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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Uma carta melancolicamente premiada: Carta para meu amigo, professor e poeta, como e muito mais que eu


Depois de tanto tempo longe do blog, retorno com uma carta poética de minha autoria, finalista e premiada recentemente (no dia 06 de setembro) com o 2.º Lugar na Categoria Carta na Modalidade Professor no VII Concurso Literário promovido pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA).
O tema era pandemia e, sinceramente, além de exausto profissionalmente falando, eu já tinha escrito tantos poemas, crônicas e microcontos sobre o tema que pensava ter esgotado minha criatividade e inspiração para escrever algo mais variado sobre o assunto. Mas eis que, para inscrever os escritores-alunos dos sextos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, para quem dei aula por uma semana, pois a professora deles, Flávia Araújo, havia contraído a Covid-19 e ficou temporariamente afastada (mesmo assim, em tempo recorde e urgente, combinamos on-line que eu faria uma oficina de produção textual com as turmas, seguindo o tema do concurso, cujo regulamento eu consultara anteriormente), resolvi trabalhar o gênero textual carta e estimular os alunos a escreverem sobre o tema. Inspiradíssimos, eles conseguiram emocionar este professor-redator-poeta-pateta-leitor-assíduo (para minha total surpresa, mesmo com toda experiência em corrigir redações, cheguei a chorar copiosamente com a carta de Ana Lara, do 6.º A – não à toa a carta dela conquistou o 1.ª Lugar na Modalidade Ensino Fundamental II; foi e continua marcante demais em minhas leituras prediletas). Diante de tais cartas profundamente cativantes, meu eu escritor ficou de sobreaviso e inspirado. Mesmo assim, até o momento de inscrever as cartas dos escritores-alunos que se destacaram, mesmo a inspiração gritando e um texto ainda inelegível gritando dentro de mim, a carta que minha mente e meu coração se propunham a escrever não vinha. Ao mesmo tempo (talvez por artimanhas do meu eu escritor, talvez por tanta coisa que a gente deixa sem dizer e que fica represada na gente), vinha-me à memória, episódios do período da pandemia e do ensino remoto; naquele período, o super-professor-poetatletamigo-premiado-e-muito-mais-poeta-que-eu Genaldo Lial havia perdido entes muito próximos e queridos, e, na época, à distância, o máximo que consegui fazer foi enviar a ele áudios longos e atrapalhados de pesar com frases confusas de tristeza e espanto diante das terríveis perdas dele. Naquele momento, eu, lutador experiente com a arte escrita e insistente domador das palavras, apanhei feio em minha tentativa de expressar minha consternação com as perdas de Genaldo super-professor-poetatletamigo-premiado-e-muito-mais-poeta-que-eu. E aquilo nunca saiu de minha mente, nem de meu coração; aquilo tudo que podia ter sido e não foi de Antônio Nobre e de Manuel Bandeira ecoando na minha cabeça e no meu peito até agulhar a alma.
Em cima da hora (sim, sou mestre em buscar vencer um leão por dia, deixando tudo pra em cima da hora), após inscrever todos os escritores-alunos que me propus a inscrever, todas as cartas deles e a lembrança das perdas e do episódio tragicamente atrapalhado de comunicação com o Genaldo vazaram numa escrita quase automática; as frases vieram transbordantes e, muito em cima da hora, quase sem revisão, enviei a carta abaixo postada.
É um registro sobre a pandemia, sobre os nossos tempos, sobre as nossas perdas, sobre ser professor nesse caos todo, sobre o que não se diz, mas precisa ser urgentemente dito, ainda que tardio.
É melancolicamente bom estar de volta com vocês, amigos leitores. Boa leitura e Arte Sempre!

Carta para meu amigo, professor e poeta, como e muito mais que eu
Carlos Brunno Silva Barbosa


Em algum lugar entre o que eu não disse e o que está tarde, mas precisa ser dito, 30 de junho de 2022

Querido amigo, professor e poeta, como e muito mais que eu,
Sabemos o quanto essa pandemia de Covid-19 atingiu nossa rotina...
Lembra a loucura e tensão que foi para podermos cumprir a contento as aulas remotas, sem termos tido, nem nós, nem a equipe diretiva, nem nossos alunos termos, ao menos, tempo, material, oportunidades e formações para nos prepararmos? Foi uma maratona terrível, mas nos viramos, fizemos o possível e o quase impossível, com as parcas ferramentas que tínhamos. Não foi satisfatório; hoje, com o retorno das aulas presenciais, percebemos melhor o quanto o período foi destrutivo para as sementes de educação que, incansavelmente, plantamos. A verdade é dura, mas inegável: foi uma vitória vã, válida apenas para comemorarmos nosso cada vez mais elástico jogo de cintura e nossa resiliência – palavra que você tanto adora e adota de forma sublime em todos os segmentos de sua vida. Mas a gente se recupera, sempre se recupera, e chegamos a recuperar até os que parecem irrecuperáveis – já é um lema que, apesar de insano, o colocamos como objetivo racional; meu amigo, você e eu, nós, professores, precisamos ser estudados ou definitivamente instalados em um manicômio chamado Sublime Esperança. É uma verdade dura, e, por tornarmos possível a impossível missão de irrigar nosso atual estado de marasmo educacional, com tensa leveza e quixotesco espírito guerreiro, merecemos ver a mesma realidade brutal com olhos de poeta. E tenho um orgulho e um prazer masoquista imensos de fazer isso ao seu lado, meu amigo, professor e poeta, sendo você, nesta linha, sendo muito mais poeta que eu, muito mais poeta que qualquer poeta que conheci ou li, muito mais poeta que qualquer um de nós, com o acréscimo de humildade legítima que só grandes artistas como você são capazes de apresentar.
Ontem eu estava relendo alguns poemas que você me mostrou após o retorno para as aulas presenciais. Os seus versos, sempre maravilhosos e com ritmos magníficos, não me eram novidade; como sempre, amei todos eles. Mas o que mais me marcou desta vez foram os títulos “O retorno”, “O retorno II”... Desde o retorno ao frágil novo – esquizofrênico - normal, diante de uma pandemia voraz que finge(m) que passa, mas não passa, poucos, como você, amigo, professor e poeta, mantêm rigorosamente todas as medidas preventivas – o uso de máscara, a aplicação constante de álcool gel nas mãos, a insistência no distanciamento, etc. -, enquanto a maioria, inclusive eu em vários momentos, tentam abraçar, com a tradicional ignorância, a ilusão de um abrandamento inexistente do poder de contaminação dessa terrível doença pós-moderna chamada Covid-19, que, vestida de musa da negação, segue a fazer impunemente novas e velhas vítimas. E, apesar da parvonice geral, altamente infecciosa nesses tempos, chegando a, muitas vezes, ser até mais contagiosa que a própria doença pandêmica, você, como poucos, permanece são. E ainda consegue retornar com poesia! Isso é o mais admirável quando releio seus poemas mais recentes. Confesso que qualquer lirismo, do mais nobre ao mais reles, me abandonara há um tempo (ou fui eu que a abandonei em perpétua quarentena e inanição, não sei bem quem abandonou quem). Mas, em você, a poesia pode até ter se silenciado por um tempo, mas nunca o abandonara. E constatar isso, em e graças a você, sempre me faz ter coceiras de inspiração em minha poética semicadavérica. É muito bom ler e reler você nesses tempos sombrios de trevas coloridas, meu amigo, professor e poeta.
A pandemia de Covid-19 nos feriu demais, amigo, professor e poeta, mas, não sei se por ser mais guerreiro e resiliente que eu, o terrível mal foi muito mais cruel e feroz com você: perdera muitos parentes, nesse período insalubre, por causa dessa doença assassina. Lembro-me de que, dada a distância e as normas de isolamento social, só pude lhe gaguejar pêsames vãos e sem rumo em áudios tremulantes para o privado de seu whatsapp. Sentindo-o de luto, logo você, tão saudável e cheio de vida, eu queria tanto abraçar a sua dor, tão forte até que fosse capaz de sufocá-la, retirá-la completamente de você, que não sabia nem como expressar essa sensação, nenhuma palavra de vida era capaz de confortar tamanho sofrimento. E você, bailarino hábil, dançou soberbamente com e sobre a dor. E, hoje, sorri, cheio de vida, ainda que os lábios às vezes murchem, mesmo com os ombros pesados, guerreiro pacífico resiliente, você caminha levemente, mesmo sobrecarregado pelo luto e pelo tempo e entre passantes insensíveis às milhares de perdas, insensíveis à falta de condições de vida, insensíveis a si mesmos. Mesmo perdido, nunca se perdeu, amigo, professor e poeta, e, assim, me ensinou, que, mesmo que dolorido, o coração jamais deve ficar insensível ao que foi perdido, mas também jamais perder-se do caminho da vida que nos restou. E é muito bom caminhar com você por essa difícil estrada, meu amigo, professor e poeta.
E é isso, e isso ainda é muito pouco para o tanto que o admiro, amigo, professor e poeta. E, mesmo sendo pouco, ainda cometi o delito de não ter conseguido expressá-lo em palavras até o momento em sua presença. Por tudo que eu poderia ter falado e não lhe falei, pelo tanto que o amo, admiro e lhe quero bem, por isso e por mais tanta coisa a ser dita e a se fazer, eis essa carta – que ela alcance os seus olhos, sua alma e coração, com infinita gratidão de ter você sempre ao meu lado, mesmo quando estamos distanciados, meu amigo, professor, poeta, meu irmão.
Abraços e Arte Sempre,
De seu (e)terno amigo e admirador
Carlos Brunno Silva Barbosa



domingo, 8 de julho de 2018

As Novas Cartas de Amor aos Mortos, escritas pelo Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ


Inspirados na proposta de redação sugerida nos primeiros fragmentos do romance “Cartas de Amor aos Mortos”, da escritora Ava Dellaira, os escritores alunos do Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ produziram cartas em homenagem a seus ídolos que faleceram.

                No livro “Cartas de Amor aos Mortos”, tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno da protagonista Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Já os escritores alunos do Centro de Ensino Serrano escolheram outros ídolos para seu “Correio do Além”: parentes queridos que partiram (estas cartas, mesmo sendo belíssimas, foram omitidas nesta postagem, em razão do caráter extremamente pessoal  e confessional dos escritos), Martin Luther King Jr., Stephen Hawking, Ayrton Senna, Roberto Gomez Bolaños  e Renato Russo.
Hoje, trago algumas dessas cartas, que fizeram parte da exposição da Feira Literária do Centro de Ensino Serrano de 2018.
Boa leitura e Arte Sempre!



Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 


Querido Martin Luther King Jr.,


Olá, Martin, decidi escrever para você porque hoje é o dia em que você morreu, porém exatos cinquenta anos depois. Gosto muito de seus discursos e suas frases. A que mais gosto é: “Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa”.


Sei que, na sua época, você tinha muitos inimigos e era contra toda política americana e contra o racismo. Porém, com somente 39 anos, já tinha conseguido balançar todos os Estados Unidos com uma política de paz.


Atualmente, você, Martin Luther King Jr., é o maior símbolo contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo. O que você disse no seu discurso “Eu tenho um sonho” se tornou realidade, e não só para seus filhos, mas para o mundo.


Atenciosamente,


Daniel da Rocha Lima


Teresópolis/RJ, Brasil, 10/04/2018 

Querido Stephen Hawking,

Venho, por essa carta, te dizer que você foi um guerreiro, pois, com essa doença degenerativa, você poderia simplesmente “desistir da vida”, mas foi além, fez cálculos complexos e escreveu livros, ações que homens “normais” não fazem.

Você lutou até o fim, ao ponto que só conseguiu falar usando um adaptador que captava o movimento de sua bochecha.

Obrigado por todas suas frases ditas nesse mundo.

Adeus,

Arthur Andrade Corrêa de Melo


Teresópolis/RJ, Brasil, 12/04/2018 

Ayrton Senna,

Gostaria de te conhecer, pois as pessoas me falam que você corria muito e, quando botava o carro na frente dos outros, ninguém conseguia chegar em você e te passar.

Você poderia ter muitos anos de carreira, mas infelizmente morreu.

Atenciosamente,

Filipe Soares Pereira de Medeiros


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

Incrível pesquisador sobre Física e lutador Stephen Hawking,

Gostaria de parabenizar você.

Sei que nasceu na Inglaterra, Oxford, em 8 de janeiro de 1942. Ao contrário do que seu pai desejava, que era que você cursasse Medicina, seguiu sua paixão que era saber mais sobre a galáxia.

Aos seus 21 anos, descobriu sua doença que não havia cura, a esclerose lateral amiotrófica.Você participou de filmes e seriados conhecidos, entre eles The Simpsons, Futurama, Dexter’s Laboratory, The Big Bang Theory. Seus temas abordados eram sensacionais, como: natureza da gravidade, a origem do universo. Apesar de sua luta em relação à doença, você não deixou de lutar e estudar. Em um de seus documentários, alegou que é uma necessidade sua saber mais sobre o universo.

Você morreu em casa em Cambridge, na Inglaterra, no começo da manhã de 14 de março de 2018, com 76 anos. Foi elogiado em diversas áreas na Ciência.

Milla Miranda Silva Carvalho


Teresópolis. 9 de abril de 2018.

Caro C. S. Lewis,

Acho admirável seu trabalho, principalmente as suas produções voltadas ao cristianismo, como “Protestantismo Puro e Simples” e sua coleção “Milagres”. Gosto de assistir ao “As Crônicas de Nárnia”, que foi inspirado no seu livro.

Meu irmão tem uma biografia sua que foi escrita por David Downing, “C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos”. Esse livro tem como foco o período da sua infância até o início dos seus 30 anos, quando viveu uma jornada tumultuada de pesquisa espiritual e intelectual. Penso como marcou a história com suas obras, do modo que começou no início de 1930 e ainda é conhecido atualmente, em como seus livros escritos detalhadamente há anos são sucessos de vendas.

Você usou dedicação para defender sua fé – isso é admirável.

Respeitosamente,

Vitória Lopes de Carvalho Vidal 


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

El Chavo,

Olá, Roberto Gomez Bolaños, eu não te conhecia com esse nome como creio que todos os meus amigos também não. Nós te conhecemos como Chaves. Eu sempre te via na televisão, suas piadas nunca perdiam a graça.

Todo o Brasil te conhece como Chaves, seu programa fez parte da infância de todos. Mesmo falecido, seu programa ainda faz sucesso. Se você estivesse vivo, estaria orgulhoso pelo império que construiu de pessoas que te conhecem.

Atenciosamente,

Anderson Siqueira Junior 


Teresópolis/RJ, Brasil, 14/04/2018 

Querido Renato Russo,

É um grande prazer escrever uma carta para um grande ídolo como você.

Gostaria de agradecer pela grande geração de músicos que se espelham em você e em suas composições. Gostaria de agradecer também pelas suas músicas que são como uma herança para o mundo.

Fico triste por saber que muitas pessoas ainda não conhecem suas músicas e a Legião Urbana. Mas isso pode mudar, essa “geração coca-cola” pode mudar, e isso me deixa entusiasmada.

Às vezes brinco dizendo que “nasci na época errada” e que nunca irá existir alguém como você, um grande cantor e compositor, com tanta dedicação pelo nosso país, que infelizmente está cada vez mais em decadência; não digo só em relação à política, mas à cultura. Como sua música cita: “Que país é esse?”.

Beijos,

Giovanna Pimentel Lage




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sobre estrelas líricas que brilharam e continuam a brilhar: Os formidáveis poemas e cartas antigos e atemporais de Izabela Araújo

Dia 11 de setembro pode ser relembrado como um dia trágico, no qual um atentado terrorista ceifou vidas inocentes, mas também é o dia de se reerguer dos escombros, sobreviver às violências diárias e mostrar que ainda há esperança, ainda há poesia! Dia 11 de setembro também é um dia mágico, especial, pois foi nesse dia que nasceu a jovem e talentosa escritora Izabela Souza de Araújo, para quem tive a honra de dar aula em 2010, quando ela completava com louvor e brilhantismo o ensino fundamental na saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, Teresópolis/RJ.
Izabela foi uma aluna exemplar, teve seus altos e baixos como todos têm na adolescência (nos dias de mau humor dela, tremei, amigos!), mas sempre demonstrou dedicação e um lirismo natural. Sim, ela não acreditava muito no potencial imenso que possuía, mas era uma escritora nata e, nas vezes em que vencia a resistência e descrédito inicial (só no fim do ano de 2009, quando ela cursava o oitavo ano que consegui convencê-la do seu potencial - depois foi só luz e poesia!) brilhava na escrita. Compartilho minhas solidões líricas com alguns maravilhosos e fodásticos textos de Izabela Araújo, escritos, entre 2009 e 2010, no tempo em que ela brilhantemente frequentava e cumpria as atividades de produção das saudosas turmas de 8.º e 9;º Ano da também saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, Teresópolis/RJ. Os temas e gêneros são variados, demonstrando o brilhantismo eclético da ex-escritoraluna – vão desde poemas para a lua (sim, esse poema recebeu menção de destaque em concurso literário de 2010) e para as árvore a carta-protesto de requerimento ao Secretário Municipal de Obras de Teresópolis em 2009 (sim, tal carta, juntamente com outras de outros escritores-alunos da época, foi entregue em mãos naquele ano, chegando a receber uma carta-reposta agradecendo a atitude cidadã – só não sei dizer se algo foi feito ao lago Iacy, pois há tempos não passo por lá). Espero que a ex-escritoraluna e atual escritoramiga Izabela Araújo me perdoe por revelar tais saudosos e fodásticos escritos – trago sempre o lema de que o que é mais que fodástico e maravilhoso de ser lido pode e deve ser compartilhado (se ela discordar, essa postagem perecerá em breve – tomara que não! Oh, Deuses da Maravilhosa Escrita, por favor, não!
Parabéns, Izabela Araújo, por ter feito e até hoje fazer história e arte entre as constelações líricas que mantém o caminho da vida brilhante para a continuação da esperança e do amor à natureza e à poesia.
Boa leitura, amigos leitores! Arte Sempre!

Minha lua

Minha linda lua
Como és bela
Teu sorriso, tua cratera
Oh, como és bela
Por favor, me libera!

Preciso de sua luz
Sem ela eu não vivo
Sem ela eu não sou ninguém
Por favor, me dá tua luz...

Queria poder te tocar
E de alguma forma te sentir
Como não posso, irei
Viajar em meus pensamentos
Até chegar a ti.
Izabela Souza de Araújo (na época, cursando o 9.º Ano)


Amiga da árvore

Te vi nascer
E de alguma maneira quero te ver crescer
Até que no chão tua semente caia
Para que possa em meu rosto
Um sorriso surgir, a alegria fluir.

As águas que em tua folha jorram
São as lágrimas que em meu rosto rolam.
Eu queria novamente ver os pássaros
Em teu galho cantando,
O vento em tua folha soprando
E a chuva teus pés molhando.

As árvores existem em todo lugar
Mas os homens, com seu egoísmo,
Querem matá-las
Enquanto vivo neste planeta
Quero a cada segundo tê-las.

O que posso fazer por ti
É tentar impedir
Aqueles que vêm destruir...

Prometo ao teu lado estar
E contigo lutar
Para que juntas possamos conquistar
As árvores que ainda vão brotar.
Izabela Souza de Araújo (na época, cursando o 9.º Ano)

 Teresópolis, 27 de novembro de 2009. 

Senhor Secretário de Obras,           

Primeiramente bom dia. Estou lhe enviando esta carta para esclarecer uma dúvida que tenho a respeito do lago Iacy: Por que o lago está praticamente seco e repleto de mato?           

O que eu não entendo é por que o lago secou se em uma placa no próprio diz que o lago Iacy foi “recuperado” em 2003. Só faz 6 anos e o lago já está nesse estado. Me desculpe, mas se ele está assim é porque não tiveram o cuidado que era pra ter tido. Se vocês não querem reconstruir o bendito lago, pelo menos tirem as placas dizendo onde ele fica, e, no lugar delas, botem outra placa dizendo que não existe mais o lago Iacy e o motivo. Enganar um turista não é ser humano e muito menos educado, é ser “mentiroso”.           

Mas como eu sei que não é o caso, espero uma providência.           

Ass.: Izabela Araújo (Turma 801)

sábado, 31 de dezembro de 2016

A última postagem de 2016: Carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura para George Michael



Olá, meu estranho querido famoso George Michael,


Andei meio longe de você nesses anos todos, meu querido mito esquecido, mas sua foto reapareceu na tela do computador em uma notícia de site que informava sua partida nesse ano cheio de mortalhas e abutres de 2016. Consultei várias páginas para conferir a veracidade da notícia, a princípio não acreditei neste presente mórbido de Natal, mas você partiu e, mais uma vez, parti por alguns minutos, num flashback de dançarinos cambaleantes que tentam passos felizes em vão (pés culpados não dançam, você já tinha avisado, e eu me sinto incapaz de seguir nesse ritmo trágico de 2016).

É estranho dizer isso, mas sua partida me machucou mais que as de outros grandes mitos como Bowie e Prince; pode parecer cafona ou profano dizer isso para aqueles que medem canções com réguas rígidas, mas já não me preocupo mais com opiniões alheias, os cabelos brancos crescem sem nenhuma vergonha em meu cabelo e eu preciso ser sincero, antes que eu me imploda em convenções de polidez social num ano 'tragicruel' que tanto nos fragilizou.

Você sempre foi um sexy simbol estranho, que flertava com a câmera, o sucesso e a polêmica; Margareth Thatcher, Tony Blair e George Bush recebiam caretas suas, enquanto damas alienadas de todos os sexos se ajoelhavam diante de sua beleza e de suas canções românticas; você foi o paradoxo único e máximo do popstar bonitinho que cuspia punkmente contra o sistema enquanto inicialmente nos ofertava músicas melosas e uma homossexualidade temporariamente enrustida. Em minha juventude arrogante, não o compreendi; eu era um idiota, George, com minha homofobia ignorante e minha pose de rebelde roqueiro sem causa que muitas vezes confundia preconceito com atitude. Suas hesitações em se revelar e minhas excitações com o machismo imbecil nos afastaram e, por muito tempo, eu o envergonhei, me afastei de você, me esqueci do herói que você figurou na minha infância.

Quando criança, fomos tão distantes e, ao mesmo tempo, tão íntimos, George, você era um adulto de rosto jovial e eu, um moleque, uma criança liricamente adulterada pelas suas primeiras canções de sucesso. Nas viagens de férias para Guarapari ou para Angra dos Reis, meu tio João Gomes embalava nossas jornadas on the road com as canções "Careless Whisper", "Father Figure" e "One More Try" (essa a minha preferida) gravadas do programa "Good Times" da Rádio 98 em saudosas fitas K7 - as canções rolavam em ritmos sensuais e ao mesmo tempo melancólicos enquanto o radialista, com aquele vozeirão característico, fazia a tradução imediata de cada verso e era tão cafona e tão lindo ouvir as músicas assim e agora elas sempre se repetem dessa forma em minhas lembranças como lágrimas tristes que escorrem felizes e pueris no rosto enrugado. E, nossa!, isso é tão "One More Try" e tão difícil e tão bonito e tão alegremente infeliz de se lembrar. Naquelas viagens de carro com meu tio João Gomes, ele, professor 24 horas sem diploma de magistério, aproveitava para me ensinar interpretação de textos, eu, um pirralho, tendo a chance de me comunicar, opinar, responder-lhe perguntas complexas como: "Afinal, Brunno, quem é essa 'professora' que aparece na canção "One More Try" do George Michael?"; "Conta aí, garoto, o que ele quis dizer com "Pés culpados não dançam" na "Careless Whisper"?" e foi assim que eu descobri, aos oito, nove, dez, onze, doze anos, que eu amava interpretar, eu amava as metáforas, metonímias e eufemismos de suas canções, George Michael, e eu devo isso a você e ao meu tio João Gomes, intermediador de nossa história de Amor (sim, Amor maiúsculo, platônico, infinito e sem pecado). E agora é fim de 2016 e meu tio anda bastante doente, lutando contra um câncer incansável, guerreiro enfraquecido, mas ainda João Gomes, ainda guerreiro com uma dor insuperável que também dói em mim, mesmo quando tento fingir que ela não nos machuca tanto assim, e agora é fim de 2016 e você não é mais um adulto com ar jovial e eu não sou nenhum menino encantado com minhas primeiras interpretações textuais e você nem aqui está mais para eu lhe pedir perdão por ter me afastado tanto tempo de suas canções, do meu eu menino (a porra dos pés culpados continuam impedindo minha dança, um "Careless Whisper" interminável com aquele sax sexy que transa com eternos flashbacks e não me deixa esquecer você e que você foi embora e é mais outra droga de dor bonita nesta droga de ano que parece o demônio que chora dos olhos do corvo de Edgar Allan Poe na tradução de Fernando Pessoa), e agora é fim de 2016 e o verso "Goodbye" se repetindo na canção "One More Try" porque neste último dia desse maldito ano ouço a canção repetidamente enquanto escrevo essa carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura enquanto o Ozzy, o cachorro labra-latas de minha namorada, meu amigão, às vezes se tranca no banheiro por causa dos canalhas fogueteiros que ainda comemoram ano novo com estardalhaços que incomodam os cães e às vezes paro de escrever para vê-lo e deixo "One More Try" tocar e ficamos ali no banheiro, a canção melancólica ferida por fogos de artifícios comemorando uma porcaria de fim de ano cheio de crises, canalhice, abutres políticos e tragédias que não trazem porra nenhuma pra comemorar ainda mais com barulhos que incomodam os animais mais sensíveis que os parasitas seres humanos e tanta dor e tanta morte desfilando com champanhes parcelados no 2016 que não acaba, cujo fim é comemorado por uma cambada de gente que não liga e é melhor eu encerrar essa carta, George, pois meus dedos já tremem de raiva por essa explicável, mas descontrolada dor que me faz encerrar as postagens dessa porcaria de 2016 com uma carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura que eu jamais pensei escrever. Que venha 2017, que essa porcaria de 2016 finalmente se acabe, infelizmente cheia de infelizmentes, sem você, que venha 2017, "maybe just one more try", talvez somente mais uma tentativa, né, George, é melhor encerrar assim, com alguma esperança perdida, como você encerrou "One More Try", mesmo dizendo antes "Goodbye", talvez somente mais uma tentativa, mesmo depois do adeus.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os geniais escritoralunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva brilham com Noel Rosa: Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?

Chegamos ao segundo semestre na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, e nossos brilhantes escritoralunos já trazem nessa trajetória diversos textos de destaque! No início do ano letivo, em fevereiro, às vésperas do carnaval, trabalhei com os nonos anos diversas letras de música e a biografia de Noel Rosa (assistimos, inclusive, ao fodástico filme nacional “Noel, Poeta da Vila”, drama biográfico de 2006, dirigido por Ricardo van Steen).  Aproveitando o momento, desafiei os escritoralunos, inspirados pelo filme e pelas canções de Noel Rosa, para que fizessem uma carta pessoal (gênero textual que trabalhávamos na época) ao Poeta da Vila, agradecendo por um fictício convite para uma roda de samba imaginariamente  dado aos desafiados e talentosos artistalunos. Além disso, caso os escritoralunos topassem o convite inventado, teriam que, no corpo da carta, em algum momento, acrescentar uma referência à famosa marchinha “Com que roupa?”, de Noel Rosa.
Os escritoralunos dos nonos anos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva não só toparam o desafio como também produziram algumas das maiores obras-primas criativas no gênero textual carta. Para se corresponderem e homenagearem o boêmio, mulherengo, bem humorado e genial Noel Rosa e poderem usar e abusar das liberdades do gênero textual carta, os talentosos escritoralunos, cada grupo com seu estilo, produziram cartas super-criativas (alguns introduziram a linguagem coloquial atual nos textos, outros preferiram usar gírias e palavras da época de Noel Rosa, outros usaram como remetentes personagens famosos da biografia do Poeta da Vila, outros forjaram fantásticos novos personagens enriquecendo o universo do sambista da Vila e alguns até inventaram uma nova linguagem para se corresponder com o grande e inesquecível músico carioca – tudo com muito bom humor, referências biográficas e artísticas de Noel e simpatia, do jeito que o eterno Poeta da Vila gostaria).
Acompanhemos as cartas carnavalescas desses talentosos escritoralunos dos nonos anos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, e deixemos nossos olhos sambarem no lirismo destes geniais mestres-alunos da escrita criativa, amigos leitores!  Vida longa ao patrimônio cultural deixado pelo fodástico músico brasileiro Noel Rosa!

Prezado amigo Noel Rosa,

                Venho por meio desta carta lhe agradecer pelo convite que me fez, mas infelizmente eu não vou poder comparecer, pois tenho um show marcado nesta mesma data.
                Não tenho dúvidas de que será um dia muito agradável, espero que você se divirta bastante. Fiquei sabendo que você também convidou nosso amigo Felipinho, mandarei um abraço para você por ele.
                Vou ficando por aqui, meu amigo, que sua roda de samba seja um sucesso e, mais uma vez, obrigada pelo convite.
Abraços,
De sua amiga Rayssa Carvalho
(carta de Rayssa Carvalho, do 9.° B)

Caro amigo Noel Rosa,

                Venho lhe agradecer pelo maravilhoso convite que recebi em seu nome para a roda de samba no morro. Estou ansioso para ir à sua festa.
                Mas ainda estou em dúvida: com que roupa eu vou? Estou à procura de diversão e uma boa música para dançar. Sou admirador de sua arte de conquistar mulheres. Pretendo me divertir muito em sua roda de samba.
                Fico muito agradecido pelo seu convite. Neste mesmo instante, vou tirar minhas dúvidas sobre a roupa e comprar o melhor traje para sua festa.
Um abraço, com imenso carinho,
Carlos Felipe
(carta de Carlos Felipe, do 9.° Ano B)

Velho amigo Noel Rosa,
                Recebi seu pedido para ir ao seu encontro numa roda de samba.
                Você sabe, meu velho, que gosto muito de você, quero muito ir, mas não sei com que roupa vou! Como você é o “rei” do samba, queria a sua ajuda pra escolher a roupa.
                Meu amigo, meu BFF (Best Friend Forever), queria saber também como você está passando... Como vai a sua família, a sua mãe? Sinto muito pela morte do seu pai.
                Da sua BFF
                Stefanny
(carta de Stefanny Amaral, do 9.° A)

Caro amigo Noel Rosa,
                Minha amiga Kamila e eu escrevemos esta carta para agradecer o seu convite para a roda de samba.
                Gostaríamos muito de ir, mas não sabemos com que roupa vamos. Noel, com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?
                Mudando de assunto, e aí: como vai sua saúde? Tudo em cima? Fazendo muito samba? Eu fiquei sabendo que você estava dando umas tossidas esquisitas. O que houve? Você está bem? Espero que sim.
                Amigo, vou ficando por aqui. Te vejo na roda de samba. Até lá! E, mais uma vez, obrigada pelo convite; fico muito grata!
                Um beijo e um abraço,
                Lorraine e Kamila.
(carta de Lorraine Lopes e Kamila Melo, do 9.º B)

Caro amigo Noel, 
                E aí, véi, cê tá beim? Recebi seu convite para ir aí no morro, na roda de samba. Só quero ir sem minha mulher, vou ver se enrolo ela e a deixo em casa, afinal quero aprontar muito nessa roda de samba. Falando nisso, como andam as suas mulheres? Espero que tenha bastante mulher lá!
                Ouvi no rádio que cê tava mal, e aí, mano, o que cê tem, cara? Espero que já tenha melhorado até a festa para nos divertirmos. Ah, falando no samba, não sei com que roupa eu vou, por isso eu te pergunto: com que roupa que eu vou?
                Valeu, brother, até mais.
                Do seu amigo Bill
(carta de Rafaela Sampaio e Maria Aparecida, do 9.º A)

Caro amigo Noel,
                Recebi seu convite e fiquei muito grato pela sua generosidade.
                Estou achando que não poderei comparecer a sua roda de samba, porque acabo de chegar de uma cavalgada e estou cansado, mas em breve irei visitar outra de suas rodas de samba.
                Mudando de assunto, como vai sua saúde? Você não vai melhorar da tuberculose se não parar de fumar. Descanse que você vai melhorar.
                Do seu amigo
                Alexsandro B. Jorge
(carta de Alexsandro B. Jorge, do 9.º A)

Fala aí, Noel Rosa, beleza?
                Recebi teu convite pro samba. Na moral, não perco não, véy. Pô, com que traje eu vou?
                Tenho que estar apresentável pois vai que o novinho tá por lá?
                Mas, mano, vai ficar da hora. Me aguarde aí!
                Um abraço,
                Lauany Rodrigues Ribeiro da Silva
(carta de Lauany Rodrigues, do 9.º B, com participação especial de Thayslane Freitas, ex-escritoraluna, artistamiga visitante)

Meu caro amigo Noel Rosa,
                Recebi seu convite para a roda de samba e tô animada pra ir! Mas, aí, com que roupa que eu vou pro samba que você me chamou?
                Ó, só me respeita na resposta, heim, conheço seu jeito safadinho, seus pensamentos, já dá até pra imaginar que você tá querendo abusar de mim. Mas aí que eu te digo: pode tirar o cavalinho da chuva.
                Agradeço seu convite, mas cuidado com o que vai me responder!
                Laiane Cruz Jorge
(carta de Laiane, Jenniffer e Danielle, do 9.º B)

Meu caro amigo Noel Rosa,
                Venho lhe agradecer pelo convite. Irei com muito prazer, para poder estar ao seu lado em mais um de seus sucessos, do lado dessa pessoa incrível que você é.
                E já vou lhe avisando: você quem paga a conta, uma cervejinha gelada, posso até imaginar.
                E pra festa, com que roupa devo ir? Aguardo sua resposta.
                Abraços,
                De seu amigo Cartola.
(carta de Eduarda Malheiros, do 9.º A)

Caro amigo Noel Rosa,
                Aceitamos seu convite, mas não temos roupa pra ir no samba que você nos convidou. Com que roupa devemos ir? Esperamos que tenha convidado outras pessoas elegantes como nós.
                Ah! Quase esquecemos de te falar: tem uma amiga minha apaixonada por você e ela queria conversar pessoalmente com você. Ela disse que seu queixo é fofinho, que suas marchinhas são interessantes e também que você é elegante, que anda sempre bem arrumado. O nome dela é Vanessa, é uma mulher legal, simpática e muito divertida.
                Bom, enfim, agradecemos pelo convite.
                A nossa amizade e admiração,
                Um forte abraço de suas amigas,
                Vanessa, Leticia e Maiara.
(carta de José Vitor, Leticia e Maiara, do 9.º B)

Fala aí, meu parça Noelzi, tudo benzi com vocêzi?
                Fiqueizi sabendozi que vocêzi não estazi muito benzi de saúdezi mazi esperozi que melhorezi, poizi quero verzi o meu brodizi tchunelzi. Sei que Deus é Paizi e não padrastozi e Ele vaizi te curarzi.
                Pô, meu chegadozi, recebizi seu convitezi viradozi no paranauêzi e já tôzi no 24 par novezi pah i pah i.
                Veyzi, te ouvizi no radiozi do Barraco da minha véiazi e me inspireizi maizi foi uma provazi, porque estava sem sinalzi, tá ligadozi? Mazi, pô, conseguizi fazerzi um sambinha pah tuzi. Espero que gostezi, é esse aquizi:
                “A tchutchunelzi a tchutchunelzi a tchutchutchutchutchunelzi
                Paranauê paranauê papapaparanauê
                A tchutchutchutchutchutchunelzi…”
                Bom, veyzi, o restozi noizi cantazi aí no Morro do Borelzi. Falouzi, manozi?
                Pô, vou me despedindozi.
                Até lá no Borelzi.
                Um abraço do seu Brodizi,
                Crivaldozi.
(carta de Marianne, Gioliana e Maria Eduarda, do 9.º A)

Caro amado Noel Rosa,
                Quero lhe agradecer pelo convite feito especialmente pra mim, estou muito ansiosa, pois nem sei com que roupa eu vou para o samba que você me convidou. Quero muito vê-lo para conversarmos, mas espero que Lindaura não esteja por perto, nada pode estragar nossa noite. Preciso de sua opinião para me ajudar a escolher uma roupa bem linda, não quero que me veja em farrapos, como antes.
                Sei que vamos nos divertir muito, irei prestigiá-lo e vou levar até um presentinho, tenho certeza que você vai gostar, não vejo a hora de vê-lo e conversar com você. Não tiro você do meu pensamento, você é um sambista excelente e uma pessoa incrível.
                Pode contar com minha presença no samba, estarei prestigiando você firme e forte.
                Um grande abraço de alguém que o ama muito,
                :) Teodora Machado :)
(carta de Tainá e Ingrid, do 9.º B, com participação especial de Geisa, ex-escritoraluna, artistamiga visitante)

Querido Noel Rosa,
                Ontem ouvi você no rádio e parecia estar muito bem. Como está sua saúde? Estou preocupada!
                Recebi seu convite para a roda de samba, hoje à noite. E queria saber: com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou? Sua mulher não vai estar lá não, né?
                Aguardo sua resposta.
                Abraços carinhosos,
                Da sua Dama do Cabaré.
(carta de Daiara Lima, Jhekson William, Rayssa Ribeiro, do 9.º A)

Querido Noel Rosa,
                Recebi sua carta me chamando para uma roda de samba no morro, mas não poderei ir.
                Ontem sambalei bastante com meus amigos. Nós bebedamos, dançalamos, comelamos e o principal: agarralamos muitas mulatas. Saímos da roda de samba à noite e cinemei com amigos e amigas. Cansamos e, por isso, não sambalarei contigo dessa vez.
                Mudando de assunto, amigo, como vai sua saúde? Cuida dessa tuberculose. Sei que não tem cura, amigo, mas não fume, para que nós possamos aproveitar bem os dias.
                Obrigado pelo convite,
                Raimuldo.
(carta de Larissa, Marcia e Rodrigo, do 9.º A)

Caro amigo Noel Rosa,
                Recebi seu convite, meu amigo, fiquei surpresa e muito feliz. Pelos anos que não nos vemos, pensei que não iria me convidar, mas agora sei que nossa amizade é muito importante.
                Só tem um problema: não sei com que roupa eu vou... Tenho muitos corpetes, mas estão velhos. Pretendo fazer algumas comprinhas, mas estou sem meus cruzeiros, então não sei; pretendo aparecer para nos reencontrarmos e renovarmos nossa querida amiga.
                Abraços e carinhosos beijos,
                Rãna Rosa
(carta de Tamires, Cassiano e Isadora, do 9.º B)

Querido mano Noel Rosa,
                Hoje recebi seu convite para o samba aí no morro, mas, mano, não sei com que roupa eu vou. Acho que vou com um terno simples, mas charmoso, tô afim de umas novinhas daí que já tô de olho há um tempo.
                Véy, me espera que eu vou aparecer, pode ter certeza que vou.
                Grande abraço e nós se vê aí no morro, fui!
                Abraços,
                Chico Cachibira do Alim
(carta de Tassiana e Vania, do 9.º A)

                Querido Noel Rosa,
                Quero te agradecer pelo convite, estou muito animada para a roda de samba. Já nos conhecemos há muito tempo e fico feliz por ter me convidado para ver você tocar na roda de samba.
                Eu queria saber como você está. Escutei no rádio que você está se tratando de uma tuberculose. Quero que você saiba que estou torcendo para que dê tudo certo no tratamento.
                Meu velho amigo, tem muito tempo que eu não te vejo, estou sentindo saudades de você. Gostava quando você e eu ficávamos no parque, você ficava tocando e eu sambando, era muito bom.
                Eu queria muito te visitar, mas não tem como eu sair agora. Mas, depois, na roda de samba, pode contar comigo.
                Espero que a gente se divirta muito na roda de samba. Estou contando as horas para chegar rápido o momento de nosso reencontro.
                Meu amigo, vou me despedindo.
                Com beijos e abraços,
                Michaela de Jesus.

(carta de Michaela de Jesus Pacheco Rodrigues, do 9.º A)




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