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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Mimos líricos: Grandes artistamigos que foder@m comigo no melhor dos sentidos

Uma coisa que prometi que não passaria deste 7 de maio, data do meu aniversário, era voltar a escrever no blog, após tanto tempo (sim, o blog desfalece e ressuscita mais que fênix e super-herói da DC). Por isso, hoje trago alguns mais que fodásticos artistamigos que fodem há tempo comigo. Ops, não se assustem, não se escandalizem, amigos leitores! Trago aqui o verbo 'foder', primeiramente como autorreferência cretina ao meu oitavo e mais premiado e popular livro "Foda-se! E outras palavras poéticas...", e, 'segundamente' para utilizar o verbo tão marginalizado no sentido proposto pelo mestre artistamigo Wilson Fort (que também, em noites líricas e filosóficas de luas cheias, utiliza o heterônimo de James Zoar, um sagaz crítico literário, um porta-voz feroz e voraz do lirismo pungente valenciano): etimologicamente a ação vem de 'fodere' que significa, entre tantas coisas, unir-se, ligar-se. E, partindo desse sentido, trago nessa postagem alguns momentos especiais e atuais em que houve uma verdadeira foda lírica platônica sublime com artistamigos divinos, quando artes se ligaram, se uniram, se transformaram e se tornaram inseparáveis.


Primeira foda lírica platônica sublime virtual: O Sarau Virtual "As Solidões Coletivas dos Confinados"
Junto de duas queridas artistas, mesmo cada um em seu devido isolamento diante da quarentena de contenção da pandemia, fizemos, no final de março, a primeira versão em vídeo da 'quarentena sem contenção lírica' do Sarau Solidões Coletivas. "As Solidôes Coletivas dos Confinados: Voando livres e líricos, mesmo engaiolados" foi uma iniciativa do Sarau Solidôes Coletivas, inspirada na genial sugestão lírica da divartistativistamigamusaleonina niteroiense Jammy Said, e conteve vídeos em que Déia Sineiro, Dirce Assis e eu declamamos poemas de nossa autoria, cada um em seu espaço de isolamento, transbordando Solidôes Coletivas.
O vídeo está logo abaixo:


Outra foda lírica platônica sublime virtual em imagem: O Instinto e o Instante virou mensagem imagética virtual
A divartistativistamigamusaleonina niteroiense Jammy Said, além de lives em que magistralmente divulga grandes artistamigos brasileiros, entre eles o poetamigo que vos escreve, fez uma releitura em imagem/arte virtual do poema  "O instinto e o instante", do livro "Foda-se! E outras palavras poéticas....
Seguem abaixo as fotos lírico-artísticas elaboradas magnificamente pela divartistativistamiga Jammy Said:






Agora uma foda lírica platônica sublime musical: O Pianista saiu do papel e virou letra de música e canção
Esta foi uma foda lírica sublime musical com encontros de cadências italianas e brasileiras: meu poema "O pianista", premiado com Menção Especial na Categoria Adulto do XXV Concurso da Alap Paranapua, em 2014 virou sublime canção do álbum "Baobá", graças ao Mestre Artistamigo Andrea Porzio Vernino, de São José do Rio Preto/SP. Um dos meus mais antigos sonhos deixou o silêncio abstrato para conhecer o mágico lírico-musical concreto!
Segue abaixo o vídeo com a mais que fodástica versão musical do poema feita pelo Mestre Artistamigo Andrea Porzio Vernino:


E agora uma foda lírica platônica sublime em História em Quadrinhos: Fragmentos do meu conto Figuras de Linguagem viraram página de HQ
Há pouco tempo, um pouquinho antes do processo de quarentena, fui à lírica São José do Rio Preto/SP para participar do churrasco à italiana em comemoração festiva do lançamento do formato físico do álbum "Baobá", do Mestre Artistamigo Andrea Porzio Vernino. Durante minha breve estadia na cidade, reencontrei o queridíssimo artistamigo mestre desenhista, cartunista, ilustrador, professor, roteirista, músico, multiartistamigo Alex Sander (já havíamos nos encontrado em Piracicaba/SP, Curitiba/PR, mas foi a primeira vez que nos vimos na cidade onde ele reside). No reencontro, Alex Sander me falou de uma página de história de quadrinhos que ele fez inspirado em um conto meu. Algum tempo depois, já durante os primeiros tempos de isolamento, Alex Sander me enviou via whatsapp a versão em HQ que ele fizera de um fragmento do meu conto "Figuras de Linguagem", de meu sexto livro "Diários de Solidão" e - duplo êxtase! - uma releitura recente, uma nova versão em HQ do mesmo trecho.
Segue abaixo as fotos dessa mais que fodástica releitura lírico-quadrinística do fragmento de meu conto "Figuras de Linguagem":








terça-feira, 21 de julho de 2015

Trans(ins)pirações poéticas em HQs: Meu tributo lírico para a Rosie de "O muro"

Dia 21 de julho é véspera da véspera do aniversário do blog (no dia 23/07, o “Diários de Solidões Coletivas” fará 4 anos de existência, resistência e insistência). Em 21 de julho de 1990, ou seja, há 25 anos, Roger Waters, ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, fez um megashow na Alemanha, em comemoração à queda do muro de Berlim. Hoje, 25 anos depois, o blogueiro que vos escreve traz um outro muro – quase inquebrável, terrivelmente existencial: inspirado na História em Quadrinhos (HQ) “O muro”, de Céline Fraipont e Pierre Bailly, traduzida por Fernando Scheibe, lançada pela Editora Nemo e lida por mim num fôlego só na última madrugada, escrevi um novo poema, reflexo dessa leitura febril e melancolicamente entusiasmada das vibrantes desventuras da protagonista Rosie, uma menina de 13 anos, residente em uma monótona cidadezinha do interior belga, que se vê entregue à própria sorte (sua mãe fugiu com outro homem numa aventura amorosa e seu pai vive mergulhado no trabalho). A narrativa se passa em 1988 e traz uma história poética e melancolicamente cativante e intensa, arrastando a nós, leitores, pelos (des)caminhos obscuros de uma adolescência problemática ao som do punk rock.
Como toda obra artística que faz meu eu leitor se comover e ‘trans(ins)pirar’, não agi passivamente após concluir a leitura dessa fodástica obra-prima em quadrinhos: acabei criando um poema/conto em versos, passeando com minha poesia pelas transformações/(des)caminhos da protagonista adolescente Rosie. Além da fodástica HQ “O muro”, o meu poema traz dois “cês” – um c da super-melancólica canção “Clarisse”, da banda Legião Urbana, e um c de Clarice Lispector (me preparando para o tema ‘equívocos’ com toques líricos lispectorianos, sugerido pela poetamiga Rosangela Carvalho), um “l” de Lygia Fagundes Telles, muito da melancolia de The Cure (que a protagonista da HQ ouve constantemente) e uma tentativa de explorar o estilo poético (presente também na HQ) de transformar fatos banais em lirismo magnífico que consagrou a banda gaúcha de rock Nenhum de Nós em álbuns como “Histórias reais, seres extraordinários”.
Bem-vinda ao meu louco universo lírico, Rosie. Boa leitura, amigos leitores, HQs e Poesia Sempre!

Rosie

Órfã de pais vivos,
abandonada no casarão,
com medo da escuridão,
pobre menina rica,
esquecida pela pobre ex-amiga,
tomando mil banhos quentes
para me aquecer
(ou esquecer?),
nenhum sonho como alívio,
nem mesmo um monstro noturno,
apenas o monstro diário do medo:
eu mesma no espelho.

13 anos – quase quatorze –
13 anos e a primeira menstruação veio hoje
- finalmente mulher?
Não... A maturidade é apenas uma lágrima
que sai de meus olhos de criança
sem cair em lugar nenhum;
apenas eu caindo erguida
ao lado do uísque roubado de papai,
bebido na sala vazia,
tão sem vida quanto as cartas distantes
que mamãe me envia de outros horizontes
mas que nunca leio.
Cartas cegas trancadas na gaveta da cômoda
- sou eu vendo o tempo passar
sem olhar pra janela,
sem ver o tempo passar.

Já acreditei que ficar em cima do muro
seria sempre o meu lar,
uma espécie de paraíso particular,
bebendo mais uma garrafa roubada
do extenso balcão de bebidas de papai,
fumando cigarros escondida,
esperando pela eterna amiga
que pôs fim à eternidade
porque seus pais me consideram má companhia
- 13 anos e me sinto velha e sozinha,
13 anos – cada vez mais quase quatorze;
ela me disse que jamais me abandonaria
e agora é só o muro e eu
como se fôssemos um só
eternamente sós.

Então você apareceu,
jovem judeu perdido,
primeiro encostado ao muro,
eu 13 – quase quatorze –
e você dezesseis.
“Rosie, seu nome parece o de um porquinho”,
você brincou;
no rosto um sorriso triste sem dor
como um cavalheiro que oferece uma rosa nova
para um canteiro onde só florescem espinhos...
- Se eu fosse um, você me protegeria,
estranho jovem lindo judeu? – eu talvez retrucasse
se eu não fosse eu...
o monstro silêncio nos lábios cerrados:
eu não sabia o que dizer pra você.

Mesmo assim, você voltou aqui,
apesar do meu mundo mudo,
apesar de todo monstro eu,
você reapareceu
pra resgatar a princesa
que sempre neguei a mim mesma
 - sou sapo que vira Julieta
na companhia de um inusitado Romeu.
Você trazia valsas punks no walkman,
letras de canções que – 13 anos e tão ininteligível –
demorei para entender;
quando reparei, já estava ao meu lado  
em cima do muro,
era todo meu, todo eu,
meu príncipe encantado nas vestes de um rebelde plebeu,
você foi todo meu, mesmo quando nunca me pertenceu.

Do muro para sua casa,
The Cure na vitrola enquanto me beijava,
o monstro adormecido na voz de Robert Smith,
o uísque roubado de meu pai
e o haxixe que você vendia pra sobreviver,
nossa solidão embriagada, dopada, quase curada,
éramos o mundo todo em seu quarto de zé ninguém,
The Cure, Sonic Youth, Ramones
13 anos eu – quase quatorze – e você dezesseis,
éramos todo mundo e outros tudos eram ninguém.
Entre uma visita e outra a sua casa, você me Cureava,
13 anos e eu, mesmo toda errada, me sentia curada,
sem medo do escuro, pois estava com você...

Mas um dia não encontrei mais você;
um carro bêbado atropelou você,
o jovem motoqueiro louco judeu
sem capacete
e, agora, sem vida também...
Quatorze anos – voltando aos 13 –
novamente
completamente
somente eu,
tentando seguir em frente,
sobreviver à falta de futuro
como você tantas vezes sobreviveu...
Um vento frio em meu rosto,
quatorze anos eu
e você bonito e inacessível
com seus eternos dezesseis
caminhando invisível ao meu lado,
o mais lindo e mais louco judeu,
seguindo em frente comigo pelo breu...




segunda-feira, 28 de abril de 2014

O Soldado Invernal e o Menino Triste (ou A morte do Capitão América)

Há 100 minutos da postagem do próximo poemeto dos "100 Poemetos de Solidão", em tributo a Gabriel García Márquez, eu confesso: quando criança, era colecionador fanático da Marvel e da DC (ano passado, até tive uma recaída por conta de um projeto escolar  interdisciplinar com o Homem de Ferro, idealizado pelo professor de inglês Daniel Coelho. Lá estava eu voltando a colecionar as aventuras de Tony Stark e de Thor rs).
Um dos quadrinhos que eu colecionava era o do Capitão América, com toda aquela ideologia do soldado incorruptível dos Estados Unidos da América. Nunca me esqueço daquela história em quadrinhos (Capitão América n.º 128) em que, nos tempos atuais, muito longe do período da Segunda Guerra Mundial - quando o super-herói surgira, ele, por força do desespero precisa usar uma metralhadora e fere um homem, a ponto de quase matá-lo. Aquele ataque de fúria e desespero foi um dos períodos das maiores crises do Capitão América, o soldado ideal americano, que sempre está em guerra, mas nunca mata seus inimigos (pelo menos, não intencionalmente). Jamais compreendi como um soldado estadunidense como ele, acostumado com guerras, poderia ficar em tamanha crise por ter usado uma arma de fogo (ele nem matou o cara!)
Com o tempo, aquela paranóia do Capitão América foi se tornando inverossímil pra meus olhos perplexos de realidade: afastados do heroísmo dos quadrinhos, os soldados estadunidense matavam seus hipotéticos inimigos sem dó nem piedade, em nome de um 'sonho americano' e de um patriotismo que beira o fanatismo e o fascismo, por sua ganância de desejar ser sempre o 'herói', o morador de um império que decide quem vive e quem morre no mundo.
Por isso, eu resolvi, há certos dias atrás,'matar' o Capitão América! Diante da estreia de mais um filme sobre o herói, imaginei como aquele soldado invernal, de sentimentos puros, inimigo das injustiças mundiais, se sentiria diante da descoberta dos quase genocídios reais praticados em nome da bandeira estadunidense. Abaixo, vai o conto, o primeiro e último que faço sobre o 'super-herói'. Sim, na minha fase adulta, quase insana, eu finalmente tomei coragem e matei o Capitão América! Estou até pensando em mandar minha ideia pra Marvel, o que vocês acham?

O Soldado Invernal e o Menino Triste
(ou A morte do Capitão América)

Era inverno e o Menino Triste adormecia numa calçada congelada.
Capitão América se aproximou, prometeu-lhe calor:
- Sou seu super-herói, menino, pode contar comigo!
O Menino Triste despertou, atirando nervosas rajadas de ceticismo:
-  Super-heróis não existem, seu farsante!
O Capitão América se protegeu com seu escudo.
Então o Menino Triste levantou-se e atirou-lhe a foto fatal:
- Esse era meu pai. Foram soldados com as cores do seu escudo que me deram o eterno luto.
Pela primeira vez, Capitão América percebeu a fragilidade de seu invencível escudo. Sentiu-se completamente congelado pela realidade da qual tanto se defendeu.
Então o ex-herói acordou em sua casa. A tevê ligada: cenas de violência no Afeganistão, Iraque e em parte da Ásia. Seu peito doía: a pátria armada que tanto defendera e amara vivia estilhaços de sua própria bomba atômica. Nenhum amor possível no meio de tantos mísseis...
Sem a máscara de Capitão, o homem percebeu que a América que sonhara não existia, jamais existirá... O escudo perdido, insegurança no coração. Precisava resgatar seu escudo, encarar o Menino Triste mais uma vez.
Desmascarado, saiu pelas ruas gélidas, atrás do Menino Triste. Reencontrou-o num beco escuro; ao lado do Menino Triste, o inútil escudo... Finalmente entendeu: o Menino Triste foi um filho que ele não teve, o Menino Triste era a parte dele que seu escudo sempre conteve.
O frio cada vez mais intenso – o Menino Triste o encarava como o reflexo de um espelho encara uma imagem que não lhe agrada, o Menino Triste era ele... Nenhum sol nas trevas daquela tarde iluminada.
Como o pai do Menino Triste, eternamente falecido em terras estrangeiras, o Capitão América agora era um soldado rendido pela neve da guerra, pra sempre perdido em sua própria terra... 

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...