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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Arte e Memória: Olhares líricos meus e de grandes artistalunos sobre nosso Patrimônio Fluminense

Foto da artistaluna Jamili Damião

Desde o período de isolamento social durante a pandemia de Covid-19 e depois de ter recebido as informações em um compartilhamento da antenada divartistavistamiga Ana Vaz, passei a dar atenção a um importantíssimo evento chamado Semana Fluminense do Patrimônio, a ponto de, diante de maravilhosas palestras, rodas de conversa, exibições artísticas, etc., tornar-me fã de um evento organizado para destacar nossos patrimônios materiais e imateriais, elementos presentes e primordiais em nossas vidas, sendo, infelizmente, diversas vezes, ignorado por todos nós. Acompanhando toda programação e etapas do projeto pelo site do evento, constatei que, entre as diversas atrações, os organizadores da Semana Fluminense do Patrimônio realizam, antes do evento, uma Mostra de fotografia e de poesia com temas voltados ao patrimônio, chamada “Mostra Olhares sobre o Patrimônio Fluminense”. Diante do conhecimento e análise do regulamento do evento, me vi inspirado a escrever e inscrever poemas meus para esta importante promoção cultural, além de estimular os talentosos artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, dea região rural de Teresópolis/RJ, onde leciono Redação, a produzirem, com sucesso e primor, poemas voltados aos diversos temas lançados a cada Mostra. Começamos remotamente em 2020 e, agora, em 2022, chegamos à nossa terceira participação (neste ano, a já multipremiada e talentosíssima artistaluna Jamili Damião brilhou muito na Mostra deste ano, sendo confirmada sua dupla vitória - primeiríssima no Voto Popular e no Prêmio do Júri - a divulgação foi agora há pouco, hoje, às 15:25 h, no último dia da Semana Fluminense do Patrimônio atual, como, tradicionalmente, ocorre em todas edições – quem quiser assistir o que rolou nesta e nas Semanas Fluminenses do Patrimônio passadas, segue o link:
 
http://www.patrimoniofluminense.rj.gov.br/  ).

Hoje compartilho os poemas e participações minhas e dos talentosos e premiados artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de 2020 a 2022, para que você, amigo leitor, possa curtir e cultivar um olhar lírico e apaixonado como o nosso pelo nosso rico e até então vilipendiado patrimônio fluminense. Fica também como uma oferenda lírica por todo seu apoio e torcida nesta longa e linda trajetória pedagógica-literária. Em tempo: hoje também foi lançado o e-book com os poemas e fotografias premiados desde a primeira edição da Mostra Olhares - segue o link para baixarem: 
http://www.patrimoniofluminense.rj.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/livro_SFP_5_compressed-compactado.pdf 
Obrigado por tudo; seja qual for a proximidade ou distância, ninguém solta a mão de ninguém; estamos juntos! Boa leitura. Educação, Patrimônio e Arte Sempre!


Momentos passageiros de amor e de esperança


Toda noite, quando me deito,
Me vêm à mente lembranças
De momentos passageiros
De amor e de esperança.

Infelizmente
Tudo mudou de repente
E tivemos que nos adaptar
A uma vida diferente.

Aproveite para criar laços
Com quem está próximo a você:
Quem sabe, um abraço
Pode surpreender?

Tenho fé que tudo vai passar.
É só uma questão de espera,
Só precisamos acreditar
Que o amor tudo supera.

Então ame seus pais,
Seus irmãos e seus avós,
Pois o mundo precisa mais
De pessoas como nós!
(Poema de Andresa Ferreira da Silva – na época, do 9.º A - , selecionado e premiado com 2.º Lugar [Voto Popular] e 2.º Lugar [Prêmio do Júri] no tema “Patrimônio afetivo: memórias de uma história vivida” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2020)




Olhando pela janela em Morro Agudo, meu cantinho de cantos e louvores teresopolitanos


Olhando pela janela,
Vejo minha vida passar...
O que será que faço dela?
Devo deixá-la fracassar?

Como o soprar do vento.
Perdemos pessoas queridas;
Fica claro o aborrecimento
Pela aniquilação das vidas.

O vírus não é brincadeira,
Ele deixa sequelas e medo...
Talvez exista alguma maneira
De mudarmos esse enredo?

Hoje peço a Deus
Que proteja as almas a clamar.
Ele acalma meu coração,
Me fazendo descansar.
(Poema de Emily Correa da Silva – na época, do 9.º A -, selecionado e premiado 1.º Lugar [Voto Popular] e Menção Honrosa [Prêmio do Júri], no tema “Recortes da paisagem” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2020)




Do alto das árvores líricas da praça Emília Jannuzzi, a maritaca assiste e canta aos homens, durante a pandemia

Eis meus vizinhos, de canto apagado,
Os tais homens, seres desemplumados
Que ciscam livres pela minha praça.
Ao longe vejo o vírus que os caça:
O predador, para eles, invisível,
Entre eles, vaga letal e impassível
E, por eles, se propaga invencível.
Animal estranho esse tal homem,
Espécie ensandecida e selvagem:
Contra o vírus, alguns se protegem,
Enquanto outros o infausto propelem.
Uns corretamente tapam seus bicos,
Enquanto outros exibem cantos cínicos.
Aviso aos tolos: “Protejam seus bandos!”
Mas, do meu canto, vivem reclamando.
Têm olhos insanos, incendiários,
Queimam as matas, seus próprios erários,
Tratam-me qual carcará gavião
E, ainda assim, lhes tenho compaixão;
Faltam-lhes asas, amor, união
E sábio senso de preservação.
Brado-lhes orações contra a ruína,
Mas, surdos, seguem destrutiva sina.
Mortíferos mortais sem disciplina,
Pra arrogância deles, não há vacina.
Bando ingrato às belezas da vida,
Minha clemência não lhes é sentida,
Não lhes bastam doenças em surdina,
A humanidade se auto assassina.
Mas, como pássaro poeta e amigo,
Mesmo difamado como inimigo,
Faço arte contra a pandemia insana,
Insisto em salvar a espécie humana.
(Poema de minha autoria [ou seja, de Carlos Brunno Silva Barbosa], selecionado e premiado com 2.º lugar pelo júri técnico e 2.º lugar pelo voto popular no tema “Recortes da Paisagem”, categoria adulto na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2020)



Da janela do meu quarto no Alto de Ponte Nova

Da janela do meu quarto no Alto de Ponte Nova, vejo a vida passando.
Vai verão, inverno, outono e primavera.
Vai a vida tão singela.

Da janela do meu quarto no Alto da Ponte Nova, vejo um morro e muitas árvores.
Vejo uma paisagem que inspira, um patrimônio nacional e natural.
Vejo as nuvens no céu, indo com o vento e com tempo.

Da janela do meu quarto no Alto da Ponte Nova, eu me despeço desse poema.
Com um adeus da pequena janela, eu vejo a vida tão singela.
( Poema de Ana Carolina de Souza Torres Nunes, na época no 8.º C – atualmente no 9.º C -, selecionado e Classificado em 1.º Lugar – Prêmio do Público/Votação Popular - no Tema “A paisagem que inspira” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)




Da janela da minha casa, vejo o Paraíso

Da janela da minha casa
só vejo mato,
do verde reluzente ao fosco solitário.
Daqui avisto as colinas mais belas,
as aves que cantam em todo entardecer
ninguém sabe o quê.

Da janela da minha casa,
vejo um pingado de casas,
das mais caras às mais simples.
Daqui consigo ver um vizinho e um amigo,
o vizinho do potinho
e o amigo da piada.

Da janela da minha casa,
vejo crianças, aquelas que brincam até o entardecer,
sorriem pra tudo,
comem fruto do pé,
tomam banho de chuva e sempre, sempre, sempre
estão felizes,
não importa se o dia está ensolarado ou nublado.

Da janela de minha casa
de minha Paris fluminense, da Aparecida de Sapucaia,
vejo uma imagem sacra,
nuvens em forma de cruz, amém!
Daqui, e só daqui, eu vejo o paraíso.
(Poema de Maria Eduarda Rocha Passoni – na época, no 8.º C - Poema selecionado e Classificado em 1.º Lugar – Prêmio do Júri - no Tema “A paisagem que inspira” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)



Poesia da Janela (Encantos permanentes e provisórios de Soledade 2 em 2 estrofes)

Todo dia passava aqui
um passarinho para cantar,
enquanto agora eu só fico da janela
esperando ele passar.

Quando eu abro minha janela,
nada mudou, nada passou,
mas eu sei que, algum dia,
tudo mudará, tudo passará,
pois Deus está cuidando de tudo
e não há nada a se preocupar.
(Poema de Emelly Pimentel Charles Branco – na época, do 8.º B, atual 9.º B -, selecionado e classificado em 2.º Lugar – Prêmio do Júri - no Tema “A paisagem que inspira” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)



Paisagem da Janela em Água Quente

Olhando pela janela paralela,
há uma paisagem bela.
Vejo o pôr do sol
que espera de mim
um olhar sincero de agradecimento.
Sorridente, reparo cada detalhe desse quadro
e agradeço pela paisagem linda
que todos os dias posso apreciar.
(Poema de Jamili Damião de Oliveira Vaz – na época, do 8.º C, atual 9.º C -, selecionado e Classificado em 3.º Lugar – Prêmio do Júri - no Tema “A paisagem que inspira” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)



A paisagem da minha janela com a vista para Soledade 2

Todos os dias quando eu me levanto e abro minha janela,
eu me deparo com uma linda paisagem.
Olho para o horizonte
e vejo lindas montanhas.
Olho para o bairro que fica um pouco abaixo da minha casa
e vejo um lindo mar branco de serração,
sem contar o lindo nascer e pôr do sol...
Me inspiro cada vez mais com essa linda vista e com os cantos dos pássaros.
(Poema de Sara Flores Souza – na época, do 8.º C, atual 9.º C -, selecionado no Tema “A paisagem que inspira” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)



Teresópolis 130 anos

Teresópolis, cidade maravilhosa!
Na Arabotânica, a flor mais cheirosa.
Dedo de Deus, a proteção da natureza.
Tudo tem sua beleza.
No SESC, muita diversão.
Fazendo de tudo por um sorriso de cada cidadão.
E o trem da alegria então...
Todos amam a Feirinha do Alto.
Uma família feliz em um carro no asfalto.
Amo seus pontos turísticos.
Tantos lugares magníficos,
Tanto patrimônio que resiste,
Tanto encanto que persiste.

Parabéns Teresópolis!
(Poema de Gabrielle Gonçalves Ribeiro –, na época, do 8.º C, atual 9.º C -, selecionado e Classificado em 2.º Lugar – Prêmio do Júri - no Tema “O patrimônio que resiste” ]Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)


No mirante da poesia, olhando a paisagem de toda manhã fria em Volta do Pião (Elegia Teresopolitana de Resistência e Fascínio para Garcia Lorca)

Frio que te quero quente...
Desde a primeira vez
que descobri a manha dolente
na visão das manhãs
de tua terra sempre presente,
desde a primeira vez
que eu te vi
deitado no invisível
do horizonte observado,
desde a primeira vez
deste novo sempre
que eu paro diante de ti,
paisagem nova
na imagem inalterável
do firmamento que deita
em meus olhos bem aventurados.

Frio que te quero quente...
É o orvalho que despeja
tempestades suaves
em minha boca seca
todas as manhãs,
é o vento diário que me beija
a face ainda cansada
pela disputa com a noite insone
em outro sonho passado
e não realizado,
é a tua boca que adoça
os meus lábios amargos
com os cantos febris
da natureza que faleceu em ti,
é a beleza de uma canção antiga
que permanece inédita
no rosto dos velhos morros
tão vivos em movimentos mortos
e brilhantes apesar da atmosfera opaca,
é essa paisagem preguiçosa
que agita de poesia os meus olhos,
é essa vista ferida
de imortalidade intacta
que te mantém vivo
em minhas fúnebres palavras.

Frio que te quero quente...
Um vento novo sacode
aquela velha árvore,
enquanto outra nuvem esconde
o sol que arde em volúpia
por trás da frígida paisagem.
É nesse universo de duelos serenos
que tua voz inaudível
acompanha o ar invisível
e me conta os segredos
dos cantos mais sublimes
compostos por violentos silêncios,
é nesse cemitério vivo
que descanso minha visão
todas as manhãs, vendo-te partir
tão pleno,
como brisa de lirismo que desliza
na superfície adormecida
de um furacão...
E meus olhos choram sorrisos
a cada despedida,
acordados pela tristeza rara
de te ver, mesmo distante,
tão belo e tão eterno
todas as manhãs.

Frio que te quero quente...
Todas as manhãs cinzas serão verdes de Garcia,
enquanto teceres em meus olhos os dias,
enquanto houver dia,
poesia,
a-
manhã!
(Poema de minha autoria [ou seja, de Carlos Brunno Silva Barbosa], selecionado e premiado com 1.º lugar pelo júri técnico no tema “A paisagem que inspira” [Adulto], na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2021)




Em harmonia

Da minha casa em Água Quente,
Eu vejo uma névoa e sua cor fria,
Vejo três montanhas escuras e distantes,
Vejo o começo e a chegada
- O começo de um dia e a chegada de uma luz
Dissipando todo o nevoeiro
Desta manhã fria de inverno.

Neste momento, o céu se divide em duas partes:
Na maior, um céu azul escuro estrelado;
Já na menor e mais distante,
Um céu alaranjado vindo das montanhas escuras,
E, quando essa separação se desfaz,
Tudo se junta criando uma sintonia.

Essa é a paisagem que vejo nesses dias;
Esse é o meu lugar, minha harmonia.
(Poema de Jamili Damião de Oliveira Vaz, do 9.º C -, selecionado e Classificado em 1.º Lugar – Prêmio de Voto Popular e do Júri - no Tema “Esse é o meu lugar” [Infanto-juvenil] na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2022)



Oração a São José das Palmeiras, Senhor da Praça arruinada

São José das Palmeiras
desta praça sem palmeiras
(desde jovem, aos meus olhos,
tais árvores eram licença poética
surrupiadas da Canção do Exílio
de Dias para o nome do nosso bairro,
para a sucessão de ausências passadas
e futuras em nossa outrora bela praça),
ah, Seu José, que carregais com carinho
o filho que não é vosso, o Filho de Deus,
e que continuais a abençoar esse lugar,
cheio de filhos não vossos, outros filhos de Deus,
como o menino que outrora brincava
no velho chafariz que vivia sem água
e que hoje não vive mais
- quebradas suas beiradas
num plano de reforma pública mal planejada,
resta apenas a torre central,
obelisco incidental do nosso nada.
Ah, São José desta praça
das palmeiras sem palmeiras,
das calçadas alquebradas
e da beleza maltratada,
rica em misérias provocadas
por governantes do aquém,
por administradores do desdém;
ah, Seu José, aquele menino morreu,
caiu como as placas do monumento
que agora desfila parado
como rei nu no meio da praça;
aquele menino, Senhor José,
apagou-se como aquele poema
outrora gravado numa pedra da praça
(quem lembra? Passaram-lhe a tinta
e mataram mais uma poesia;
hoje só mais uma lápide encardida
no patrimônio assassinado).
Ah, São José desta praça sem palmeiras,
não perdoeis os mutiladores,
pois eles sabem o que fazem e desfazem;
perdoai a lágrima ácida de raiva
que ameaça ser derramada
toda vez que nossos olhos antigos
revitalizam a antiga praça;
perdoai e transformai em riso frouxo
diante da meninada,
que, alheia a passados e mágoas,
ainda brinca na praça arruinada.
(Poema de minha autoria [ou seja, de Carlos Brunno Silva Barbosa], selecionado no tema “Vestígios de memórias” [Adulto], na Mostra Olhares da Semana Fluminense do Patrimônio 2022)

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Lembranças de um carnaval que dizem que não aconteceu: Um pouco de minha folia lírica entre o fim de fevereiro e início de março de 2022

2022 desfilando sua extravagância
2022 pode ser considerado, em diversos aspectos, como um ano atípico, nada convencional. Uma prova disso podemos perceber no fato de que o carnaval deste ano, previsto para o fim de fevereiro e início de março, não aconteceu (oficialmente), recebendo um puxadinho festivo no fim de abril, pela inédita (e inusitada) vez após a Páscoa. Sim, foi um lance muito esquisito, contrariando quaisquer teorias lógicas da metodologia humana em tentar absurdamente quantificar o tempo e buscar tradições rituais em períodos temporais.
Seja como for, ao menos, o calendário letivo em escolas foi meio que seguido tradicionalmente, mantendo a semana de carnaval entre o fim de fevereiro e início de março, convencionalmente antes da Páscoa, possibilitando assim o também tradicional recesso escolar na semana citada, consequentemente permitindo que o blogueiro-poeta-professor que vos escreve ficasse com bastante tempo para doce prática do ócio criativo (os astrólogos afirmam que taurinos, apesar de trabalhadores, curtem uma preguicinha sempre que podem e uma pausa pontual sempre que uma oportunidade surge, e eu, taurino, amigo das artes esotéricas, tento não contradizê-los, quando me convém).
Apesar de não ter havido festividades oficiais no período que seria o carnaval, devido à preocupação justa de que se evitasse novas incidências de aumento de casos de Covid-19, sabemos que o povo, contrariando tais precauções, fez sua própria festividade carnavalesca no período de fim de fevereiro e início de março (e o político que deu recesso sem fazer a festa e afirmar que não previa que o povo supriria, de forma improvisada, a ausência de festividades merece 4 anos de bolsa óleo de peroba pra cara de pau). No mesmo período, com carnaval oficializado no calendário, mas marginalizado nas comemorações, no melhor estilo “fumo, mas não trago”, lá pras bandas da Europa, uma violenta guerra se iniciava entre Rússia e Ucrânia. Toda essa folia, contrariedade e violência contidas serviram de material bruto (no sentido literal e simbólico) e de oportunidade para abstrações paradoxais e, consequentemente, para a manifestação artística.
No Sarau Florescer Nit.
"Sou do bloco da poesia
"
Foi nesse exato período, entre o fim de fevereiro e início de março, que, a convite da supermusartistativistamiga Jammy Said, participei do maravilhoso Sarau Florescer Nit. “Sou do bloco da poesia”, no Jardim da Cafeteria Casa de Helena (quer nome mais literariamente inspirador que Helena, meus caros Homeros, Machados de Assis e Manoéis Carlos?), em Niterói/RJ. Na sexta-feira de pré-carnaval, dia 25/02/2022, a partir das 17:30h, naquele espaço, tive a honra de representei o Sarau Solidões Coletivas, a arte do sul do Estado do Rio de Janeiro, e homenageei o maravilhoso e queridíssimo Bloco do Zé Pretinho do Morro, de Valença/RJ, declamando alguns poemas meus que se referiam ao tema carnaval (“Carnacarência”, de meu terceiro livro “Note or not ser”, “Carnaval do terceiro milênio”, de meu quarto livro “O último adeus (ou o primeiro pra sempre)” e “Tenha dó”, de meu quinto livro “Eu & Outras Províncias” – dois desses três poemas podem ser encontrados aqui no blog; “Carnacarência” no link:
https://diariosdesolidao.blogspot.com/2012/02/poemas-carnavalescos-carnacarencia.html e “Tenha dó” em: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2012/01/clipoema-tenha-do.html - “Carnaval do terceiro milênio” vou ficar devendo a vocês, por enquanto). O Sarau Florescer Nit. “Sou do bloco da poesia” foi uma folia lírica fodástica, onde o lirismo desfilou poderosa na passarela de todos os corações dos participantes e espectadores. E, nessa postagem, finalmente, após mais de 3 meses, trago a vocês o vídeo, tardiamente colocado em meu canal do Youtube, com os registros de minha participação no evento.
Em tempo: Amanhã, sábado, dia 04/06, das 14 às 17h, novamente a convite da superdivartistamiga Jammy Said, participarei mais uma vez do Sarau Florescer Nit, desta vez no Solar do Jambeiro (será a primeira vez que declamarei neste importante espaço cultural niteroiense), em Ingá, em Niterói/RJ. Entrada franca. Aguardo vocês lá!
Com meu primo Charles Franck,
na quarta-feira de cinzas,
curando ressacas na Piscina da Tia Odete
algum tempo antes de cismar de escrever
"2022 cinzas de quarta"
Entre o fim de fevereiro e início de março, também me aconteceu um novo poema, que batizei de “2022 cinzas de quarta”, escrito na tarde da quarta-feira de cinzas, dia 02/03/2022, enquanto vivenciava as cinzas da quarta ensolarada na Piscina da Tia Odete (Pousada São Manoel, no interior de Valença/RJ), com direito a vídeo e foto arte de Charles Franck. Nesta postagem, também trago o vídeo no qual declamo o novo poema (outro vídeo tardiamente colocado em meu canal do Youtube; é, tenho andado bastante relapso com as divulgações artísticas de meu eu artista) e o texto integral em sua permanente desintegralidade (ou desintegralidão?, não sei qual neologismo melhor se encaixa).
Assim, deixo para vocês, amigos leitores, mesmo com enorme atraso, algumas lembranças minhas pontuais de um carnaval que, apesar de bem carnavalizado, dizem que não aconteceu, muitas folias líricas minhas do período, um pouco de minhas solidões coletivas diárias que sempre chegam ao blog um bocado atrasadas e, mais uma vez, meu agradecimento por permanecerem firmes acompanhando as parcas velhas novidades deste meu espaço lírico-virtual nosso. Espero que gostem. Abraços e Arte Sempre!

Vídeo de minha participação no Sarau Florescer Nit "Sou do Bloco da Poesia" na Cafeteria Casa de Helena, em Niterói/RJ, em 25/02/2022
Se não estiver visualizando o vídeo, eis o link direto: https://www.youtube.com/watch?v=NRNdAqqf3sE  

Vídeo de meu poema inédito “2022 cinzas de quarta”, escrito e declamado na Pousada São Manoel, em Cambota, no interior de Valença/RJ, em 02/03/2022
Se não estiver visualizando o vídeo, eis o link direto: https://www.youtube.com/watch?v=ACGWrX7hDlU 


2022 cinzas de quarta

Ressaca,
toalha pesada sobre a cabeça...
Ele pensava nas cinzas de quarta-feira,
enquanto o sol queimava seu rosto.
Do outro lado do mundo,
explosões anunciavam o calor da nova guerra fria,
enquanto outra guerra em seu corpo detonado e alienado
lhe implodia.
As ruínas distantes, ignoradas,
apenas lembradas pelo corpo brilhante
da libélula falecida
por mergulhar demais,
se embebedar demais...
Nunca mais voará...
Agora ele diz pra si que jamais beberia novamente assim
num dia de sol assim
em um dia assim,
mas, como no velho poema,
o verso reverso se repetia
como promessas vazias.
E o céu anil no dia das cinzas...
o sol abrasador... próximas e distantes cinzas...
Cinzas...
Hoje a quarta-feira arde ressentida
pelas novas e velhas batalhas perdidas da vida.
Carlos Brunno Silva Barbosa

Foto arte de Charles Franck para o meu poema "2022 cinzas de quarta"


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Solidões Compartilhadas: A luz lírica de Mateus Machado em "Dia Nublado"

Após breve pausa (acabei até deixando passar o Dia do Poeta – não esqueci não, mas estava em momento de muito trabalho e produção), volto às postagens no blog e hoje compartilho minhas solidões coletivas com o jovem e talentoso poeta teresopolitano Mateus Machado, ex-artistaluno da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, escola onde até os tempos atuais leciono.
Em conversas via WhatsApp, Mateus Machado me confessou a melancolia pela qual passava em dias nublados. Naquele momento do bate-papo, percebi a chance de me acertar com meu passado profissional (na época em que ele estudava, entre 2011 e 2013, [se não me falha a memória], Mateus participava dos vídeos do Luz, Câmera...Alcino!, escrevia contos, crônicas, mas evitava produções textuais de poema, segundo ele mesmo, por não se considerar capaz de escrever poemas – impressão negativa e equivocada que não consegui tirar dele no período e que sempre me ficou engasgada, pois ele se transferiu da escola antes que eu pudesse convencê-lo do lirismo represado dentro dele) e estimulei-o, durante a conversa on line, a escrever sobre as sensações que o dia nublado lhe trazia. E, sim, foi neste momento carente de luz solar, a inspiração poesia brilhou em Mateus Machado e o talentoso escritor gestou seu magnífico poema “Dia nublado”, que vocês lerão e terão, como eu, a oportunidade de também ficarem admirados com esta maravilhosa obra poética, logo abaixo.
A aceitação de Mateus Machado para o desafio poético também oportunizou a ressurreição do projeto Luz, Câmera...Alcino! Veteranos, que envolve produções de vídeos com queridos e mais-que-fodásticos ex-artistalunos, atuais super-artistamigos. Nunca, em muito tempo de vida e poesia, dias nublados foram tão iluminados!
Fiquemos com o fodástico poema “Dia Nublado”, do mais-que-fodástico poetamigo Mateus Machado, para iluminarmos nossa (já nem tão mais) obscura realidade.


Dia Nublado
Poema de Mateus Machado

Dia nublado assim fica um pouco triste
É bom pra quem talento e inspiração
Lembrar das pessoas e dos momentos bons e das boas recordações
Em tempos da pandemia tivemos que nos afastar um pouco da família e de amigos
Saudades das boas risadas e dos abraços aconchegantes.
Assim termina o que nunca se acaba – saudade infinita.

“Dia Nublado”, o vídeo
Caso não esteja visualizando (o Blogger tem dado uns tilts com postagens que contenham vídeos do Youtube quando visualizadas em dispositivos como aparelhos celulares), basta acessar o link: https://youtu.be/AYK2omoa76o

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

A (re)volta natural: Do alto das árvores líricas da praça Emília Jannuzzi, a maritaca assiste e canta aos homens, durante a pandemia

Como os psicodélicos Mutantes, andei meio desligado por esses dias – principalmente em espaços virtuais. Tenho passado por um processo parecido ao do que chamo “Descivilização” (tirei o termo de uma canção homônima da década de 1990 do Biquíni Cavadão): esqueci-me de contar os dias após o recesso de home slave office, desconectei-me quase inteiramente de redes sociais virtuais e passei a distribuir meus dias com banhos de ducha no quintal, tomadas de sol, ventos ocasionais e chuvas de verão, desenvolvimentos geeks, nerds, árcades, pós-modernos e clássicos com leituras constantes de obras literárias e gibis, maratonas de séries e filmes de diversos gêneros, audição de músicas dos mais diversos gêneros (com preferência à MPB e ao rock) e som dos pássaros que visitam minha casa em quarentena e a praça em frente ao lar agridoce lar, mergulhos em mim mesmo e episódios lúcidos de embriaguez desconexa em intervalos regulares. Diferentemente dos que se cansaram do período de isolamento, muitas vezes acho que a solidão (não a completa, claro, mas a complexa, de autocontrole, divertimento consigo próprio e amadurecimento intelectual) até que cai bem – o que me cansou mesmo (e até me parece tedioso) é bater na mesma tecla da merda que nosso mundo está e no bando de gente merda que acha que essa merda é perfume ou remédio pra grande crise de valores. Estamos na merda que nós mesmos (ou outros infernais nós outros mesmos) nos colocamos, mas insistir em pregar nas paredes ocas o quadro horrível real em que vivemos me aparenta ser tão surreal, cansativo e improdutivo quanto explicar para uma mula que ela está sendo explorada por seu pseudo-dono – destaca-se mais a publicidade patética da cena quixotesca que qualquer ínfima possibilidade da conscientização da mensagem bem intencionada; a mula continua a zurrar, Quixote continua vendo Dulcineias em estalagens contaminadas de aborrecimento e ignorância e o tempo passa atropelado por todos nós e outros nós outros que nós nunca admitiríamos ser nem entender, pois é incompreensível (sim, o zurro humano ainda é uma língua virulenta, inapreensível, incompreendida e incompreensiva). Preferi dar um tempo dessa loucura toda (não me alienar – ação impossível para qualquer ser minimamente pensante em tempos complexos de autodestruição existencial e humana, dramas sórdidos e tragédias espetaculares - , mas manter minha insana sanidade mental em um ambiente menos hostil, confuso, contagioso e abusivo).
Nesses tempos, refugiei-me em mim mesmo, na natureza próxima e na arte – pode parecer (e é) meio egoísta, mas é de um egoísmo altruísta: preciso estar bem comigo mesmo para estar bem com todos em um ambiente tão doente e tão doentio. Mas agora, depois de tanto tempo e graças aos apelos de amadas amigas e amados amigos, resolvi retomar as postagens do blog.
E, voltando aos cantos dos pássaros aos quais tenho prestado atenção com mais constância, foram nesses tempos de quarentena que as aparentemente escandalosas (eu as defendo como sábias incompreendidas) maritacas me inspiraram um poema, “Do alto das árvores líricas da praça Emília Jannuzzi, a maritaca assiste e canta aos homens, durante a pandemia”, com o qual concorri à Mostra Olhares sobre o Patrimônio Fluminense – 2020 , da 10.ª Semana Fluminense do Patrimônio – “Cultura e cidadania em tempos de crise”. O poema foi selecionado e recebeu 2.º lugar pelo júri técnico e 2.º lugar pelo voto popular no tema “Recortes da Paisagem”, categoria adulto na Mostra Cultural. Hoje, trago o poema, com o seu seu clipoema [pra quem está no celular, percebo que os vídeos não têm aparecido, por isso deixo o link do mesmo no youtube: 
https://youtu.be/DdAPNV4MM7E ] (agradecimentos às maritacas por concederem seus cantos durante a gravação do áudio do poema e ao meu irmão Rafael Silva Barbosa e ao seu namorado Wellington Victor de Lima pela participação teatral, atuando como os homens assistidos e cantados pela maritaca da praça Emília Jannuzzi), para vocês, amigos leitores, estreando as postagens líricas virtuais de 2021 deste constantemente inconstante blog.
Já que os homens não escutam a seus próximos iguais diferentes, que, pelo menos, escutemos a natureza à nossa volta e aprendamos com as sábias maritacas sobre a importância da lucidez e da vida nesse contexto genocida de sobrenatural loucura.

Do alto das árvores líricas da praça Emília Jannuzzi, a maritaca assiste e canta aos homens, durante a pandemia


Eis meus vizinhos, de canto apagado,
Os tais homens, seres desemplumados
Que ciscam livres pela minha praça.
Ao longe vejo o vírus que os caça:
O predador, para eles, invisível,
Entre eles, vaga letal e impassível
E, por eles, se propaga invencível.
Animal estranho esse tal homem,
Espécie ensandecida e selvagem:
Contra o vírus, alguns se protegem,
Enquanto outros o infausto propelem.
Uns corretamente tapam seus bicos,
Enquanto outros exibem cantos cínicos.
Aviso aos tolos: “Protejam seus bandos!”
Mas, do meu canto, vivem reclamando.
Têm olhos insanos, incendiários,
Queimam as matas, seus próprios erários,
Tratam-me qual carcará gavião
E, ainda assim, lhes tenho compaixão;
Faltam-lhes asas, amor, união
E sábio senso de preservação.
Brado-lhes orações contra a ruína,
Mas, surdos, seguem destrutiva sina.
Mortíferos mortais sem disciplina,
Pra arrogância deles, não há vacina.
Bando ingrato às belezas da vida,
Minha clemência não lhes é sentida,
Não lhes bastam doenças em surdina,
A humanidade se auto assassina.
Mas, como pássaro poeta e amigo,
Mesmo difamado como inimigo,
Faço arte contra a pandemia insana,
Insisto em salvar a espécie humana.









sexta-feira, 16 de outubro de 2020

As ilusões dos anzóis, as noites e os caminhos, às vezes, sem rumos, mas só possível com amor: Pelas musas e por vocês, amigos leitores, as solidões líricas compartilhadas de Renato Galvão

Esta semana que vai chegando ao fim é um período que traz datas importantíssimas; foi nela, por exemplo, que, em 12 de outubro, comemoramos, além do Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e do Dia das crianças, também saudamos o Dia do Mar e o Dia Nacional da Leitura (sim, precisamos, com milhares de datas, lembrar muito desta prática pouco exercida – ou exercida preguiçosa e descuidadamente - pela maioria da população brasileira). Além de muitas outras datas comemorativas desta semana, o blog, na seção Solidões Compartilhadas, institui o Dia do Mais Que Fodástico Multiartistamigo Renato Galvão, Artista Plástico, Escritor e Poeta na empresa Ateliê Ren-Artes, além de idealizador do Jornal Alecrim (segue o link deste formidável site: https://www.jornalalecrim.com/ ) e nosso artistamigo aniversariante do dia 15 de outubro (sim, ele teve a proeza lírica de nascer no comemorativo e super louvável Dia dos Professores). Como podem já perceber, hoje, compartilho minhas solidões coletivas neste espaço lírico-virtual com o grande mestre multiartistamigo Renato Galvão, autor de quatro de livros de poesia e de milhões contribuições poéticas nas artes plásticas (ele próprio confessa que a arte plástica lhe veio quando começou “a escrever um livro sobre ficção e realidade...”).
O próprio Renato Galvão humildemente se define: “Sou o que se pode chamar de escritor amador. Um homem que gosta de juntar letras, formar palavras e construir textos que tentam traduzir gestos, olhares, sorrisos. Simplesmente traduzo sentimentos”. Sobre seus temas, o autor comenta: “Escrevo para pessoas, sobre pessoas, suas palavras e frases, suas lágrimas, seus sorrisos, suas alegrias, suas paixões, seus sofreres, suas felicidades, suas nostalgias. Enfim, seus sentimentos. Também escrevo sobre situações e ações do nosso dia a dia, protestos e desigualdades sociais, contos e outros gêneros. A grande maioria dos textos que escrevo são frutos da observação da vida humana. Costumo também retratar e até homenagear pessoas que sequer me conhecem, que não fazem a menor ideia de minha existência e que figuram ou são a razão de minhas palavras. Naturalmente aos amigos(as), parentes e tantos outros se incluem nesta procura por palavras observando o ser humano. Escrevo também sobre os meus sentimentos e os externos através de poesias...”
Foi o mais que fodástico multiartistamigo Renato Galvão quem comemorou, ontem, mais um aniversário de infinidade lírica (como ele próprio diz, “Continuo fazendo arte e não devo parar nunca mais...”), mas quem ganha as oferendas líricas são vocês, amigos leitores! Naveguemos nos universos líricos que a arte do mais que fodástico multiartistamigo Renato Galvão nos traz! 

Série Lua Drágna - Tela n.º 13


Ilusão do anzol 


Quem irá se perder,
Praticando o medo de uma nova relação
Ou distanciando-se de um nobre coração?

Quem irá se perder,
Pela própria culpa ou
Por trocar a coragem pela dúvida?

Quem irá se perder,
Por não se permitir uma nova chance
Ou por encarar tudo como revanche?

Você está me perdendo, 
Não para uma nova relação
Ou para outro coração.

Você está me perdendo
Para suas cansadas desculpas
Ou por não admirar a lua.

O tempo escurecerá,
Quando a ilusão do anzol passar,
Quando o fim chegar.

Aqui também escurecerá,
Mas sem ilusão ou anzol.
Encontrarei o caminho de volta ao sol...



Não há caminhos que se possa trilhar 

Não há caminhos que não se possa trilhar.
Não há rainhas ou reis de gelo, de ouro ou prata
Que o amor possa enclausurar.

Nem sábios ou ignorantes,
Nem poderosos ou humilhantes
Que possa o amor descartar.

Foi por amor que viemos,
Foi por amor que Michael de Nebadon
Surpreendeu os universos com seu dom.

Foi por amor que recebemos
A dádiva do Criador.
Foi por amor que o Criador Michael nos enviou.

Foi por amor que o mais
Humilde dos humanos
Ousou despertar o amor nos estranhos.

Foi por amor que tudo se fez luz.
Foi por amor que nos perdoou.
Foi por amor que, nossas vidas, transformou.

Não há caminhos que não se possa trilhar.
Não há amor que se possa desprezar.
Não há amor que se possa ignorar.

Sem amor só haverá escuridão.
Sem amor não se praticará o perdão.
Sem amor somos servos da solidão.

Sem amor não haverá luz,
Sem amor não se pode brilhar.
Sem amor não haverá caminhos que se possa trilhar...



Série Lua Drágna - Tela n.º 14


Noites

Pelas noites a procuro em espaços errados.
É nas noites que descubro que estou abandonado.
São em noites escuras que sonho sonhos desesperados.
Pelas ruas não a encontro nem mesmo para um abraço.

Deito-me na cama do acaso,
Do direito de perder,
Mesmo que o desejo venha me dizer
Que você não quer fazer parte do meu viver.

As estrelas me visitam
E recolhem o brilho das lágrimas
Que iluminam o delírio de um
Coração apaixonado.

As lembranças se transformam em
Abismos de saudades.
E assim sigo esperando por milagres,
Castigado pela sua falta de coragem...


Por você... 

Por você
Dedicar-me-ia.
Perseguiria o impossível. 
Controlaria o impassível.

Por você
Desenharia seu infinito.
Seria um soldado lutando por sua paz.
Mudaria sua vida fugaz.

Por você
Transformar-me-ia num escudo.
Tiraria você desse poço fundo.
Defender-lhe-ia de suas dores,
Curaria suas feridas. 
Dizimaria seus horrores.

Por você.
Eu seria você.
Mas... Se, somente se,
Você fizesse por me merecer...

Sem rumos

Quando vieste
Era puro encanto.
Quando partiste
Veio solidão ao meu encontro.

Quando eu disse: amo-te.
Meu mundo eu esqueci em instantes.
Quando saíste, trancaste as portas,
Esquecendo-me num canto.

Quando sorrias
Via-se a magia.
Quando vinhas
Era pura alegria.

Tua voz enchia de alegria a casa.
Hoje, não há mais nada.
Ficamos para trás na tua estrada.
Só restou o silêncio das frias madrugadas.

Agora não tenho teu sol.
Só me deixaste a chuva.
Os dias são escuros.
Vivo sem destino, sem rumos.

Esquecer-te meu coração não quer.
A saudade me deixa triste.
Amar-te é o que me mantem de pé
Sem ti, nem eu e nem a nossa casa existe.

Sonhar? Sim...
Foi o que me restou.
Com teu sorriso,
Tua alma
E teu amor...

Alguns livros de Renato Galvão

CurtaPoesia: 
Renato Galvão ao vivo
no Sarau em Cores,
organizado por Thay Lucas





sábado, 21 de março de 2020

Declarações juvenis de amor à flores antigas em vastos vasos vazios em tempos de pandemia


Momento de pandemia, tempo de quarentena, isolamento, dias e noites de solidões coletivas, data marcada como o Dia Mundial da Poesia, é a hora do blog Diários de Solidões Coletivas retornar.
Como a notícia do novo fim do mundo é uma novidade antiga, trago um poema meu muito antigo, um dos primeiros que já escrevi, num clipoema novo, um museu de grandes novidades.
Apesar de antigo (foi o meu primeiro poema publicado em antologia [na “Pérgula Literária I”, de 1996] e republicado em meu segundo livro solo [“Promessas Desfeitas”, de 1997], o poema “Declaração de amor à flor do vaso” foi pouco exposto on line por mim (se não me engano, é a primeira vez que o posto no blog). Traz um ultrarromantismo adolescente perdido com a solidão e melancolia do mal bem estar meio fora de lugar.
Nasceu assim, vai assim, meio assim, meio assado, passado no presente bem mal passado, gosto antigo com novo design.


Declaração de amor à flor do vaso

Aí esta você!
Confinada a um lugar que não é seu,
Longe de sua casa,
Longe de suas amigas,
Perto de tudo que você nunca quis,
Perto de mim.
Oh, flor deste vasto vaso vazio,
Somos tão próximos e tão sozinhos...
Gostaria até de beijar suas pétalas,
Mas tenho medo do perigo,
Tenho medo de me apaixonar...
Se eu tocasse você,
Se eu beijasse você,
Se eu pudesse sentir você,
Eu nunca seria eu,
Eu nunca sentiria medo...
Oh, minha pobre flor rica,
De que adianta a ousadia de nossos sonhos
Se acovardamos nossos desejos?
Oh, minha flor menina,
Nossos corações são iguais;
Talvez, por isso,
Sejamos tão indiferentes com eles.

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...