sexta-feira, 23 de novembro de 2012

É só hoje: Sexta-feira Negra, Baby!!!


Hoje deparei-me com uma velha novidade consumista: o Black Friday Brasil (sim, os brasileiros nem se deram ao esforço de traduzir o nome para o português – Sexta-feira Negra poderia ser um nome ruim para os negócios). No Black Friday, o Dia do Desconto, centenas de lojas te oferecem ‘preços especiais’ nos produtos comercializados por elas. Os vendedores te oferecem o mundo, outrora com o dobro do preço, pela metade do valor anterior, ou seja, você pode comprar o mundo pela metade do dobro do preço! E nós, já consumistas compulsivos, lotamos as lojas com a euforia doente de comprar todos os bens desnecessários possíveis. Sites lotados, consumismo delirante, calor infernal, queima de preço, chamas no cérebro, vendemos nossas almas sem nos preocupar, compramos sem pensar, compramos mais do que podemos pagar, compramos cada vez mais banalidades, enquanto a essência humana vai terminando de falecer na fila extensa de nosso consumismo irracional.
O poema de hoje é um tributo a nosso consumismo desenfreado, uma elegia a nossa humanidade cada vez mais esquecida no velório de nossos reais valores (não confundir com valores em reais; não barateie minhas ideias desbaratinadas, por favor!) . Recomendo que leiam ouvindo "Homem Primata", dos Titãs, e "3.ª Pessoa do Plural", de Engenheiros do Hawaii.
Liquidação de poemas liquidados!!! Aproveitem o quanto podem a leitura! Afinal é Sexta-feira Negra! É só hoje! Amanhã o lirismo nosso de cada dia estará caro demais novamente!

Sexta-feira Negra

Sexta-feira Negra, baby!
E meu corpo apalpa
A superfície suja
Dos objetos que compro
No mercado banal.

Quanta obscenidade existe neste pudico bacanal de preços super-faturados?
Quanta obscuridade existe neste claro carnaval de desejos forçados?

Sexta-feira Negra, baby!
E eu vendi minha alma
Pra comprar a sua
Pela metade do dobro
Do seu preço real.

Quantos reais valem ser nada no real?
Quantos reais valem ser tudo virtual?

Sexta-feira Negra, baby!
E o sol assalta
Minha carne vazia e estúpida:
Sou queima de descontos,
Sou um resto mortal.

Quanto vale esse conteúdo irreal?
Quanto vale esse capitalismo animal?

Sexta-feira Negra, baby...
E já não estou mais em mim,
Já não existe nada aqui.
Acabou, estou acabado,
Sou consumidor consumado:
Não existe mais nada pra vender ou comprar em mim
É o fim!

Amanhã é outro sábado de sol sem sal.
Amanhã também é escuridão total.

Sexta-feira Negra, baby!
Mas que cilada!
Hoje eu descobri
Que não valho nada...


2 comentários:

  1. your blog it's very interesting
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  2. Essa é a pergunta: Qual é o valor que atribuímos a nós mesmos?
    Abraço!

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