segunda-feira, 27 de maio de 2013

Solidões serranas compartilhadas: O paradoxo suicida de Juliana Guida Maia

Juliana Guida Maia e eu vivemos um amor nômade. Por ela morar em Valença/RJ e eu, em Teresópolis/RJ, nos revezamos entre essas duas cidades; num fim de semana, vou para a cidade onde ela mora (por sinal, Valença é uma de minhas musas favoritas, mãe de quase toda a minha poesia), em outro ela vem para cá. E, devido à distância entre as duas cidades, passamos parte de nossas vidas em trânsito, em ônibus, rodoviárias, etc, fatores bastante desgastantes se analisarmos horários, viações incompetentes de transporte coletivo, quilômetros, tempo, engarrafamento, stop and go, etc. Desde que passei para o cargo de professor em Teresópolis e me mudei pra cá, Juliana adquiriu uma relação de ódio e fascinação com as belezas naturais de Teresópolis (ou seja, com a Serra dos Órgãos) que vemos constantemente durante as cansativas viagens de ida e volta para a cidade.
Compartilho hoje minhas solidões poéticas com a fodástica e grandiosa mini-crônica-prosa-poética de Juliana Guida Maia, criada na última viagem de vinda para Teresópolis/RJ.
Pulemos nossos olhos para essa grandiosa impressão de viagem pela região serrana do Estado do Rio de Janeiro, amigos leitores!

Impressões serranas
do paradoxo suicida 


Subir a Serra dos Órgãos em uma manhã de sol me sublima a uma comunhão perfeita com o paradoxo... Como pode o tédio ser tão profundamente belo, como pode a beleza ser tão intensamente entediante. Olhando todos esses penhascos fica inevitável o pensamento suicida...  Como se pular fosse simplesmente algo tão óbvio. A vontade de mergulhar no verde É tão imensa quanto é imenso o próprio verde... O suicídio por aqui me parece um ato ecológico.  

2 comentários:

  1. Não se apresse, Carlos, teremos toda a eternidade para estar em um lugar paradisíaco com Deus, sem a gente precisar se matar. Vc ainda tem muito a fazer por aqui, grande amigo poeta, sua sensibilidade é indispensável neste mundo, bjs!

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  2. Juliana, adorei o amor nômade e em transito de vocês. O mini conto, mais que poético é um apelo aos meus sentidos medrosos e covardes. Pois tenho sensações terrificantes quando passo por ai, nesses abismos ecológicos, a vida nesses momentos torna-se apenas uma neblina tênue quase inexistente diante desse "imenso verde".

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