domingo, 8 de junho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XLXIX

XLXIX

O discurso político inflamado é sempre incendiado pelo fogo fátuo de um incinerador salafrário. O candidato inquisidor, corrompido pela chama do poder, promove sua falácia cínica: desenha uma cidade destruída cujas ruínas ele jura ser o único capaz de remover. O fascinado eleitor, comovido com a queimada que não se vê, elege o detentor da fatídica fornalha: rabisca mais um canalha pro nossos livros de História, já tão fartos de exemplos dessa escória. O novo prefeito incendiário, após eleito, molha seus bolsos furados, sempre insatisfeitos. Fora do palácio, o sol incendeia a cara e o barraco do ex-eleitor – dentro deste, queima o cansaço de ver, mais uma vez, o seu município destroçado.


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