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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Sobre a felicidade suprema e insustentável das vitórias amargas

Cena do filme "Vitória Amarga", de 1939
(só pra ilustrar)
Dia 12 de dezembro de 2016: um dia muito especial. Depois de muitas agruras no difícil ano de 2016 finalmente um momento de alívio: 9 poetalunos das minhas turmas na Escola Municipal da zona rural de Teresópolis/RJ foram classificados na Categoria Juvenil do XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Menção Especial para Andressa da Silva Oliveira, do 9.º A , Jaqueline de Carvalho Nunes, do 9.º A, e Raquel Arruda Branco, do 9.º A, Medalha de Bronze para Flaviane Tavares Gonçalves, da Aceleração V, Paulo André Ramos Almeida, da Aceleração V,  Jackson Carvalho dos Santos, da Aceleração V, e Paula Costa Felippe, do 9.º A, Medalha de Prata para Vitória de Souza Andrade de Jesus, do 9.º B, e Medalha de Ouro para  Taís Corrêa Moura, do 9.º A) e a Cerimônia de premiação foi na tarde de hoje, dia 12 de dezembro, um dia perigosamente especial... Afinal, um ano difícil mantém seus espinhos: apesar de vitoriosos, os alunos não puderam ir à cerimônia de premiação e chego ao Rio de Janeiro, sozinho e meio chateado com a ausência deles (os premiados são eles, a cerimônia era pra eles, e, pelo segundo ano consecutivo, a culminância do projeto [eles virem receber a premiação] falhou), de qualquer forma, tento manter a cabeça erguida, preciso representá-los.
Desço próximo aos Arcos da Lapa (como tenho pouca noção dos pontos de parada do ônibus circular, escolho um ponto turístico próximo ao auditório da FALB/FALARJ, situado na Rua Teixeira de Freitas, nº. 5/ 3º andar esquina com a Rua Augusto Severo, na Lapa). Como parei bem antes, acabo passando pela rua na qual o transporte escolar ficaria estacionado se tivéssemos conseguida uma van ou Kombi da Prefeitura para nos trazer (segundo a mensagem da diretora da minha escola, enviada pelo whatsapp no domingo de manhã [ela afirmara ter ficado sem internet nos dias anteriores, mas a desculpa soa meio evasiva, pois havia mensagens dela no grupo da escola no sábado de manhã...], a Secretaria Municipal de Educação de Teresópolis/RJ alegou não ter disponibilidade de transporte, apesar da supostamente afirmada insistência da direção. Ao menos a diretora permite que eu vá direto para a cerimônia de premiação e, apesar de em cima da hora, a mensagem chegara a tempo de me poupar duas passagens que seriam gastas a mais, se eu tivesse ido à escola pra ter de voltar ao Rio.Ironia do momento: na tal rua na qual o transporte escolar ficaria estacionado se tivéssemos conseguido uma van ou Kombi, há um espaço vago do tamanho de uma van ou Kombi... Paro por um momento, talvez por alguma ilusão, mas nenhum transporte aparecerá, nenhum aluno participará da cerimônia de premiação mais uma vez... Está um calor danado e os  ares cariocas sempre impõem uma rotina frenética: acordo de minha pose estática e sigo em frente – não é momento de delírios piegas e cafonas, professor, siga em frente, o sinal está verde e, se ficar parado, vai acabar ficando atrasado.
Conto as notas da carteira para ver se, antes de chegar ao prédio, posso comprar um refrigerante – é um momento vergonhoso, mas, como o meu salário permanece atrasado e com prazo indeterminado para recebê-lo, estou fazendo a viagem meio que da forma mais econômica possível. Lido com literatura e educação e financeiramente (e ainda pior na crise atual) isso é uma merda mendiga (me desculpem o termo, mas nenhum denominaria melhor a situação econômica precária). Após o refrigerante, respiro fundo (ah, os alunos não vieram... para de pensar, siga em frente, professor, siga em frente...), entro no prédio e me direciono ao auditório da FALB/FALARJ. Respondo a uns 3 acadêmicos diferentes da ALAP, conhecidos dos anos anteriores, a mesma ladainha: infelizmente, por uma série de motivos, os alunos não puderam vir - impossível conter o tom derrotado na voz. Digo que vou ao banheiro, mas é só pra ganhar tempo e respirar fundo outra vez.
Sento-me em uma das cadeiras do auditório e tento me distrair com os artistas que vão chegando. Evito olhar para as cadeiras vazias, mas o “ah, os alunos não puderam vir receber o prêmio” parece um mantra amaldiçoado na minha cabeça. Graças a Deus, a cerimônia de premiação não demora muito para começar e ouvir os trovadores declamando suas trovas premiadas finalmente me distrai.
Então chega a Categoria Juvenil do Concurso de Poesias – aproximadamente 75 por cento dos premiados nessa categoria são meus alunos e, quando os acadêmicos citam o nome do primeiro, a partir daí me levanto pra receber o prêmio como representante deles, declamar o poema e me posicionar pra foto e, como a maioria dos próximos nomes serão de artistalunos meus, me mantenho de pé (ah, esse era o momento da Andressa, ah, esse era o momento da Jaqueline, e assim vai amarga e vitoriosamente). Declamo os poemas como posso, saem mais emocionados do que deveriam sair, a cada três que declamo, acabo sempre deixando escapar que “lamento, fico feliz, mas a vitória é meio amarga, sabe, os artistalunos que deveriam estar aqui curtindo o momento”, quero parar de fazer isso, me conter, declamar mais calmamente (você não é mais um adolescente pra se deixar levar pelas emoções, professor, siga em frente... ah, adolescente, eles deveriam ter vindo comigo, putz... a cabeça reclama enquanto declamo), os aplausos a cada poema, não me repito, mas a cabeça lateja: os artistalunos é que deveriam estar aqui, muito mais que eu...
Após receber as 3 menções especiais, as 4 medalhas de bronze, a medalha de prata e a medalha de ouro de meus artistalunos, juntamente com os seus respectivos diplomas, volto a me sentar; outros artistas premiados nas demais categorias me parabenizam pelo excelente trabalho, sorrio, mas a cabeça pesa sobre os prêmios: os alunos premiados podiam estar aqui... Trato de organizar e guardar a premiação e volto a tentar me distrair, ouvindo os fodásticos poemas dos poetas premiados na Categoria Adulto (os dos seus artistalunos também são fodásticos, professor, eles deveriam ter vindo, a cabeça insiste na lamúria, mas deixo-a sussurrando num canto, enquanto ouço as declamações dos demais premiados).

No fim da premiação, inicia-se um tradicional coquetel, os vários e célebres artistas premiados vêm falar comigo: solidarizam-se, dão-me livros para entregar aos premiados, elogiam os poemas de meus artistalunos, bolam estratégias e alternativas para que os artistalunos premiados no próximo concurso possam estar ali recebendo o prêmio no ano que vem, ajudam a aliviar e tornar menos amarga essa sensação vitoriosa de consagração sem os donos da consagração. Quando saio, o tempo é chuvoso e assim permanecerá, uma vitória imensa e melancólica permanece em meu semblante, a bolsa que carrego tem o peso bom da consagração mais-que-fodástica dos meus artistalunos que não puderam vir comigo. Agora escrevo essa crônica-desabafo no blog; penso em também postar o vídeo que mostra eu declamando alguns dos poemas premiados, penso em também postar os poemas premiados de uma vez, mas deixa pra amanhã; por hoje é só, pessoal, hoje continua chovendo apesar dos sorrisos sinceros de algum sol que tento manter na atmosfera soturna. Amanhã começo a bolar estratégias para que todos os artistalunos premiados recebam urgentemente suas devidas e super-merecidas premiações, agora vou dormir, parabéns a todos, somos vitoriosos até nesse universo que nos despreza, siga em frente, professor, ai, minha cabeça, siga em frente, mas primeiro descanse... 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Por uma nova ordem (ou desordem?) musical: Yeah, eu fui no Lollapalooza 2014!

Mais uma vez me organizei para ir ao Lollapalooza. Escolhi ir ao festival o domingo, 6 de abril, não tão pleno quanto no ano passado (a nova produtora do Lolla 'inovou' neste ano, inventando batalhas entre grandes shows e deixando meu coração dividido entre o show super-energético da banda de indie rock Arcade Fire e o show não tão animado, mas clássico e plástico da toda poderosa New Order).

Sábado, 5 de abril, correria: tentei deixar tudo em ordem e, devido aos poucos horários de Três Córregos para a Rodoviária de Teresópolis, me arrumo às pressas, depois de organizar quase tudo atabalhoadamente. Na rodoviária, pego o ônibus direto pra São Paulo e aproveito a longa viagem pra praticar minha arte de dormir em ônibus, afinal domingo será um dia longo, vibrante e inesquecível, se os deuses da música me permitirem essa dádiva, e única forma de descansar é aproveitar os horários em trânsito pra descansar a vista e talvez o corpo.

Madrugada e manhã de domingo, 6 de abril, preguiça: desembarco na Rodoviária de São Paulo e dou um tempo por ali – é cedo demais pra iniciar o corre-corre pra chegar ao show. Recarrego o celular numa área reservada pra isso, enquanto descanso ao lado dele no chão; visito lojas, mas não compro nada; como alguma coisa (junk food e café, café, café!); um curitibano perdido me pede informações sobre a rodoviária e, como já sou mestre em passar por aqui, lhe respondo as dúvidas e, por um instante, me sinto um cidadão paulistano; entro na lan house e consulto meus espaços virtuais – nenhuma novidade na net, fora saber que meu time virtual Guesa Errante Futebol Clube perdeu na Liga Golaço após 10 jogos de invencibilidade. Pronto, já enrolei bastante, pego informações das rotas do trem e sigo em direção do Autódromo de Interlagos, novo local do Lollapalooza (até ano passado, o evento rolava no Jóquei Clube).

Fim de manhã e início da tarde de domingo, 6 de abril, excitação: depois de passar por três trens, andar um bocado, passar por vários guichês (de revista, autenticação do ingresso, etc), chego ao novo espaço do Lollapalooza. A primeira coisa que faço ao entrar é bater fotos e comprar tickets de comida e bebida (ano passado, passei um aperto em filas enormes, por ter deixado pra comprar depois). Depois corro pra assistir ao show da musa pop venezuelana Francisca Valenzuela, no Palco Skol. O show da cantora é animado, meio performático, o pop que ela representa não é dos estilos que mais curto, mas não me desagrada nem uim pouco: a artista tem estilo, uma voz potente, boas canções e conquista a simpatia do público, ainda pequeno por se tratar de um dos primeiros shows do dia. O sol escaldante avisa que será um dia quente (na minha mochila, a capa de chuva, companheira de outros festivais, dorme tranquila e inútil). Aproveito o intervalo de show pra descansar um pouco, me sento na grama (ano passado, saí mancando do Lolla 2013, por causa da ansiedade excessiva e, consequentemente, não me dar os tempos devidos de pausa – já não sou mais um garoto de 16 anos, com o corpo novinho em folha; meus quase 35 me lembram disso toda hora), o sol queima o meu rosto e todas as outras partes expostas de meu corpo, em breve ficarei da cor de um camarão, castigo viável para mim, que não . Aproveito a pausa pra conhecer outras pessoas: ao meu lado, acho uma companhia para os maus vícios, ou seja, fumante como eu (o poeta Mario Quintana afirmava que é nesses momentos de tragadas coletivas que fazemos novas amizades). Seu nome é Lilia ou Lilian (não entendi ao certo, mas não quis perguntar novamente), é de Santo André, o Lolla 2014 é o primeiro festival que ela vai e isso tem um motivo, ou melhor, uma cantora: Ellie Goulding (artista pop super-esperada por uma legião de fãs neste evento, mas, como eu já disse, não é bem o estilo que mais gosto, logo, em breve, Lilia ou Lilian e eu seguiremos caminhos diferentes, mas, como ela própria disse, “o legal desse lance de festival é que cada um tem seu estilo, sem confusão, sem briga, todos curtem”, e assim cada um seguirá a sua trilha musical). Conheço também o jovem, gente boa e louco Hortêncio Lima (ele me repetiu o nome umas 3 vezes durante os momentos em que estivemos juntos pra que eu pudesse gravar rs); também é o primeiro festival dele, mas, diferente de nós, ele já tinha vindo no sábado, estava meio virado, mas com a energia ainda a mil.
Esperamos ansiosamente o show do Raimundos e eles não desapontaram em nada nossa expectativa: fizeram um show vigoroso no Palco Skol, tocaram diversos hits, trouxeram as canções novas – muito boas, por sinal, do novo álbum “Cantigas de Roda” - agitaram muito a galera e, em nenhum momento, pararam de contagiar a galera (de todos os shows que  eu vi, foi o que mais interagiu e que agitou realmente todo o público), rodinhas hardcore se formaram (Hortêncio entrou em todas, eu me arrisquei apenas uma vez – não tenho mais 16 anos, meus quase 35 sempre me lembram disso). Resumindo: o show dos Raimundos foi um dos mais fodásticos do dia, do caralho, puta que pariu – eles tinham afirmado em entrevista ao G1 que esse show marcaria um novo recomeço, uma ressurreição na banda, mas não pensei que seria tão consagrador assim! O vocalista Digão aproveitou pra citar Ayrton Senna (afinal, estávamos no Autódromo de Interlagos, onde o piloto brasileiro tanto se destacou) e agradecer a galera: “É por isso que não paramos, véi, é por vocês, vocês que fazem a gente continuar!” A páscoa dos Raimundos veio uma semana antes da que marca o feriado oficial: a banda, lenda divina do hardcore nacional, está mais viva que nunca! Acho uma pena que sites como o G1, que cobriu o evento, não tenha dedicado nenhuma linha de comentário sobre o fodástico show dos Raimundos no resumo da 2.ª Noite do Lollapalooza. 
Depois disso, Hortêncio e eu nos separamos de Lilia ou Lilian, pois seguimos nossa jornada musical na direção do Palco Ônix, onde já se apresentava o lendário Johnny Marr, ex-guitarrista da fodástica banda The Smiths e atualmente em bom início de carreira solo. O rock tipicamente inglês de Johnny Marr é vibrante, anima o público (principalmente, os mais velhos) e, putz, ouvi-lo ressuscitar velhos e eternos hits do The Smiths é fodástico demais, contagiou todo o público, isso jamais sairá da minha memória musical. Hortêncio, animado, comenta: “Agora entendo de onde vem a musicalidade de ‘Alagados’ dos Paralamas do Sucesso.” Eu poderia ter dito a ele que não só o The Smiths, mas também o Talking Heads e o The Police influenciaram a sonoridade dos Paralamas, mas, em tributo ao fodástico show de Johnny Marr, deixo o guitarrista como principal influenciador dos Paralamas. Johnny Marr continuou agitando o público, porém, no meio do show, Hortêncio e eu nos vemos meio cansados (o show dos Raimundos nos cansou demais, apesar de ter sido uma canseira positiva) e decidimos dar um tempo. Saio da multidão e, quando olho pra trás, cadê o cara? Ambos nos perdemos um do outro – ameaço procurá-lo, mas é em vão, o evento está cada vez mais lotado, encontrar uma agulha no palheiro seria mais fácil. Me sento na grama e descanso um pouco, afinal ainda tem muito show pra curtir. Agora retorno à minha jornada musical solitária.

Meio da tarde até o anoitecer de domingo, 6 de abril: sou um exército de um homem só – Saio do espaço próximo ao Palco Ônix e sigo para o Palco Interlagos, onde tocará a banda ultra-feminista e de rock vigoroso Savages. Não tinha nenhuma informação dessa banda até uma semana atrás, quando esbarrei com um comentário desesperado de uma fã da banda no site do Lollapalloza. Na mensagem, a fã reclamava a falta de comentários da galera na página reservada à banda Savages: “Vamos lá, galera! Como é possível que uma das melhores bandas do Lolla de domingo tenha tão poucos comentários?” Esse fato me deixou meio curioso e decidi baixar o som da banda. Seu ritmo, misto de Joy Division com Siouxsie bastante pesado, me encantou de cara e a Savages passou para a minha lista de shows a serem assistidos no Lolla 2014. Enquanto eu seguia para o Palco Interlagos, a musa pop Ellie Goulding iniciava seu show no Palco Skol; uma platéia imensa já lotava o lugar e mais fãs enlouquecidos se dirigiam para perto do palco. Caminhando na direção oposta à da maioria, me senti um rebelde nadando contra a corrente. Chego cedo ao show da Savages e consigo ficar bem próximo do palco (não tão próximo, pois uma legião ‘savágica’ já a esperava). Quando o show inicia, tenho a impressão de certa timidez da vocalista com o público e percebo que o sol possivelmente castigue as integrantes da banda, vindas de outros ambientes com temperaturas mais amenas, mas tudo isso fica só à primeira vista. Após três músicas e movimentação contagiante da banda, seu rock vibrante já nos hipnotiza, a vocalista já se comunica com o público em português, para delírio dos fã-náticos, sua performance meio Ian Curtis (Joy Division), meio Johnny Rotten (Sex Pistols) relembra bons ídolos de décadas passadas, o som é potente, impossível não se deixar contagiar, tanto a platéia quanto a banda saem satisfeitos com o show, o público aplaude efusivamente e a vocalista sai de palco sorrindo, depois de dar “obrigado” diversas vezes pra galera que animou o espetáculo. 
Saciado de Savages, é momento de Pixies – corro na direção do Palco Skol, entro no meio do público cada vez maior à medida que os shows principais se sucedem. Com muito esforço e jogo de cintura, consigo chegar próximo ao palco, bem no miolo da massa roqueira. O Pixies, bastante criticado por certa apatia nos últimos shows no Brasil e no mundo, veio pra desfazer qualquer má impressão anterior. Fizeram um show antológico, eficiente, recheado de hits que empolgaram a galera; fãs das mais diversas idades cantavam junto com a banda, um momento mágico, um coro acompanhava as dúvidas do vocalista: “Where is my mind”, fora certa timidez da nova baixista, o show foi um dos melhores do domingo, o mais vibrante, rasgado e autêntico rock’n roll, baby, "la la love you"!
Saí do show empolgado pra curtir o rock grunge do Soundgarden no Palco Ônix, porém paguei um preço alto por ter ficado tão próximo dos Pixies no Palco Skol: quando cheguei no palco, onde a banda de Chris Cornell agitava a galera com “Black Hole Sun”, entre outros sucessos, o espaço estava tomado pela multidão e só conseguiria assistir ao show a uma distância imensa do palco. Mesmo com o coração apertado pela perda, virei as costas e decidi tentar uma estratégia nova para que tal fato não ocorresse no próximo show da minha lista pré-concebida: correr para o Palco Interlagos bem antes do show do New Order para que eu pudesse ter uma visão mais privilegiada do espetáculo.

Domingo, 6 de abril, noite brilhante, uma nova ordem: Sei que o Arcade Fire preparava-se para fazer um show antológico no Palco Skol, mas não perderia o New Order por nada no Palco Interlagos, afinal, mesmo menos empolgada que o Arcade, a banda formada após o fim do Joy Division é parte essencial de minha trilha lírico-sonora da juventude (sei que alguns chamam o som deles de ‘música para enrustidos’, lamento, mas é meu ‘mau gosto’ musical, caros críticos machões fãs de bandas metaleiras de cabeludos sarados) . 
Cheguei ao palco Interlagos no final da apresentação do Jake Bugg. Ouvi de forma desinteressada o folk rock do garoto (ele não estava na minha lista de favoritos) e confesso que até houve um pouco de má vontade minha com o som dele, pois eu ainda estava chateado por ter tido que sacrificar o show do Soundgarden. Jake Bugg fez um bom show, apesar de não ter empolgado muito a galera (somente pequenos grupos aqui e ali davam uma atenção devida e vibrante ao show do rapaz), o que resultou numa despedida seca do artista. Na minha cabeça, ficou um verso de uma das últimas canções que ele cantou: “Rock’n roll can never die” (na verdade, a canção nem é de Jake Bugg, e sim uma versão que ele fez da consagrada “Hey Hey My My”, de Neil Young. Lamento por Jake Bugg ter sido ‘incompreendido’, mas minha maior preocupação era chegar o mais próximo possível do palco. E a estratégia deu certo: após o show de Jake Bugg, a platéia dispersou e cheguei bem próximo do limite para o palco – mais uns quatro passos e eu estaria completamente de cara para o espetáculo! 
Após alguma espera e muita expectativa, o New Order chegou, bastante técnico, plasticamente poderoso (o telão exibia diversos vídeos e as luzes eram um espetáculo psicodélico à parte), meio discreto, mas acompanhado por uma platéia empolgada. O vocalista Summer interagia com o público, nem sempre da melhor forma (a galera não gostou muito quando ele agradeceu a recepção com um ‘muchas gracias’, nem quando ele disse que curtia o ‘mojito’ brasileiro [?!?], mas, logo ele se corrigiu, dando o devido “obrigado” e dizendo curtir a caipirinha e churrasco brasileiros, e, depois, pediu desculpar por não falar quase nada em português). Burocracias diplomáticas à parte, o New Order tem um rock melódico contagiante e fez um show eficiente, que emocionou os fãs mais nostálgicos como eu (ou seja, mais velhos rs), principalmente, do meio pro final do show, quando finalmente eles tocaram os fodásticos hits “Blue Monday”, “Bizarre Love Triangle”, entre outros. 
O bis que eles deram, tocando duas canções do Joy Division, em memória do genial Ian Curtis, é de emocionar qualquer ser humano que curta o mínimo essencial do rock de 80, a homenagem traz aquela energia feliz que nos dá uma baita vontade de chorar. E chorei feliz, cara, nessas horas, não sei esconder minhas lágrimas, viu, senhores críticos, não sou tão enrustido assim – meus sentidos talvez sejam muito mais expostos que os de vocês, cambada . Seja qual for o conceito (ou pré-conceito) dado ao som do New Order, eu os acompanho, perdoo qualquer falha, amei demais o show deles e parto com o coração pleno de satisfação – minha trilha sonora ficou mais rica depois desse domingo. Agora é voltar pra casa, descansar e me preparar pra novas canções e poemas. E que a rotina não seja pesada, nem as ambições pequenas, pra que o amor nunca nos despedace. Amém, “Love Will Tear Us Apart”, Até Logo, New Order, Arte Sempre, Ian Curtis never die.

  

domingo, 5 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013: Quando o tempo se dividiu entre antes e depois do CD da banda Motocircus

Janeiro é mês de férias e também de retrospectiva do ano anterior. Hoje lembro-me da primeira vez que ouvi o mais-que-fodástico CD “Réquiem for the rockets”, da banda de blues rock Motocircus, de São José do Rio Preto/SP (deixo aqui alguns links pra que também conheçam essa fodástica banda – a página deles no facebook: https://www.facebook.com/pages/MOTOCIRCUS/280892265261552?fref=ts e no site “Toque no Brasil”: http://tnb.art.br/rede/motocircus ): já passava do meio do mês de agosto de 2013, quando comprei essa preciosidade musical das mãos do baixista da banda (e também fodástico cartunista e desenhista) Alex Sander, durante a abertura da 40.ª Edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba/SP – eu tinha sido classificado no concurso nacional de microcontos da cidade e aproveitei pra conhecer o mais famoso e tradicional evento de lá; adquiri o CD citado, algumas revistas em quadrinhos fodásticas de Alex Sander (que me inspiraram a criar novos poemas, já publicados aqui no blog, em postagens do ano passado) e de outros desenhistas e cartunistas e colecionei diversas caricaturas minhas feitas por expositores do Salão e voltei para Teresópolis/RJ, com a alma radiante e lotado de trabalho, pois precisava compensar na escola os dias que viajei.
Consequentemente, devido a alta carga de trabalho, fiquei com o CD da banda Motocircus por alguns dias em estado de inércia, sem ao menos tirá-lo da mochila. Numa tarde nublada (uma das poucas tardes na qual não trabalhei e dei folga pra mim mesmo nas correções de atividades em casa), após uma manhã cansativa (daquelas que parecem que nada deu certo), resolvi finalmente retirar o CD “Réquiem for the rockets” da mochila e ouvi-lo: putz! um blues rock potente invadiu o quarto, a tarde nublada parecia aos poucos permitir a aparição do raro sol e todas as dores de um dia ruim pareciam passar num piscar de sons. Yeah, vontade de pular, agitar, apagar os momentos ruins e me renovar. Ouvi o CD três vezes seguidas bem alto, para delírio ou horror (para os admiradores de outros estilos, boa música pode ser um pesadelo rs) dos vizinhos.
Com o tempo, além de Alex Sander, que conheci pessoalmente, fiz amizade virtual, através do facebook, com outro fodástico músico da banda, Kaio Páttero (voz, guitarra e violão), e lhe prometi, antes do fim de 2013, uma resenha sobre o mais-que-fodástico CD “Réquiem for the rockets” (quem acompanha esse blog, sabe que o que tudo que admiro e que me contagia vira conteúdo essencial de releitura ou homenagem lírica produzida pelo blogueiro-professor-poeta-pateta que vos escreve). Devido à intensidade de eventos artísticos e trabalhos como professor, o texto que prometi a Kaio Páttero ficou tocando em minha cabeça, mas só no finzinho de dezembro consegui parar para escrevê-lo e assim cumprir minha promessa em parte, pois, depois de muito tempo com o texto dançando em minha cabeça, a tal resenha virou um gênero textual híbrido, misto de resenha, prosa poética, conto e crônica (quem acompanha esse blog, também sabe que este artista louco que vos escreve, fã-nático por Kafka, rockpoema e Dom Quixote, adora misturar gêneros textuais).
O resultado está aí embaixo, junto com alguns vídeos da banda Motocircus, pra ler, ouvir, pular, sonhar e liricamente enlouquecer, amigos leitores!



No tempo de um “Requiem for the rockets”


Você chegou cansada em casa, baby, a casa está tão bagunçada quanto você. Há algo nublado demais no tempo, talvez aquela nuvem negra no céu seja algum sonho seu que se perdeu na juventude. Seu corpo cai preguiçosamente sobre a cama, há pouca vida em seus movimentos. Suas mãos rastejam sobre a pilha de CDs, próximas a sua cama; você procura algo que não encontra há tempos. Um dos CDs se destaca em sua procura, você o retira da pilha: “Requiem for the rockets”, da banda Motocircus. Na capa, diversas caveiras sob uma névoa de notas musicais – uma daquelas caveiras podia ser você, baby, talvez elas também estejam fugindo da falência da vida como você. Num esforço descomunal contra o corpo encharcado de preguiça e rotina, você se levanta, coloca o CD no aparelho, liga o som no volume máximo e, antes que retorne pra cama, um fodástico blues rock atira-se contra sua inércia, baby: “Listen to the sound now baby / Scream and drive me crazy / And stand up stand up” E você grita e você fica louca e o céu lá fora perde aquela nuvem negra e o sol retorna com brilhos de guitarra e, a cada faixa, você voa cada vez mais alto pelo rock’n roll, baby! Shakalaka Boom e Lord Jim abre as portas de sua percepção, beija sua face e lhe diz: você está viva, você nunca esteve tão viva, baby!  Sua querida mãe, outrora tão distante, seu coração exposto, as noites passadas em shows de rock, todas as sensações que você pensava estarem esquecidas dançam do seu lado, baby, você nasceu pra se mover, pra pular, pra viver, no ritmo do “Requiem for the rockets”, que você agora ouve sem parar, pela continuidade da liberdade e de algo mais que jamais se acabará. Não, baby, o sonho jamais acabou; basta manter-se de pé e colocar o CD da banda Motorcircus pra tocar mais uma vez.







quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Solidões compartilhadas: Viagens e poemas de Genaldo “Che” Lial

Genaldo Lial inspirou o filme alemão
"Corra, Lola, Corra", pois ele,
como a protagonista do filme,
não para de correr
nenhum minuto!
Genaldo "Che" Lial e eu
indo pra uma aula-passeio
no Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Ele é uma lenda da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Veio de Mesquita/RJ, mas, residente há alguns anos na zona rural de Teresópolis/RJ, já se fez um teresopolitano esportista nato. Professor de Educação Física, fã de xadrez e atletismo -  quando não está lecionando, pratica o que ensina: corre sempre pra manter a forma, pensa Educação Física, ama Educação Física, brinca com Educação Física, respira Educação Física, transpira Educação Física, vive Educação Física, sua alma parece estar em constante atividade física, só para de malhar o corpo para manter o cérebro em forma concentrando-se numa partida de xadrez. Os mais exagerados dizem que ele é o único que já nasceu correndo, dando xeque-mate na parteira e gritando “Primeiro!” feliz por ser o primeiro a alcançar a linha vital no momento do parto. Odeia futebol (sim, o lendário ser é um dos poucos professores de Educação Física que esculacha o mais popular esporte de nosso país – “vou ensinar essa porcaria pra quê? Eles já sabem como é; a mídia, o mundo todo alienado nisso. Vou ensinar o melhor, o que eles não sabem, o que eles realmente merecem aprender”, se defende) e adora viajar em sua moto em longa jornadas pelas regiões do Brasil e da América do Sul (seu currículo de viagem é de dar inveja ao jovem Ernesto Che Guevara, eterno viajante, como podemos ver no filme “Diários de Motocicleta”, do diretor brasileiro Walter Salles, baseados nas primeiras viagens de Che pela América Latina). È fã de forró, considera a sanfona de Luiz Gonzaga mais revolucionária que a guitarra dos Beatles e, se toca um rastapé, não para de dançar um minuto. E, como se não bastassem todas as atividades físicas, partidas de xadrez, bailes de forró e viagens, como Che, o lendário ser ainda é escritor – jovem, construía sonetos, na forma mais clássica; hoje se dedica a escritos de sua viagem (alguns de seus textos e reportagens já saíram em jornais de motociclistas e de grande circulação, como O Globo) e, aos poucos, retoma a poesia, numa forma menos rígida. A personalidade lendária de quem eu falo hoje é o fodástico professor e artistamigo Genaldo Lial da Silva, com quem compartilho pela primeira vez minhas solidões poéticas.
Trago duas faces da escrita de Genaldo Lial: um fragmento do romance de viagem ao qual o artistamigo tem se dedicado (yeah, como ele mesmo diria, primeiro! já tô na fila esperando o lançamento!) e um poema que marca seu retorno à escrita poética, um poema de amor e celebração á vida (o marcante poema foi declamado pelo próprio poetamigo no II Sarau Professor Rosa Amélia, realizado na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, neste ano – cujos vídeos em breve estarão aqui no blog – e surpreendeu a todos que só o associavam a esportes.
Joguemos nossos olhos, amigos leitores, na escrita revigorante de Genaldo Lial.

Fragmento do romance de viagem de Genaldo Lial, com o título provisório de "Viagens de moto 125 pelo Brasil e arredores"

... Passado o primeiro trecho de uns 20km apareceu um asfalto novinho. Que maravilha! Mas a felicidade durou pouco, logo avistei uma placa que dizia “fim do asfalto”, outro trecho de mais ou menos 20km de cascalho. Vamos nós de novo. Tinha que trafegar no rastro dos caminhões porque na brita solta era impossível. Por volta de 13h00 eu, que estava só comento poeira estava cheio de fome, cheguei a um lugarejo e parei numa mercearia e perguntei se havia onde almoçar por ali. Fui informado que não e ainda me disseram que teria que encarar mais dois trechos de estrada de chão pra encontrar algum lugar onde acharia restaurante. Imaginem a cara de animado que eu fiquei, mas viagem de moto é assim mesmo, é só pedreira. Fiz um lanche e abandonei a ideia de almoçar naquele dia. Encarei o terceiro trecho sem asfalto (18km, se não me engano). Quando ia pegar o último trecho de chão me informaram que a estrada era de terra e não tinha cascalhos, dava pra andar bem. Realmente melhorou muito. Dava pra andar até 50km/h às vezes. Mas, como dificuldade pouca é bobagem, armou uma chuva forte e eu parei pra colocar a capa de chuva, torcendo pra chegar ao asfalto antes da chuva me castigar. Não adiantou. A chuva caiu forte e eu fui com a moto dançando na lama. Ao final de todo esse sufoco, encerrei esse segundo dia em Santana – BA com apenas 571km rodados (também com quatro trechos horríveis, o que eu poderia esperar?).

VIDA CELEBRADA (A face poética de Genaldo Lial da Silva)

Que tenhas sido ontem, que sejas hoje e sempre celebrada
Que nasças sem hora certa ou mesmo hora marcada
Vida que brota num bretão distante
Com teus mistérios às vezes entristecida
Que segue seu caminho errante
E por tantas e tantas vezes esquecida
Com todo teu esplendor constante
Vibra em nosso sangue mestiço
Reflete em nosso olhar um bom viço
Recebe a luz que nos aquece e que do sol emana
Com a certeza de seres bela e perfeita
Mesmo que por alguns não tenhas sido eleita
Que não sejas santa nem profana
Pois és tu quem celebro, ó vida humana!

domingo, 31 de março de 2013

Na trilha (musical) dos The Killers: Yeah, eu fui no Lollapalooza Brasil 2013!!!


Escrevo com meu pé ainda meio torcido e o coração e a alma inteiros e satisfeitos. A causa deste estado físico e espiritual foi o primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2013 (29 de março).
Há muito tempo atrás, havia comprado meu ingresso e a ansiedade para assistir a Agridoce, Of Monster and Men, Cake e The Killers era imensa. Numa aventura que se iniciou no dia 28 de março, quando conquistei a última passagem de Teresópolis para São Paulo no 22:00h, cheguei em São Paulo na manhã do dia 29 de março, dei um tempo na rodoviária, peguei informações, passei informações (por incrível que pareça, por mais turista que eu fosse, devido ao feriado da Páscoa, fui interrogado por diversos outros turistas sobre pontos em São Paulo, como se eu fosse um legítimo paulistano – deve ser o cabelo pintado de vermelho, não muito comum em outras terras, fora da capital paulista, cujo povo é reconhecido como protagonistas de um dos universos mais fashions brasileiros. Como as perguntas eram simples – é pra cá que chego no metrô? É nessa direção o Jockey Club? – me senti um autêntico paulistano passando corretamente as informações, mas o meu sotaque fluminense-caipira sempre denunciava ao interlocutor que ele havia sido informado por um ‘estrangeiro’ de Sampa) e, às 10:30, já me encontrava na fila de entrada para o Jockey Club, o local de entrada para o Festival Lollapalooza Brasil 2013. Mofei bastante na entrada – ao contrário do que dizia o site do Lolla, os portões não foram abertos às 11:00h, e sim às quase 12h.

Abertos os portões, passada a chata – mas necessária - revista dos seguranças, entregue o ingresso, lá estava eu diante de um universo imenso e fantástico, programado pra ser um paraíso onde São Paulo seria preenchida por música. De cara, vi no palco “Alternativo”, a passagem de som da banda Tokyo Savannah. Empolgados com a chegada do público, eles aproveitaram pra antecipar uma canção do show – um rock cheio de distorções, agitado e bem contemporâneo; não é do estilo que mais me agrada, porém serviu pra provocar a primeira agitação em mim.

Como as bandas iniciais não me interessavam muito, dei uma volta no espaço do Jockey Club: fui na famosa roda gigante do Lolla-Heineken e ainda ganhei de brinde um chopp Heineken (não deu porre, claro, mas já começou a enriquecer minhas memórias com a festividade transmitida pelo álcool); passei pelos stands, onde ferviam seduções consumistas – o Chilli Beans oferecia raspadinhas com descontos para a compra de seus óculos; várias pessoas aproveitavam o momento, mas eu não vim aqui pra comprar óculos – eu vim para, como a cidade de São Paulo, me preencher de música. Aproveitei as voltas pra comprar várias fichas (chamadas de pillas) para minha alimentação e bebedeira, enquanto as filas estavam pequenas, quase inexistentes – mais tarde, eu passaria por ali e veria filas extensas e quase infinitas, feliz da vida de ter me antecipado pra não passar por esses momentos tediosos.
13:50h e já estou em frente ao palco “Cidade Jardim”, onde rolará o  tão esperado Agridoce – a banda foi em Rio das Flores/RJ, num domingo, data impossível pra mim, pois viajo para o Rio no mesmo dia e trabalho em Teresópolis/RJ às segundas. Desde quando a Pitty e Martin criaram esse projeto musical paralelo, esperava ansiosamente ouvi-los ao vivo e, quando vi o nome do Agridoce no dia 29 de março, me convenci mais uma vez que havia escolhido o melhor dia do festival Lolla pra mim. Claro que o som do Agridoce, mais intimista e psicodélico, não é o mais indicado para um evento em local aberto, mas a eficiência, qualidade e carisma da banda compensam as limitações que poderiam haver. Uma palavra: fodástico!!! A banda mandou todos os sucessos do Agridoce, mais algumas inéditas e um cover bem executado de “Across the universe”, dos Beatles, para uma platéia atenta e extasiada com o som. O único porém é que achei a voz de Martin anasalada demais nas duas primeiras canções, forçada demais em comparação às versões estúdio, mas já na terceira o próprio músico e cantor já alterava o tom e ofuscava a primeira impressão que tive. Pitty anunciou ao público que este seria um dos últimos shows do projeto Agridoce e mostrou-se empolgada em saber que o festival trazia uma tradutora de libras – interessante: o Lolla escalou tradutores de libras pra todas as bandas - para as canções da banda (“legal nosso som estar chegando em outras formas pra outras pessoas curtirem. Diz pra eles: espero que estejam gostando”). Portadores de necessidades especiais ou não, gostamos muito do show do Agridoce, Pitty, eu lhe responderia se pudesse me ouvir. Deixará saudades nos seus fãs – inclusive eu - e agradeço muito aos deuses da música por terem me proporcionado a oportunidade de ouvi-los ao vivo.

Após isso, corri para o palco “Butantã”, para ouvir a fodástica “Of Monsters and Men”, banda cujo CD eu havia comprado e ouvido na véspera do festival e cujo som – bem no estilo Arcade Fire – tinha me agradado muitíssimo. O show deles é contagiante, parece que nossa alma flutua livre em correntes sonoras de êxtase coletivo. O público – incluindo eu, é claro – pulava e cantava as canções, numa celebração do show da banda, da vida, de estar ali vivo curtindo tudo isso! “Of Monsters and Men” retribuía com um show antológico, empolgante e satisfeito com a receptividade elétrica do público. A chuva iniciava seu ritual e festejava conosco, os pingos caíam sobre nossos ombros de forma tão leve que pareciam comemorar cada música executada magistralmente conosco. O show foi tão bom que, quando eles avisaram que estavam na última canção, o público claramente lamentava o fim do êxtase e continuava cantando junto e pulando nos momentos finais da banda, como se aqueles fossem os últimos momentos de curtimos as alegrias de nossas vidas. Show inesquecível. Sortudos aqueles que assistiram o show extra da banda no dia seguinte, no Side Show do Lolla que iria rolar no Cine Jóia, dia 30, às 00:30h.
A banda “The Temper Trap”, no palco “Cidade Jardim”, vista rapidamente de longe, parecia interessante, mas não estava na minha lista de favoritos. Aproveitei pra atravessar em meio ao lamaçal, ir ao banheiro, me alimentar e beber; rockeiro com IA (Idade Avançada) não para em pé sem comida e álcool. Depois, nova correria pra chegar mais próximo do palco “Butantã”, onde rolaria a tão esperada Cake. Algum tempo mofando e me espremendo, cheguei o mais próximo possível do palco. Depois de muito tempo – o show do The Temper Trap ainda rolava no outro palco quando cheguei -, o Cake chegou, ganhando uma festa de aplausos. Chegou e correspondeu fodasticamente aos aplausos: os integrantes fizeram um show antológico, interativo (o vocalista falava constantemente com o público, pedia pra cantarmos juntos com ele, etc – muita coisa que ele disse me fugiu, pois meu inglês parco não acompanhava o ritmo de sua fala; é, preciso voltar ao meu cursinho de inglês urgentemente!) e levaram o público ao delírio. Destaque para as versões de “I will survive” e “War Pigs” (esta última, tocada após diversos pedidos do público) e as fodásticas canções próprias “Short Skirt, Long Jacket” e “Never There”. Meus pés dão os primeiros sinais de IA (Idade Avançada), mas, quem quer curtir plenamente o Lolla, precisa atravessar o campo enlamaçado, a dor e todas as limitações físicas.
Após uma breve pausa, corro para o palco “Cidade Jardim”, onde rolava a estranha “The Flaming Lips”. Num espetáculo exagerado de luzes e sonoridades obscuras – confesso que achei chato demais em diversos momentos e considero muito esquisito ter visto o vocalista com uma boneca de brinquedo, como se ela exprimisse um sentimento sublime em suas composições estranhas, além do “Come on, motherfuckers!” que ele dirigiu ao público e que até agora não engoli – ninguém tem obrigação de curtir um som obscuro como o deles e aplaudi-los só porque vieram da putaquepariu! Em resumo, vão tomarnocu, motherfuckers do The Flaming Lips. Eu estava ali só pra chegar o mais próximo possível do palco para o show do The Killers (lamento, fãs do Deadmau5, mas meu objetivo era o show do The Killers e, pra conseguir ficar mais próximo, sacrifiquei a oportunidade de assistir ao Deadmau5).
Depois de muito esperar, espremido, sujo e já com o pé completamente dolorido, no meio do mau cheiro, público apertando-se, lamaçal, finalmente chego ao gran finale dessa trip: THE KILLERS!!! Yeah, os caras nem deram boa noite, já vieram mandando fodasticamente bem “Mr. Brightside” e “Spaceman”, levantando a galera, nos levando ao delírio. The Killers mataram o tédio da espera e fizeram um show mais-que-antológico. É inexprimível o que sinto quando os ouço e quando lembro deles ao vivo: é um misto de delírio e paixão agitada à flor da pele, sinto vontade de pular em calmo desespero, cantar e me surpreender calado ouvindo-os, chorar sorrindo, sentir toda dor e alegria de estar vivo, de estar ali, ouvindo-os, interagindo com eles. Meu pé já não aguentava mais nada, devo tê-lo torcido, mas – foda-se – continuo pulando e Jack Flowers e os demais integrantes do The Killers parecem trazer a sonoridade que me fará sublimar minha dor, resistir à toda dor e solidão na entrega da música, da integração com o público. Nem falo do clima, tão em delírio quanto o público – ora abafado, ora garoando -, não havia temporal ou calor em mim naquele momento; apenas um êxtase interminável. “A Durstland Fairytale” e “Runaways” não saem da minha memória; comecei a chorar por uma felicidade intensa que eu não conseguia controlar, a dor imensa e a empolgação também. Após essas músicas, me afastei do aperto de estar próximo do meio à frente do palco e assisti ao restante do show mais distante; meu coração disparava, o pé doía demais e, mesmo mais afastado, a música ainda me transportava a um mundo onde toda dor permaneceria sublimada em prol da vida eterna, da continuidade de cada canção, de cada sensação ao infinito da arte.
Terminado o show, me dirijo, na máxima velocidade que consigo fazer mancando, na direção da saída para o metrô. Me sinto o Pingüim, do filme “Batman – O retorno”, sujo, vindo do esgoto, mancando, e, apesar de toda vilania do mundo, ainda digno de estar vivo, de continuar. Sigo para a rodoviária, a dor constante no pé, o corpo castigado e a alma cada vez mais elevada; o poderoso show do The Killers matou algum monstro de fraqueza em mim e me ressuscitou mais vivo, apesar de dolorido, mais livre. Parto no ônibus de 00:10h, de São Paulo ao Rio de Janeiro, depois disso, seguirei do Rio para Teresópolis; estou vivo, estou mortalmente mais vivo do que nunca (engraçado saber que quem me trouxe essa sensação foi o show de uma banda cujo nome traduzido para o português significa “Os assassinos”). Adormeço no ônibus, sem sonhar, pois os sonhos já tinham passeado comigo pelo Lolla, estavam tão cansados e satisfeitos quanto eu.

  

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Expomusic 2012: Yeah, eu reencontrei o Paraíso da Música!



Parte 1: Come with me to Paradise!

“Venha comigo até o Paraíso / Vamos voltar novamente, / Vamos voltar novamente! “ – esses versos da letra de música “For tomorrow”, da banda de power metal / heavy metal Shaman (na letra original em inglês:  “Come with me to Paradise / Let's return again, / Let's return again!”) me vem à cabeça quando retorno ao Expo Center Norte, em São Paulo/SP, no dia 22 de setembro de 2012, para visitar a 29.ª Feira Internacional da Música, mais conhecida como Expomusic 2012. E não é à toa que associo letras de música da banda Shaman ao meu retorno ao Expo Center Norte, após quase um ano da Expomusic 2011 (foi em 24 de setembro do ano passado; confiram a postagem no link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/09/expomusic-2011-por-um-mundo.html ): o Shaman foi uma das principais atrações da Expomusic 2012 e, assim como a banda, retomo uma estrada sonora inesquecível; assim como a banda, tive um longo caminho – com muitas perdas, mas também com muitos ganhos – pra chegar até aqui.
Em 2006, André Matos declararia o fim do Shaman, fato efêmero se lembrarmos que Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Ricardo Confessori (bateria) e Juninho Carelli (teclado) deram continuidade à banda, em 2007, e permanecem em atividade, com a mesma energia, até os dias atuais. A boa música não morre, amigos; como a fênix, ela se refaz das cinzas e retorna sempre ao espetáculo da vida com cada vez mais força. Em 2012, pouco tempo antes de embarcar no ônibus de excursão para a Expomusic, organizado pelo músico professor e amigo José Jorge Pinheiro, em Valença/RJ, ameacei desistir da viagem: minha companheira Juliana estava com 38,5º de febre e não podia me acompanhar no passeio; profissionalmente eu estava com serviço até o pescoço, visto que o período marca também o final do terceiro bimestre (uma das épocas mais infernais e estressantes para quem, como eu, é professor), além de que viajar me custaria o sacrifício do conforto no paraíso do descanso, pois, no domingo, dia 24 de setembro, eu teria domingo letivo na escola – a Festa da Primavera da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ (e ainda existem seres sem noção que dizem que funcionário público não faz nada...). Mas viver é passar por obstáculos e embarquei no ônibus, rumo ao Paraíso da Música. Yeah, leitores, come with me to Paradise!

Parte 2: In Paradise

Sabe aqueles sonhos bons que nos fazem esquecer todos os pesadelos que já tivemos? É assim que me sinto quando meus pés percorrem mais uma vez os stands musicais da Expomusic 2012. Não há cansaço, não há dor, apenas música, música de todos os gêneros, estilos, música por todos os lados, música, música!!! Estar dentro da Expomusic 2012 é como freqüentar um universo paralelo perdido, no qual o mundo é guiado (e muito bem guiado!) por acordes de guitarra, cordas harmoniosas de violões, vozes melodiosas, toques de baixos, infinidades de teclados e pianos e bons solos de baterias e percussões. Já experiente, com a Expomusic 2011 na bagagem da memória, me deixo levar pelas melodias, mas, neste ano, estabeleço um roteiro pra não perder as principais atrações.
Inicialmente, mais uma vez um turista solitário, guio meus olhos pelos ouvidos (mais uma vez, como “Shaman”, que significa "aquele que enxerga no escuro") e encontro o show de Victor Roufsen, cantor e guitarrista cego que vê notas sublimes em canções de Skank e em músicas próprias, alcançando melodias que todos os meus sentidos outrora eram incapazes de perceber. Música faz isso: faz-nos perceber as nossas limitações na superação do outro, ensina-nos que toda deficiência é efêmera e que a arte pode nos levar muito além dos nossos limites. Com o show finalizado na eternidade, cego de intensa e radiosa luz, Victor Roufsen recebe os carinhos da fama e sorri para os milhões de flashes de cãmeras que ele não vê, mas que lhe dá eternidade nos olhos dos fãs que o fotografam.
Sigo em frente e esbarro em outro estande com Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, tirando fotos e distribuindo autógrafos. Entro na fila, uau, o cara está próximo de mim, o cara é feito de carne como eu (e suas feições me lembram as do baixista Renatinho, da banda valenciana de blues Delta Mood)!!! Música faz isso: transforma-nos em deuses e ídolos humanos, nos faz próximos, nos torna deuses semelhantes na arte, por mais diferentes que sejamos.
Mais a frente, o tecladista holandês Bert Smorenburg apresenta em seu pocket show a infinidade de músicas que ele consegue reproduzir em seu instrumento: de Bethoven a heavy metal, de heavy metal a bossa nova, de bossa nova a Mozart, de Mozart a progressivo, de progressivo ao infinito. “Eu posso tocar qualquer coisa com isso!”, Smorenburg nos informa em inglês, apontando para o teclado, e o tradutor nos traduz o que nossos ouvidos já compreendiam: a música rompe os limites e obstáculos da geografia, da língua, dos povos; todos se compreenderiam na Torre de Babel, se, ao invés de insolentemente falarem e discutirem, como faziam, todos se comunicassem por música; a arte é esse nada que é tudo: comunicar-se além das barreiras da comunicação, é tocar tudo, até o silêncio tocante de quem te ouve.
Até o momento solitário, esbarro com Rafael Duret, amigo músico, ex-baixista da extinta (porém, não esquecida) banda valenciana Humanos, perdido de seu grupo de amigos. Pronto, agora a viagem solitária é coletiva! Seguimos juntos pelos stands de música; informo-lhe que haverá show da banda Shaman no palco da Yamaha, e os olhos fã-náticos dele brilham: “Bora pra lá, cara!” Antes, no palco da Gianini, vemos um show de Rafael Bittencourt, guitarrista da banda Angra. A multidão parece hipnotizada pelos acordes tocados por Bittencourt; o som mágico dele em harmonia com o silêncio apaixonado de quem o ouve. Ali, esbarramos com Léo Mancini, guitarrista da banda Shaman; Rafael Duret não pensa duas vezes e tieta o cara: tira foto com ele e mostra-me pela tela da câmera a imagem, com ares de criança feliz (sim, na música, os deuses são de carne e osso, estão ao nosso lado, ao nosso redor e, sim, na música, nos perdemos e nos reencontramos!).
Corremos para o palco da Yamaha e, depois de certa espera, assistimos ao divino show da banda Shaman. Estávamos bem a frente do palco, um show cheio de energia boa, um heavy metal levemente intimista, pulamos, cantamos, repetimos refrões, as canções perfeitamente bem executadas; nem o problema na mesa de som, nos instantes finais do show é capaz de modificar a lembrança perfeita do antológico show. Estamos no paraíso, amigos leitores (imagino que o Inferno deve ser um silêncio pesado e vazio de arte)!!! Mais tarde, reencontramos o vocalista Thiago Bianchi cantando músicas próprias, Iron Maiden e outras bandas que influenciaram a banda Shaman. Nesse mesmo momento, também tietamos e conversamos com o baixista Fernando Quesada, baixista do Shaman, e ele afirma se lembrar da gente do show do palco da Yamaha. Rafael Duret entra em êxtase: “Cara, ele lembrou da gente!!! ELE LEMBROU DA GENTE LÁ!” A História das Expomusics agora se divide entre o nosso fã-natismo anônimo ao Shaman e o nosso fã-natismo reconhecido pelos músicos do Shaman. Sim, a música nos faz isso: nos faz reconhecer o desconhecido, enxergar além, música lembra música e todos nós somos uma canção bem ritmada chamada vida.
Procuramos, depois, o show da banda brasileira Korzus. Reparo que o show foi riscado da programação; essa é a única música que eu não gosto: o silêncio da ausência. Minha expectativa era grande, à espera do show do Korzus, mas não foi desta vez... Mas a música, assim como o tempo, não para! Mais tarde, no palco da Sonotec, encontramos o show da fodástica banda curitibana Punkake (por sinal, que nome maneiro pra banda!), formada só por mulheres. O som delas traz uma energia fora do comum, o estilo da vocalista Bacabi me lembra aquelas deusas pin-ups das décadas de 1950/1960 (e ela não para de agitar um minuto! yeah!), a música é uma mistura de estilos alucinante (uma verdadeira punkake – como os múltiplos significados do nome da banda nos traz). “O som delas é muito bom, cara!”, diz Rafael Duret; eu concordo pulando em silêncio, hipnotizado pelo som da banda. No final, o prêmio: recebo das mãos da vocalista Bacabi, o Cd “Tão sexy”, da banda (por sinal, estava ouvindo ele há pouco: “me desculpe se te fiz voltar / culpa minha se te fiz olhar / pra mim / pra mim / yeah, yeah!”, fragmento do hit “Cometa” que viaja em minha cabeça). Música é isso: é fazer-se notável, é ousar, é ir além, viajar na cauda de um cometa, se afogar numa piscina sonora e respirar a vida como nunca imaginara respirar tanto em toda a sua vida (essa parte final é inspirada no verso “vem se afogar comigo...lá lá lá (wow)!”, da canção “99”, do Cd que ganhei da Punkake).
Mais pra frente, paro extasiado diante de um show da banda “Velhas Virgens” (caralho! São eles! Caralho! Du caralho! Puta que pariu!!!). Eu amo o som desses caras (!!!), um misto de blues, puro rock’ roll, com pitadas embriagantes de escracho. Estavam apenas o vocalista e o guitarrista e o som, mesmo assim, era contagiante demais! Todos cantavam as canções, somos todos das Velhas Virgens, somos todos um escracho, uma piada pro tempo, somos a eternidade, somos a mesma sintonia para o infinito. Música faz isso: vivemos demais em breves instantes, formamos uma banda para vencermos os limites da vida e vivemos demais, curtimos demais, somos eternos mesmo que seja por um breve momento!
E Rafael Duret e eu continuamos rodando pelos estandes, ouvindo milhões de sons, sem noções de horas (“Cara, o tempo passou rápido demais”, dirá mais tarde meu camarada de viagem sonora), colecionando paletas, fotos, CDs, fazendo graça em cabines de fotos, fingindo tocarmos todos os instrumentos musicais do universos. E seguimos os sons, seguimos a arte, até o infinito, até a Expomusic fechar! Antes de partirmos, ouvimos André Martins e banda cantando “Bete Balanço”: “Pode seguir a tua estrela / O teu brinquedo de star [...]”. E seguimos as nossas estrelas (Yeah, quem vem com tudo não cansa, amigos leitores!) e a música faz isso: partimos da Expomusic, mas o som continua aqui, infinito dentro de nós.

Parte 3: O Epílogo que não termina

O longo retorno de volta a Valença/RJ, do meio da noite até o fim da madrugada, a consciência de que trabalharei como um zumbi no domingo letivo, não, nada disso importa nessa crônica. Importa que a música está aqui, em mim; o corpo sobrevive, depois eu descanso, minha alma reencontrou o paraíso na Expomusic 2012; o que importa é que a arte está de volta em mim pra sempre! Esse é o poder da música, da arte: sublimar a dor, resgatar alegrias, eternizar a vida, por mais breve que seja a nossa existência.  

Esse vídeo contém um pouco do que vi na Expomusic 2012. A qualidade de áudio não é das melhores, mas vale como registro do universo múltiplo e musical da 29.ª Feira Internacional Da Música.

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...