quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Poema odontológico: A poesia e o dente


Hoje fui vencido por uma terrível dor de dente, que me impediu de trabalhar de manhã (pela primeira vez, faltei no turno da escola aonde dou aula) e quase me retirou das postagens do dia presente (se estou aqui, agradeçam ao meu dentista Dr. Rafael). O incrível nisso tudo é que sempre me julguei quase um super-homem, evitei muitas licenças médicas, já trabalhei extremamente gripado, quase rouco, depressivo, mas, quando a dor atinge meus dentes, sou o mais mísero dos mortais (se eu fosse Lex Luthor, atiraria kriptonita nos dentes do Super-man; o mal venceria impune com esse golpe, tenho certeza). Em homenagem a essa dor que mastiga meus dentes, posto o poema “A poesia e o dente”, publicada em meu quinto livro “Eu e outras províncias” (2008) e escrita há tempos atrás para minha namorada Juliana, que já fora fragilizada pela mesma dor que senti; uma forma poética de refletir sobre o fazer poético e as dores que nos afligem:

A poesia e o dente

Na poesia não cabe a dor de dente,
O morder a carne com agonia,
A agulha invisível na gengiva.

Na poesia como na vida a dor de dente é uma dor escondida,
Vive apenas nas entrelinhas,
Nas portas fechadas do consultório do dentista
Que conhece a dor do homem
Mas não a compreende.

O poeta como o dentista apenas anestesia o intraduzível.

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