sexta-feira, 18 de julho de 2014

Subversão Punk Rock Poética: Amando Prostitutas Em Vão em Dream Of Unity

Pedido de aniversariante é sempre uma ordem: Rafael A., responsável pelo Feira Moderna Zine, me pediu uma subversão poética em homenagem a “Dream Of Unity”, da banda Bad Religion, topei o desafio e, mais abaixo, você, amigo leitor, verá o resultado.
Antes que leia e me condene por ter alterado o significado oficial da canção (é uma letra de música politizada, na qual o eu lírico tem um sonho de ver todos unidos e, ao acordar dessa utopia, percebe-se sozinho, tentando sobreviver aos apuros dos rumos egoístas que a humanidade anda tomando), aviso que o que faço e invento é uma SUBVERSÃO POÉTICA, cujo objetivo é perceber os universos líricos paralelos e alternativos que se pode conquistar ao ouvir uma melodia sem se preocupar com sua letra. Na minha subversão, o eu lírico original politizado transformou-se num cliente apaixonado por uma prostituta voraz, gananciosa e egoísta. Em ruínas, o eu lírico cliente precisa se despedir de sua gananciosa amada. Os versos foram elaborados de acordo com o ritmo da canção, como se fosse uma paródia séria ou uma paráfrase subversiva do original. Ou seja, se, no original, há no eu lírico um sonho de união da humanidade contra os controladores do poder e este sonho não se realiza, na minha subversão poética, há no eu lírico um sonho de união amorosa que não se realiza devido à ganância e egoísmo da pessoa amada. O objetivo das minhas subversões poéticas é esse: plurissignificar o conteúdo que uma melodia pode oferecer; é uma homenagem que não se contenta em render apenas loas passivas ao homenageado, um tributo poético anárquico e, bem, chega de explicação e vamos à poética subversão.
Em tempo: o poema será declamado na próxima edição do Rock na Garagem, organizado pelo Feira Moderna Zine, que acontecerá amanhã, a partir das 18h, no Metallica Pub, em Porto Novo, São Gonçalo/RJ.

Um drink pra me despedir de ti

Baby, só mais um drink pra me despedir de ti,
antes que os relógios marquem
que é tarde, tarde demais
pra te dizer tudo que eu vi
quando estavas longe de mim,
tentando gastar mais do que podes ganhar.

Longe de ti, eu sonhei que poderia viver
sem essa fome, sem teu falso amor,
baby, como eu estranhei esse mundo sem leis,
tão livre da tua ganância sem controle...
sem o teu controle...

Baby, só mais um drink pra me despedir de ti,
antes que com outros marques,
pois pra ti é sempre tarde, tarde demais,
e sei que vai ser sempre assim,
estando perto ou longe de mim,
sempre vais gastar mais do que podes ganhar,
sempre vais cobrar mais do que eu posso te pagar!... 




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