sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Poema calcinha: Homenagem póstuma ao eterno obsceno


Confesso que nunca fui muito fã de Wando, porém não posso negar a presença de seus brega hits em minha vida (entre eles, o brega hit máximo “Fogo e paixão”, cantado pelos meus alunos do 9.º Ano de 2010, em tom de brincadeira com o professor de Ciências Thiago, que sempre cantava hits bregas para os alunos nos dias de prova). Meu pai, em suas idas e vindas com minha mãe (atualmente estão definitivamente separados, após mil e uma reconciliações), uma vez, quando quis reconquistá-la deu-lhe um LP do cantor Wando (aquele com o cantor segurando uma maçã) e pronto: mais uma vez o casal se reconciliava. Mamãe sempre amou as músicas desse cantor, tanto que me fez de ouvinte passivo (ativo é só o Wando; diante desse artista conquistador, todo mundo é meio passivo rs) do LP, que ela colocava no aparelho de disco inúmeras vezes. Hoje os LPs foram substituídos por CDs, sem o mesmo sentimento musical de outrora, sem medo de arranhar algumas faixas na antiga e frágil agulha do tempo. Hoje, ou pra ser mais exato, desde o dia 08 de fevereiro deste ano, Wando não está mais entre nós também, mas seu romantismo fica na eternidade de nossos bregas corações (pode ser roqueiro, funkeiro, o que for, no fundo, no fundo, todo mundo tem uma breguice dentro de si!). Ah, outro fato que me provocava fascínio era o efeito da presença de palco de Wando: as mulheres alucinavam, atiravam calcinhas – se pudessem jogavam também o coração e o resto do corpo para o artista. Por isso, hoje, ao invés de um minuto de silêncio (quem preenche silêncios com músicas não pode ser silenciado com nenhum minuto de silêncio), posto um poema meu antigo e voyeur, cujo eu lírico era um viciado investigador de moças que distraidamente deixam suas calcinhas aparecerem:

No bar
           
Desconhecida, descuidada
deixas meus ariscos olhos ciscarem
teus mistérios mais íntimos
Sentada na outra mesa, de frente pra mim
me encara tua calcinha branca
pálida como a morte (do pudor)
como uma peça ultra-romântica de sedução
Meus olhos viajam pelo teu interior, deliram
astronautas em busca de vida num planeta misterioso
Olhos trêmulos no primeiro momento
sólidos no segundo tempo
ricos nos terceiros pensamentos
Mas a inspiração parte... meus ébrios olhos observam
a despedida de tuas pernas, o segredo entre tuas pernas
Não, não quero mais uma dose... desejo duas:
uma pra mim, outra pra solidão que cai sobre meus olhos.

Um comentário:

  1. Kkkkkkkkkkkkkkkkk, caramba, vou redobrar o cuidado quando estiver no bar com o pessoal. O problema é que quando tomamos umas cervejinhas, vinhos ou outro drink qualquer, os cuidados vao-se juntamente com os pudores. Esse eu lírico....

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