quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Note or not ser: O ultraje sem rigor de Peter Gabriel


Um dos episódios mais falados no Festival da Música SWU e que mais me chamou a atenção (além dos shows aos quais tive o prazer de assistir) foi a confusão entre a equipe de som do Ultraje a Rigor com a do cantor inglês Peter Gabriel. A segunda equipe citada mostrou-nos mais uma cena da soberba inglesa em terras tupiniquins. Completamente errada e estrangeira no ocorrido, a equipe de Peter Gabriel ignorou o atraso das apresentações devido às fortes chuvas (fato natural, sem previsão segura pras equipes técnicas da organização do evento), exigiu o cumprimento impossível do programa só porque seu cantor – considerado atração principal, mas cuja apresentação sonolenta expôs exatamente o contrário de seu status - exigia tal pontualidade e tentou passar por cima das etiquetas profissionais dos shows, invadindo o palco e tentando encerrar, de forma autoritária e violenta, a apresentação da renomada banda brasileira Ultraje a Rigor. Esse acontecimento, mais um de diversos que ocorrem em menor proporção entre turistas e cidadãos de nosso país, autentica a visão estrangeira de que seu povo pode conseguir tudo à força, caso não tenha suas vontades atendidas em países considerados inferiores ao seu império em ruínas. Apesar do pedido de desculpas de Peter Gabriel ao vocalista Roger, o fato não pode ser simplesmente deletado de nossas memórias, não sem pensarmos nessa supervalorização que damos a pessoas e produtos estrangeiros, não sem observarmos como a Rede de TV Globo, maior canal de comunicação de massa nacional, ignorou e quase silenciou esse incidente musical internacional (fato que não ocorre caso um brasileiro tente qualquer tipo de atentado ou gafe em Londres), não sem pensarmos até quando vamos aceitar calados o “american way life” que nos é imposto.
Em homenagem ao Ultraje a Rigor, banda nacional de sonoridade muito mais valiosa que a do arrastado progressivo apático de Peter Gabriel, em homenagem àqueles que “cospem” os lixos importados. que os poderosos tentam nos fazer consumir “de 9 às 6”, sem xenofobia (apenas por uma questão de sobrevivência à identidade nacional), posto hoje o “Note or not ser”, poema que dá título ao meu terceiro livro, publicado em 2001:


Note or not ser

Note
O que ele está pensando
E not!
O que eles dizem
Note
O que eles querem
E not!
O canil não é pra você
Note
O seu sangue latino
E not!
A Disneylândia não é pra você
Note
Or not ser
Note
Or not de vez.  

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