecerem! Eita trabalho desgraçado!
CONTRARREGRA (desesperado de medo): Ca-calma, chefinho! Já estou expulsando eles, ok? Xô, xô, xô (enxota os personagens do palco como se fossem animais. CORINGA e ARLEQUINA atiram água nele, enquanto são expulsos do palco).
(cena retorna)
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO (agradecido): Meu nobre Lahur Sessa, você me tirou da tristeza e me ensinou este jogo interessantíssimo! Como posso te recompensar?
LAHUR SESSA: Rei poderoso! Vou, pois, aceitar, pelo jogo que inventei, uma recompensa que corresponde à vossa generosidade; não desejo, contudo, nem ouro, nem terras ou palácios. Peço o meu pagamento em grãos de trigo.
IADAVA BOZOCRÁCIO: (para o público) Que otário! (para Lahur Sessa) Grãos de trigo? Então, táoquêi! Quantos você quer?
LAHUR SESSA: Vossa majestade vai me dar um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro; dois pela segunda, quatro pela terceira, oito pela quarta, e, assim dobrando sucessivamente, até a sexagésima quarta e última casa do tabuleiro. Peço-lhe, ó rei, de acordo com a sua magnânima oferta, que autorize o pagamento em grãos de trigo, e assim como indiquei!
IADAVA BOZOCRÁCIO: (para o público) Mas é otário mesmo; me dei bem! (para Lahur Sessa) Negócio fechado! Autorizo o pagamento! (as DUAS SERVAS colocam a mão na testa, aparentando saberem que o rei fez besteira) Contador Guedim, venha pagar esse bondoso homem!
CONTADOR GUEDIM entra.
CONTADOR GUEDIM (entra com um caderno e caneta): Chamou-me, majestoso e piedoso arremedo de chefe. A quem devo pagar e como se dará o pagamento?
IADAVA BOZOCRÁCIO: Nobre Lahur Sessa, explique ao contador Guedim como o senhor quer receber o pagamento que esse negócio de conta é com ele.
LAHUR SESSA: Eu quero receber o pagamento assim...
(Lahur Sessa cochicha no ouvido de Guedim. Guedim vai fazendo as contas assombrado)
IADAVA BOZOCRÁCIO: Não demore tanto pra fazer umas continhas bobas, Contador Guedim. Paga logo o homem, táoquêi.
GUEDIM (embaraçado, puxa o rei para um canto): Majestade Iadava Zahyr Bozocrácio, como o senhor me fecha um negócio desse sem me consultar? Eu fiz as contas... Para se obter esse total de grãos de trigo, devemos elevar o número 2 ao expoente 64, e do resultado tirar uma unidade. Trata-se de um número verdadeiramente astronômico, de vinte algarismos. São 18 quintilhões 446 quadrilhões 744 trilhões 73 bilhões 709 milhões 551 mil e 615 grãos de trigo!
IADAVA BOZOCRÁCIO (incrédulo): Isso tudo?
GUEDIM (embaraçado): Nem em 2 000 séculos produziríamos a quantidade de trigo que, pela sua promessa, cabe, em pleno direito, ao jovem Sessa!
IADAVA BOZOCRÁCIO (desesperado): Diacho! E agora, contador Guedim, o que eu faço?
GUEDIM: O de sempre, majestoso e piedoso arremedo de chefe! Volta atrás com a sua promessa e dá um cargo no reino para o Lahur Sessa não denunciar a gente pra imprensa.
NARRADOR/SANDMAN entra.
NARRADOR/SANDMAN: E foi assim que o inteligente Lahur Sessa ganhou o cargo de Sábio Marajá no reino de Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro. Com salário alto e pouco trabalho, passou sua vida dedicando-se a jogar xadrez com o rei.
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO: Você me ensinou uma importante lição, nobre Sábio Marajá Lahur Sessa.
LAHUR SESSA: Ah, finalmente meu poderoso rei, você aprendeu que deve refletir, meditar bem, antes de agir?
IADAVA ZAHYR BOZOCRÁCIO: Claro que não, Sábio Marajá Lahur Sessa! Ora, eu sempre penso antes de agir ou falar, táoquêi! O que eu aprendi mesmo é que existem quadrilhão e quintilhão. Eu pensei que só existia números até o trilhão! Guardas, tragam aquele va-ga-bun-do daquele tal de poeta para encerrar essa história.
POETA:
Cumprimento a minha frente um forte adversário
E minhas negras peças ainda somam dezesseis
Tão grande e fascinante, és tu jogo lendário
Inicio agora, uma difícil batalha no xadrez:

Empurro meu peão que avança com alguma timidez
Quem me dera ser um mestre e ter alguma altivez
Neste jogo que, entre dois, cada um tem sua vez!
Hoje popular, mas que outrora foi somente de nobres e reis
Inspirado por Deus, com certeza, foi o sábio que o fez
Quem o aprende não consegue jogá-lo somente uma vez
O poeta que vos fala, do forte adversário, já virou freguês
És jogado por todos os povos, do brasileiro ao polonês
Comentado em todas as línguas, em árabe e também em português
Em terras tupiniquins, chegaste com pompa e sisudez
Mas, aos pouquinhos, conquistaste este povo que te chama de xadrez
E agora, peço desculpa e licença a todos vocês,
Pois, no tabuleiro da minha mesa, chegou de novo a minha vez.
(Todos os personagens, que iam se aproximando à medida que o poeta declamava, declamam os versos abaixo juntos)
TODOS:
“Vamos jogar xadrez
Vamos jogar xadrez
Nós todos já aprendemos
Agora é sua vez
Luz, Câmera...Alcino!
– Xeque-mate!”

Esquete "Luz, Câmera...Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem que Sabiamente Calculava" em vídeo
O Grupo Luz, Câmera... Alcino! 2019 esteve presente na Abertura do IX Torneio Xeque Mate, organizado pelo mais que fodástico professoramigo poetatleta Genaldo Lial da Silva, na manhã e tarde do dia 06/06/2019, com o esquete "Luz, Câmera...Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem que Sabiamente Calculava", obra satírica escrita por mim e livremente inspirada no conto do xadrez do livro "O Homem que Calculava", de Malba Tahan, + poema de Gregório de Matos + poema de Genaldo Lial. O texto final teve revisões dos artistalunos que atuaram no esquete.
O esquete contou com a atuação de Maria Vitória Souza do Carmo (Beremiz), Emily Correa da Silva (Malba Tahan), Natália Vitório R. Honório (Julio César Melllo e Souza), Julia Marques (Diretora), Juslaine Bepler (Contrarregra), Ingrid de Oliveira dos Santos (Sandman), Camila Vitória (Serva do Véu 1), Isabelle Mello (Serva do Véu 2), Maria Gabriela Ferreira Luz (Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro), Katheleen Maciel (Ministro Quartzo Lorenzetti), Leandro Hyatti Ciriaco (Diplomata Pedrernesto), Malu Carvalho (Professora de Alegria), Cleyton Arruda Filgueiras (Chefe da Guarda), Karolaine de Araújo (Guarda 1), Andressa Silva (Guarda 2),  Anna Julia de Jesus (Poeta), Daniele dos Santos (Dicionário Vivo), Andressa de Oliveira Silva (Lahur Sessa), Carlos Brunno (Coringa), Vitória Fernandes (Arlequina) e Michele Ponte (Contador Guedim). A direção do esquete e roteiro final foi de minha autoria. A apresentação da manhã teve supervisão e direção artística das artistalunas Ana Julia Duarte e Ana Clara Oliveira. A direção de som foi do Professor Artistativistamigo Daniel Coelho.
Agradecimentos especiais: Durante os ensaios, tivemos apoio e dicas de interpretação dos Professores Genaldo Lial e Antonio Carregosa.
 O registro em vídeo foi realizado pelos cineastas alunos Ana Clara Oliveira (manhã) e Raul Damazio da Silva (tarde).

IX Torneio Xeque Mate Alcino: 
O documentário
Luz, Câmera... Alcino! 2019, além de estar presente na Abertura do IX Torneio Xeque Mate, organizado pelo mais que fodástico professoramigo poetatleta Genaldo Lial dA Silva, na manhã e tarde do dia 06/06/2019, com o esquete "Luz, Câmera...Alcino! no Reino do Rei Iadava Zahyr Bozocrácio Primeiro com o Homem que Sabiamente Calculava", também elaborou um curta de entrevistas com participantes do esquete e do evento.
O maravilhoso vídeo de entrevistas foi idealizado pela artistaluna Maria Vitória Souza do Carmo (ela pensava até em um vídeo mais amplo e consequentemente maior, mas fatores não previstos impediram uma obra prima maior) foi filmado, produzido e editado por Malu Carvalho,  teve a participação de Julia Marques, Ana Julia de Jesus, Maria Vitória Souza do Carmo e Michele Ponte e conta com entrevistas com os atores Emily Correa da Silva (Malba Tahan), Vitória Fernandes (Arlequina), Camila Vitória (Serva de Véu), Andressa Silva (Guarda), Cleyton Arruda (Chefe dos Guardas) e o vilão Coringa (!).

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Lembrando momentos marcantes do primeiro trimestre de 2019: Monólogos de Dor & O Circo Musical do Amor


Era quinta-feira, dia 14 de março de 2019, um dia após dois jovens, imitando o massacre de Columbine, abrirem fogo dentro da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo e deixarem marcas de sangue e luto no coração do Brasil. Era uma quinta-feira, inicialmente cinza, nublada, quase fria, com ares de luto coletivo. Como professor, acompanhar a notícia no dia anterior foi assustador;  dar aula no dia seguinte, na fatídica quinta-feira, dia seguinte ao massacre de Suzano, era estranho, perturbador. Precisávamos falar sobre os massacres, a violência nas escolas; era um assunto delicado, mas precisávamos falar sobre Kevins (quem é cinéfilo ou ávido leitor, entende a referência), sobre a perturbadora onda de violência que há tempos grita nas problemáticas diárias das escolas. Preparei às pressas material sobre o assunto, alterando todo o planejamento do resto da semana (era um assunto delicado, mas precisava ser abordado, não se esconde um elefante deste no canto da sala [quem é cinéfilo, novamente saca a segunda referência]). O segundo susto veio logo no início da mesma manhã de quinta-feira:  enquanto a orientadora da escola, Flávia Araújo, iniciava a manhã com uma reunião com todos os alunos na quadra para falar sobre o assunto, muitos silêncios estranhos, muitos burburinhos de indiferença e pouco luto, parca compaixão, a violência não mais escandalizava – se tornava algo distante, vítimas veladas à distância pelas velas do esquecimento e/ou ignorância. Um projeto se formou na minha cabeça naquele instante: precisávamos  cada vez mais urgentemente falar disso, nos indignarmos, sentir a dor do outro, clamar por um mundo melhor, sem notícias ensanguentadas e trágicas como a do dia anterior. E não podíamos esquecer, pois esquecer é manter os erros, a ignorância, a indiferença e deixar acontecer de novo e de novo e de novo...
Trabalhei com os nonos anos o histórico de massacres, debatemos, conversamos, tomamos conhecimento, exercitamos o fim da indiferença, sempre tomando como foco mais as vítimas, sempre relegadas a segundo plano em noticiários, que os praticantes dos massacres. A partir daí, obtive apoio de outros profissionais da educação da escola onde leciono – o tema era delicado demais pra seguir sozinho -, os artistalunos usaram seus conhecimentos e sensibilidade e produziram diversos monólogos, cada um representando uma escola ferida pela ferida. Essas produções textuais são as que posto hoje, juntamente com o vídeo da emocionante apresentação do Luz, Câmera... Alcino 2019, composta pelos monólogos que os artistalunos escreveram: a peça "Monólogos de Dor e a Alegria do Circo Musical", sobre a violência nas escolas e um pedido de paz e esperança, com o histórico encontro dos artistalunos dos nossos anos com o Pré II, da formidável professoramiga Patricia Ignácio. Deixo aqui nesta postagem agradecimentos especiais à super equipe diretiva da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/Rj, que acreditaram no projeto e permitiram que o evento fosse realizado, aos professores amigos que apoiaram o evento, aos artistalunos da direção artística (Ana Júlia Ana Julia Duarte e Ana Clara Oliveira) e aos novos e veteranos artistalunos do Luz, Câmera...Alcino. Foi lindo demais!
A apresentação teve sonoplastia dos Professores Daniel e Genaldo Lial. A peça, resultado de redações de monólogos escritas pelos artistalunos do nono ano + performance elaborada pelo Pré II de Patricia Ignácio, aconteceu na Quadra da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva na quinta-feira, dia 11/04/2019, e a filmagem foi realizada pelo Professor Júnior, lírico matemático.
Amemos mais os próximos e os distantes, amigos leitores, e fiquemos em paz. Arte Sempre e nós sempre  abraçados, ao lado (e não acima) de todos.

Monólogos da dor

I
Meu Deus, o que está aconteceu com esse mundo? Tantas pessoas morrendo, tantas famílias sofrendo, o que mais podemos fazer para ter um mundo melhor? As pessoas estão indo de mal a pior. Precisamos de paz e união; jovens estão morrendo e se matando por depressão.
Monólogo escrito por Ramon, Guilherme, Gustavo Silva, Jonathan e Miguel

II
Naquele dia, foi feito um dos maiores massacres já acontecidos no mundo. Naquele dia, eu só lembrei de correr para bem longe, eu só escutava barulho de tiros, alunos gritando e correndo com medo. Corri, fugi da escola para chamar alguém pra ir lá ajudar os outros. Mais de 10 alunos foram mortos a tiros.
Isso tudo foi feito por dois ex-alunos da escola. Eles nunca gostaram dos professores, nem da escola toda. No final de tudo, os dois garotos se mataram a tiros.
Agora está tudo bem comigo e com os outros sobreviventes do massacre na escola. Mas uma marca de sangue fica em nossa memória, uma mancha que sempre sangra em nossa mente.
Monólogo escrito por Marcus Vinicius e Ana Gabriela

III
Sou Columbine e infelizmente a mais famosa escola vítima de um massacre.
No dia 20 de abril de 1999, minhas paredes foram manchadas de sangue, pois dois jovens chegaram e mataram 13 alunos. Um dos atiradores tinha 17 e o outro 18.
Às 11h19, presenciei Eric Harris e Dylan Klebold, dois alunos que viviam dentro de mim, ferirem, matarem e, depois, se matarem.
Foi o momento mais triste da minha vida.
Monólogo escrito por Vitória, Camila, Livia, Kawan e Kayk

IV
Eu sou Columbine High School, da cidade de Littletown, no Colorado. Peço desculpas pelo meu humor triste, pois, desde o dia 20 de abril de 1999, eu não tenho mais alegria. Nunca fui tão triste em toda minha vida como naquele dia. Vou tentar explicar o que aconteceu: dois dos meus alunos entraram armados, matando cerca de 13 alunos e ainda deixaram mais de 20 pessoas feridas, antes de se matarem. O que mais me dói é que se alguém soubesse que eles eram depressivos, que eram sozinhos, que sofriam bullying, talvez nada disso teria acontecido, nada, nem ninguém estaria triste como eu estou.
Se a Swat tivesse chegado antes, talvez seria menos doloroso lembrar daquelas cenas. E, só de pensar que o número de mortes, era para ter sido maior e não foi é um ‘alívio’. Mesmo assim, ainda sinto o sangue das vítimas dentro de mim, ainda escuto os gritos e pedidos de socorro ecoando pelas paredes da biblioteca. E só de pensar que os assassinos escolhiam suas vítimas chega até a dar raiva dentro de mim. E o mais incrível é que em 16 minutos eles mataram 12 alunos e 1 professor.
Isso tudo é uma triste e horrível história e, de coração, não quero que aconteça com ninguém! Porque vocês não sabem o que estou, estava e sempre vou sentir dentro de mim. Já faz quase 20 anos e não passa!
Monólogo escrito por Andressa, Katheleen, Ingrid, Isabelle e Emily

V
Olá, meu nome é Virginia Tech, sou um instituto politécnico e uma universidade estadual.
No dia 16 de abril de 2008, um de meus estudantes, de 23 anos, matou 32 colegas e professores antes de cometer suicídio.
Com minhas paredes ensanguentadas, vi no olhar dos alunos que ainda permaneciam vivos o desespero, a angústia e a tristeza.
O estudante psicopata foi até um alojamento por volta das 7:15 e matou duas pessoas, um homem e uma mulher.
Ele fugiu do local antes de as autoridades chegarem e todos pensaram que ele já havia me abandonado, porém, com mais ódio e raiva, o estudante voltou duas horas depois, começando a cometer o terrível segundo ataque, que tirou a vida de 30 pessoas e logo em seguida suicidou.
Nunca entendi o motivo pelo qual ele fez aquilo; ele sempre parecia estar sorrindo em meus corredores, mas nunca imaginei que aquele sorriso era tão maldoso.
Sim, eu sou considerada a universidade com o maior número de mortos dentro de mim, esse é um crime que eu nunca mais esquecerei.
Queria ter evitado tudo isso, mas não foi possível.
Me desculpem.
Monólogo escrito por Ana Clara, Ana Julia, Tayssa, Pedro Henrique e Marcelo

VI
Ser um dos pais do assassino não é fácil... Me sinto culpado por não ter cuidado direito dele. Pra mim, que sou pai, não é fácil, não consigo parar de pensar nessa desgraça que ele fez a essas crianças e a si mesmo. Já procurei uma forma para tentar diminuir esse sentimento de culpa que fica agoniando dentro de mim; estou sofrendo muito com tudo isso, com essa amargura que me agonia todos os dias, já pensei em desistir, sabia? Queria ter sido um pai mais presente na vida de meu filho para que ele não tivesse feito essa escolha. Nunca imaginei que um dia ia sofrer tanto como estou sofrendo hoje, já procurei várias maneiras pra esquecer, mas não é fácil pra mim.
Monólogo escrito por Walace, Romullo e Gustavo Lopes

VII
Olá, me chamo Sandy Hook, desculpas eu peço por não demonstrar sorrisos, pois, no dia 14 de dezembro de 2012, um atirador chamado Adam Lanza, de 20 anos, me invadiu e matou 26 pessoas que estavam dentro de mim. 20 destas pessoas eram crianças entre cinco e dez anos. Eu fico muito triste em saber que um homem de 20 anos planejou assassinar crianças. O que o levou a fazer isso? Até hoje ninguém sabe...
Monólogo escrito por  Brenda, Evelly, Julia e Rafael

VIII
Oi, sou Sandy Hook. Em dezembro de 2012, aconteceu um massacre em mim. Um rapaz chamado Adam Lanza abriu fogo em mim, matando 26 pessoas, vinte delas crianças de cinco a dez anos.
Soube que, depois desse crime, a mãe dele foi encontrada morta em sua casa.
Não sabemos os motivos que levaram Adam Lanza a fazer esse massacre. Ele tinha familiaridade com o acesso a armas de fogos e munições e uma obsessão por assassinatos em larga escala. Dizem que ele se inspirou no tiroteio que ocorreu na escola de Columbine em abril de 1999.
Monólogo escrito por Gabriela e Camille

IX
Como podes entrar assim tão de repente matando jovens inocentes. Por que matou sua mãe, por que matou essas crianças, elas podiam ter crescido, montado suas vidas; e seus familiares como achas que estão, chorando agora, sem pensar e perdão.
Oh, Adam Lanza, por que fez isso com crianças, crianças com apenas cinco, dez anos de idade, faz-me pensar o que será de nós, será que você tinha problemas, ou fez por diversão, você nunca parou para pensar; já não bastava o massacre em Columbine, agora vem você querendo imitar, matar professores, sem ao menos pensar por quê...
Monólogo escrito por Alice dos Santos, Juslaine Bepler, Maria Eduarda Rodrigues, Patrick e Ruan

X
Ah, se eu soubesse que seria desse jeito (choro) só queria ter o abraço pra ver se pelo menos eu consigo continuar a viver. O mundo tira de nós nossos bens mais preciosos... sinto tanto sua falta... se você pudesse pelo menos ouvir, ah, como eu queria dizer que te amo, te abraçar, não sei mais o que faço da minha vida se você era a minha vida... Por que se foi assim? Um menino tão bom, estudioso, educado... Minha vida se foi com você e a saudade ficou quando você se foi.
Monólogo escrito por Carine e  Livia

XI
Olá, sou Tasso da Silveira, uma simples escola. Todos os dias em mim, é simplesmente um dia comum de aula. Mas algumas lembranças minhas não são muito boas...
No dia 7 de setembro de 2011, na parte da manhã, aqui em Realengo, um ex-aluno disse que iria fazer uma palestra. Já em minha sala, esse ex-aluno, na época um jovem de 23 anos, sacou uma arma e matou doze adolescentes. O ataque só parou quando um sargento da polícia baleou sua perna. Ferido, o assassino se matou.
Até hoje me lembro daquelas cenas. Depois daquilo, meu coração tem a mancha do sangue daqueles jovens.
Monólogo escrito por Victhor Hugo, Maria Eduarda Bravim, Kethelin Oliveira, Débora de Faria e Eduardo.

XII
Cenas horríveis... Como vou fazer para apagar da minha mente?
Eu estava na porta da secretaria quando escutei um barulho muito forte. Na hora, eu não me virei para ver o que estava acontecendo. Pensei que era alguma brincadeira de alunos bagunceiros, mas de repente comecei a escutar pedidos de socorro, correria, então me virei para ver o que estava acontecendo.
Quando me virei, minha amiga que estava ao meu lado caiu no chão e... morreu na hora. Eu fiquei desesperada, tentei acordar minha amiga, mas o assassino me viu e apontou a arma para mim.
Nesse momento, comecei a pedir a Deus para me proteger. Então, nesse momento, eu corri. Ele atirou e acertou meu braço. Consegui correr para o banheiro, que estava cheio na hora que eu entrei. Todos estavam desesperados, ligando para seus pais. Eu imediatamente vi a professora e pedi a ela para ligar para meus pais. Ela tentou ligar, mas só dava caixa de mensagem. Então se passaram 20 minutos e eu desmaiei.
Quando acordei, estava no hospital e, graças a Deus, me recuperei bem, mas as cenas não saíram da minha mente.
Monólogo escrito por Vitor Sepolar, Raiane, Daniel e Maria Victória.

XIII
Goyazes me chamo, marcas de sangue eu tenho, 2 vítimas jovens com sonhos. Em minhas paredes sangue derramado, sonhos quebrados, vidas perdidas, pessoas feridas... Há mais de um ano isso tudo aconteceu, esquecidos fomos, porém a dor nunca nos esqueceu...
Monólogo escrito por Michele

XIV
Sangue, munição, duas puxadas de gatilho e um frio que nada tira. Eu entro em coma, um coma do qual é melhor não acordar. Violência é maior que tristeza, tiroteios são maiores que as melhores lembranças e uma arma é maior que duas vidas. Hoje choramos e nos machucamos mais e mais quando lembramos. Meu nome é Goyazes e estou desabando...
Monólogo escrito por Yuri, Cleyton, Kauan e João Pedro

XV
Eu sou o Colégio Goyazes. Tenho marca de sangue em mim desde outubro de 2017. Estava tudo tranquilo comigo até que um aluno que sofria bullying assassinou 2 alunos a tiros e aquilo causou o pior desespero a todos. O garoto de 14 anos tinha planejado isso há 2 meses e tinha se inspirado no massacre de Columbine. Isso foi assustador, sim... Dizem que ele queria assassinar somente o garoto que fazia bullying com ele, mas sentiu vontade de assassinar mais e matou mais outro garoto. Vou levar essa marca para sempre em mim.
Monólogo escrito por Daniele, Estela e Maria Eduarda França

XVI
Olá, eu sou Marjory Stoneman Douglas High School, de Parkland. Em 2018, sofri um atentado por um jovem pisicopata cheio de ódio. Com 19 anos, ele foi capaz de matar 13 pessoas na minha parte interna, 2 pessoas na parte externa e outras 2 não resistiram aos ferimentos e foram a óbito. Eu nunca mais fui a mesma depois do ocorrido, fico triste e com medo – não sei se pode vir a acontecer de novo. Ainda estou muito abalada... como um jovem daquele pode cometer um ato tão violento comigo?
Monólogo escrito por Wesley, Romário, João Vitor e Wallace

XVII
Era uma manhã como qualquer outra (ou, pelo menos, parecia. Acordei, fui fazer café e, logo em seguida, fui acordar a Elizabeth para ir para a escola. Quando cheguei na cozinha, senti algo diferente, como se algo me prendesse naquele momento para sempre, porém não achei que deveria levar a sério, pois esse sentimento já tinha se repetido algumas vezes. Então a Elizabeth desceu e fomos à mesa para tomar café, e, pela primeira vez, olhei para os olhos dela, como se nunca tivesse olhado antes. Mas, logo após tomarmos o café, percebemos que estávamos atrasadas.
Fui até a garagem pegar o carro, enquanto Elizabeth escovava os dentes, então pegamos estrada até a escola. Chegando lá, dei um beijo nela como de costume, dei tchaul e ela logo entrou para o pátio. Esperei ela entrar e voltei para casa com aquele aperto no coração.
Logo que cheguei em casa, fui fazer as tarefas de costume e, então, por volta das 10:30, resolvi fazer o almoço para o meu marido Edward e para a Elizabeth, pois como sempre ela chegava faminta da escola. Edward então chegou para almoçar e voltou ao trabalho. Por volta das 11:40, eu já estava esperando Elizabeth chegar.
Por volta das 12 horas, eu já estava ficando preocupada, pois Elizabeth de costume chegava por volta das 11:50, mas achei que era algum atraso normal, pois já tinha ocorrido algumas vezes. Mas, quando o relógio indicou 12:20, resolvi fazer uma ligação. Talvez parecesse exagero, mas nunca tinha acontecido antes como naquele dia, então fui para a cozinha, peguei o telefone e, em seguida, liguei para a escola, porém não fui atendida. Liguei algumas outras vezes e nada, então resolvi esperar alguns minutos a mais. 10 minutos se passaram e ela não tinha chegado ainda, então resolvi ir até a escola.
Chegando lá, vi o pátio em desespero, então senti uma enorme dor me corroendo por dentro. Saí do carro desesperadamente, entrei correndo pela porta principal. Quando me aproximei, tive a notícia do que tinha acontecido. Não conseguia parar de chorar e pensar o que poderia ter acontecido com minha filha Elizabeth. O corredor estava coberto de sangue. Entrei novamente em desespero. Foi quando encontrei alguns policiais e perguntei o que havia naquele lugar. Eles isolaram o local e pediram para eu descrever como era a Elizabeth.
De tanto chorar, eu não conseguia falar. Eles me acalmaram, na medida do possível, para que eu fizesse a descrição de Elizabeth, então pediram que eu aguardasse. Impaciente, esperei, como se não tivesse acontecido nada, na esperança de que ela logo estaria em meus braços, mas, no fundo, eu sentia que não estava nada bem.
Então eles voltaram, olhando para mim cabisbaixos e me disseram: “Eu sinto muito”. Depois disso, algo me puxou para baixo, me desmoronando completamente por dentro, eu senti como se tivessem tirado algo de mim, uma grande parte de meu coração.
Por um momento, me senti culpada por não ter levado a sério meus pressentimentos, por não ter mudado isso. Me tiraram lá de dentro, eu lutei para ficar lá e juro que lutei o máximo que pude, mas minhas forças acabaram.
É, eu perdi quem eu mais amava na minha vida e sinto uma infinita solidão.
Jamais queiram sentir o que eu senti – perder um pedaço de você e não poder fazer nada!...
Monólogo escrito por Samara e Milena

XVIII
Desde 13 de março ainda ouço gritos de horrores e desespero pelos meus corredores, minhas paredes foram manchadas com sangue inocente.
Um dia, eles serão esquecidos por muitos, mas eu não esquecerei, nem os familiares das vítimas, como superar tamanha tragédia? Como será daqui pra frente?
Meu nome é Raul Brasil e não é um prazer me apresentar a vocês.
Monólogo escrito por Ryan Portilho, Pedro Ferraz, Esther Aquino, Marlon Augusto e Ester Monnerat

XIX
Oi, eu sou a escola Raul Brasil. A manhã de quarta-feira, dia 13 de março, ficou marcada na minha história. Como podem ter feito isso comigo, vocês eram como meus filhos e, agora, minhas paredes têm manchas de sangue.
Sempre terei lembranças dos tiros - tiros que foram disparados aleatoriamente e a sangue frio – e eu vi os corpos ali; eu via e não podia fazer nada, estava ali imóvel, enquanto Guilherme e Taucci abriam fogo contra mim. Os tiros e os gritos de desespero me assombram até hoje; por mais que passem os dias, meses e até mesmo anos, eu sempre vou ter essas memórias vagando. E isso dói muiti, não consigo mais ter um sorriso em meu rosto.
Monólogo escrito por Maria Gabriela e Maria Vitória Souza

XX
Só hoje eu pude perceber o quão perdido está o mundo e que precisamos andar sempre desconfiando de tudo e de todos. Quando me ligaram da escola para me contar do acontecido, a minha ficha não caiu enquanto não vi o meu filho morto. Assim que eu o vi, meu mundo desabou e eu nem conseguia falar de tanto que eu chorava. Mas, do mesmo jeito que aconteceu com o meu filho, poderia ter acontecido com qualquer pessoa. O maior problema é que andamos por aí com o pensamento de que nunca irá acontecer com a gente ou com nosso filho, e, quando acontece, você está completamente despreparada. Na hora que você descobre a notícia, você não acredita e, quando sua ficha realmente cai, você fica realmente sem chão. No começo, eu sofri muito e senti muita falta, mas não é só dos momentos bons que me lembro; sinto falta até das brigas que nós tínhamos quando ele não arrumava o quarto ou não fazia as tarefas de casa... Só que a gente só dá o valor necessário que a pessoa merece depois que a gente perde ela, e, hoje, eu percebo que ele e eu podíamos ter passado muito mais tempo juntos, feito muitas coisas que não fiz porque eu achava aquelas coisas bobas.
É muito triste você perder uma pessoa que você ama desde o primeiro batimento cardíaco, desde o primeiro sorriso e até desde o primeiro choro. Eu presenciei ele nascer, crescer e desenvolver, eu participei de tudo desde o primeiro passo até o último. Eu o amava mais que a mim mesma e, se pudesse, eu teria ido no lugar dele. Às vezes, me pego pensando nele e, por mais que eu finja estar bem e siga minha vida, é super complicado, porque ele era um pedaço de mim, e, por sinal, o mais importante. Agora eu vou ter que conviver sem ele e sei que vai ser muito difícil, mas eu vou tentar, porque sei que, se ele pudesse me ver lá de cima, não iria querer me ver triste e chorando porque ele se foi.
Eu queria poder, pelo menos, dar um último abraço e também poder dizer um “Eu te amo” pela última vez, e, agora, percebo que tinha que ter dito isso mais vezes do que eu falei, mas não imaginava que ele pudesse ir tão cedo.
E agora eu ando pelas ruas, com medo no coração, porque, depois do acontecido, passei a ser muito mais desconfiada do que era antes. E eu queria que as pessoas também começassem a ser mais cuidadosas consigo mesmas e com seus filhos, porque - eu falo por uma experiência própria – não adianta ser cuidadosas só depois que acontece algo inacreditável, tipo o que aconteceu com o meu filho; devemos cuidar mais para isso não acontecer mais, e as escolas, os governos, sei lá quais responsáveis pela verba da educação nesse país, poderiam contribuir com tratamentos psicológicos para os estudantes para eles receberem a orientação desde cedo, porque eles serão não só o futuro do país, e sim do mundo todo.
Precisamos melhorar nossas atitudes, sermos mais protetores com os nossos filhos e darmos muito amor, carinho e dedicação a eles, porque nós não sabemos a hora que eles irão partir. Devemos aproveitar cada segundo como se fosse o último, pois não sabemos o dia de amanhã.
Monólogo escrito por Leticia e Tiago

XXI
(adaptação da letra de música de Charlie Brown Jr. “Onde não existe a paz não existe o amor”)

Fico sem saber pra onde eu vou
Quando vejo a situação no mundo em que estou
Destilar meu ódio
Ou só falar de amor
Sabe-se lá a diferença
Entre os olhos que enxergam
E os que não querem enxergar
Mas se eu berrar no microfone
Onde não existe a paz não existe o amor...
A subida é longa
E o chão é de pedra
Dificuldade em domar as próprias pernas
O mundo que se move nem sempre a seu favor
Você precisa ter coragem pra provar o seu valor
Mas ao contrário da vontade esquecida por nós dois
O tempo não muda
Não deixa nada pra depois
Mas se eu puder, viver, amar intensamente
Bem mais do que eu odeio tudo ao meu redor
A gente tem que provar todo dia quem a gente é

Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
 Fique em paz e nos tire desse horror
Fique em paz e ressuscite o amor

A peça em vídeo: 
Luz, Câmera...Alcino! apresenta Monólogos de Dor & O Circo Musical do Amor


Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...