segunda-feira, 15 de agosto de 2011

George Harrison e eu: Um fantasma para "Taxman"

Minha bipolaridade às vezes me choca e tudo isso invade minha incursão george harrisoniana. Durante a manhã e grande parte da tarde e da noite, enquanto ouvia as más notícias das tragédias da chuva em Teresópolis, no último sombrio mês de janeiro, chorava por dentro e estava deserto e introspectivo por fora. A chuva não parava, Santa Rita (localidade de meus alunos a quem já havia dedicado dois poemas) assim como toda área rural ainda estava isolada (e terrivelmente desolada). Naqueles tempos de tormenta, estive em Barra do Piraí, para visitar meus avós e outros familiares que tenho por lá. Revi Amanda, a filha de minha prima Betinha. A menina tem mais ou menos seis anos e eu tinha que sorrir, pois a sua vida ainda ignora a insensibilidade da tempestade e não admite um amiguinho triste. Por um momento, fui criança e tentei, por um momento, diminuir a carência afetiva que a menina tem, devido a um pai ausente (como já foi o meu) e, por esse momento, eu não me  pertenci e a chuva que me destruía, nesse único momento, mostrou um arco-íris. Encontrei a infância que não tive, George Harrison finalmente apresentava uma composição digna de Lennon/McCartney e o revólver estava apontado para os meus eus líricos anteriores. Em processo oposto ao de "Here Comes the Sun", "Taxman" perde sua crítica social (contra os cobradores de impostos e o sistema que eles representam) e se torna uma fuga existencial momentânea, ocultando a guitarra que suavemente chora:

Fantasma


 

Ela tem amor,
E eu vou aí.
Onde ela for
Vai me divertir.

Minha prima Amanda, musa inspiradora
dessa (sub)versão georgeharrisoniana
Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

Ela faz o inocente
Parecer muito bom.
Nego todo meu eu,
É muito bom!

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

Se há um carro,
Eu vou no táxi invisível.
Se ela tem seis anos,
Não tenho mais que cinco.
Se o mundo é frio,
Nela só há calor.
Se há muita dor,
Ela me faz sorrir.

Feliz fantasma!!!

Porque sou seu fantasma.
George Harrison
Sim, sou seu fantasma.

Só me leve pra onde ela for,
(ah,ah, sou invisível)
Porque não ser eu é muito bom...!
(ah,ah, me esqueci)

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

E essa menina
Me lembra um guri,
(o seu fantasma!!!)
Que não tinha pena
De outros mortais.
(o meu fantasma!!!)

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.
E hoje eu não quero lembrar de mim...!
(um eu fantasma!!!)

2 comentários:

  1. Meu caro, poderíamos escrever um livro juntos sobre George. Pense na ideia...

    ResponderExcluir
  2. É claro, Alexandre! De tanto estudar e ouvir o George às vezes até deliro pensando que já fui ele.

    ResponderExcluir