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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Páscoa em Cena: Ressuscitando as postagens do blog com uma exposição dos quadrinhos líricos dos artistalunos da Escola Municipal Alcino


Hoje o Facebook me lembrou pela milésima vez que há tempos não publico nada no blog; o aniversário do Sarau Solidões Coletivas passou silencioso (dia 21 de abril), assim como tantas outras datas; a rotina frenética; as pequenas violências diárias que sofremos a cada dia; 2019 nos atropela com seu caminhão temporal acelerado e hitlérico. Poderia mais uma vez, além das causas anteriormente expostas, lembrar que, em períodos de longos feriados fico grande parte do tempo na casa de mamãe, onde dependo do wifi da internet do meu irmão que nunca funciona em longos feriados ou lembrar que tô cansado pra ka...ramba e mais um monte de blá blá blá e mimimi (pra quem lê de fora) que já expus e re-expus em outros momentos, mas vamos ao que interessa: arte, renovArte. [Penso que a introdução já cumpriu o seu objetivo principal, que é avisar antecipadamente que essa postagem tá meio BASTANTE atrasada; por isso vamos ao que interessa].
A postagem de hoje, que renova o marcador Poemas - HQs, foi planejado para a sexta ou sábado de Páscoa (sim, tá atrasadaça, mas arte boa desconhece relógios e calendários), tanto que fiquei na escola fora do meu horário encarando um dos escaners mais esforçados, mas também um dos mais lentos do universo, para que todo o material fosse postado em tempo real, mas a Páscoa passou, Jesus ressuscitou e a Oi Velox do meu irmão não realizou o mesmo feito que nosso Redentor e o retorno às atividades escolares foi tão intenso que o corpo não resistiu à tentação de breves procrastinações.
A manhã de quarta-feira, dia 17 de abril de 2019, na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ,  foi dia da Oficina de Língua Portuguesa "Páscoa em Cena - HQ e Peça Teatral", organizada por mim e pela formidável professoramiga Vanessa Costa, com participação lírica e iluminada dos artistalunos dos sexto B, nono B e oitavo C. Realizamos, durante a oficina, lemos quadrinhos da Turma da Mônica – aquele da série “Você sabia?” (o nome é esse ou algo assim) – falando sobre a Páscoa, os ousados artistalunosuma realizaram uma encenação ensaio do Ato da Ressurreição sob nossa direção e, depois (uau e ufa! Como rendeu o dia e como foi exaustivamente lírico e brilhante!), os talentosos artistalunos transformaram cenas do ato do trecho encenado da peça teatral em maravilhosos quadrinhos que compartilho hoje com vocês, amigos leitores!
Nada melhor que ressuscitar as postagens do blog com uma exposição dos quadrinhos líricos, divinamente produzidos pelos artistalunos dos sexto B, nono B e oitavo C da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva!
Bom entretenimento a todos e Arte Sempre!








Arte de Brenda, do 9.º B, com Giovana e Amélia Vitória, do 6.º B


Arte de Ruan e Josué, 6.º B


Arte de Wallace e Romário, do 9.º B



Arte de Natália Vitória e Anne Vitória, do 8.º C


Arte de Cleyton, do 9.º B

Arte de Yuri, do 9.º B

Arte de Carlos Júnior, do 6.º B

Arte de Ryu e Mathias, do 8.º C

Arte de Luan, Josué e Ruan, do 6.º B

Arte de Jamilly e Kamylle, do 6.º B










sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Meu pseudoépico psicodélico grunge quadrinístico incompleto: As aventuras do espetacular Chris Cornell Lee

Apresentando "As aventuras do espetacular
Chris Cornell Lee", acompanhado do violão lírico
musical de Gabriel Carvalho

Na edição do Sarau Solidões Coletivas de 12/01/2019, que aconteceu na Comuna da Quinta das Bicas, quintal da casa de Gilson Gabriel, no bairro Biquinha, em Valença/RJ, declamei, acompanhado do violão lírico musical do mais que fodástico artistamigo Gabriel Carvalho, meu poema inédito meio épico psicodélico grungre quadrinístico “As aventuras de Chris Cornell Lee”, em homenagem a Chris Cornell, Stan Lee, Belchior, Bowie e Luiz Melodia.
Material Quadrinístico Inspirador
Escrito às pressas, numa tentativa de cobrir toda a temática louca sugerida no mais recente Sarau Solidões Coletivas, meu objetivo era fazer um poema extenso, no molde épico punk popular pop HQ, mistura de história roteirizada por Stan Lee, com referências ao grunge de Chris Cornell, como um “Faroeste Caboclo” versão super-heroica Marvel, com um conjunto de 5 ‘Cantos’, mas, devido ao tempo escasso e persistente preguiça/cansaço existencial, o meu tosco poema pseudoépico grunge quadrinístico ficou incompleto, com apenas os 2 primeiros Cantos. Seja como for, fica aí a louca ideia e o início de uma fantasia/alucinação lírica HQmaníaca.

As aventuras do espetacular 
Chris Cornell Lee

Canto Primeiro
Das vidas, mortes, ressurreições e insurreições do Capitão Chris Cornell Lee

O espetacular Chris Cornell Lee
fora Capitão da brigada sem Pátria,
soldado heroico  da Antiguidade Clássica,
defendeu povos massacrados
por governantes e desgovernantes enfurecidos
que davam graças a deuses distantes do Olimpo
enquanto pisavam nos plebes mortais.
Cornell Lee amou Homeros e Safos,
Helenos e Helenas,
sem preconceitos, como seus iguais.
Resgatou e abraçou nativos e estrangeiros,
sobreviventes e refugiados
e hasteou, mesmo quando destroçado,
as bandeiras da esperança e da paz.
Por proteger pacificamente a Terra,
Capitão Cornell Lee pelos da guerra
foi condenado, trancado e enterrado
nas  geleiras da Censura e da Solidão.

Seu corpo sobreviveu às eras de tortura,
às guerras atômicas, às greves de fome
e à crescente incompreensão.
Na década de 1990, foi despertado
pela Ordem dos Humanos Cães Templários
que uivavam embriagados
em busca de um salvador pagão
que diminuísse o vazio em cada coração.
Chris Cornell Lee, agora Capitão do Som,
resgatou com arte a heroica essência,
roubando o pão das bocas da Decadência
para alimentar os famintos e fracos irmãos.
Residiu em jardins sonoros,
escolheu ser escravo da música,
mas foi assassinado, mais uma vez,
pelos surdos senhores da guerra.

Quando o mundo parecia completamente perdido,
o caixão de Capitão Chris Cornell foi atingido
por um cometa de poesia.
Novamente, nosso herói voltava à vida,
desta vez na pele de apenas um rapaz latino americano
humano demais para poderes meta humanos.
Deparou-se, assustado,
com um universo cada vez mais devastado
pelas hordas de Velhos Capitães Fascistas,
associados à Galeria da Vilania
da Recatada Hipocrisia
e da Endiabrada Sagrada Família
da Máfia Moral Armada.
Diante do triste cenário,
o Excelsior Cornell Lee, mesmo desarmado,
ofereceu resistência contra a velha inimiga Decadência.
Recebeu o apoio de um novo astro,
o herói iluminado, apesar de violentado,
chamado Halley Ceará,
e seguiu a dupla espetacular
pelas paralelas de Belchior,
cercanias de cordéis e rondós,
para alcançarem os aventureiros reinos
de Cony, Bowie e Melodia
em busca de artefatos de magia e poesia
afim de enfrentar e derrotar
os novos senhores da Velha Tirania.

Sigamos, leitores, destemidos e aflitos,
os passos heroicos e pacíficos
de Chris Cornell Lee, o verdadeiro e único capitão amigo,
e de seu novo parceiro, o gentil Halley Ceará.
Viajemos, velhos e novos leitores líricos,
pelo solidário infinito
que só o imaginário solitário coletivo
pode nos levar e nos salvar.

Canto Dois
Das memórias de Halley Ceará

Capitão Cornell Lee
é o novo velho herói que conheci
nas ruínas dos jardins sonoros
quando eu, sozinho e oprimido,
enfrentava os cães das trevas de Oroboros.
Recém ressuscitado e ainda enfraquecido,
Capitão Chris Cornell Lee permanecia destemido:
com a força de vontade de deuses legítimos e poetas,
chutou as cobras da Preconceituosa Reza
e expulsou com drummondianas pedras
os cães asseclas dos senhores da guerra.
Mesmo sem seus três populares poderes,
mostrou-se resistente guerreiro,
e atirou os inimigos no sol do buraco negro.
Agora sigo com novo velho amigo
pelas trilhas do Infinito,
nas paralelas de Belchior,
em busca das Joias do Amor Maior.
Venha com Capitão Chris Cornell Lee
e comigo, o gentil Halley Ceará,
pelas terras da Paixão e do Sonhar.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eleições 2016: O retorno do "bom e velho" Lex Luthor, vencedor no primeiro turno!

Pra quem está comemorando (é sério?) o resultado das eleições uma metáfora-lembrança do que eu sinto: toda vez que me deparo com os resultados das eleições de 2016, me lembro de que, na ficção dos quadrinhos, até o Lex Luthor foi eleito e aplaudido como Presidente dos Estados Unidos, apesar de o Super-homem alertar das más intenções do candidato para toda população de Metrópolis e das demais cidades do Universo DC.
Na época, Luthor já era visto pelos cidadãos dos Estados Unidos como um visionário e um benevolente empresário (detalhe: um dos passos dele foi a "reforma educacional"), adjetivos muito usados para alguns pré-eleitos às prefeituras municipais. Luthor recebeu aos olhos do público o crédito por inúmeras "boas ações", E os super-heróis seguiriam a via crúcis de se tornarem personas non gratas e até “inimigos públicos”. Foi uma época bem conturbada no Universo DC, mas o arco de histórias terminou na ficção....
... O problema é que a realidade se esqueceu de encerrar a Era de Luthor e parece eternizá-la em cada candidato eleito, seja antigo ou (mal)dito como 'novo'.
E o pior: a realidade não tem Super-homens.


sábado, 17 de setembro de 2016

O Cavaleiro das Trevas em Quadrinhos e Poesia: Comemorando o Batman Day com meu novo bat-soneto

Hoje, dia 17 de setembro, comemora-se o Batman Day, evento internacional em homenagem ao Homem-Morcego, meu personagem favorito das histórias em quadrinhos de super-heróis da DC Comics (quando criança, a minissérie “O Cavaleiro das Trevas” e o arco de histórias “Batman: Ano Um”, ambos roteirizados pele mestre dos quadrinhos Frank Miller, deram um nó na minha cabeça e modificaram meus conceitos ingênuos de quadrinhos).
Neste ano de 2016, que comemora o 77.º aniversário de Batman, a DC estabeleceu o dia 17 de setembro como data oficial. E eu, como fã-nático pelo Homem-Morcego (esse fato já virou até motivo de chacota de meu amigo Lucimauro Leite, que sempre me canta a canção “Batman”, da irreverente banda punk Garotos Podres, e me lembra que estou abraçando um personagem capitalista – esquecendo-se de todo o lirismo gótico, super-humano e melancólico do super-herói, que tanto me atrai), deixo aqui meu soneto-homenagem ao sombrio defensor de Gotham City.
Com vocês, amigos leitores, a minha homenagem lírica ao famoso Cavaleiro das Trevas.

O Cavaleiro das Trevas

Atravessa as trevas mais uma vez o cavaleiro.
Seus olhos têm o brilho amedrontador de um morcego
que, refém da noite, apenas na sombra encontra achego.
Ele caça os lobos na Gotham de poucos cordeiros.

A cidade inchada adoece no desassossego,
maculada por palhaços loucos e carniceiros.
Corrompida, a urbe clama por seu velho justiceiro
e o filho órfão retoma a tez do homem morcego.

O herói que protege Gotham dos crimes mais vis
revê o beco, onde um garoto vagava feliz
até um ladrão matar seus pais e roubar-lhe o viço.

Hoje o guri busca sossego agredindo bandidos,
ele atira-se sobre as bestas como anjo caído,
Batman revê a paz sorrir-lhe com dentes postiços.


terça-feira, 21 de julho de 2015

Trans(ins)pirações poéticas em HQs: Meu tributo lírico para a Rosie de "O muro"

Dia 21 de julho é véspera da véspera do aniversário do blog (no dia 23/07, o “Diários de Solidões Coletivas” fará 4 anos de existência, resistência e insistência). Em 21 de julho de 1990, ou seja, há 25 anos, Roger Waters, ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, fez um megashow na Alemanha, em comemoração à queda do muro de Berlim. Hoje, 25 anos depois, o blogueiro que vos escreve traz um outro muro – quase inquebrável, terrivelmente existencial: inspirado na História em Quadrinhos (HQ) “O muro”, de Céline Fraipont e Pierre Bailly, traduzida por Fernando Scheibe, lançada pela Editora Nemo e lida por mim num fôlego só na última madrugada, escrevi um novo poema, reflexo dessa leitura febril e melancolicamente entusiasmada das vibrantes desventuras da protagonista Rosie, uma menina de 13 anos, residente em uma monótona cidadezinha do interior belga, que se vê entregue à própria sorte (sua mãe fugiu com outro homem numa aventura amorosa e seu pai vive mergulhado no trabalho). A narrativa se passa em 1988 e traz uma história poética e melancolicamente cativante e intensa, arrastando a nós, leitores, pelos (des)caminhos obscuros de uma adolescência problemática ao som do punk rock.
Como toda obra artística que faz meu eu leitor se comover e ‘trans(ins)pirar’, não agi passivamente após concluir a leitura dessa fodástica obra-prima em quadrinhos: acabei criando um poema/conto em versos, passeando com minha poesia pelas transformações/(des)caminhos da protagonista adolescente Rosie. Além da fodástica HQ “O muro”, o meu poema traz dois “cês” – um c da super-melancólica canção “Clarisse”, da banda Legião Urbana, e um c de Clarice Lispector (me preparando para o tema ‘equívocos’ com toques líricos lispectorianos, sugerido pela poetamiga Rosangela Carvalho), um “l” de Lygia Fagundes Telles, muito da melancolia de The Cure (que a protagonista da HQ ouve constantemente) e uma tentativa de explorar o estilo poético (presente também na HQ) de transformar fatos banais em lirismo magnífico que consagrou a banda gaúcha de rock Nenhum de Nós em álbuns como “Histórias reais, seres extraordinários”.
Bem-vinda ao meu louco universo lírico, Rosie. Boa leitura, amigos leitores, HQs e Poesia Sempre!

Rosie

Órfã de pais vivos,
abandonada no casarão,
com medo da escuridão,
pobre menina rica,
esquecida pela pobre ex-amiga,
tomando mil banhos quentes
para me aquecer
(ou esquecer?),
nenhum sonho como alívio,
nem mesmo um monstro noturno,
apenas o monstro diário do medo:
eu mesma no espelho.

13 anos – quase quatorze –
13 anos e a primeira menstruação veio hoje
- finalmente mulher?
Não... A maturidade é apenas uma lágrima
que sai de meus olhos de criança
sem cair em lugar nenhum;
apenas eu caindo erguida
ao lado do uísque roubado de papai,
bebido na sala vazia,
tão sem vida quanto as cartas distantes
que mamãe me envia de outros horizontes
mas que nunca leio.
Cartas cegas trancadas na gaveta da cômoda
- sou eu vendo o tempo passar
sem olhar pra janela,
sem ver o tempo passar.

Já acreditei que ficar em cima do muro
seria sempre o meu lar,
uma espécie de paraíso particular,
bebendo mais uma garrafa roubada
do extenso balcão de bebidas de papai,
fumando cigarros escondida,
esperando pela eterna amiga
que pôs fim à eternidade
porque seus pais me consideram má companhia
- 13 anos e me sinto velha e sozinha,
13 anos – cada vez mais quase quatorze;
ela me disse que jamais me abandonaria
e agora é só o muro e eu
como se fôssemos um só
eternamente sós.

Então você apareceu,
jovem judeu perdido,
primeiro encostado ao muro,
eu 13 – quase quatorze –
e você dezesseis.
“Rosie, seu nome parece o de um porquinho”,
você brincou;
no rosto um sorriso triste sem dor
como um cavalheiro que oferece uma rosa nova
para um canteiro onde só florescem espinhos...
- Se eu fosse um, você me protegeria,
estranho jovem lindo judeu? – eu talvez retrucasse
se eu não fosse eu...
o monstro silêncio nos lábios cerrados:
eu não sabia o que dizer pra você.

Mesmo assim, você voltou aqui,
apesar do meu mundo mudo,
apesar de todo monstro eu,
você reapareceu
pra resgatar a princesa
que sempre neguei a mim mesma
 - sou sapo que vira Julieta
na companhia de um inusitado Romeu.
Você trazia valsas punks no walkman,
letras de canções que – 13 anos e tão ininteligível –
demorei para entender;
quando reparei, já estava ao meu lado  
em cima do muro,
era todo meu, todo eu,
meu príncipe encantado nas vestes de um rebelde plebeu,
você foi todo meu, mesmo quando nunca me pertenceu.

Do muro para sua casa,
The Cure na vitrola enquanto me beijava,
o monstro adormecido na voz de Robert Smith,
o uísque roubado de meu pai
e o haxixe que você vendia pra sobreviver,
nossa solidão embriagada, dopada, quase curada,
éramos o mundo todo em seu quarto de zé ninguém,
The Cure, Sonic Youth, Ramones
13 anos eu – quase quatorze – e você dezesseis,
éramos todo mundo e outros tudos eram ninguém.
Entre uma visita e outra a sua casa, você me Cureava,
13 anos e eu, mesmo toda errada, me sentia curada,
sem medo do escuro, pois estava com você...

Mas um dia não encontrei mais você;
um carro bêbado atropelou você,
o jovem motoqueiro louco judeu
sem capacete
e, agora, sem vida também...
Quatorze anos – voltando aos 13 –
novamente
completamente
somente eu,
tentando seguir em frente,
sobreviver à falta de futuro
como você tantas vezes sobreviveu...
Um vento frio em meu rosto,
quatorze anos eu
e você bonito e inacessível
com seus eternos dezesseis
caminhando invisível ao meu lado,
o mais lindo e mais louco judeu,
seguindo em frente comigo pelo breu...




sexta-feira, 11 de julho de 2014

Solidões Rockeiras Compartilhadas: Xande McLeite incendiando com o Motoqueiro Fantasma

Pra incendiar essa sexta-feira, às vésperas do Dia do Rock, trago, a mais que perfeita letra de música “Motoqueiro Fantasma”, de Xande McLeite & Rockfriends, de São Gonçalo/RJ.
Claramente inspirada no controverso herói das histórias em quadrinhos, o Motoqueiro Fantasma, aquele que fez um pacto com o demônio para salvar a vida do amigo (em vão... o demônio trapaceia: cura o câncer do amigo, mas este, que não sabia do fato, morre, quase em seguida, num acidente fatal), a canção, do álbum “Sou do Rock”, de Xande McLeite, traz uma sonoridade rock revigorante e um refrão fodástico. A letra descreve a angústia do personagem Johnny Blaze, transformado no Motoqueiro Fantasma, e reconta a origem do super-herói. “Quando fiz a letra busquei exatamente esse sentimento, pois é o reflexo que ficou num cara que já era fã Motoqueiro Fantasma desde os tempos dos quadrinhos. E quando soube que iam fazer o filme resolvi fazer a minha homenagem ao meu herói.”, revela Xande McLeite.
Adoro todas as faixas do CD "Sou do Rock", mas essa canção é a que eu mais amo do Xande McLeite & Rockfriends, pelo seu diálogo com as histórias em quadrinhos (relembrando clássicas bandas de rock que também faziam essa intertextualidade, como Queen com “Flash Gordon”, etc) e o refrão fodástico (ai, ai, tô me repetindo rs, sou pentelho demais quando curto muito uma canção)! Já elogiei tanto a canção pro compositor que, numa vez em que nos apresentamos no mesmo evento do Identidade Cultural & Movimento Culturista, organizado pela mais que fodástica artistamiga Janaína da Cunha, o Xande McLeite resolveu fazer uma versão acústica da canção em minha homenagem.
Em tempo: Xande McLeite, acompanhado do instrumentista "garoto prodígio" Guilherme José, estará na primeira edição do Sarau Feira Moderna, organizado pelo Feira Moderna Zine! O evento acontecerá hoje, às 20h, no Metallica PUB, em São Gonçalo/RJ! A entrada é franca
Acompanhemos as aventuras do Motoqueiro Fantasma na fodástica letra de música de Xande McLeite, amigos leitores!

Motoqueiro Fantasma (Xande McLeite)

Todo dia quando o sol se pôe
Começa a minha maldição
Andar pela noite e fazer justiça
Com a corrente em minhas mãos

Durante o dia sou Johnny Blaze, o dublê
Nas duas rodas sou o astro
A noite sou uma entidade justiceira
Sob a pele de Zarathos

Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou......

Com minha moto envenenada
E minha cabeça flamejante
Todas as noites eu sou um errante
Minha pista é uma longa estrada
Que vai onde você vê
Porque o resto não vale mais nada
E pra você...

Buscando a salvação para um grande amigo
Me perdi num pacto com Mephisto
Mesmo salvo pelo amor da minha amada
Ele levou a metade da minha alma

Um novo dia mais um espetáculo
Vou fingindo que tudo é normal
Hoje eu tenho um novo salto
Com certeza vai ser muito legal

Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou...




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Poema Jazz do café que jazia sobre a mesa na qual minha cabeça adormecida despertava para a insônia dos sonhos que jamais sonhei

Um dos momentos mais especiais que guardo pra sempre na lembrança de meu passeio pelo 40.º Salão de Humor de Piracicaba/SP foi ter encontrado o fodástico cartunista Alex Sander, de São José do Rio Preto/SP.
Dono de uma aura inspirada e reluzente como há tempos eu não via, Alex Sander me deu a oportunidade de conversar sobre o universo dos cartuns independentes, do blues rock (ele toca baixo em uma banda fodástica chamada Motocircus – já ouvi tantas vezes o álbum dos caras que meu vizinho já deve ter decorado a melodia rs) e da literatura (principalmente, sobre o universo kafkiano, do qual somos fã-náticos). Consequentemente, tive, também nesse intercâmbio artístico, o privilégio de conhecer um pouco mais da arte mais-que-fodástica de Alex Sander. Levei para casa duas de suas obras: a história em quadrinhos musicalmente impecável “Gibi Jazz” e a “Memórias de um cartunista” (que, em breve, receberá também uma postagem exclusiva). Quem quiser conhecer um pouco mais da arte de Alex Sander, recomendo o blog deste fodástico cartunista, aí vai o link: http://burraxa.blogspot.com.br/
Reservo parte da noite para minhas leituras e, ontem, deixei um pouco de lado as páginas do romance “Por quem os sinos dobram”, obra-prima do escritor estadunidense Ernest Hemingway, para ler as imagens da HQ “Gibi Jazz”. É incrível como essa obra de Alex Sander, recheada de fodásticos desenhos, leva nossos olhos, quase pausados para a escrita (a revista quase não possui linguagem verbal, ou seja, fala mais – e muito eficientemente bem -  com imagens que com palavras), a um show mágico de jazz visual, iniciado por um silêncio kafkiano e soturno do cartunista, entremeado por notas de sonhos, que nos levam para a explosão final de uma trilha sonora de desenhos brilhantes que tocam, dançam e embalam a nossa visão carente de sons. Sim! As páginas do gibi “Gibi Jazz” trazem música pra os olhos! É como se, à medida que folheamos suas páginas, o melhor do jazz tocasse em forma de imagem os toca-discos esquecidos em nossos globos oculares. Dá aquela sensação boa de nostalgia pela canção de jazz jamais ouvida.
Foi inspirado nesse “Gibi Jazz” e nas múltiplas sensações visuais-sonoras-instintivas que a HQ de Alex Sander proporcionou aos meus olhos, que me nasceu a visão do poema abaixo, recém-escrito, tocando jazz com sonhos que não tive, mas que sei que existem.
Pra ler folheando as palavras e tirando sons do nada, amigos leitores!         

Poema Jazz do café que jazia sobre a mesa na qual minha cabeça adormecida despertava para a insônia dos sonhos que jamais sonhei

Foi naquela caneca de café sem o toque dos meus lábios
que me toquei que os sonhos me procuravam
e eu não sabia...

Eu não sabia que delírios viviam no café que não tomei.
Eu não sabia que os sonhos me bebiam
enquanto eu cochilava diante da caneca de café que eu deixei...
Eu não sabia, mas agora sei.

Sei que eu poderia ser um personagem de Kafka
dormindo na face intacta
de um livro que ele não escreveu.
Sei que os sonhos vivem nessas páginas que não li,
nessas palavras que não escrevi,
nesses desejos de outro eu.

Enquanto meu corpo jazzia
entre a escuridão de uma música jamais ouvida
e a clara neblina de outra insônia interrompida,
os sonhos gritavam canções de um jazz desconhecido,
um toque novo de Hermeto Pascoal em meus ouvidos,
lá estou eu percorrendo uma estranha estrada,
rumo ao caminho mais lindo do meu nada!

Enquanto meu corpo jazzia,
minha imaginação cantava o inaudível,
desenhava o indescritível
e o invisível dançava na dose de café que não tomei.
Antes eu não ouvia,
antes eu não cria,
antes agora é só uma fantasia que eu outrora criei.

Antes a partitura adormecia nos olhos que só sabiam ver,
e agora, com os olhos cegos, eu consigo ler
todas as notas silenciosas que nunca enxerguei.
Agora, mesmo dormindo, eu acordei
e toquei, na rotação de um tempo perdido,
o acorde inesquecível de um jazz que jamais toquei.

Agora, assim perdido no completo,
sentindo o longe tão perto,
agora sim eu vivo desperto
nesse oculto descoberto
dentro do saboroso café que não provei.

O vídeo acima traz um dos "Discos Inspirações" do "Gibi Jazz" e foi a trilha sonora que ouvi enquanto elaborava o poema   

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...