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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O exílio sem título e a vida em família da mais que fodástica poetamiga Gisele Pacheco

Ontem foi o Dia do Poeta (é, eu queria ter postado antes da meia-noite para a homenagem ser plena, mas a terça-feira foi frenética; ainda não parei nem me desliguei um minuto sequer, porém, contudo, todavia, apesar de todo corre-corre, não descansaria sem deixar uma postagem nova aqui para vocês). E nada melhor para homenagear a data dos navegantes que cursam seus barcos para além do infinito que relembrar poemas antigos, que até hoje me enchem de fascínio, da mais que fodástica poetamiga teresopolitana (outrora, minha poetaluna dos meus primórdios em sala de aula, na Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, entre 2006 e 2008) Gisele Pacheco. 
Sim, hoje (ela deve estar com aquele sorriso de orgulho, mas disfarçando a alegria, com marra: “Finalmente, né, professor...”), depois de milênios de atraso, sim, finalmente, compartilho minhas solidões poéticas com a magnífica poetamiga Gisele Pacheco! Gisele sempre teve um talento fenomenal, um lirismo maduro muito além das limitações que encontramos, quase sempre, quando iniciamos nas veredas poéticas; era a rainha do paradoxo (domava esta ardilosa figura de linguagem a seu bel talento como poucos, tanto que sua arte, em alguns certames literários escolares, era compreendida por poucos), sempre teve um senso crítico enorme, como poderão ver na paródia da Canção do Exílio que ela construiu em parceria com a colega Pâmela, no 7.º Ano (!), e sempre foi positivamente marrenta (quem é genial pode desfilar marra; poucas artistas, como ela, podem ostentar um título internacional [3.º lugar no 1.º Concurso Internacional de Poesias Gioconda Labecca, em Campanha/MG] quando ainda cursava o oitavo ano do ensino fundamental [nessa época, eu, por exemplo, engatinhava na redação comum, pois meu despertar poético só aconteceu quando eu cursava o 1.º ano do hoje chamado Ensino Médio]). Em seu facebook, Gisele já manda o recado na descrição: “O que dizem sobre mim é apenas a perspectiva deles...” É meio que uma drummondiana seguindo o verso do mestre: "Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou". 
Sim, os deuses da poesia gostam muito de mim, afinal, eu comecei minha carreira no magistério premiado com hipertalentosas artistalunas com personalidades líricas autênticas e iluminadas como a Gisele Pacheco. E lembrança boa é para ser compartilhada, poemas mais que fodásticos que flertam com o tempo infinito então nem se fala: ela tem toda razão, estes poemas deveriam estar aqui no blog há tempos. 
Sim, finalmente, amigos leitores, vamos curtir o lirismo magnífico e enamorado com o tempo infinito da mais que fodástica poetamiga teresopolitana Gisele Pacheco! 


Exílio sem título 

Minha terra tem políticos
Onde canta o mensalão. 
As guerras que aqui têm
Nunca lá terão.

Nossos céus são mais cinzas, 
Nossas estrelas mais amarelas, 
Nossas Várzeas têm mais prédios, 
Nossos bosques têm mais favelas.

Minha terra tem ladrões
Que cantam como sabiás.
Os ladrões que aqui roubam
Não roubam como lá.

Aqui encontro crimes
Que não encontro lá. 
Minha terra tem ladrões
Que cantam como sabiás.

(Poema escrito por Gisele e Pámela, quando estas cursavam o 7.º ano [na época, ainda chamado de 6.ª série]. Percebam desde a super originalidade irônica do título até os versos críticos ferozes. Gregório de Matos, o Boca do Inferno, está louvando o nome destas duas jovens poetas até os dias atuais!)


Vida em família

Com o doce som da voz da minha mãe a me chamar,
com a voz serena e meiga a chamar
minha irmã no meio dos manguezais a namorar
e, pobre de mim, tenho que ocultar.
Meu pai a trabalhar, trabalhar sem descansar
até que o dia chega ao fim
e todos vão se deitar
pois amanhã é um novo dia
e tudo continuará.

(Poema de Gisele Pacheco, quando ela cursava o 8.º Ano, premiado com o 3.º lugar no 1.º Concurso Internacional de Poesias Gioconda Labecca, em Campanha/MG na Categoria Juvenil [de 13 a 17 anos]. O texto foi publicado em uma coletânea. Podemos perceber no poema a influência de poema como “Infância”, de Carlos Drummond de Andrade, mas com um método completamente personalizado, que me lembra mais os poemas de Conceição Evaristo sobre suas memórias de infância. Reparem o uso incomum da gradação, tornando o poema inicialmente suave e divertido para uma criticidade mordaz ao dia a dia laborioso e inexorável do pai que trabalha sem parar e da continuidade infalível da rotina do ciclo familiar).



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Negro (além do bem e do mal)

Esse poema eu devia ter postado no blog há tempos e destaco-o hoje, neste dia 20 de novembro, quando comemoramos o Dia da Consciência Negra. Escrevi o poema, inspirado nas saudosas e fodásticas aulas da Doutora Mestre Escritora-Mais-Que-Fodástica Conceição Evaristo, divartista de imenso destaque da literatura afrobrasileira, durante as aulas na Pós-Graduação  sobre Literatura e Cultura Africana, cujo curso iniciei, mas não encerrei, apesar de, até hoje, trazer e me aproveitar (e muito!) dos materiais e das lições aprendidas em seus módulos. Tenho o privilégio e o orgulho imenso de ter lido o poema em primeira mão para a mais-que-fodástica Conceição Evaristo e ter recebido elogios dessa superadmirada escritora. No mesmo ano em que o escrevi, publiquei-o algum tempo depois no meu quinto livro “Eu & Outras Províncias – Progressos & Regressos” (2008).
Eis o poema logo abaixo, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

Negro (além do bem e do mal)

Negros escravizadores de negros na África
foram meus irmãos.
Negros escravizados também foram meus irmãos.

São minha herança das grandes batalhas,
minhas tribos, meus ritos,
a consagração de meu sangue sedento por expansão,
meus conquistadores negros,
guerreiros, IMENSOS!

Negros capitalistas comunistas estáticos pós-modernos
opressores oprimidos seminus ricamente vestidos
são todos meus irmãos.

O trapo e o ouro,
a dureza do carvão e a maleabilidade do mar,
a sereia sedutora que mata e fascina,
o bronzeado da sombra que reflete a euforia do sol,
tudo isso sou eu, aiué, aiuê, sou eu:
Negro, além do bem e do mal!

Me embala a contradição...
Abraçar um lado de qualquer questão
é embaçar minha cor, me passar em branco,
é cegar o Nilo que me rega mas que também me afoga,
é não enxergar a humanidade de minha vida,
a negritude luzidia de minha vida!


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Direto do túnel do tempo: Meu poema em homenagem à escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, declamado em Guimarães/MA, em 2015

Hoje retiro uma vídeo-lembrança direto do túnel do tempo e a posto no blog, juntamente com o poema declamado, minha lírica homenagem à fodástica escritora maranhense Maria Firmina dos Reis. É um vídeo que andava meio perdido no meio do caos de arquivos de meu bagunçado notebook. Trata-se de minha participação no evento de lançamento da antologia "CENTO E NOVENTA POEMAS PARA MARIA FIRMINA DOS REIS”, no ano de aniversário de cento e noventa anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis, em 12 de outubro de 2015, m Guimarães/MA.. Na ocasião, declamei meu poema "Recado ao moço branco que folheia minhas páginas negras", em homenagem à fodástica musa-escritora Maria Firmina dos Reis.
Em tempo: O meu livro mais recente, o meu 9.º livro-filho "O nada temperado com orégano (Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita)" traz esse poema e, neste fim de semana, realizo um sonho que não pude realizar no final do ano passado: a convite da divartistamiga Dilercy Aragão Adler, no sábado e domingo, respectivamente, dias 18/11 e 19/11, estarei, durante a tarde e a noite, no estande da Academia Ludovicense de Letras (ALL) e em outros espaços, expondo e comercializando a preços promocionais meus livros na 11.ª Edição da Feira do Livro de São Luís/MA (FeliS) que homenageia a própria escritora-musa-inspiradora do meu poema.
Será um excelentíssimo momento pra fazer aquele intercâmbio cultural que eu amo (São Luís/MA) já se tornou uma das minhas cidades afetivas - tanto que no meu livro mais recente dedico vários poemas a autores queridos maranhenses - e rever fodásticos artistamigos que conheci lá!
Abaixo seguem o poema citado, de minha autoria, e o vídeo que registra a minha interpretação para ele.
Que a poesia siga em frente, alcançando todos os cantos do Brasil!
Saudações Firminianas e Gonçalvinas! Até breve e Arte Sempre!

Recado ao moço branco que folheia minhas páginas negras
(Carlos Brunno S. Barbosa)

Olá, moço branco, jovem estranho desses novos tempos selvagens,
onde o preconceito desfila com novos disfarces, outras maquiagens,
se, mesmo ignorada, recebo a visita de teus olhos sedentos pela minha estrada lírica,
ainda existe esperança pra ti, pro novo mundo, pra toda prosa e poesia
que, mesmo abandonadas, continuo a defender muito além da vida.
Não és como os novos bárbaros que repousam minha arte na ignorância-marasmo,
és  minha chance de ressuscitar a herança que sempre me negaram:
a honra de ser rainha numa literatura que sempre me fez de escrava cativa e esquecida.
Gravaram em meu nome apenas o adjetivo-infortúnio “bastarda”,
como se este fosse meu único dom, minha única característica,
quando, na verdade, fui a filha mais agraciada
pelos encantos da língua de Gonçalves Dias.
Domei e conquistei todas as palavras da pátria colonizadora de Camões
e derrubei os vocábulos do patriarcado
para transformá-los em refúgio da Liberdade
pro meu povo outrora escravo e sem mãe.
Com meus cantos a beira mar, me fiz princesa e, mais tarde, rainha das Praias do Cuman.
Com minha escrita libertária, desfiz a mentalidade escravagista e precária
que outrora reinava em minhas terras cansadas de grilhões
e dei sonhos mais sublimes aos milhões de oprimidos do Maranhão.
Até Úrsula, a mais clara constelação,
ganhou comigo uma cor mais mulata,
orgulhosa de sua escuridão:
sou e sempre serei  a dona do primeiro romance brasileiro abolicionista;
por mais que me neguem essa ousadia,
estou nas principais estantes das  bibliotecas livres dessa injusta negação;
sim, minha escrita ainda brilha nos céus despidos de tanta ingratidão!
Bem-vindo, bom moço branco, que desliza as mãos pálidas
por minhas páginas negras,
meu nome é Maria Firmina dos Reis,
escritora da mais alta nobreza
– nasci bastarda sim, mas bastarda não permaneci!
Meu último sobrenome já informa a todos inimigos,
que fazem da intolerância um vício:
mesmo que me atribuam apenas derrotas,
ainda  sou e sempre serei a filha adotada mais gloriosa
da vila mais formosa e linda de todo Brasil.
Bem-vindo, moço branco e bonito, despido das opiniões anciãs,
meu nome é Maria Firmina dos Reis, tenho muitos fãs,
sou a eterna rainha da vila de São José de Guimarães!


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sobre estrelas líricas que brilharam e continuam a brilhar: Os formidáveis poemas e cartas antigos e atemporais de Izabela Araújo

Dia 11 de setembro pode ser relembrado como um dia trágico, no qual um atentado terrorista ceifou vidas inocentes, mas também é o dia de se reerguer dos escombros, sobreviver às violências diárias e mostrar que ainda há esperança, ainda há poesia! Dia 11 de setembro também é um dia mágico, especial, pois foi nesse dia que nasceu a jovem e talentosa escritora Izabela Souza de Araújo, para quem tive a honra de dar aula em 2010, quando ela completava com louvor e brilhantismo o ensino fundamental na saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, Teresópolis/RJ.
Izabela foi uma aluna exemplar, teve seus altos e baixos como todos têm na adolescência (nos dias de mau humor dela, tremei, amigos!), mas sempre demonstrou dedicação e um lirismo natural. Sim, ela não acreditava muito no potencial imenso que possuía, mas era uma escritora nata e, nas vezes em que vencia a resistência e descrédito inicial (só no fim do ano de 2009, quando ela cursava o oitavo ano que consegui convencê-la do seu potencial - depois foi só luz e poesia!) brilhava na escrita. Compartilho minhas solidões líricas com alguns maravilhosos e fodásticos textos de Izabela Araújo, escritos, entre 2009 e 2010, no tempo em que ela brilhantemente frequentava e cumpria as atividades de produção das saudosas turmas de 8.º e 9;º Ano da também saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, Teresópolis/RJ. Os temas e gêneros são variados, demonstrando o brilhantismo eclético da ex-escritoraluna – vão desde poemas para a lua (sim, esse poema recebeu menção de destaque em concurso literário de 2010) e para as árvore a carta-protesto de requerimento ao Secretário Municipal de Obras de Teresópolis em 2009 (sim, tal carta, juntamente com outras de outros escritores-alunos da época, foi entregue em mãos naquele ano, chegando a receber uma carta-reposta agradecendo a atitude cidadã – só não sei dizer se algo foi feito ao lago Iacy, pois há tempos não passo por lá). Espero que a ex-escritoraluna e atual escritoramiga Izabela Araújo me perdoe por revelar tais saudosos e fodásticos escritos – trago sempre o lema de que o que é mais que fodástico e maravilhoso de ser lido pode e deve ser compartilhado (se ela discordar, essa postagem perecerá em breve – tomara que não! Oh, Deuses da Maravilhosa Escrita, por favor, não!
Parabéns, Izabela Araújo, por ter feito e até hoje fazer história e arte entre as constelações líricas que mantém o caminho da vida brilhante para a continuação da esperança e do amor à natureza e à poesia.
Boa leitura, amigos leitores! Arte Sempre!

Minha lua

Minha linda lua
Como és bela
Teu sorriso, tua cratera
Oh, como és bela
Por favor, me libera!

Preciso de sua luz
Sem ela eu não vivo
Sem ela eu não sou ninguém
Por favor, me dá tua luz...

Queria poder te tocar
E de alguma forma te sentir
Como não posso, irei
Viajar em meus pensamentos
Até chegar a ti.
Izabela Souza de Araújo (na época, cursando o 9.º Ano)


Amiga da árvore

Te vi nascer
E de alguma maneira quero te ver crescer
Até que no chão tua semente caia
Para que possa em meu rosto
Um sorriso surgir, a alegria fluir.

As águas que em tua folha jorram
São as lágrimas que em meu rosto rolam.
Eu queria novamente ver os pássaros
Em teu galho cantando,
O vento em tua folha soprando
E a chuva teus pés molhando.

As árvores existem em todo lugar
Mas os homens, com seu egoísmo,
Querem matá-las
Enquanto vivo neste planeta
Quero a cada segundo tê-las.

O que posso fazer por ti
É tentar impedir
Aqueles que vêm destruir...

Prometo ao teu lado estar
E contigo lutar
Para que juntas possamos conquistar
As árvores que ainda vão brotar.
Izabela Souza de Araújo (na época, cursando o 9.º Ano)

 Teresópolis, 27 de novembro de 2009. 

Senhor Secretário de Obras,           

Primeiramente bom dia. Estou lhe enviando esta carta para esclarecer uma dúvida que tenho a respeito do lago Iacy: Por que o lago está praticamente seco e repleto de mato?           

O que eu não entendo é por que o lago secou se em uma placa no próprio diz que o lago Iacy foi “recuperado” em 2003. Só faz 6 anos e o lago já está nesse estado. Me desculpe, mas se ele está assim é porque não tiveram o cuidado que era pra ter tido. Se vocês não querem reconstruir o bendito lago, pelo menos tirem as placas dizendo onde ele fica, e, no lugar delas, botem outra placa dizendo que não existe mais o lago Iacy e o motivo. Enganar um turista não é ser humano e muito menos educado, é ser “mentiroso”.           

Mas como eu sei que não é o caso, espero uma providência.           

Ass.: Izabela Araújo (Turma 801)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Feliz Aniversário, Fim do Fim do Mundo! Baixe gratuitamente o livro nessa postagem!

Yeah, amigos, hoje faz 20 anos que fiz o meu primeiro lançamento de livro em Valença/RJ, faz 20 anos do lançamento do meu primeiro livro “Fin do fim do mundo” em Valença/RJ.
Foi numa sexta-feira, dia 13 de junho (yeah, tudo começou numa sexta-feira 13, já anunciando minha predisposição para a arte maldita, para a contracultura!), no hoje extinto Casarão das Artes, no Centro de Valença/RJ. O evento, como todos os outros que se seguiriam, foi multicultural, pelo apoio da Secretária Municipal de Cultura da época, Ana Vaz, que me concedeu um coquetel surpresa e me auxiliou na intermediação com Allabah e Carlos Henrique Cassiano, responsáveis pelo Grupo Teatral Arte-Ofício, que fez uma performance teatral fodástica de poemas do livro, durante a festa lírica.
Não posso me esquecer também dos amigos patrocinadores que me possibilitaram o custeio para impressão do meu primeiro  livro, como Ronaldo Lamblett, com sua antiga locadora, o pessoal da Doce Lar, o Carlos Augusto, da antiga Casmacon, a Luzam do pai de Lucimauro Leite, a Revista Chafariz do Gerson Menezes, a Oficina do Tio Waltinho, o Bar do Tio Jorge (Aqualume Bar), o Bar do Bacana e tantos outros que acreditaram no potencial de um jovem poetamigo que iniciava sua trajetória literária com um livro de título tão emblemático como “Fim do fim do mundo” (em ironia à novela “Fim do mundo”, que acabara de ser encerrada na Rede Globo e em paródia apaixonada à canção “O último dia” de Paulinho Moska, música de abertura da novela citada). Como meu eu de 1997 declarou, o meu primeiro livro “Fim do fim do mundo” buscava mostrar “os sonhos e pesadelos da vida, sempre procurando - até mesmo nas coisas mais negativas  - encontrar um ponto positivo, uma esperança, um fim do fim, um NOVO COMEÇO!"
Alguns anos mais tarde, o livro seria relembrado por vários atores valencianos durante o Concurso de Poesia Declamada, no Teatro Rosinha de Valença, com destaque para o artistamigo Cadu Souza, que interpretou magnificamente o premiado poema “Intervalo de refeição”, texto ‘hit’ do meu primeiro livro. Mais à frente, Cadu utilizaria vários poemas do livro “Fin do fim do mundo” para os roteiros das primeiras encenações da peça “Apocalipse Brasil”, do Grupo Teatral Amor e Arte, dirigido por ele.
Com o tempo, o livro “Fim do fim do mundo” foi se tornando raro, pois sua edição esgotou-se e jamais fiz uma reimpressão dele. Em comemoração ao aniversário de 20 anos de seu primeiro lançamento em Valença/RJ, deixo-o como presente aos amigos leitores, em versão PDF, para baixar gratuitamente no link abaixo – basta clicar na imagem da capa do livro que ela te levará para a página de download no site 4shared. Mantive o meu primeiro livro com sua forma e ingenuidade originais, com seus acertos e defeitos originais – estão lá poemas que meu eu maduro até hoje inveja, outros que meus eus posteriores possivelmente negariam serem seus autores e outros que eu desejaria alterar, mas saiu assim na primeira vez e assim que insistem em ficar.
Espero que gostem do lírico presente! Abraços e Arte Sempre!

Clique na imagem abaixo e baixe gratuitamente o meu primeiro livro “Fim do fim do mundo” (1997)







terça-feira, 12 de abril de 2016

Solidões Compartilhadas Direto do Túnel do Tempo: A Vida Infinita no Antigo Caderno de Poemas de Gisele Dumard Catrinck

Há algumas semanas atrás, no ponto de ônibus ao lado do Supermercado Extra, enquanto aguardava (na verdade, mofava, pois os horários dos circulares são bastante espaçados) um desses veículos coletivos que me levasse de volta para o bairro Três Córregos, onde moro em Teresópolis/RJ, tive o privilégio de reencontrar a artistamiga Gisele Dumard Catrinck, que foi uma das escritoralunas para quem tive a honra de lecionar nos tempos em que eu dava aula na saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira.
Irmã da poetamiga Miriam Dumard (que também possui um fodástico acervo de poemas de sua autoria do tempo da escola – em breve também os trarei para o blog), Gisele Dumard Catrinck sempre foi uma leitora voraz (segundo ela própria, ainda é fanática por leitura) e, nos tempos da escola, brilhou como uma escritoraluna de produção poética vibrante, fascinante e febril – tanto que até hoje guardo um caderno dela, cheio de poemas da jovem e talentosa poetamiga, que a própria autora deixou comigo nos tempos de escola.
Aproveitei nosso reencontro para pedir a Gisele que me permitisse resgatar no blog alguns desses fodásticos poemas contidos nesse caderno que ela deixara comigo naquela época (para ser mais exato, os fodásticos escritos são de 2010) e... yeah, Gisele Dumard Catrinck permitiu que eu retirasse da poeira do tempo e revelasse aos amigos leitores seus fodásticos poemas!!! Por isso, hoje tenho o prazer incomensurável de compartilhar minhas solidões poéticas, pela primeira vez no blog, com Gisele Dumard Catrinck. Seus poemas, apesar de antigos, permanecem com o fodástico lirismo intacto, eterno, e comprovam a talentosa versatilidade da jovem poeta – ora falam de amores jovens e maduros, ora brincam como crianças, ora comunicam-se com outras expressões artísticas (como a pintura abstrata), ora sonham, ora acordam para a realidade, ora trazem releituras de personagens clássicos da literatura (como Romeu e Julieta) e sempre flertam com o infinito, com os melhores dos mundos possíveis, sem limites, numa escrita lírica, magnificamente bem elaborada, entusiasmada e fascinante.
Sopremos a poeira do tempo entranhada no caderno de poemas da hiper-talentosa Gisele Dumard Catrinck e, através de nossa leitura, levemos esses fodásticos textos poéticos para a eternidade, amigos leitores!

Desenho abstrato

Para fazer um desenho abstrato
Não precisa ter nenhum cuidado
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
E nenhum desenho
Irá se formar
Rosa, azul, amarelo
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
E nenhum desenho
Quis se formar
E eu continuo a rabiscar
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
Olhei o desenho
Tentei me informar
Nenhuma informação
Consegui encontrar!

O mundo chora

A Terra chora
pedindo seu cuidado
pois o mundo
está ficando acabado.

Também chora
o céu de anil
junto com as crianças
Do nosso Brasil.

A natureza chora
não está contente
pois viu morrer
animais inocentes.

O homem não chora
com a arma na mão
mata pessoas
sem qualquer explicação.

A Terra diz:
“Quero saber
Quando isso vai acabar?
Será que a paz
um dia vai reinar?”

Declaração para Romeu

Desde quando te vi,
Marquei tua face em meu pensamento,
Gravei teu nome em meu coração,
Mesmo sendo um grande inimigo.
Este amor inexplicável
Venceu o ódio que carregava em meu peito,
Meu coração se encheu de esperança
Só de pensar que um dia
Ficaria ao teu lado.
Nós somos como
O céu e o mar,
O luar e a noite,
O branco e o preto,
Quero estar contigo
Em um momento chamado sempre.
Se for pra morrer,
Quero morrer contigo.
Mas mesmo assim não seria morte
Pois estaria ao teu lado
E o meu coração estaria vivo
Pois estaria batendo de amor.

Será?

Nas noites de luar
Eu começo a pensar:
Como será
Quando as estrelas
Pararem de brilhar?

Será que o sol
Vai explodir
E o universo sumir?

Será que
As calotas de gelo
Vão derreter
E muitos seres irão morrer?

Não importa como será
Na vida
As estrelas
Não param de brilhar

Não importa como será
A vida é infinita


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Solidões Compartilhadas: A mente sonhadora de Danilo Oliveira

Às vezes os dias são cinzas, nublados, às vezes não, mas independente do tempo – seja dia, seja noite, quando tudo parece turvado ou quando (in)surge o inesperado – o sol da poesia sempre aquece nossos corações. Há poucos dias atrás, tive a oportunidade de ver este sol lírico retornar nos versos do jovem e talentoso escritor teresopolitano Danilo Oliveira, ex-poetaluno e agora eterno poetamigo.
Danilo é daqueles que veem a vida como um desafio e, por isso, a encara com todas as suas forças. Sua ressurreição poética veio num poema breve, de quatro versos, mas de imenso lirismo, e, claro, o professor-poeta-pateta-blogueiro que vos fala não poderia deixar de destacar esse retorno de Danilo à poesia, por isso hoje compartilho sua quadra, rica em metáfora ousada e com um lirismo intenso, desafiador e sublimamente incomum.
Além da quadra recentemente escrita por Danilo, trago e relembro um outro texto, uma prosa poética que ele escreveu em parceria com Antonio Medeiros, de 2013, época em que os autores eram meus artistalunos no 9.º Ano A da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva.
Acompanhemos a mente autenticamente sonhadora de Danilo Oliveira, amigos leitores, e aprendamos com o seu eu lírico a nunca desistirmos de nossos planos.

A mente sonhadora
É a mente de um vilão:
Mesmo sendo escravo da maldade,
Nunca desiste dos seus planos.
(Danilo Oliveira)



Tudo o que vejo e tudo que quero

Ali na beirada daquele precipício observo de tudo
E tudo passa pela cabeça.
Imagino tudo como seria e como foi
As montanhas calmas e a BR irritada...

Vejo pessoas pra lá e pra cá
Algumas com destino e outras não.

A brisa fria e o sol quente resultam em uma combinação única;
Tudo seria maravilhoso se estivéssemos com a pessoa amada.

O verde atrai meus olhos, mas o rosto dela é mais bonito.

Quem nunca se pegou imaginando a pessoa amada com você ali só observando a paisagem ou olhando um para o outro?

É assim que eu vejo o meu tudo
Não preciso ter tudo, basta ter o que gosto
E o que gosto é da companhia dela e de tranquilidade...

(Danilo Oliveira e Antonio Medeiros – Poema de destaque na Descrição Poética da Natureza)


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Árvores vitoriosas ganham raízes na eternidade: Relembrando os poemas vencedores de Vanessa Cristina e de Mirtes Fernandes

É, camaradas leitores, o tempo passa aceleradamente e a cada dia a correria pela sobrevivência parece crescer, tomando quase todo intervalo de minha vida (fim de bimestre então o tempo passa como um sopro), o que tem feito eu me distanciar cada vez mais do blog (já pensei até em alterar seu nome para ‘Raros Intervalos de Solidões Coletivas’). Mas hoje, Dia da Árvore, fui tomado por uma belíssima lembrança: quando eu lecionava para os alunos do nono ano da E.M. Nadir Veiga, em Teresópolis/RJ, em 2010 (o último ano antes das trágicas chuvas que arrasaram a escola) , inscrevi um poema de minha autoria (“Ensaio sobre a cegueira das árvores”, já publicado aqui nas primeiras postagens do blog) e outros dos artistalunos daqueles memoráveis nonos anos no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ, cujo tema era “Árvore”.
E o resultado não poderia ter sido mais fodástico: conquistei o primeiro lugar na Categoria Adulto e as poetalunas Vanessa Cristina Silva dos Santos e Mirtes Fernandes Andrade conquistaram, respectivamente, o terceiro e o primeiríssimo lugar na Categoria 13 a 15 anos (por sinal, até hoje considero o poema de Mirtes muito mais fodástico que o meu – dá aquela inveja boa do tipo “queria ter escrito esse poema”).
Cinco anos depois, trago de volta do túnel os dois fodásticos poemas das duas fodásticas ex-poetalunas – elas já vivem as atribulações da fase adulta, mas seus poemas vivem a eterna primavera juvenil da eternidade. Também trago a animação inspirada no poema vencedor de Mirtes Fernandes, produzida pelo professor-artistamigo Max Vitor Sarzedas.
Que árvores contemplem a possibilidade da vida eterna assim como os fodásticos poemas de Vanessa Cristina Silva dos Santos e de Mirtes Fernandes Andrade!

Liberdade

Já lutei comigo mesma
pra dizer que isso é normal,
mas não consigo me acostumar
com tudo que fazem contra mim,
não consigo me acostumar
com os meus galhos cortados
e com a lenha
que retiram de mim
só pra produzirem
uma coisa chamada dinheiro.
Nunca pedi nada demais para eles,
só pedi minha liberdade,
liberdade para crescer,
liberdade para sentir
o sol, a chuva e o vento,
liberdade para sentir
o que as que antes de mim sentiram,
liberdade para viver,
liberdade para ser
o que sou desde que nasci,
liberdade para ser uma
                                     Árvore.

Vanessa Cristina Silva dos Santos, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 - 3.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

O nascer de uma árvore

Do broto
Vi nascer
E a árvore
Aparecer.

De sua raiz
Vi surgir
E o tronco
A lhe engolir.

Do tronco
Vi as folhas aparecendo
E seus frutos
Pássaros comendo.

Do fruto,
Uma bela fruta
Que cai despedaçando-se
No chão.

De seu caroço
Um novo broto
Para novamente
Surgir do chão
Aquela, a Árvore Inspiração.


Mirtes Fernandes Andrade, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 -  1.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...