quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Velhos poemas juvenis: O rouxinol, a rosa, os espinhos e o Wilde em mim


Hoje, dia 30 de novembro de 2011, marca o 111.º Aniversário de Morte do genial escritor irlandês Oscar Wilde, autor constante nas minhas memórias de leitura e grande inspirador de minhas primeiras incursões poéticas. Minha história poética com Wilde iniciou-se em 1988, quando minha tia Maria, sabendo de meus vícios por leituras literárias, passou a me ceder os livros de uma coleção chamada "Biblioteca de Ouro da Literatura Universal". As obras, de autores clássicos da Literatura Mundial, vinham a preço promocional junto da  revista de fofocas "Minha", que minha tia fanaticamente colecionava. Ela colecionava boatos de artistas e eu ganhava de brinde as obras primas dos maiores escritores mundiais (Sófocles, Shakespeare, Dumas, Kafka, Machado de Assis e muitos outros). Como eu tinha 9 anos, lia com sutil desprezo ignorante as adultas obras que minha tia Maria me cedia com tanto carinho (às vezes só fingia que lia pra não deixá-la chateada; vindo realmente a reler as obras muito tempo depois, então dando a elas – e ao nobre ato de minha tia - seu real valor). Quase todas essas obras caíram no tédio parvo da infância ingênua e escoaram vazias na memória de minhas primeiras leituras infantis pra só se tornarem frutos de fascinação muito tempo depois. Como eu disse, quase todas...
O livro n.º 17 da coleção, intitulado “Contos”, de Oscar Wilde, reservou surpresas aos meus olhos de criança: lamentei e, ao mesmo tempo, me emocionei com os atos nobres do “Príncipe feliz”, chorei com o “Gigante Egoísta” e algum lirismo nasceu em mim depois que li, pela primeira vez, a obra-prima “O rouxinol e a rosa”. Sofri cada segundo da dor do rouxinol que cantava desesperadamente e fincava em seu peito os espinhos da rosa congelada para que esta ficasse vermelha e, assim, o Estudante conseguisse a rosa vermelha sonhada para a conquista da mulher amada. Fiquei ferido de mortal beleza diante do sacrifício do pássaro para a realização (vã, pois o Estudante, ignorante de tal amor sublime e nervoso com a recusa da pessoa amada, joga fora a rara rosa vermelha que custara a vida do rouxinol) do amor mortal. 
Foi ali que percebi o difícil ofício do artista, sublimando a (e até morrendo pela) dor da criação, eu tinha 10 anos (a coleção já estava no seu segundo ano) e muita poesia em minhas mãos, dentro daquele conto de Wilde. Desesperado, sem saber o que fazer com tamanha arte, o coração explodindo em espinhos poéticos, chorei sozinho, sem saber nem querer saber o porquê. E, a partir desse livro de Wilde, a literatura passou a me fazer mais sentido e comecei a entender que a leitura das obras me exigia muito mais que pequenas olhadelas distraídas para as palavras que tais livros continham. Wilde e seu rouxinol cego pelo amor contaminaram meu corpo de poesia e os versos foram gestando dentro de mim. O parto de tal gravidez demoraria quase 5 anos pra realmente se realizar (a gestação lírica é muito mais lenta – e, ao mesmo tempo, mais marcante e infinita – que a mortal).
Atualmente tenho 17 anos de escrita poética e aqueles espinhos no rouxinol ainda ferem minha poesia. Por isso, comemoro hoje o 111.º Aniversário de Morte de Oscar Wilde, porque este escritor ainda vive em mim. E é a esse Wilde eterno em mim que dedico esse meu velho poema juvenil, publicado em meu segundo livro “Promessas Desfeitas” (1997), em poética-ingênua-releitura-homenagem à primeira obra que realmente cativou lirismo em meus olhos perdidos de criança. Para ser lido ao som de “O rouxinol e a rosa”, do CD “Os grãos”, dos Paralamas do Sucesso – canção também inspirada no clássico conto oscarwildeano:

Uma rosa, um pássaro e um sorriso

No jardim nasceu uma rosa
Cuja beleza quase suprema
Apaixonou um pássaro
Cujo caminho seguia errante.
E a paixão imediata da pobre ave
Derrubou sua razão (que já era pouca)
Fazendo o tolo atirar-se, numa investida débil,
Sobre os espinhos ocultos da beleza
Daquela flor.

No coração, os espinhos se fincaram
E o pássaro só teve tempo do último canto
Feito de pranto, prazer e encanto
Misturado a um ar fúnebre e sublime
E apesar de seu triste destino
A ave sorria.
Talvez fosse um sorriso de amor...
Talvez fosse um sorriso sem razão...    

Solidões compartilhadas: "O cheiro" que permanece em Vívia Teixeira


Hoje tenho o privilégio de compartilhar minhas solidões coletivas com a talentosa e ainda inédita (!) escritora Vívia Teixeira, professora que conheci no dia a dia letivo na E. M. Alcino Francisco da Silva, onde lecionamos (lembrando postagens anteriores: foi ela que revelou para o mundo mais um talentoso poeta infantil – quem não lembra ou não leu esta história segue o link: http://diariosdesolidao.blogspot.com/2011/10/presencas-que-brilham-mesmo-no-escuro.html). Outro dia, conversávamos sobre poemas; sabendo que ela era uma descobridora de talentos, imaginei que também fosse poeta, então convidei-a a produzir um poema pra esta seção do blog. Ela deu-me um sorriso-incógnita quando lhe fiz a proposta e fiquei sem saber se ela toparia ou não dividir os seus escritos íntimos com os leitores.
Surpresa minha foi abrir minha caixa de mensagens do facebook no dia seguinte e deparar-me com um maravilhoso poema escrito por ela. E não era só um maravilhoso poema: era sim um maravilhoso poema com uma história tão rica e lírica quanto o próprio escrito.
Revirando papéis do passado, entre livros e mais livros de professora de Língua Portuguesa, começando a se preparar para a mudança (a escritora se casará em breve), ao dar uma faxina geral nos livros da época do magistério, Vívia encontrou uma poesia dela feita na noite seguinte à morte de seu pai. Encontrara o poema dentro de um dos livros remexidos, bem na página do “Soneto do Amor Total”, de Vínicius de Morais (detalhe: trechos desse soneto estarão escritos no convite de casamento da escritora). Vívia chegou à conclusão que esse fato não acontecera por acaso, acreditou que foi obra de seu pai, querendo mostrar que está por perto, que está feliz por ela e essa crença extremamente poética aumentou dentro dela, a ponto de mandar-me o poema para aprovação.
O pai de Vívia
O poema, dedicado ao pai, que fora “fumante durante 37 anos , alcoólatra durante 20 e o dono do maior coração” que ela já conhecera, foi escrito por Vivia, aos 20 anos (hoje a poeta está com 30 e, mesmo após tanto tempo, é como se visse seu pai inspirador “exatamente daquela forma”, confessa a escritora) com o coração cheio de dor. Seu poema é um misto de elegia (poema melancólico, quase sempre dedicado a pessoas falecidas), ode (poema quase sempre eufórico que exalta os feitos de uma determinada pessoa, colocada com status de herói no conteúdo da obra lírica) e obra ‘meio-neo-concreta-neo-modernista-com-um-estilo-próprio-que-cativa’. Meus olhos ficaram fascinados com a obra poética enviada por Vivia e, a todo tempo, me vem à imaginação a figura fantástica desse homem, desse pai, descrito pela poeta. Destaco a forma sutil como ela descreve o cheiro – típico em fumantes – na primeira estrofe, os jogos e loops sintáticos nas memórias afetivas que o eu lírico traz do pai nas estrofes seguintes, a penúltima estrofe concreta feita só com substantivos pra desencadear o verso final - uma súplica desesperadamente explosiva e impossível de ser atendida diante da partida do pai.
Diante de tudo isso, busquei ser o mais cuidadoso possível com a postagem dessa solidão poética compartilhada por Vívia, pois é uma obra de raro requinte, mista de dor, euforia, amor e desespero, cuja história de composição traz tanto lirismo quanto o seu conteúdo. Espero que a poeta Vivia Teixeira aprove a forma como fiz a postagem desse poema tão significativo pra ela e agradeço a confiança dela nesse blogueiro-poeta que vos fala. Dedico essas solidões compartilhadas a todos os leitores admiradores de artes raras e conhecedores daquelas dores que permanecem sorrindo em nosso peito durante muito tempo.

"O cheiro ainda está
Antes desejava diferente
Agora o desejo é ser do jeito que era
Jeitos.... todo um jeito pouco meu
Jeitos.... todos seus

Medo... muito medo naquele olho

Sim sim o amor que só o silêncio por muitas vezes mostrava estava lá .

Estava lá quando a bicicleta caiu, o dedo sangrou e o curativo curou...
Quando na prova não passou, o boletim assinou e a bronca levou ....
Quando o cigarro entregou, naquele olhar implorou, o coração apertou.... e como apertou...

Quando... quando... isso passa???
Melhor que não passe....
Fica!!! Não sai de perto de mim saudade!!!
Você sempre vai trazer ele de volta pra mim.

Olhar
cheiro
silêncio
medo

Eu quero te ajudar!!!”

(Vivia Teixeira)  

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu sem George (No bar parte 4)

29 de novembro de 2011... 10 anos sem George Harrison... Encerro a saga lírica georgeharrisoniana de meus eus líricos com promessas de continuidade, súplicas pela eternidade do músico que fazia a guitarra chorar suavemente... O que vier agora de mim e meus George Harrisons serão bônus tracks de um álbum que preza pelo não-fim. Dedico toda a saga e esse final aos sobreviventes das chuvas tristes de janeiro na região serrana, ao mestre Alexandre Fonseca (padrinho eterno desses meus delírios poéticos) e seu pupilo Ivan, que produziram uma excelente ode/elegia ao grande George Harrison (se você. leitor, quiser saber por que algumas coisas não devem passar, aí vai o link: http://algumcantoemseusorriso.blogspot.com/2011/11/silencio-na-guitarra-dos-beatles.html) e a todos que ainda sabem fazer uma guitarra suavemente chorar com demasiada alegria. George Harrison acertou nas melodias e John Lennon errou nas frases feitas: O sonho não acabou, amigos leitores, apenas mudou de tom e arranjos e permanece eterno nos rocks de nossos pensamentos, contra os ventos intolerantes da realidade frustrante, a favor do sol que, mesmo negado pelas nuvens do tenebroso hoje, ainda vem, está lá, "here comes the sun/and I say/ it's all right" :


No bar (parte 4)


- Sinto muito, colega! Seu amigo partiu...
Após falar isso, Gavin de Becker, o dono do bar, me dá um sorriso triste. Olho pra ele ainda meio atônito: Como assim ele partiu? Mas ele nem disse adeus... Estaria correndo dos cobradores de impostos? Precisou sair pra comprar um par de sapatos marrons novos? Foi procurar um novo amor? Resolveu desesperadamente dar uma volta no quarteirão pra descobrir o que é a vida? O sorriso triste de Gavin de Becker me diz que a saída do homem que fazia a guitarra suavemente chorar foi muito mais definitiva. Gavin de Becker já sabia que ele partiria, eu percebo em seus olhos, mas, como vendedor de ilusões embriagantes, esse dono do bar não quis me contar as verdades que doem e corroem como câncer em nossos frágeis organismos. Já passa das 15h30, nem me lembro quanto tempo já passei por aqui, eu estava bem e agora a tarde parece-me trágica a desfalecer nos meus ombros caídos, como uma chuva violenta que arrasa casas felizes em janeiros malditos. Mas, já estamos em novembro, e a chuva, apesar de ainda cair modorrenta do lado de fora de meu abrigo boêmio, é apenas mais uma chuva infeliz e inofensiva, garoa de lamentos sobre os meus ombros sobreviventes. Gavin de Becker me dá um tapinha amigo nas costas, deixa um papel sobre minha mesa e se afasta – certas dores devem ser vivenciadas apenas consigo mesmo; ele é o dono do bar, sabe muito bem disso.
A tevê, no canto esquerdo do bar, sussurra epitáfios da vida real (sem as melodias solares de meu companheiro definitivamente ausente, só agora reparo o aparelho ligado). No noticiário, ex-refugiados de Bangladesh entoam cânticos Hare Krishna pelos amigos perdidos nas guerras sem sonhos do dia a dia. Mesmo descrente dos seus hallelujahs, a cantoria me conforta e parece falar comigo. Um fantasma de meu amigo parece cantar em meus ouvidos quando fecho meus olhos agora sozinhos: “Não adies teus rumos, eu estou em paz”. Acordo de minha letargia e finalmente abro o papel deixado por Gavin de Becker; pensei que fosse a conta, mas não é: parece que meu amigo agora distante deixara todas as dívidas pagas antes de partir. O papel que eu pensara ser de débito é apenas um crédito deixado pelo estranho desconhecido que partiu sem dizer adeus: “Nenhuma das cordas da vida dura, amigo...Por isso vou andando, tudo passa!!!”. Ah, uma corda de alegria arrebenta em minha face e uma lágrima de constatação agora fere o meu rosto. Gavin de Becker sabia, meu amigo sabia, todos sabiam o fim dessa história... Por que me esconderam? Será que pensavam que eu sabia? Será que eu sabia? Então por que eu me escondia? E, afinal de contas, por que eu continuo aqui?
 Ameaço me levantar, sair daqui e nunca mais voltar. Antes olho novamente o universo a minha volta e uma imagem omitida pelo esquecimento reencontra a minha visão: a guitarra calada sobre a mesa agora me pede que não a deixe sozinha. Ah, amiga, eu não sei tocá-la, posso machucá-la... Lembro-me de um verso da última canção tocada pelo meu amigo ausente: “Você pode levar um cavalo à água, mas você não pode fazê-lo beber” Ah, amiga, posso machucá-la, mas não posso perdê-la... Meus dedos ensaiam uma melodia em suas cordas e a guitarra parece aceitar a rusticidade de minhas mãos inexperientes. Não custa tentar...
       Não a toco tão bem quanto meu amigo que partiu, mas é preciso continuar o concerto da vida. Próximo de mim, Gavin de Becker abre a janela: a chuva acabou e um raio de sol de esperança percorre todo o bar.   

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

George Harrison e eu: Pior que as trevas...


Às vésperas do aniversário de 10 anos sem George Harrison, trago uma (sub)versão poética de "Beware of darkness", outro hit do excelente álbum "All Things Must Pass". Esvaziada de seu original conteúdo crítico-social, na minha, ela ganhou um tom melancólico de despedida (que sua melodia tanto pede). Tive a liberdade poética de transformar o trecho “It can hit you/ It can hurt you / Make you sore and what is more / That is not what you are here for” em interrogações, mas o tom de sua voz na música me permitiu essa ousadia. Confesso que a carreira solo dele me gera mais dificuldade: há alguma falta de sol beatleniano no início da carreira solo de George, sei lá, uma busca por si mesmo que altera o tom de sua guitarra e de seus arranjos, que indiretamente, muitas vezes, coincidem com uma fase difícil de minha escrita devido a alguns eventos passados e atuais em minha vida. Espero que George me perdoe essas ousadias poéticas que escrevo.

Pior que as trevas

O tchau de agora requer
Uma outra forma de suingue,
Um rock em acorde nu,
Despido de qualquer sorriso,
Como eu nunca fiz,
Pior que as trevas.

O tchau de agora requer
Uma outra forma de ser livre,
Negando os desastres de ter
Roupas leves de teu amor nu
Estendidas por toda parte,
Melhores que essas trevas...
Por que espetam?
Por que me envolvo?
Por que tanta dor se sou um só?
Por que o amor não está mais vivo?

O tchau de agora requer
Uma fórmula nova de enxofre,
Fragrante pra todos pobres diabos;
Eu sinto, consumo e sofro
Um novo inferno invisível,
Pior que o nada.

O tchau de agora sequer
Deixa-me frio nas tardes livres
Pra não querer tocar teu corpo de novo,
Enquanto tu vives e decides
Vens e me dizes não, não, oh, oh, não...
Pior que as trevas (sempre maior que as trevas).

sábado, 26 de novembro de 2011

George Harrison e eu: Isso não é triste?

Continuando a saga de poemas georgeharrisonianos. Agora a vítima de minhas incursões poéticas é mais um hit do álbum "All Things Must Pass": a canção "Isn't it a pity (version 1)", cuja (sub)versão se encaixa bem com a temperatura melancólica e úmida dos tempos chuvosos que tocam nossas terras:



Isso não é triste?

Isso não é triste?
Onde está a velha chama?
Nós a queimamos em várias partes
E não a mantemos bem.
Nós não tocamos o velho amor...
Ele não mais nos move;
Foge e ninguém o segue...
Ele ainda existe?

Algumas manhãs são longas,
As madrugadas também...
Sem sono, somos mortos vivos
Com a insônia de alguma chama
Que não queima há vários dias...
Os ais interrompem o teu sim,
Teu não, nossa cova rasa...
Este fim não é triste?

Isso não é triste?
Onde está a velha chama?
Nós a queimamos em fugacidades
E não a mantemos em ninguém.
Nós só tocamos o que nos foge;
Não somos mais seus seguidores,
Não te moves e o bem parte...
O velho amor existe?

Foge e ninguém o segue...
Isso não é triste?
Não te moves e o bem parte...
Esse hoje não é triste?

O nada existe
O nada em ti, em ti triste, triste...
O nada triste
Existe em ti, em mim triste, muito triste!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

George Harrison e eu: A (sub)[in]versão em "This guitar"

Hoje posto mais um poema georgeharrisoniano (pretendo seguir esse ritual, com pequenas variações, até o dia em que se faz 10 anos de sua morte - dia 29/11/2011) com uma (sub)versão de "This guitar (can't keep  from crying)", do álbum solo de George Harrison "Extra texture", de 1975. Se em "All Things Must Pass", esvaziei o caráter otimista original, em "This guitar..." faço uma inversão oposta - a letra original fala sobre uma 'guitarra que não pode parar de chorar" e a letra se dirige àqueles contra aqueles que podem dirigir ofensas ao dono do instrumento, na minha (sub)versão o eu lírico deseja exatamente o contrário: ele necessita que a guitarra pare de chorar e dirige sua súplica à pessoa amada que está distanciada dele. Lembra um pouco a canção "Um cara de sorte" (se bem que produzi esse poema, bem antes de ouvir o novo hit dos Detonautas, porém, agora que ouço constantemente a balada da banda liderada por Tico Santa Cruz, vejo intersecções entre minha subversão georgeharrisoniana e a música 'detonautica'. Dedicado a todos que buscam reencontrar seu caminho no amor: 



A minha guitarra precisa parar de chorar

Vamos, me salve, me olhe;
Pareço triste, mas estou bem,
E a minha guitarra precisa parar de chorar.

E eu quero aquele sol
Que se vai naquela tarde, meu amor:
A minha guitarra precisa parar de chorar.

A minha guitarra está cansada de ser sádica
Contra os homens do dinheiro e do poder.
Não parei de lutar contra eles, meu bem,
Mas nem por isso perderei seu amor.

As mentiras deles eu sei de cor;
Investem num mundo cada vez pior,
Mas minha guitarra precisa parar de chorar.

(Me toque pra que ela pare de chorar...
Porque a minha guitarra precisa parar de chorar!...)

A minha guitarra perde sua nota sádica
Quando reconhece o som de sua voz, o seu poder,
E você vem e entre nós está tudo bem,
E plácido, próspero, solo seu amor.

A desordem no ataque, você me defende;
O amor existe, quero que você me lembre,
Porque minha guitarra sempre precisa parar de chorar,
A minha guitarra ainda precisa parar de chorar.

A minha guitarra precisa parar de chorar!
(Retorne pra que ela pare...)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

George Harrison e eu: Nem tudo passa em "All Things Must Pass"

Inicio minhas (sub)versões poéticas às composições de George Harrison em sua carreira solo com a releitura da belíssima "All Things Must Pass", canção-título do primeiro álbum solo do ex-beatle, considerado por muitos como o melhor disco de um ex-beatle e um dos melhores discos da história do rock. Fiz essa versão em janeiro deste ano, momento bastante dramático em minhas memórias (as chuvas que arrasaram a região serrana e viraram de cabeça pra baixo minha vida profissional e o triste falecimento do avô de Juliana, após uma verdadeira via crúcis de internações), por isso ela saiu bem menos otimista que a mensagem da canção original. Em homenagem aos grandes artistas, como George Harrison, Freddie Mercury (hoje faz 20 anos de falecimento deste fabuloso cantor...), Renato Russo, Drummond e todos os amores de nossas vidas que, às vezes, partem cedo demais...



Eles dizem que tudo passa


São negras as vestes deste homem;

Falta luz nas vestes que lhe dei.
Parece que meu amor fugiu
E se foi junto deste homem;
Parece que fugiu o amor que lhe reservei.

Eles dizem que tudo passa,
Eles dizem que eu passarei também...

O sol cede um tom agreste ao carpir,
Aumenta o calor deste quarto de dormir.
Acho esse dia de hoje tão ruim;
Já posso até sentir
Um amanhã triste, quente e sem você.

Eles fingem que tudo passa,
Eles fingem que tudo passa, eu sei...

Eles dizem que tudo passa,
Dão-me drinques, pileques;
Peço mais, ainda vou entender
Por que o outro dia não vem.

O sol depressa estaciona enigmático
Neste homem que me fez tão bem.
A luz de hoje é rude,
Parece vingar-se de meus pálidos parentes;
Esta não foi a primeira vez.

Eles dizem que tudo passa,
Eles fingem que tudo passa, eu sei...
Eles vivem e você passa,
Eles dizem que eu passarei sem você...


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

George e eu: No bar (parte 3)

Yeah! O blog está em festa: 4 meses e mais de 10.000 visualizações! Mas a euforia desse meu espaço virtual não se deve somente a isso; outras boas novas surgem dos ventos de Valença/RJ: o Tributo a George Harrison aos poucos sai do sonho virtual e, aos poucos, vai tomando corpo real, concreto. Ainda sem local e data definidos, mas com muita vontade e talento, músicos e artistas valencianos estão se organizando pra realizar o tributo ao ex-beatle e rei da guitarra que suavemente chora. Em comemoração a tudo isso, segue mais um capítulo da saga georgeharrisoniana: a terceira parte dos meus bate-papos com George Harrison (as anteriores vocês podem encontrar nos marcadores "George Harrison e eu - Georgeharrisonianas"), só meu eu lírico e ele, seguindo nossos rumos sem os Beatles:



No bar (parte 3)

            O cara à minha frente fala muito pouco. Absorto, acaricia a sua guitarra sem olhar pra mim. Nenhuma canção, apenas um suave deslizar de dedos nas cordas:
            - Sou um besouro econômico, sabe? Pelo menos, eu era... – as palavras saem de seus lábios sem alegria, nem tristeza, simples constatação. Há algo que move seus olhos para a guitarra em seu colo.
            - Aqui vem o sol... – não sei por que lhe digo isso; falta de assunto talvez, ou constatação do fim das chuvas que perduraram nos últimos dias, ou simplesmente porque amanheceu, o sol está bonito, estamos juntos e há pouco pra se dizer.
            Após meu delírio, ele finalmente olha pra mim. Parece procurar algum acorde em meus olhos que seus dedos não encontram nas cordas de sua guitarra.
            - É outro sol que vem, amigo, não é mais aquele. – confessa-me decidido. Nunca o vi tão sozinho, tão alheio e tão vivo quanto nessa hora. – Olhe o céu. Pra você, azul; pra mim, é uma guitarra que suavemente ainda chora. Estou envelhecendo e entediado. – Novamente não há tristeza nem alegria, apenas outra constatação. Seus dedos movimentam-se mais harmoniosos nas cordas da guitarra, parece tentarem compor novas canções.
            Hipnotizado pelo balanço cada vez mais vertiginoso das cordas provocadas pelos seus dedos, sua guitarra me intimida novas falas. Então nada digo; agora sou todo olhos, sou apenas ouvidos.
            - "Tocarei o que queiras que toque ou não tocarei nada se não quiseres que toque nada".  Não direi mais isso, amigo, está na hora de seguir sozinho. Não sou um daqueles homens dos impostos, não sou um impostor, um funcionário obediente às regras das velhas empresas, não sou o que eles querem que eu seja – outra confissão. Não sei distinguir tristeza ou alegria em sua voz nessa hora, seus dedos parecem ensaiar uma nova composição e talvez o som que sua guitarra sussurra me confunda.
Não, não é outra confissão. Mais uma vez, ele está constatando alguma coisa que não entendo. Não o conheço bem, apenas sentei-me a sua mesa, ele me chama de amigo, mas ainda não o conheço direito, já se passaram vários dias e continuamos aqui juntos bebendo. Havia outros na mesa; agora, só ele e eu.
- Preciso ficar sozinho alguns minutos, amigo. Pede outra bebida enquanto isso. – ele se levanta e abandona a guitarra sobre a mesa. Esta última ação me garante que ele volta.
- Tudo deve passar... – declara virando-se de costas. Puxa o maço de cigarros em seu bolso, parece que vai sair pra fumar do lado de fora. Um cara decidido, ícone da rebeldia, mas obediente à lei anti-fumo.
- Até mais... – sussurro para suas costas, sem alegria, nem tristeza, agora sigo o novo ritmo das constatações de meu amigo estranho. A guitarra calada sobre a mesa parece esperar o retorno de seu dono, talvez um solo...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

George Harrison e eu: Seus pe(r)didos pra "I need you"

Dia do Músico se comemora com (sub)versões poético-musicais. Após uma breve estagnação devido à (ainda não compreendida) saída do Mestre Alexandre Fonseca do facebook e da organização do Projeto "Tributo a George Harrison", os poemas georgeharrisonianos voltam, ainda sonhando que a prometida homenagem ao ex-beatle, cujo aniversário de 10 anos de morte se dará no dia 29 de novembro, aconteça, mesmo que tardia, ainda sempre necessária. Respeito a decisão, sejam quais forem suas razões ou ausências de razões, do Mestre Alexandre de se afastar por tempo indeterminado de tal empreitada (Mestres são Mestres e não há o que se discutir ou polemizar nesse ponto), porém penso que, se, em alguns momentos da vida, "Hitler vence Churchill", então faz-se momento de resistir mais firmemente aos maus tempos e gritar "Help" aos surdos ouvidos até que o mundo escute seus próprios absurdos - é preciso seguir em frente; por mais quixotesca que essa atitude sempre me marque, sou teimoso em minhas sandices: fica o prazer imperecível da eternidade de minhas Dulcineias escritas, mesmo que nem sempre compreendidas.
A (sub)versão poética de hoje é com a canção "I Need You", do álbum "Help" (agosto de 1965). Mantive um certo teor do conteúdo original da composição georgeharrisoniana (um eu lírico que sofre com a rejeição da pessoa amada), mas subverti principalmente as estrofes repetidas, transformando-as em múltiplas, apesar de trazerem a mesma mensagem desconfortante do eu lírico rejeitado (busquei respeitar também a pouca variação de palavras e o uso e abuso lírico da simplicidade, comum nessa fase beatle-georgeharrisoniana). 
Essa postagem marca também a minha última (sub)versão em composições georgeharrisonianas nos Beatles. A partir dos próximos versos-capítulos, George e meus eus líricos seguimos em carreira solo (em breve, uma prosa poética anunciará a ruptura com a banda). Dedicada a todos que acompanham minha saga tragipoética-georgeharrisoniana, à escritora Isadora de Paula e ao músico Felipe Martins (que mais incentivaram a continuação da saga) e ao Mestre Alexandre, que é e permanecerá sendo o padrinho desta tour georgeharrisoniana (esteja onde esteja, sei que, mesmo distanciado, ele continua orando por Shiva para que meus poemas georgeharrisonianos continuem florescendo para além dos morangos mofados de nossos tempos). Espero que gostem: 



Os seus pe(r)didos

Não consigo realizar mais
Os seus pedidos.
Lembro-me como é tarde
Pra esquentar o que é frio.

Fiz uma estrofe de versos sem fim
Pra esse inverno em mim
E eu perdido…

Hoje é tão tarde, inútil e absurdo
Quanto ontem
Esta tarde que tanto me envelhece
Observe-me...

Eu não consigo mais realizar
Os muitos pedidos que você me faz
E você some...

Oh, sim, você some
E não traduzo mais a palavra amor.
Já cumpri o que pude,
Já fiz o que quis e não quis,
Mas não encontrei mais o significado do amor.

E fiz mais uma vez no frio
Um verso cálido
Que morre no seu gelo firme
E muito pálido...

E o calor de um impossível sim
Pra não matar você em mim
Está perdido...

E mais uma vez o amor some
E trago vários nomes pra minha dor.
Nada mais me ilude,
Já fiz o que quis e não quis
Pra essa dor que agora me perdurou.

E fica cada vez mais frio
No meu Ártico
Que morre no calor firme
Da tarde volátil...

E, gelado, vou ficando assim
Cada vez mais matando você em mim
Os seus pedidos
Estão perdidos
E eu perdido...

Uma nova Rapsódia pra eterna Rainha: Meu tributo ao Queen

Hoje, após uma madrugada insone, justifico a ausência de postagens no dia anterior. Ontem, em pesquisa no Google, descobri que o quarto álbum da banda inglesa Queen "A Night at the Opera" comemorava 36 anos de lançamento (21 de novembro de 1975, na Inglaterra). O clássico álbum, que contém canções como "Love of my life" e "Bohemian Rhapsody", está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e é considerado a obra-prima do grupo. E é, sem dúvida, um dos melhores discos de rock de todos os tempos, onde a banda de Freddie Mercury (vocal, piano e vocal de apoio), Brian May (violão, guitarra, koto, ukelele, harpa, vocal e vocal de apoio), Roger Taylor (bateria, gongo, tímpano, pandeiro, vocal, efeitos de guitarra e vocal de apoio) e John Deacon (baixo, contrabaixo e piano) ousou o perfeccionismo em faixas extremamente bem produzidas. Como eu atualmente tenho ouvido constantemente o CD "Queen live - Rock in Rio 1985", ando cada vez mais fascinado pelo requinte melódico da banda (vai demorar uns 800 Rock in Rios pra algum grupo conseguir superar a fantástica performance do Queen na primeira edição do festival), resolvi, como eles, ousar e fazer uma (sub)versão da canção "Bohemian Rhapsody". E aí que surgiu meu drama de criação lírica: como (sub)verter o que já era e sempre será perfeito? Como ousar a tal empreitada? 
Passei a noite, a madrugada e parte da manhã  ouvindo e (re) ouvindo a canção, fazendo (e refazendo) a minha subversão-homenagem-poética-tributo à banda liderada por Freddie Mercury (vale como homenagem a ele também, pois dia 24 de novembro fará 20 anos de sua precoce morte, vítima da Aids, em 1991). Mudei todo o conteúdo da mensagem original da canção "Bohemian Rhapsody" (onde um eu lírico dirige-se à mãe, informando que matou um homem e contando seus sentimentos finais diante da sentença fatal que recebera pelo crime) e a tornei um drama de um eu lírico criador que recebe constantemente a visita de outros eus líricos que o estimulam a viver novas vidas, sofrer dores fingidas que chegam a tornar-se sua própria dor (relembrando a "Autopsicografia", do também clássico poeta Fernando Pessoa). Busquei (ou melhor, tentei) principalmente ritmar os versos no compasso da fascinante canção do Queen, acompanhando as viradas melódicas que a música possui. Em respeito à homossexualidade do cantor e compositor desse clássico hit do rock mundial, fiz um eu lírico de sexualidade ambígua que recebe outros eus líricos masculinos (bem ao gosto de outras composições de Freddie Mercury - vide "I want to break free"). Ufa! E aqui estou eu, decomposto pela tour queeniana que eu mesmo me propus. Espero que o resultado não tenha sido de todo desastroso e que os leitores, ao menos, dediquem uma olhada singela à minha (sub)versão rapsódica e que dediquem os ouvidos à audição do fantástico Queen (mais abaixo da minha versão, postei um vídeo da canção original pra quem quiser curtir):


Rapsódia dos eus líricos bêbados

Destruí minha fria face
Reconstruí-me em fantasia
Aceitei muitos personagens
Que sempre querem sofrer em mim

Me joguei pelos ares
Agora sou seres desiguais fora de si
De pobre a playboy,
De tudo a um nada assim…

E eu vou da música até a dor,
Da raiva até o amor,
De Ninguém a Todo Mundo
De todas essas matas em mim, a dormir

Manhã, escuto outro homem
Pergunto o que ele sente
E, como um tigre, ele me fere
Manhã, e ele mais uma vez me banha
Com sangues de dores que eu não desejei
Manhã, oh
E eu sou esse outro homem a chorar
E ele ganha novamente o meu corpo

Criação, criação
E nada mais o impede...

...De me ser, outro toma minha cama
E me descreve diversos lugares
Bares que nunca frequentei
E, de bares em bares, eu me embriago

Gotas livres que ele me serve 
Num copo sujo
Manhã, oh, e eu não sou nada mais
Que um insone lixeiro do outro que me decompõe

Nesse espelho selvagem um tigre homem
Exclama e ruge, exclama e ruge em meu eu em prantos
Um outro que invade, sempre, sempre me invade
Sou gari de elos, gari de elos

Gari de elos, gari de elos,
Gari de elos, Ícaro em sol magnífico

Porque ninguém sabe como esse lixo me enobrece
Ninguém conhece a dor da dor que nunca tive
Não mais espero que passe a insanidade que resiste


E essa fome, essa dor, ela me embriagou
Poesia! Isso tudo que eu sou e não sou
Me embriagou

Poesia! Tudo isso que sou e não sou me embriagou
Poesia! Tudo isso que sou e não sou me embriagou
Isso que sou e não sou me embriagou, leve
Leve, o que sou e não sou me embriagou

Leve, embriagou, oh,
Noutro, noutro, noutro, noutro
Oh, manhã minha, manha minha, manha minha, me embriagou
Outro eu lírico que sofre em minha vida por si
Por mim
Por fim...

Ele quer que eu fique
Com suas dores, com seu espírito e me atrai
Ele quer que eu fique com suas dores em mim
E me pede mais

E me bebe e me pede que eu beba
Sua overdose
Sua overdose e me droga de vida

E ele é, ele é

Outro dessas matas
Nos versos que escrevi
Outro dessas matas
Outro dessas matas
Nessa selva em mim...


domingo, 20 de novembro de 2011

20 de novembro: Um dia triste pra se comemorar...


Hoje, dia 20 de novembro, me faz lembrar um dia inesquecível, que tinha tudo pra permanecer na memória como um dia feliz, mas, que, devido às tragédias das chuvas na região serrana em janeiro deste ano, tornou-se um resquício do passado com contornos dramáticos, tristes. Dia 20 de novembro de 2010, dia da Consciência Negra, dia de Zumbi dos Palmares, foi também dia de "Cultura de raiz" (projeto da Secretaria Municipal de Cultura de Teresópolis) no bairro Campo Grande, em Teresópolis/RJ. E lá fui eu, a convite de Ronaldo, declamar poemas e tentar popularizar uma arte hoje em dia tão elitista e hermética. O vídeo apresenta um trecho do poema "Maldição parnasiana" (com muitas alterações, adaptando-se ao público, afinal o artista deve estar onde o povo está), do livro "¿NOTE OR NOT SER?"(Outubro de 2001) e, por se tratar de um evento que cultua as nossas raízes, o poema "Eu e outras províncias", de livro homônimo (Julho de 2008), com participação especialíssima de Genaro no zabumba e Vanda no violão. Foi uma aventura interessante!... É... foi... Depois das chuvas de janeiro deste ano, o bairro foi destruído e a maioria do público que prestigiava o evento não está mais presente entre nós na Terra. É estranho rever o vídeo, relembrar a alegria daquele momento, ameaçar um sorriso e, depois, chorar, por todos que passaram, mas que continuam ali, eternos, em estáticos movimentos, no vídeo que fiz pra (ah! era pra...) celebrar aquele dia que, agora, ganha tom de lamento... 


Solidões compartilhadas: O poema consciente de Mayara Silva

Hoje, Dia da Consciência Negra, compartilho pela quarta vez (já está virando sócia do meu blog rs) minhas solidões coletivas com Mayara Silva. Pensando nesta data marcante (lembra-nos o dia da morte de Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra no Brasil escravagista e covarde - foram necessários vários exércitos e vários golpes traiçoeiros pra derrotarem os bravos heróis do Quilombo liderado por Ganga Zumba - outro nome de Zumbi), Mayara nos relembra que o mundo precisa derrubar os muros do apartheid oculto nos olhos daltônicos do preconceituoso que só enxerga preto e branco, como se as cores fossem caminhos naturais pra segregação de uma raça única e plural: a raça humana! Pra ser lido, ouvindo Arnaldo Antunes ("Inclassificáveis": "somos o que somos / inclassificáveis"):



O que importa a cor?

Com tantos problemas no mundo
e pessoas preocupadas com cor,
onde vai parar esse racismo sem fundo
que provoca tanta dor?

O que importa a cor?
Se o que vale tá no coração...
Racismo é um horror!
Pra que isso, meu irmão?

Todos somos iguais
diante do nosso Criador
e não são seus conceitos visuais
que vão causar tristeza e dor!

sábado, 19 de novembro de 2011

Macho como uma flor: Ser e não ser homem o bastante


Em homenagem ao pretensioso Dia Internacional do Homem, comemorado neste sábado, dia 19 de novembro (rs coincidindo no calendário brasileiro com o Dia Nacional da mancada, comemorado na mesma data), posto um velho poema juvenil, retirado do meu segundo livro “Promessas desfeitas – Quando os sonhos morrem e o poeta sobrevive” (1997), desfragmenta e subverte aquilo que nossos pais consideravam e nos ensinavam como ideal para “ser ou não ser homem o bastante”:


Ser e não ser homem o bastante

Quando a vejo acompanhada
Me dá vontade de matá-la
Fico roxo, azul e verde
Convoco toda a força armada
Mas sou homem o bastante
Pra me acovardar.
Quando vejo alguém beijá-la
Me dá vontade de libertar
As lágrimas presas em meus olhos
Mas não sou homem o bastante
Pra chorar.