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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Não vai “dar pt’, nem PT; hoje vai “Da...mares”: O Mistério gozoso (ou Viagem Ministerial) do Mestre Artistamigo Gilson Gabriel


Uma expressão popular muito usada na desastrosa contemporaneidade é a famosa “dar pt", ou seja, “dar perda total”. Inicialmente, tal termo era proferido quando alguém batia o carro e não dava mais pra recuperar nada ou quando alguém fica muito bêbado de chegar a vomitar . Porém, nesses desastrosos tempos de crises e desgovernos, quando se tem a impressão de que nossas vidas passam em contínua perda total,  a popular expressão se expande para todas as situações em que a gente sabe que vai dar m..., ou seja, vai “dar pt".
Na época das grandes manifestações contra os governos petistas, em evidente crise, principalmente no acidentado segundo mandato da ‘presidenta’ Dilma (PT), muitos descontentes aproveitaram-se para adaptarem o  termo “dar pt" para “dar PT”, aproveitando as iniciais do Partido dos Trabalhadores (PT), fazendo um jogo de palavras e associação da sigla do partido com as iniciais da expressão ‘perda total” (ou seja, se “dar pt" seria dar perda total, “dar PT” numa eleição/administração pública seria um desgoverno que provocaria perda total no setor administrado pelo Partido dos Trabalhadores).  É, nós, brasileiros, passamos pelas crises e desastres mais cruéis, mas mantemos a língua e, principalmente, nossas gírias em contínua transformação, sempre mantendo nosso tom ‘zueiro’.
Mas, agora que a maioria das administrações públicas não estão mais nas mãos dos petistas e os holofotes estão todos voltados para o recém eleito presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus subordinados, a gíria ‘zueira’ “dar pt" pede nova adaptação. Nessa nova fase política do Brasil, um nome tem se destacado pelas polêmicas de suas desastrosas declarações e sendo alvo da ‘zueira’ de muitos internautas: Damares Alves, a atual Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no ‘renovado’ ‘governo’ federal.
Rainha de ‘pérolas’ como "Menino veste azul e menina veste rosa”, "Como eu gostaria estar em casa, toda tarde numa rede, me balançando e o meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade"(em 08/03/18, em entrevista para um site do Rio Grande do Norte, o Expresso Nacional), “"16 anos atrás, dizíamos que íamos ter uma ditadura gay no Brasil. O que nós estamos vivendo hoje? Uma ditadura gay. Há uma imposição, há uma imposição ideológica no Brasil e quem diz que não aceita, é perseguido" (2014, em seu DVD de palestras  "Em defesa da vida e da família"), “o Estado é laico, mas essa ministra é terrivelmente cristã” (em seu discurso de posse), “Sabem por que elas (feministas) não gostam de homem? Porque são feias e nós somos lindas.” (em vídeo antigo, relembrado por intenautas), “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá e ‘vamos deixar a ciência sozinha, caminhando sozinha’. E aí cientistas tomaram conta dessa área” (em vídeo antigo, de 2013, também relembrado por internautas),  a atual Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se tornou alvo principal de protestos nas redes sociais da internet devido à coleção de declarações polêmicas. Assim, diante dos fatos, eis a proposta de renovação da gíria – se alguém faz algum comentário que você sabe que vai “dar pt”, vai gerar perda total na popularidade da pessoa, vai “dar m...”, então podemos declarar, por exemplo, “Xiii, isso que você falou vai “Da..mares””.


Charge “Nas cores, estou mais perdido que daltônico montando cubo mágico”, de Kacio Pacheco, disponível no link  https://www.metropoles.com/sai-do-serio/charge/nas-cores-estou-mais-perdido-que-daltonico-montando-cubo-magico


"Mas o que tudo isso tem a ver com a postagem de hoje?”, o impaciente amigo leitor deve estar se perguntando. Respondo: assim como nossa língua está em constante transformação, a poesia, neste caso usando e abusando do tradicional e ao mesmo tempo ousado e refinado lirismo satírico e crítico, acompanha os temas (e personagens) polêmicos da nossa vida. Sim, amigos, na arte poética, tudo pode ser transformado em matéria prima da lira: no poema, pode “dar PT”, “dar PT” e até “Da...mares”! Hoje compartilho minhas solidões poéticas com o Mestre Artistamigo Valenciano Mais Que Fodástico Gilson Gabriel, personalidade lírica sempre brilhantemente presente aqui no blog, que nos traz seu sublimamente ‘zueiro’ poema satírico, de crítica voraz e evidente flerte com a poética do cordel,  “Mistério gozoso (ou Viagem Ministerial)”, escrito recentemente por ele (e declamado por ele e seu irmão, Gerson Gabriel, na mais recente edição do Sarau Solidões Coletivas, realizado na noite de sábado, dia 12 de janeiro de 2019, como vocês podem conferir no vídeo posto logo abaixo do poema) em ‘homenagem’ ao conjunto de sandices polêmicas de Damares Alves.
O Estado é laico, a Ministra é terrivelmente cristã e o blog Diários de Solidões Coletivas é fielmente anárquico e mutante, abraçamos todas as vozes líricas críticas, e hoje quem rege a lira solitária coletiva é o Mestre Artistamigo Valenciano Mais Que Fodástico Gilson Gabriel e seu Mistério gozoso (ou Viagem Ministerial)”.
Boa leitura, amigos leitores, fiquem com os deuses da poesia, abração e Arte Sempre!

Mistério gozoso (ou Viagem Ministerial)
De Gilson Gabriel  - Valença/RJ

Ouça menino,
Eu vou falar da nova era:
Veio montada num jumento
Prá nos livrar da besta-fera,
Reluzindo verde oliva,
Travestida de quimera.

Ouça menino,
Perceba o novo advento:
É tempo de azul e rosa
Conforme seja o rebento
Qualquer outra fala ou prosa
Já dá início ao tormento.

Ouça menino,
Repare na ordem austera:
Família acima de tudo
Mesmo a que se tolera
Quando um dos dois é chifrudo
E com o outro se aglomera.

Ouça menino,
E para isso tome tento:
Goiaba é fruta santa
Vale mais que seus talentos
JC trepou na planta
Sem Deus dar consentimento.

Ouça menino,
Ou o país não prospera:
Vamos passar tudo nos cobres
E nisso a gente se esmera
Vamos dar jeito nos pobres
Como quem menor encarcera.

Ouça menino,
Esse novo tempo é bento:
É Deus quem está no comando
Livrando-nos do avarento
Do que é vermelho e tinhoso
Que ao PT deu sustento.

Ouça menino,
Pois o que eu falo é verdade:
O reino do cão-tinhoso
Vai sumir inda que brade
A escumalha petista
Que já se encontra na grade.

Ouça menino,
Da desonra Deus nos livre:
Se nosso plano dá certo,
Embora o ranço se cultive,
Nós vamos inchar as burras
E as do templo inclusive.

Ouça menino,
E que a oposição não ouça:
Nosso interesse, de fato,
É largar o povo à joça
E não largar mais o “osso”
Mesmo que a vaca tussa.

Ouça menino,
Que nem tudo vai ser mole:
A oposição não é besta
E não vai deixar que a enrole
Pode acabar com a festa
E mesmo vivos, nos esfole.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Solidões Clipoéticas Compartilhadas: Relembrando os divertidos curtas metragens do Luz, Câmera...Alcino! em homenagem a Clarice Lispector

Doodle em homenagem ao 98.º Aniversário de Clarice Lispector disponibilizado pelo Google
Cena de "Luz, Câmera...Alcino! apresenta
"A pequena Clarice Leléspector"

Hoje, dia 10/12/2018, a diva escritora máxima Clarice Lispector faria 98 anos (ela nasceu em 10 de dezembro de 1920 e faleceu em 09 de dezembro de 1977), por isso nossa retrospectiva de hoje retoma tempos mais antigos: entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2015, produzi com artistalunos do (na época) 3.º ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva (com participação especial em um dos vídeos do artistamigo Diogo Lima, na época artistaluno do 9.º ano), de Teresópolis/RJ, dois curtas metragens do Luz, Câmera...Alcino! em homenagem bem humorada a Clarice Lispector – “A pequena Clarice Leléspector”  e “Os parvos e as claricianas”. As artistalunas participantes atualmente estão no 6.º Ano (já passando para o 7.º, se agradaram os deuses do estudo, da sabedoria e do conhecimento).
Cena de "Luz, Câmera...Alcino! apresenta
"O parvo e as claricianas"
Divirtamo-nos, amigos leitores, com os divertidos curtas metragens do Luz, Câmera...Alcino! Mirim em homenagem a Clarice Lispector neste 98.º Aniversário de Vida da eterna, amada e idolatrada Mestre Escritora!



sábado, 28 de julho de 2018

O Cordel do Carrossel das Burrinhas


Isso aconteceu no Programa Passa Ou Repassa, apresentado por Celso Portiolli, no SBT, e, devido à gafe, bombou em vídeos cômicos do Youtube: as atrizes Marcelina Guerra e Alicia Gusman, conhecidas por suas atuações na novela Carrossel, quando interrogadas no quadro do programa Passa ou Passa qual era a identidade do personagem de histórias em quadrinhos Tony Stark, cada uma deu uma resposta mais insólita que a outra com uma certeza comicamente equivocada – uma citou Super-Homem e a outra, eufórica, citou Batman.
Tempos depois, tal acontecimento não escapou dos olhos antenados e líricos dos artistalunos do nono ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ, que, durante a aula de introdução ao gênero lírico cordel, produziram coletivamente o cordel “Carrossel das burrinhas”, postado, juntamente com o vídeo da gafe, logo abaixo.
Bom divertimento e Arte Sempre, amigos leitores!




Carrossel das burrinhas

Isso aconteceu
No Passa ou Repassa
Com Celso Portiolli
Não foi sem graça
Tinha duas burrinhas
Que se fizeram de palhaças

Elas tinham que acertar
De Tony Stark a identidade
Disseram Super-Homem e Batman
Mas isso não era verdade
Um mico pagaram
E viraram do riso celebridades.
(Escrito por Isabella Silva Valentim, Giovanna da Silva Rodrigues,Eduardo da Costa Pinto Cabral, Fellipe Patricio da Rocha, João Pedro Pimenta Ramos e Lucas Lucindo da Silva, sob supervisão do Professor Carlos Brunno, durante a  aula de Redação de introdução ao cordel de 10/07/2018)



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Microconto classificado de humor: De volta para o futuro 4, uma versão brasileira Carlos Brunno Produções Artísticas

Demorei pra retornar às postagens do blog, mas volto em alto estilo: hoje trago meu microconto de humor “De volta para o futuro 4”, recentemente classificado para publicação na coletânea do 7.º Concurso Microcontos de Humor de Piracicaba/SP 2017. O microconto é uma homenagem à fodástica trilogia “Back to the future”, clássico da década de 1980, no qual o jovem Marty McFly (Michael J. Fox) viajava para o passado e para o futuro no DeLorean DMC-12 modificado pelo Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) para tornar-se uma máquina do tempo. Escrito após assistir às principais notícias de um jornal, meu microconto brinca com a possibilidade “e se McFly viajasse para 2017, seu olhar dos anos 1980 acharia que ele realmente viajara pro futuro?”
Voltemos para o futuro no DeLorean DMC-12 de McFly, amigos leitores!

De volta para o futuro 4

  Malária, racismo, peculato. McFly retorna desolado:
  - Doutor, que fiasco: a máquina do futuro só viaja pro passado!


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Meus Microcontos de Humor Premiados: Conselho de Classe

Todo amigo professor sabe dessa fatal verdade: em fins de bimestres, podemos escapar da morte, de surtos arrasadores de doenças transmissíveis, podemos escapar de tudo, menos do infalível Conselho de Classe! E foi esse momento infalível na vida profissional de todo professor que inspirou meu microconto de humor (no formato twitter, ou seja, uma narrativa super-curta e fictícia de, no máximo, 140 caracteres), recém-classificado na Coletânea 2015 (com previsão de lançamento entre agosto e setembro desse ano) do 5.º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba/SP (é a segunda vez que classifico no Concurso – a primeira foi em 2013).
Hoje posto no blog esse recém-classificado microconto de humor, que brinca com o momento mais inevitável daqueles que escolhem a carreira de professor.
Conselhos de Classe, Humor e Arte Sempre, amigos leitores!

Conselho de Classe

- O caso desse menino é preocupante... Ele não desenha nada direito!
- Ok. Qual é o nome do aluno?
- Pablo Picasso.

Pintura de Picasso - Paris, 1923

sexta-feira, 20 de março de 2015

Otelo 2015: O mouro em tempos de paranóia comunista

Depois do sucesso das "Crônicas Coxi-Lhas", trago uma releitura da famosa peça shakespeariana "Otelo" numa perspectiva fictícia "coxidramática":





Otelo 2015: O mouro em tempos de paranóia comunista





Ato I – Sede do Partido Coxinha Democratária. Partidários aplaudem Otelo Fidélix com cartazes de “Viva o novo presidente do PCDem”. Sandra Sherazade puxa Iago Bolsonaro, o afasta do público e ficam num canto à distância.


SANDRA SHERAZADE (sorrindo para o público, mas dando bronca em Iago): Como podes permitires que um deselegante, ex-classe C, como aquele mouro do Otelo, se torne uma das principais lideranças do Partido Coxinha Democratária, Iago? E ainda o aplaudes?!? Estou pasma!

IAGO BOLSONARO (sorrindo para o público, mas respondendo ácido a Sandra): Compartilho da mesma ojeriza e veneno que trazes em seus lindos lábios e pérfidos pensamentos, Sandra. Minha repulsa e fórmula mortífera pela condecoração pecaminosa dada ao ser citado pelo partido do qual faço parte há tempos fluem furiosas em todo meu corpo, mas controlo minha intervenção militar com a força maquiavélica de minha mente. Os tempos são outros, querida e pérfida amiga. Guardo minhas forças armadas como as nuvens cinzas seguram o despertar da tempestade que arrasará com toda a cidade. Finjo-me de amigo de Otelo para que eu possa tomar-lhe o poder sem o mouro perceber. Já conheço os pontos fracos de meu intolerável partidário: são Desdêmona Rousseff, sua dedicada esposa, e Cássio Neves, seu fiel amigo – fiel apenas até esse momento, creio eu rs... Ambos são os pilares da força de Otelo e não há pilar em meu caminho que resista a minha força - sou um empresário liberal, demolidor de patrimônios públicos; sei inutilizar o que é considerado útil, sei corromper o que parece incorruptível. Como hipotético amigo, fabricarei mentiras na cabeça de Otelo. Como aqueles usuários mais parvos e inconseqüentes, tornarei as farsas mais estapafúrdias e incoerentes em torpes verdades absolutas. Otelo não resistirá, Sandra, e, em breve, a glória do mouro vai cair e eu recuperarei a presidência que a mim deveria ter sido destinada.

SANDRA SHERAZADE: Não entendi nem metade do que falaste, Iago, mas reconheço agora um membro digno da família de articuladores Bolsonaro. Sou meio prática, sabe? À medida que destilares o teu veneno, vai gravando, postando foto e me detalhando pelo Whatsapp, ok?

IAGO BOLSONARO: Claro, Sandra, claro que não faria isso, querida, ou pensa que já não conheço tua requintada perfídia? Enviar-te arquivos de minhas articulações seria como entregar o pescoço ao vampiro, tornar-me refém de teus anseios golpistas. Fica apenas com minha garantia: Otelo cairá, Sandra, custe o que custar.

SANDRA: Ah, Iago, és sempre tão espertinho! Precisamos nos aliar mais, preciso de uma dose desse teu veneno vigoroso, querido... Bem, mas ao menos uma selfie desse momento posso tirar? Quero guardar esse momento de lembrança no Instangram.

IAGO BOLSONARO: Claro, querida, isso tu podes, mas não coloques Ferraris a mais na garagem antes de reformarmos essa parte da mansão. Anota na legenda da foto: “Iago e eu curtindo a promoção de nosso amigo Otelo. #vidalongaaonovopresidente #eleiçõespcdem2015”

Iago a abraça e ambos posam para a foto.

Ato II - Entrevista na manifestação.

REPÓRTER FERNANDINHO: Estou aqui com o presidente do PCDem, Otelo Fidélix, um dos líderes da manifestação pró-impeachment do rei Sam McDonalds. O evento reuniu mais de um bilhão de pessoas descontentes com o governo. Foi um sucesso, não é, Otelo Fidélix?

OTELO FIDÉLIX: O povo não é bobo, Fernandinho. Apesar de nosso rei ser um rico empresário, explorador de altos impostos e agiota cruel de diversos reinos vizinhos, todos já perceberam a conduta comunista daquele safado: como pode um rei, que ganhou um cargo absolutista, ficar sorrindo para a plebe? Ele tem que sorrir pra nós, grandes empresários, não pra eles, que só fazem isso por que ele vive oferecendo brioches de má qualidade pros desdentados. Os brioches são nossos, seu rei safado, somos nós que pagamos; aqui não vai virar uma Sodoma e Gomorra, onde as classes sociais se misturam! O povo não é bobo; cada um sabe a qual classe pertence e essa diferença deve ser solidificada!

REPÓRTER FERNANDINHO: Mas, Otelo, o senhor não veio de uma classe inferior e ascendeu na vida? Como pode propor a não-mistura de classes?

OTELO BOLSONARO: Só porque subi, agora que tenho que pagar pra outros subirem também, Fernandinho? Que comentário absurdo com águas passadas! Subi com meus esforços, servindo aos donos do poder, e não ganhando brioches de um rei sem vergonha que gosta de mamatas. Então se o céu é pra todos, seu petralha, e o inferno como fica? Se o céu se lotar, não vai ter espaço pra toda elite e vamos fazer o quê: aguardar no purgatório ou passar a residir no inferno? Ora! Falta sensatez nessas suas perguntas. A plebe vive no inferno e é feliz, pra que mudar?

REPÓRTER FERNANDINHO: Mas, no governo do rei McDonalds, só se inventou a possibilidade de as classes ascenderem, Otelo Fidélix, mas a realidade que tudo está como antigamente.

OTELO FIDÉLIX: Calúnia, seu repórter petralha, todo mundo sabe dos planos do McDonalds e chega dessa entrevista infame, seu cupincha comunista! Ninguém vai sujar o nosso direito democrático de fazer uma marcha contra esse governo ditador, que não permite que expressemos nossas opiniões divergentes. Por sinal, bonita camisa verde e amarela que carregas como nós, Fernandinho. Pena que, no fundo, és um infiltrado dessa corja de distribuidores de brioches pra plebe. Entrevista encerrada, fim de papo!

Otelo volta-se a Iago Bolsonaro e Cássio Neves, que o assistiam e o esperavam.

IAGO BOLSONARO: É isso aí, Otelo, é assim que se fala!

CÁSSIO NEVES: Não sei, amigo Otelo; acho que devíamos ser mais cordiais com nossos repórteres, afinal eles estão na marcha com a gente. É sempre bom debater sobre a nossa causa de forma moderada para que as questões mais polêmicas pareçam simples; não sei direito como fazer isso, mas era bom ter um assessor, um daqueles advogados renomados (como o que liberou nosso partidário Nero Calígula das denúncias de propina), pra nos expressarmos melhor, de forma coerente apesar de todas as coerências...

IAGO BOLSONARO: Ah, Cássio Neves, és sempre moderado! Conselho de amigo: sê mais enérgico, pois vivemos tempos extremistas. És jovem, por isso talvez não lembres, mas tua proposta me lembrou aqueles discursos do ex-rei Maduro Castro, comunista nato! Não acha, amigo Otelo, que nosso parceiro partidário está tendendo para outros lados?

OTELO FIDÉLIX: Que isso, Iago, meu fiel escudeiro e amigo Cássio jamais cederia aos reinos de Sodoma e Gomorra!

IAGO BOLSONARO: Tudo bem... Não está mais aqui quem falou, amigo!

CÁSSIO NEVES: É isso aí, Iago, não me ponhas à prova que te coloco num pau de arara. Rs Brincadeirinha, amigo! Estamos todos no mesmo partido, jamais faria isso contigo. Mas peço-te que não mais de minha fidelidade partidária duvides. Bem... Já que a manifestação acabou, deixa-me ir, afinal, em algum canto desse reino, há uma patricinha solitária à espera de meus carinhos. Abraços, amigos!

CÁSSIO NEVES sai.

IAGO BOLSONARO (para Otelo, assim que Cássio sai): Estranho, né, amigo Otelo, me veio uns pensamentos estranhos que não sei se me cabem te alertar...

OTELO FIDÉLIX: Fala logo, amigo Iago, sabes que não sou homem de meios termos, nem de guardar curiosidade...

IAGO BOLSONARO: Sei como és, amigo, mas também sei que és condescendente com os amigos partidários, principalmente com Cássio, mas depois de vê-lo contrariar tua nobre entrevista, outros momentos me vieram à mente. Por exemplo, aquele momento no qual entramos no famigerado boteco para conquistarmos a adesão da estúpida plebe – todos nós pedimos um daqueles nojentos salgados gordurosos; tua esposa, tu e eu pedimos risole, mas Cássio, sempre diferente, pediu coxinha. Por que será?

OTELO FIDÉLIX: Ora, Iago, só havia 3 risoles. Só restava a Cássio a coxinha!

IAGO BOLSONARO: Tudo bem, mas precisava devorar a coxinha, símbolo maior do nosso partido, com tamanha voracidade? Comemos comedidamente aqueles nojentos risoles, por que ele fez questão de se deliciar com a coxinha, como se devesse suprimir a presença dela naquele antro plebeu?

OTELO FIDÉLIX: Ah, Iago, paranóia tua, amigo... Quanta maldade!

IAGO BOLSONARO: Talvez por que coxinha lembre uma parte humana muito admirada por Cássio nas mulheres... Pena que a detentora da coxa mais admirável é tua esposa, com todo respeito, né, amigo Otelo, nosso colega Cássio vai ter que adorar tal parte do corpo humano em outras garotas. Tua esposa não te quis acompanhar até o final da manifestação, Otelo...

OTELO FIDÉLIX: Depois de comer aquele risole engordurado, ela passou mal, Iago, não está acostumada a comer estas coisas. Senão, com certeza, ela nos acompanharia até o final, amigo, Desdêmona Rousseff é tão fiel a mim quanto Eva Braun foi a Hitler. Rs

IAGO BOLSONARO: Realmente... mas estranho teu fiel escudeiro e amigo Cássio Neves também se recolher tão cedo... E o caminho pelo qual ele partiu não é o mesmo que nos leva a tua casa, Otelo?

OTELO FIDÉLIX: Queres me enlouquecer, homem, o que insinuas?

IAGO BOLSONARO: Calma, Otelo, sou teu amigo! Dói em todo meu ser ter de abrir teus olhos, mas, como amigo, não devo abandonar-te refém de intrigas; és um homem poderoso agora e todos querem tomar-te o poder, mesmo que seja por tabela, através de, com o perdão da palavra, tua insinuante esposa. Lembro-te que Desdêmona foi filha de Cristina Chávez, uma antiga apoiadora do comunismo em nosso reino, lembro-te também que me contaste que ela enganou a mãe dizendo que saía com um universitário do Congresso Petralha Único, quando, na verdade, armava um casamento escondido contigo. Ela enganou a mãe comunista, mas não pode abandonar o vírus genético corruptor, nem perder o dom de mentir que toda mulher tem. Ora, Otelo, abre os olhos: Cássio Neves e Desdêmona Rousseff possivelmente estão tendo um caso, estão fazendo intrigas pelas tuas costas. Não podes ser tão cego, homem!

OTELO FIDÉLIX: Que isso, Iago, não pode ser!

IAGO BOLSONARO: Lembra naquela festa do partido do mês passado, no qual a tua esposa trajava um sensual vestido vermelho e preto? Um vestido que contém vermelho numa festa anticomunista, como ela pôde?

OTELO FIDÉLIX: Ora, Iago, várias mulheres usavam vestido vermelho e preto naquela festa. Estávamos com os dirigentes do Flamengo ou esqueceste?

IAGO BOLSONARO: Mas logo a mulher do presidente do PCDem com um vestido quase comunista? E precisava aparentar estar tão contente?

OTELO FIDÉLIX: Ela é flamenguista fanática, Iago!

IAGO BOLSONARO: Como a mãe, que também era flamenguista fanática... E comunista! Ou esqueceste, Otelo? Ora! Mas, se queres bancar o cego tudo bem. Parto agora, pois sou teu amigo e não quero participar desta chacota contra a tua nobre e honrada pessoa!

OTELO FIDÉLIX: Ca-Calma, Iago, me metralhaste com munições que ferem toda minha alma. Como podes saíres assim? Vamos beber algo, um uísque, e conversarmos melhor.

IAGO BOLSONARO: Ok, amigo, até porque perdemos tempo... Cássio já deve ter visitado tua esposa e, neste momento, já está em seu lar rindo de ti, assim como a tua esposa...

Ato III – Sala do Presidente do PCDem. Iago Bolsonaro está sentando no trono da presidência. Sandra Sherazade entra.

SANDRA SHERAZADE: Ora, ora, meu amigo Iago, conseguiste o trono tão sonhado! Soube que Otelo Fidélix, extremamente bêbado, não conseguiu esconder seu potencial ar de classe C, chegou em casa enlouquecido, agrediu tão violentamente a esposa que acabou matando-a. O nefando ex-presidente de nosso partido, agora eterno inimigo e renegado, está em todas as primeiras páginas policiais nos principais jornais do reinado, e seu fiel escudeiro Cássio Neves, devido ao amargo destino do amigo, perdeu qualquer possibilidade de substituir Otelo na presidência, devido ao vínculo que tinham um com o outro.

IAGO BOLSONARO: Sim, minha querida Sandra, vivemos, nesses tempos de extremismos, um breve período de conforto sem o mal estar de conviver com aquele bruto mouro. Otelo sempre foi muito passional em tudo; era óbvio que um dia sua Ferrari desabalada atropelaria alguém e sua precipitação o condenaria. Otelo me ligou naquela madrugada fatídica, informando o trágico fim de sua estúpida discussão com a esposa. Como um homem de bem, tive que abrir mão de minha amizade a ele e denunciar o fato às autoridades competentes. Otelo cometeu seu suicídio político, Sandra. Devido a minha denúncia, a minha comprovada honra com a verdade e a minha impostura contra os crimes realizados por políticos amigos ou inimigos, ganhei a tão almejada presidência do PCDem. É algo parecido com uma delação premiada, né? rs

SANDRA SHERAZADE: É verdade, querido Iago, foste competente em tua promessa, mas, quanto ao teu sonho político, lamento dizer-te que teu poder é grande, mas breve...

IAGO BOLSONARO (pela primeira vez, surpreso): Como assim, Sandra?

SANDRA SHERAZADE: Também tenho um compromisso com a verdade e carrego uma impostura ainda mais inflexível que a tua contra os crimes realizados por políticos amigos ou inimigos. Gravei aquela nossa conversa no dia do empossamento do presidente Otelo pelo celular. A essa hora, os outros membros do partido devem estar assinando a retirada de seu nome da presidência, após ouvirem a gravação. Nesses períodos de intensos protestos contra a corrupção de ambos os lados, eles costumam ser bastante rápidos. Daqui a pouco, estarão batendo aqui na porta.

Som de alguém batendo na porta.

SANDRA SHERAZADE: Não disse? Já chegaram.

IAGO BOLSONARO: Ora, sua vagabunda! Pensei que nós... Ora! O que ganhaste com isso, serpente asquerosa? 

SANDRA SHERAZADE: A indicação de meu esposo, Eduardo Temer, para a presidência do partido, querido, por sinal, ele está entre os que vieram te expulsar, logo nem adianta argumentar. E, por favor, contenha teus impropérios, é muito deselegante! Bem... Não quero mais tomar os poucos segundos que te restam no poder, Iago... Beijinho no ombro, querido, nos encontramos em outras manifestações contra o rei McDonalds depois que assumires um partidinho qualquer de menor expressão. Bye, bye!



terça-feira, 17 de março de 2015

Crônicas Coxi-lhas (Crônicas dos tempos de Coxinhas versus Petralhas)

A onda de protestos que ocorre no Brasil, que envolve, principalmente, aqueles que defendem a continuação da presidente Dilma no poder (quase sempre chamados pelo ofensivo apelido “petralhas” – junção da sigla “PT” com os vilões de desenho animado “metralhas”) e os que defendem o impeachment da presidente eleita (quase sempre chamados pelo ofensivo apelido “coxinhas” – apropriado da gíria criada em São Paulo que servia para ofender os adolescentes riquinhos, burgueses, que usam roupas de marca, vão na famosa balada Disco, frequentam a Starbucks), tem complicado a comunicações de fatos banais no cotidiano das pessoas, como podemos ver nas crônicas abaixo:

Crônica Coxi-lhas 1: Por que Osteovaldo perdeu a mulher

Após uma viagem de negócios bem sucedida, Osteovaldo chegou em casa festivo. A esposa Etelvina, petralha convicta, recebeu o marido cheia de mimos:
- Está com fome, querido? Quer que eu improvise algo na cozinha para você comer?
- Ah, não precisa, querida! Comi duas coxinhas no aeroporto, estou satisfeito.
Osteovaldo foi expulso de sua própria casa pela própria esposa a pontapés.
- E não adianta vir com intervenção militar, seu traidor, que aqui você não entra mais e daqui ninguém me tira! – foram as últimas palavras que ouviu da esposa, antes de Etelvina trancar a porta. Jamais ouviria o som da voz de sua esposa novamente, nem seria ouvido por ela; Osteovaldo estava definitivamente bloqueado na sua relação conjugal.

Crônica Coxi-lhas 2: Por que Astolfo se tornou petralha

Torcedor fanático do América/RJ, Astolfo nunca ligou para os acontecimentos de seu país – tanto que, na última eleição, elegeu na urna eletrônica o número 82 em homenagem ao título conquistado por seu time de coração em 1982 (o Torneio dos Campeões, organizado pela CBF, com a presença dos maiores clubes do Brasil). De segunda a segunda, toda vez que saía, Astolfo usava uma das suas sete camisas do América, em defesa do não-esquecimento de seu grande clube de coração.
Preocupado com a situação de seu time, atualmente na segunda divisão do Campeonato Carioca, Astolfo passeava cabisbaixo pela Cinelândia na fatídica sexta-feira, 13 de março (véspera da estréia do América no campeonato estadual, contra o terrível rival Audax), e acabou confundido como manifestante na aglomeração de pessoas que trajavam camisas vermelhas e defendiam a permanência de Dilma na presidência (fato que deixou Astolfo confuso: “mas o presidente do América não é o Léo Barros Almada?”). Puxado para o canto por um dos manifestantes, Astolfo recebeu do apressado homem o pagamento por sua participação no ato: R$ 35,00. Astolfo até pensou em negar a propina (“torcer pelo América não tem preço, amigo”, pensou em dizer), mas o homem já havia desaparecido na multidão de camisas vermelhas.
Astolfo retornou para casa feliz, pensando que aquele acontecimento sinalizava que, no dia seguinte, o América brilharia em sua estréia na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Mas não foi bem assim: jogo duro no Estádio Moça Bonita, placar final Audax 2 x América também 2. “Até que um empate não foi nada mal, afinal é estréia, jogo fora de casa, o Audax é um time experiente; o negócio é ganhar o próximo jogo no nosso campo e se manter próximo das primeiras posições.”, Astolfo avaliava o resultado com os seus solitários botões.
No dia seguinte, após tantas emoções na torcida do jogo passado, Astolfo resolveu repor as energias dando um passeio pela praia de Copacabana. Passou por uma aglomeração de pessoas com camisas verdes e amarelas (“ué, teve jogo da seleção hoje?”, se perguntou Astolfo). Viu que aquela aglomeração de pessoas defendia o impeachment da presidente Dilma (“mas o presidente da CBF não era o Marin?”, perguntou-se) e, meio assustado (“não vou me meter nisso não; a CBF já persegue demais meu América pra eu entrar nessas polêmicas”, refletiu), Astolfo assistiu à manifestação de longe. De longe e por pouco tempo. Seu passeio por Copacabana naquele domingo, dia 15 de março, seria marcado como um dos dias mais trágicos de sua vida: vários defensores do impeachment de Dilma, incitados por um manifestante míope, correram atrás de Astolfo, atirando-lhe objetos e xingando-o de “comunista petralha”. A PM, a fim de evitar o confronto, jogou Astolfo num camburão e levou-o para longe da manifestação. “Se nem os opositores do Marin são a favor do América, o que será do meu time?”, perguntou Astolfo ao policial, antes de seguir seu caminho de volta pra casa. O policial não entendeu a pergunta, mas, dado a expressões filosóficas de efeito, deixou-lhe uma enigmática resposta: “Vivemos tempos loucos, amigo... Agora segue seu caminho.”
De volta pra casa, Astolfo refletiu sobre os acontecimentos dos últimos dias e concluiu: “se petralha é como chamam aqueles torcedores do América que conheci na sexta-feira, ok, sou petralha com muito orgulho e com muito amor!”

Crônica Coxi-lhas 3: Por que aquele jovem casal enamorado passou a viver um drama de Shakespeare

Aos prantos, Ele escreveu para sua Amada a mensagem pelo e-mail:
“Minha eterna e terna amada,
Vivemos tempos difíceis neste mundo intolerante e cheio de ódio. Os visitantes de nossas atualizações no facebook, desconhecedores do real sentido da palavra amor, nos últimos dias, condenam minhas declarações públicas de afeto por ti, minha querida mulata.
Jamais esqueci nossos beijos naquele baile de máscaras no último dia de carnaval e conto os dias para revê-la, por isso fiz aquela declaração de amor para ti no grupo de casais apaixonados do qual éramos membros naquele famigerado facebook. Mas os monstros corruptores do verdadeiro amor invadiram minha linha do tempo e quiseram pôr meu amor por ti a prova; condenavam nossos nomes e incluíram comentários de ódio e repulsa por odiarem os nomes que nossas famílias nos deram. Maldita era essa que vivemos, minha amada, pois sofremos pelo mal da leitura superficial e somos condenados e bloqueados pelo que trazemos desde o berço. Diante de tantos ataques desses infelizes, não pude resistir, minha querida, e tomei uma atitude drástica: me matei virtualmente, excluí minha conta no facebook. E agora sou injustamente exilado do direito de acompanhar as tuas atualizações nessa rede social. Escrevo-te em prantos esse e-mail para justificar meu desaparecimento de teu grupo de amigos; queria continuar em teus círculos virtuais, mas não toleraria mais nenhum minuto diante do computador, assistindo aos milhões de impropérios colocados em minha linha do tempo contra o teu nome e o meu. A única solução possível para assegurar a pureza de minha declaração de amor por ti era afastá-la do facebook e trazê-la para esse e-mail, onde só tu e eu podemos ver:
Sempre te amarei, Dilma, és a única que governa meu coração.
De teu amante e escravo,
Luís Inácio.” 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Vale a Pena Ler Narrativas Fictícias! Reis do Caco: A saga dos Petralha e dos Coxinha

Berdinazi x Mezenga
Relendo velhas discussões entre internautas partidários, sempre retomadas em inícios de anos, (des)governos e campanhas, e observando que a Novela “Rei do Gado”, da (odiada e assistida por ambos os lados) TV Globo, será re-exibida, lembrei-me da amorosa-peleja-guerra-morna das famílias-farinhas-do-mesmo-saco-furado Berdinazi e Mezenga e acabei misturando todas essas informações díspares na minha cabeça até chegar numa livre associação de idéias loucas e criar uma nova narrativa fictícia, a qual apresento hoje no blog.
Petralha x Coxinha
Antes que fundamentalistas atirem contra a minha redação, relembro que esta é afilhada dileta e direta da positivamente promíscua (e quase sempre incompreendida) liberdade artística e faz parte do mundo fictício das ideias loucas. Qualquer semelhança com fatos reais ou com novelas antigas é mera incompetência criativa do escritoramigo que vos escreve:
  
Pérolas Para Porcos e Toucinhos:
Uma Saga Familiar

De quatro em quatro anos, as tradicionais famílias Petralha e Coxinha roubam os direitos civis, publicitários e administrativos de outras famílias e disputam, autoritariamente sozinhas, a tutela do velho menino Bras il Fuleco.
Nascidas em berços monárquicos vizinhos, as republicanas famílias brigam eternamente pelo mesmo órfão, de herança trilionária, mas de saúde debilitada e com educação subdesenvolvida.
A família Petralha, atual tutora, vive extorquindo a herança do pobre órfão rico, mas sempre distrai o menino com pequenos mimos: uma bolsinha de fundo raso pra mantê-lo entretido e vivo, uma casinha simples, mas confortável pra não deixá-lo desvalido. Quando alguém acha que o garoto está ficando maltrapilho, os Petralha primeiro negam e recomendam que o questionador faça um exame de vista em hospícios distantes. Quando os rasgos na roupa do menino se tornam escandalosos demais, os Petralha culpam um ou outro parente fanfarrão, cretino e mais desconhecido (que é logo deserdado do sobrenome Petralha) e lembram que, com os Coxinha, o Bras il Fuleco vivia bem vestido, mas sem comida, sem dignidade, nem moradia.
A família Coxinha, antiga tutora, jura que jamais extorquira o pobre órfão rico, mas nunca explicou como uma criança tão bem cuidada pôde contrair tantas dívidas. Em sua época, o garoto vivia com vestimentas refinadas, mas ninguém da família se pronunciava quando os vizinhos lembravam os tantos períodos de fome e arrocho que o menino misteriosamente passara em sua tutela. Quando alguém reclama das ausências dos Coxinha em reuniões entre as famílias tutoras, de estranhos favorecimentos entre familiares, de apagões ou de falta de água em suas casas, os Coxinha rispidamente mandam o reclamante tomar em Cuba ou acusam o infeliz de ser filho bastardo dos Petralha.
A briga constante entre as tradicionais famílias esconde antigas paixões mal resolvidas entre membros dos Petralha e dos Coxinha, ambos aliançados com os compadres senis do cínico cênico Sarr Na Ney e convivendo com os soldados de chumbo do estéril histérico Bow So Ig Naro. Enquanto isso, o pobre órfão rico Bras il Fuleco, deseducado e fragilizado pela incompetência de seus antigos e atuais tutores, volta a engatinhar na Maternidade Patriarca Nossa Senhora da Ignorância e é amamentado pelas tetas vazias da Fantasia, a fada vampira de estirpe Real que sustenta o paradoxo e a hegemonia das tradicionais famílias Petralha e Coxinha.

sábado, 27 de dezembro de 2014

O Haicai ralado que escrevi no Balneário do Gaim

Hoje, à tarde, aproveitei a fodástica tarde de verão com os amigos, curtindo a natureza no Balneário do Gaim, em Valença/RJ. Mas nem nesses momentos a poesia me deixa (por mais escrota que seja ai, ai...): logo que chegamos ao Balneário, vi um rapaz, que estava andando nas pedras da cachoeira, tomar um tombaço e ralar as nádegas naquele ambiente natural – nada muito grave, mais ferido provavelmente saiu seu orgulho, mas a cena me inspirou um poema cretino, bem ao estilo poema-piada do poeta modernista Oswald de Andrade em sua primeira fase.
Diante da queda do rapaz no meio de tanta natureza, resolvi brincar com o gênero poético haicai (ou haiku) – o meu poema segue a forma tradicional do gênero (3 versos – o primeiro e o terceiro com 5 sílabas poéticas e o segundo com 7), mas seu conteúdo só serve ao trocadilho sonoro com o nome desse tipo de poema. Como eu disse antes, o conteúdo e valor do poema são absolutamente questionáveis, mas como o haicai me veio à cabeça na hora, trago em primeira mão [e cretinice] o pequeno poema-piada.

O Hai cai ou hAi ku

Foi na cachoeira
e ralou a bunda inteira
descendo a pedreira.

domingo, 13 de julho de 2014

A Copa do Mundo no Brasil é uma piada 5 (Momentos Finais): A zoeira comemora o título dos gringos!

Yeah, acabou a Copa do Mundo, amigos leitores, o mito de “Brasil, País do Futebol” tombou num quarto lugar muito sem vergonha, mas a zoeira, ah, essa não cai, essa não para nunca!






12 de julho
Disputa de 3.º Lugar: Holanda 3 x 0 Brasil

Descobriram por que o técnico holandês Van Gaal não guardou uma substituição para colocar o goleiro expert em catar pênaltis Krul.
Segundo um fofoqueiro de plantão que invadira o vestiário dos holandeses no intervalo do segundo tempo, Van Gaal jogou uma moeda e disse:
- Olha só, se der cara, a gente passa nos pênaltis, encara a praga da Alemanha, apanha em mais uma final de Copa e comemora mais um vice-campeonato. Se der coroa, a gente perde de uma vez e ainda tem a chance de reencontrar o caminho dos gols contra a fraca defesa do Brasil.
Momentos de tensão, Van Gaal joga a moeda, vê o resultado e informa aos outros:
- Deu coroa! Bem, Krul, você está fora desse jogo!
Os jogadores vão pro jogo, mas os ex-jogadores Patrick Kluivert e Danny Blind, da Comissão Técnica, cochicham com o treinador:
- Mas, Van Gaal, nós vimos que deu cara!
- Deixa quieto! Os argentinos que se virem na final!

Sacanagem a arbitragem prejudicar a Seleção Brasileira dando 2 gols irregulares pra Holanda no 1.º tempo. Desde pequeno, aprendi que não se bate em bêbado que já está caído...

Van Gaal para o restante da Comissão Técnica da Seleção da Holanda:
- Não disse que era melhor jogar pelo terceiro lugar? A gente pipoca muito menos quando não buscamos o 1.º lugar!


Primeiro a Seleção Brasileira apanha do Flamengo da Alemanha, agora toma gol do Cruzeiro da Holanda. Se tivéssemos mais uns 18 jogos, apanhávamos de todas as principais seleções do mundo, cada uma homenageando um time do Brasileirão.

Apesar da derrota por 3 a 0, Fred se emociona positivamente: o seu reserva Jô e o holandês Van Persie (conhecido pelos companheiros pelo apelido 'de Van Freddie) homenagearam o atacante brasileiro, demonstrando a mesma incapacidade de ser ofensivo em campo.

Júlio César agradece a Sneijder
por não ter jogado...
Como a situação ficou feia pro futebol brasileiro: o técnico brasileiro fez várias alterações no time pra não tomar goleada, enquanto o técnico holandês coloca o time em campo sem nosso carrasco Sneijder pra não humilhar nossa debilitada seleção.

Ficou evidente que devíamos ter investido mais na educação que nos esportes. Veja nossos jogadores: o técnico colocou o Hernanes e pediu que ele tornasse o time mais ofensivo. O que ele fez? Duas faltas seguidas em 2 jogadas - só faltou mandar um joinha pro técnico Scolari por considerar ter interpretado corretamente a mensagem. Mensagem incompreendida por Hernanes, chegou a vez do Hulk - vai lá e torna essa p... de jogo mais ofensivo! O que ele fez? Saiu xingando todos os jogadores holandeses. Diagnóstico: Nossos jogadores precisam estudar mais semântica, semiótica e linguística.

Toda vez que escuto um jogador dessa Seleção Brasileira de Futebol Fuleco dizer que o vexame dessa Copa do Mundo pode ser esquecido nas próximas Copas temo ver nosso time perder por 8, 9, 10 e assim sucessivamente. Ou pior: nem classificar para a próxima Copa...

Fred falou que a situação da Seleção Brasileira chegou num ponto tão desconfortante que "faria até o Pelé ser vaiado" se ele jogasse hoje em dia.
Prezado Fred (mais conhecido pelo sobrenome Cone), não seja ingênuo: se fosse hoje em dia, o Pelé seria um craque nascido na Alemanha, na Argentina, na Holanda, em Piracicaba, mas nunca um convocado dessa Seleção Brasileira...

Última polêmica da Copa do Mundo no Brasil: O técnico holandês Van Gaal reclamou que as medalhas de terceiro lugar são de má qualidade e foram super-faturadas. Como o jogo foi em Brasília, toda a Câmara de Deputados e o Senado são suspeitos. O caso já foi apurado e omitido (ou seja, não resolvido) pelo STJD: levaram os holandeses pra comer pizza de chocolate à brasileira, enquanto assistiam à final da Alemanha e Argentina.

13 de julho
Final: Alemanha 1 x 0 Argentina (na prorrogação)

Preparativos da Final da Copa do Mundo:
Com medo de confundir a Seleção da Argentina com o Santo André e tomar sacode, Alemanha desiste de usar o novo uniforme rubro-negro e dá preferência ao tradicional traje branco.

Estava tudo equilibrado na grande final da Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha até os argentinos resolverem contribuir com as jogadas de futebol UFC no estilo sul-americano. Um soco de Agüero em Schweinsteiger, uma puxada de camisa de Palacio e gol do alemão Gotze! Alemanha, campeã da Copa do Mundo de Futebol e Argentina, última seleção nocauteada do sul-americano futebol UFC.

Juntamente com os jogadores argentinos, vários professores municipais do Rio de Janeiro também ficaram cabisbaixos. O prefeito Eduardo Paes tinha prometido se matar se a Argentina ganhasse o título no Maracanã. Embora todos soubessem que essa era mais uma promessa que esse famigerado político não iria cumprir, os cariocas esperavam pelo menos ver o prefeito passando por uma situação constrangedora.

Sou vascaíno, sofro com a zoeira flamenguista, mas não dá pra perder essa piada: antes da final, o técnico argentino Alejandro Sabella foi presenteado pelo Vasco com uma camisa do clube. Ai, ai, vice de novo!.

Deram o título de melhor jogador do Mundial pro argentino Messi, apagado na final e na semifinal, só pros jogdores da Seleção Brasileira não se sentirem mais humilhados ainda. Viva a lei de compensação psicológica brasileira!

Por que estás triste, amigo brasileiro? Fizemos a Copa do Mundo pra estrangeiro ver. Recorde de audiência: eles viram e ainda comemoraram o título. O que querias, amigo brasileiro: uma festa para estrangeiros que não fosse comemorada por estrangeiros?


Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...