terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aos porcos de George Orwell, infeliz Dia da Democracia

Hoje 'comemoramos' o "Dia da Democracia". Tal data comemorativa não costuma ser lembrada em nosso país. Talvez pelo fato de tal palavra viver desaparecida no universo político que nos cerca, nos amedronta, nos corrompe, nos vulgariza e nos castiga (é incrível como político, em nosso país, faz de tudo conosco, menos exercer o seu papel: representar os seus eleitores e promover o bem estar da nação). Em homenagem aos governadores do Rio de Janeiro e do Ceará - há outros, mais tímidos, mas tão babacas quanto os dois citados -, que acham que professores devem pastar seus salários; em homenagem à deputada Jaqueline Roriz - há outros, mais safados e 'inocentados', mas tão suspeitos quanto ela -, inocentada das acusações de corrupção; em homenagem à hegemonia de Sarney em nossa famigerada estrutura política; em lembrança ao senador alagoano muito bem votado na última eleição Fernando Collor, conhecido como o único ex-presidente brasileiro afastado por suspeitas de atos ilícitos (oh! que surpresa! também foi inocentado!); em recordação aos prefeitos afastados de Magé e Teresópolis - há mais outros sob processo, tão ruins quanto os citados; a favor do voto nulo, comemoro o Dia da Democracia com a lembrança de sua ausência, o escândalo calado de sua inexistência. Pra esse "Dia da Inominável devido às gestões políticas atuais e antigas", um pouco do meu segundo livro: "Promessas desfeitas IV (De Político)". Posto minhas críticas enquanto ainda posso, pois sei que já há (e sempre houveram) projetos pra censurarem, controlarem, manipularem ou simplesmente ignorarem tais ousadias (a maioria da classe política confunde eleitor com as ovelhas de George Orwell - alguns até acreditam piamente nesse conceito, assim como têm consciência de que, como governantes, eles exercem os papéis dos porcos de George Orwell). Pra ser lido ouvindo o Cd/LP "Animals" do Pink Floyd, álbum já homenageado pela excelente banda de rock valenciana Black Bullets, do vocalista João Júnior (que, em breve, compartilhará poeticamente suas solidões neste blog):

Promessas desfeitas IV
(De política)

Vinha sempre aqui
Todo humilde
Em busca de atenção
Pedia licença
Entrava em minha casa
E repetia sempre, o seu nome:
CANDIDATO POLÍTICO
Me achava importante
Me nomeava seu ELEITOR
Dizia como o VOTO mudava
A consciência da História
Me falou sobre revolução
Mas me desfiz de suas palavras:
Em troca de um saco de cimento
E umas moedas de centavos
O meu VOTO ele comprou.

Depois do tal EMPOSSAMENTO
Nunca mais ele voltou
Ficou todo importante
Virou o centro das atenções
Mudou até de nome:
POLÍTICO ELEITO
Quando o vi assim
Pensei até ter visto um camaleão
E foi então que aprendi
Que saco de cimento não faz casa
E que moeda de centavo não faz milhão.

Mas, após três anos e meio do acontecido,
Não foi que o desgraçado voltou?...
Com um sorriso amarelo de "humildade"
Invadiu minha casa
E, como se me enganassse, trocou de nome:
CANDIDATO A REELEIÇÃO
Foi então que me irritei
Lhe disse que suas PALAVRAS não desfazem
Seus anos de MÁ ADMINISTRAÇÃO
E que suas PROMESSAS DESFEITAS não lhe dão
O direito de acusar a OPOSIÇÃO
Pois agora eu aprendi
Que ELEITOR que vende VOTO
Dá direito de LADRÃO comprar o nome
De CANDIDATO A REELEIÇÃO.

Um comentário:

  1. Para as pessoas se tornarem verdadeiros cidadãos e exercerem de fato a DEMOCRACIA, precisam sair da alienação, precisam de uma boa educação. Não sei de que outra forma isso poderia ocorrer... É angustiante ver tanta coisa errada e parece, às vezes, que só vc vê, as pessoas estão inertes.

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