domingo, 21 de agosto de 2011

Solidões compartilhadas: Mayara Silva e sua crônica ecológica

No próximo mês, em 18 de setembro, ocorrerá um evento em Água Quente, distrito de Teresópolis/RJ, chamado “Trilhão”. Há duas semanas atrás, as queimadas no morro do distrito foram mais intensas e minha aluna Mayara Silva, do 8.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, me lembrou da crônica que escrevera em uma de minhas aulas:
- Viu, professor, eu não te disse? Já começaram a queimar o morro por causa do “trilhão”!
Mayara Silva é uma aluna, ao mesmo tempo, agitada e genial, é extremamente perspicaz e se orgulha de pentelhar de forma inteligente todo professor que entra na sala para dar aula, ou seja, tem uma personalidade única e talentosa. Todos esses fatores fazem dela uma excelente escritora, capaz de denunciar com sagacidade e emoção as violências do homem com a natureza, com os outros e consigo mesmo. Os morros que queimam a nossa volta (lembro-me não só dos morros de Água Quente, em Teresópolis; os da Subida da Torre, em Valença/RJ, também são constantemente violentados pelo homem) são protestados pela cronista Mayara Silva, mais um talento adolescente que compartilha da solitária causa coletiva da denúncia-arte por um ambiente melhor, por um ser humano melhor.
Leiam a obra-prima dessa genial escritora e pensem o quanto as queimadas acinzentam os valores humanos diante da natureza:

Na época do “trilhão”

       Em setembro de 2010, um infeliz pôs fogo em um pedacinho de mato que, com a ajuda do vento, foi se expandindo até se tornar um pedação. E foi um pedação mesmo! Da minha casa, fiquei observando o pasto queimar. E me perguntei: pra que fazer isso?
       Eu simplesmente nunca entendi o fato de as pessoas fazerem isso. Talvez tenham esse hábito rotineiro considerando o fogo como uma solução rápida e eficiente para a limpeza de pastos, quintais, lixo, ou por imprudência mesmo. Mas será que eles não sabem que as queimadas podem secar nascentes da água, provocar prejuízos irreparáveis à fauna e flora, fugir do controle, destruir imóveis e instalações e até matar animais? Eles não sabem ou fingem não saber?
       Aqui, onde moro, não deveria ser, mas é ‘normal’ fazerem queimadas. Principalmente em agosto e setembro, época do “trilhão”, como chamamos o evento que acontece anualmente aqui em minha região, dos “trilheiros” (motoqueiros), quando queimam ainda mais para fazer trilhas para passar, sem pensar nos bichinhos, na mata, sem pensar em nada...
Mayara Silva (8.º B da E.M.A.F.S)

2 comentários:

  1. Esse "problema" não é privilégio apenas de Teresópolis, aqui em Valença ocorrem muitas queimadas tb nesta época do ano. A destruição é imensa (morte de árvores, animais que tentam fugir a todo custo, poluição do ar, agravamento de doenças respiratórias... enfim)O ser humano me deixa abismada, como pode ser tão inteligente e TÃO burro? Paradoxal... (A Serra dos Mascates não escapou este ano, agonizou por 4 dias...)

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