segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Verse essa canção: Eu "Dançando" Agridoce


Nesse fim de noite, ressuscito uma seção do blog há tempos esquecida: o “Verse essa canção”, que consiste numa releitura e/ou diálogo com canções já existentes. Para esse ressurreição, escolhi a fodástica canção “Dançando”, do Agridoce, projeto musical da fantástica cantora Pitty e Martin. Pensei para essa música, um diálogo da pessoa amada com o eu lírico da canção, propenso ao “imediatismo cego” e a ficar “dançando” com seu amado, enquanto o “mundo acaba hoje”. Nesse período de trevas coloridas em que, mais uma vez, comemoramos mais uma data para o fim do mundo (o mais recente dia do fim da humanidade, após vários ‘cancelamentos’, foi remarcado para o dia 21 de dezembro deste ano), nada melhor que eternizarmos nossos derradeiros momentos dançando com nosso amor, em busca daquela sintonia que nos faça continuar nossa dança pela eternidade.

Eu "Dançando" Agridoce

Eu sei que lá no fundo há tanta beleza no mundo
Eu só queria enxergar

Quando ela chega em casa, olho nos seus olhos e vejo todos os destroços do mundo apocalíptico que passaram por sua visão. Mesmo assim, ela me sorri, como se mordesse a infelicidade, como se toda tristeza fosse ilusão. Mesmo cega pela escuridão do dia a dia, ela me tenta com a luz de um lugar maravilhoso que nem mesmo ela consegue enxergar. E isso é tão bonito, tristemente bonito, que ela me faz acreditar...

As tardes de domingo, o dia me sorrindo
Eu só queria enxergar

O sol da tarde de domingo beija-lhe a face e, mesmo consumida pela visão da cidade apodrecida, ela tenta retribuir o sorriso solar. E, assim, ela fica cada vez mais linda. E, assim, mesmo cega, ela me faz ver e acreditar...

Qualquer coisa pra domar o peito em fogo
Algo pra justificar uma vida morna

Tranquilamente sentada no sofá agonizante da frígida sala de estar, ela toma um copo d’água, como se sua sede fosse apenas fisiológica, como se as chamas que dançam desesperadas a sua volta não me implorassem o fim dessa nossa rotina morna. E, mesmo branda, ela consegue queimar todo lugar...

Não esqueço aquela esquina, a graça da menina
Eu só queria enxergar

Agora, ela me fala de uma menina que ela viu na esquina e seu olhar brilha como os de uma mãe contando os predicativos da filha. Ela não acredita na imagem que vira, descrê da menina que dança na esquina em meio às ruínas; ela não acredita, mas alguma infância perdida lhe escapa no percurso da narrativa. Ela não acredita, mas me faz acreditar...

Por isso eu me entrego a um imediatismo cego
Pronta pro mundo acabar

Então ela se levanta do sofá agonizante e começa a se arrumar pra sair, com uma pressa que parece agarrar o tempo, como se o mundo fosse acabar nesse instante e ela estivesse pronta pra eternizar cada momento. E, mesmo cega pela velocidade, ela me oferece passos lentos pra que eu possa acompanhá-la nessa desesperada necessidade de movimento.

Você acredita no depois? Prefiro o agora
Se no fim formos só nós dois que seja lá fora

De mãos dadas com seu desespero pela cidade em ruínas, ela me faz perguntas cujas respostas já lhe estão definidas. Não lhe importa o que eu diga, e sim que eu a siga pelas pistas de dança do fim do mundo. Poderia parecer absurdo nos divertirmos nisso tudo, mas seu olhar profundo me informa que nada pode ser confuso se estivermos juntos.

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
Com você

Um prédio cai, carros colidindo, nações em conflito, a pista de dança arruinada, o universo todo ruindo e ela continua dançando comigo! Seu beijo agridoce me informa que o mundo acaba hoje, seus olhos ameaçam perder o brilho... Antes que o mundo acabe, lhe digo: “Foda-se! Se é pra morrer hoje, que eu morra contigo!” E, antes do último suspiro, contemplamos nossa dose derradeira de amor infinito.


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