terça-feira, 7 de maio de 2013

Poema de aniversário pra barata e pra mim mesmo


No ano passado, comemorei meu aniversário aqui no blog com um poema inédito bem ao estilo do poema “Profundamente”, de Manuel Bandeira. Neste ano, relembro um poema que fiz também pensando nos meus milhares de aniversários, publicado no meu quinto livro “Eu e Outras Províncias: Progressos & Regressos”, de 2008, desta vez inspirado na poesia cortante e pré-modernista de Augusto dos Anjos, misturada ao universo sufocante da prosa de Kafka e à ironia machadiana, que tanto amo.
Aqui é assim, amigos leitores: qualquer que seja a data, comemoramos com poesia!

Feliz aniversário!

Feliz aniversário!
o apocalipse diz pra barata
enquanto espíritos conversam, satirizam minha carne
mas me respeitam
(como a barata, sou sobrevivente da nova era)

Feliz falsa idade, feliz falsidade
estranhos ao meu redor
comemorando a proximidade de meu perecimento
(de tanta descrença, criei fé no nada)

Feliz aniversário!
o agente penitenciário diz pro encarcerado
enquanto Cronos conversa com meu relógio biológico
mas recua
(como o prisioneiro, ainda tenho uma pena a cumprir)

Idade média, ser atual
estranhos como sempre
penetras invadindo a privacidade de meu silêncio
(de tanto otimismo, criei a ojeriza)

Feliz aniversário!
o médico diz pro psicopata internado
enquanto a confeitaria alimenta minha ignorância
com bolo cheio de glacê
(como o psicopata, eu quero me desconhecer)

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