domingo, 21 de novembro de 2021

Poema felino para nossos dias gatunos de banal poesia: Gato Miró

Domingo de clima ameno, quase frio, dia teoricamente de descanso, tempo meio preguiçoso, folga de temas pesados nestes dias de apocalipses diários, hoje o tema da postagem miou na minha cabeça.
Sim, hoje falaremos de um dos musos selvagemente domésticos mais querido, o gato, sagrado no Egito Antigo e cantado em versos beats por William Burroughs (o poeta dedicou livros e poemas ao enigmático e lírico bichano). Há uns meses, em minha residência em Teresópolis/RJ, apareceu um gato aqui da vila que cismou comigo, miava da janela pedindo pra entrar. Depois, que lhe permiti a entrada, passou a vir constantemente (nem pede passagem pela janela mais, e sim agora pela porta). Hoje é um agregado frequente, por vezes mais dono (e mais exigente) da casa que eu. Não tinha nome até minha participação em um grupo focal chamado “Ensaios de fruição”, no qual se planejou uma reflexão e análise de um espetáculo em homenagem ao mais que fodástico poeta Miró de Muribeca. Quando aprendi que o poeta Miró costumava fazer invasões culturais (entrar em um espaço e declamar seus fodásticos poemas, com magníficas performances), resolvi batizar o gato de Miró Serrano, pois este gato Miró invadiu meu espaço e encheu-o de novo lirismo.
Mas o gato Miró, com o tempo e assiduidade nas visitas, revela outras características, talvez adquiridas de mim, principalmente em meus dias de folga: a propensão e devoção à preguiça, beirando a total folga – por exemplo, neste momento, digito o texto no notebook, recostado em minha cama, com certa dificuldade, pois Miró Serrano deita-se e ronrona sobre meu peito, sempre que me posiciono desta forma.
"Perdoa estes poetas-blogueiros de merda,
Deuses Quintanares Bandeirianos,
eles não sabem o que fazem",
declama postumamente Drummond.
Desfazendo um monte de conselhos de Drummond em “A procura da poesia” (por sinal, a maioria dos conselhos que ele dá nos versos iniciais, o próprio autor descumpriu ou descumpriria com o tempo – o metapoema citado é mais um aviso de ruptura com fases anteriores [na época, Drummond flertava com o niilismo lírico] que algo pra ser levado ao pé da letra. Mesmo assim, influenciou muitos Joões Cabrais de Melos Netos, e, pqp, não existe metapoema mais fodástico, principalmente do meio pro final, que essa “procura da poesia” drummondiana), trago um poema bem banal, uma ode ordinária ao gato Miró Serrano (neste instante, deitado na cama, sobre o lençol e meus pés – o tec tec do notebook e minha movimentação na ação de teclar, possivelmente, estavam atrapalhando sua devoção absoluta à lírica preguiça, sim, no homem, a preguiça é terrível e pecaminosa; no gato, é suave e poética –, permitindo-me melhor articulação para concluir esta digitação).
Ótimo finzinho de domingo e boa leitura, amigos leitores, amigos dos animais selvagemente domésticos.

Gato Miró

O gato Miró anuncia seu novo pedido de invasão.
Antes vinha pela janela, atravessando o telhado vizinho pra chegar na minha casa.
Hoje aparenta segurança para bater à minha porta principal.
Como um gato marginal pode trazer tantos poemas sem derramar palavra?
Ok, Miró, deixemos de reflexão e vamos seguir o roteiro louco que a peça da vida nos colocou.



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Outra crônica crônica prosa poética antipoética inédita de minha autoria: Declaração quartoplanista do poeta saudoso à musa negacionista que nega a fúria do mundo, mas não nega amor

Quadro de Vincent van Gogh - 
"Quarto em Arles (1ª versão)"
- outubro de 1888 - óleo sobre tela 
Após outro hiato de tempo (que já está se tornando contraditória tradição), eis eu aqui de volta ao blog. Há um tempo ando meio sem inspiração e meio que praticando autossabotagem pra este hobby lírico blogueiro, sumindo de redes sociais, procrastinando reflexões, adiando postagens, enfim, virtualmente desligando-me, invisibilizando-me. Diante de uma realidade complicada e cada vez mais opressiva, transferidora de impunidades e benesses aos torturadores cotidianos e de exigência de sacrifícios incomensuráveis e falta de perspectiva aos sobreviventes do caos diário, sinto sempre vontade de que um disco voador apareça e um ET me informe que veio me buscar pra voltarmos pra casa. Neste alheamento de tudo, pelo bem de uma mínima saúde mental, fica sempre na minha cabeça o desejo de retornar ao blog, mas o desejo fica na vontade – sinceramente, estou meio de saco cheio desse tudo tão nada, desse caos tão bem organizado pelos vilões de sempre. No esforço de vencer as barreiras, tento mais uma vez retornar, sempre batendo de frente com a realidade e com as ruínas de mim mesmo.
Hoje deixo uma crônica / prosa poética inédita minha, meio atual, meio no meu eterno passageiro tempo nunca (de Terra do Nunca, de adulto criança adulterada que cresce infantilmente, crescendo no sem querer crescer; se o tempo de Vinicius era o tempo quando, o meu – sempre liricamente contraculturado em relação aos contemporâneos – é sempre o tempo nunca). Espero que gostem. Por enquanto é só (eu coletivamente só).

Declaração quartoplanista do poeta saudoso à musa negacionista que nega a fúria do mundo, mas não nega amor

Faz mais de um ano que nos beijamos sem nossas máscaras. Na cama, preservo as marcas fantasmas do teu batom de escândalos em segredos. Em meu universo quadrado, na infinidade plana de meu quarto, eu guardo toda violência pacífica de nossas fantasias, enquanto círculos de ódio giravam selvagemente realistas em bolhas bárbaras das redomas separatistas da nova civilização animalesca bipartida, por todos os nossos lados, afrontando toda a fúria amorosa em nós, atacando por atacados, afrouxando todos os nossos agridoces nós.
Faz muito tempo desde quando negamos esta estranha negação coletiva de que uma parede disposta à esquerda, ao centro ou à direita precisa de suas opostas para formar o abrigo ideal. Ah, musa adversa, quantas contradições gostosas usufruímos em harmônico embate de diferentes posições; como não negar o negacionismo saudável das naturais oposições? Enquanto nos debatíamos em paz acalorada na superfície plana das quatro paredes harmonizadas, o mundo em guerra girava sua metralhadora de insensatez ingloriosa, provocando novas invisíveis doenças, cultivando o vírus da falta de ciência em compreender que um corpo precisa de seu igual oposto pra fazer a inércia se mexer.
E com isso o mundo parou, violado por anti-rosas estúpidas e inválidas semeadas por batalhas desnecessárias que nenhum ser são provocou. Faz um tempo que a loucura involuntária e bestificada nos separou.... Mas preservo as memórias das noites iluminadas, dos dias de trevas intimamente abençoadas, pois sei que todo rebanho de raiva passa, toda pandemia de violência uma hora acaba. Por mais que a firme utopia pareça inativa, há poesia em cada segundo de nossa vida adiada. Mantenho a casa resguardada, imunizada com tua presença espectral. Teu retorno revolucionário pro nosso lar quadrado, infindo, falsamente limitado, será a vacina mais duradoura, magicamente real: teu retorno amor (assim sem vírgula e sem pudor) é e sempre será a cura de todo mal.

domingo, 7 de novembro de 2021

Relembrando meu segundo poema pandêmico (perdido na esperança de um mundo melhor, no Mundo das Ideias de Platão, coitado): I s o l a m e n t o coletivo social

Da série “Poemas pandêmicos” ou “Poemas em tempos de pandemia”, trago meu segundo poema (o primeiro, “O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})”, já foi postado no seguinte link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2021/10/relembrando-meu-primeiro-poema.html ), intitulado “I s o l a m e n t o coletivo ideal”. Escrito em setembro de 2020, quando o #Fiquemecasa já era considerado a solução preventiva mais eficaz contra a Covid-19, é um poema neoconcretista que reflete sobre a realização do Amor Ideal de Platão a partir das medidas preventivas de isolamento social impostas pela pandemia de coronavírus. Sim, selecionado, pela Ufscar, para o FESTIVAL CULTIVAR-TE, no tema O CUIDADO DE SI E DO OUTRO (pode ser encontrado no link: https://www.informasus.ufscar.br/isolamento-coletivo-ideal/ ), o poema acreditava que a realidade afetada pela pandemia poderia desenvolver uma tomada de consciência coletiva (sonho, visão ideal, extremamente ferida pelo negacionismo e pelo estímulo crescente a uma famigerada subversão da expressão “imunidade de rebanho” [que só é potencialmente significativa com vacinação efetiva da população, fato ainda impossível de ser realizado no ano passado, quando as vacinas ainda estavam em processo de elaboração e testes).
Deixo o poema no blog como registro histórico de como poderia ter sido e não foi, graças o antifilósofos de plantão (pobre Platão, viu na pandemia uma oportunidade de concretude de suas Ideias praticamente desperdiçada pelas armadilhas cavernosas do mundo físico imbecil dos homens).



sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Homenagem ao Dia Nacional do Livro: Alguns poemas meus dedicados à Literatura, meu multiverso mais visitado e minha musa favorita

Imagem encontrada em:
https://filipemiguel.com/2018/10/29/dia-nacional-do-livro-brasil/
Ok, no Dia do Poeta, na semana passada, eu, como escritor blogueiro, dei bobeira (na verdade, procrastinei um pouco) e só realizei uma postagem em comemoração à data ontem com o magnífico poema de Mateus Machado. Mas hoje, dia 29 de outubro, Dia Nacional do Livro, não vou deixar passar. Livros são minha paixão, minha cesta básica de formação vital e meu vício inexorável. Ler livros é um ato de amor, de ofício e de bastante inspiração.
Por ser um leitor voraz, o livro foi, é e sempre será muso inspirador de diversos poemas meus. Em comemoração ao Dia Nacional do Livro, posto hoje algumas aldravias (poemas com seis palavras, colocadas uma em cada verso) inspiradas no tema “livro” e um poema sobre minhas viagens como leitor voraz, chamado “O viajante”, premiado pela Academia Volta-redondense de Letras no Prêmio Maria Maldonado de Literatura 2019, mas ainda inédito aqui no blog.
Comemoremos o Dia Nacional do Livro, prestigiando o infinito universo da literatura e curtindo aquela felicidade clandestina* que só a paixão pela leitura nos traz.

*Pra quem não sacou a referência, este é o nome de um magnífico conto de Clarice Lispector, na qual a narradora protagonista fala de sua paixão por livros e de seus percalços e impressões, quando criança, para conquistar a oportunidade de ter o livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, a seu dispor.


Aldravias com o tema livro/literatura:

isolamento
social
sozinho
deus
me
livro

****  

livro
outrora
enrustido
agora
livra
ria

****

camélias
embriagam
meu
livro
depois
dumas

****

minha
barata
angustiada
vem
kafka
comigo

****

em
terras
quintanares
menino
cata
vento

****  


poema
de
estrela
muito
bandeira

****  

via
láctea
sem
foguete
transportes
bilac

****  

em
terra
de
borges
livro


O viajante

Mesmo embaçados pela neblina das noites outonais,
seus olhos beijam todas as passantes da Quai d’Anjou.

Mesmo molhados pelas chuvas no fim da tarde primaveril,
seus olhos avistam os longos céus acima de Nova Jersey.

Mesmo resfriados pelo orvalho das manhãs invernais,
seus olhos sorriem para os pedintes na Rua da Baixa.

Mesmo ressecados pelo sol do início da tarde veranil,
seus olhos planejam tempestades no Castelo de Moor.

As mesmas estações do ano no Hemisfério Sul,
os mesmos pontos de ônibus no município natal,
os mesmos olhos inquietos do passageiro que febrilmente lê,
porém cada virada de página é um outro mundo que vem,
cada livro é uma viagem diferente, é outro perto além.

Pintura de Willian Michael Harnett
Pintor irlandês (1848-1892)


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Solidões Compartilhadas: A luz lírica de Mateus Machado em "Dia Nublado"

Após breve pausa (acabei até deixando passar o Dia do Poeta – não esqueci não, mas estava em momento de muito trabalho e produção), volto às postagens no blog e hoje compartilho minhas solidões coletivas com o jovem e talentoso poeta teresopolitano Mateus Machado, ex-artistaluno da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, escola onde até os tempos atuais leciono.
Em conversas via WhatsApp, Mateus Machado me confessou a melancolia pela qual passava em dias nublados. Naquele momento do bate-papo, percebi a chance de me acertar com meu passado profissional (na época em que ele estudava, entre 2011 e 2013, [se não me falha a memória], Mateus participava dos vídeos do Luz, Câmera...Alcino!, escrevia contos, crônicas, mas evitava produções textuais de poema, segundo ele mesmo, por não se considerar capaz de escrever poemas – impressão negativa e equivocada que não consegui tirar dele no período e que sempre me ficou engasgada, pois ele se transferiu da escola antes que eu pudesse convencê-lo do lirismo represado dentro dele) e estimulei-o, durante a conversa on line, a escrever sobre as sensações que o dia nublado lhe trazia. E, sim, foi neste momento carente de luz solar, a inspiração poesia brilhou em Mateus Machado e o talentoso escritor gestou seu magnífico poema “Dia nublado”, que vocês lerão e terão, como eu, a oportunidade de também ficarem admirados com esta maravilhosa obra poética, logo abaixo.
A aceitação de Mateus Machado para o desafio poético também oportunizou a ressurreição do projeto Luz, Câmera...Alcino! Veteranos, que envolve produções de vídeos com queridos e mais-que-fodásticos ex-artistalunos, atuais super-artistamigos. Nunca, em muito tempo de vida e poesia, dias nublados foram tão iluminados!
Fiquemos com o fodástico poema “Dia Nublado”, do mais-que-fodástico poetamigo Mateus Machado, para iluminarmos nossa (já nem tão mais) obscura realidade.


Dia Nublado
Poema de Mateus Machado

Dia nublado assim fica um pouco triste
É bom pra quem talento e inspiração
Lembrar das pessoas e dos momentos bons e das boas recordações
Em tempos da pandemia tivemos que nos afastar um pouco da família e de amigos
Saudades das boas risadas e dos abraços aconchegantes.
Assim termina o que nunca se acaba – saudade infinita.

“Dia Nublado”, o vídeo
Caso não esteja visualizando (o Blogger tem dado uns tilts com postagens que contenham vídeos do Youtube quando visualizadas em dispositivos como aparelhos celulares), basta acessar o link: https://youtu.be/AYK2omoa76o

sábado, 16 de outubro de 2021

Relembrando meu primeiro poema pandêmico de 2020 em um sábado nublado de 2021: O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})

Quadro "Dia Nublado",
de Jose Navarro Llorens
Dia nublado, ambiente melancólico, mais um sábado pandêmico pra refletir, buscar forças em si, em qualquer lugar (somos sobreviventes; parece pouco, mas, dado o contexto necro-ilógico, não é), recordar, retomar o presente e re-acordar os sonhos.
Hoje trago “O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})”, o primeiro poema que escrevi no período da pandemia (data de maio/junho de 2020, quando a ansiedade e incerteza e solidão e reflexões de passados explodiam em melancolia escrita buscando a felicidade de um bom verso mesmo que triste – eterna necessidade de manter a chama viva, ainda que adoecida).
Em tempo: o poema do qual vos falo foi premiado com o 1.º lugar no Concurso Contemporânea de Literatura 2020, em Santos/SP, e, consequentemente, entrou na Coletânea Contemporânea 2020 (interessados em comprar o livro e ajudar na continuidade deste fodástico projeto de promoção cultural, recomendo que procurem o organizador e superartistativistamigo santista Maurilio Campos – por sinal, no vídeo dos premiados [que pode ser assistido no link https://fb.watch/8GD2dZJmTB/ vocês também conferem a versão em vídeo do poema que trago abaixo, numa interpretação maravilhosa feita por ele e reinterpretada em vídeo pelo Mestre da Mídia Lírica Jardel Pacheco] pelo e-mail maurilio.campos@hotmail.com ). Em tempo II: esta postagerm também celebra o mais-que-fodástico fato de que sou um dos 30 finalistas do Concurso Contemporânea de Literatura 202’ (consequentemente, meu poema concorrente deste ano também estará em antologia Contemporânea 2021, o que já é fodástico demais, independentemente do resultado final).
Fiquemos com “O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})”, uma tentativa de calorosa leitura lírica para um sábado melancolicamente nublado (e ainda que triste, magnífico).


O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})


A primeira variante é o contágio:
a febre dos lábios encontra apenas travesseiros gelados
- a morte ronda o colchão imenso
cheio de espaços.
O que não é, o que não deveria ser
agora é permanente
                  presente
                     doente!
Pandêmicas, as ausências se espalham,
contaminam toda casa.
E a nós, ilhas de um continente despedaçado,
resta o pertencimento ao mesmo arquipélago
aglomerado de naufrágios.
O que quase não foi é o que nunca vai ser.
A segunda variante é o isolamento,
o ato forçado de evitar ruas, praias e festas,
pois estás em todas elas.
Mesmo trancado pro mundo,
tua falta desfila em meus mais obscuros pensamentos
me intimando
      intimidando
        intumescendo a minha nova solidão...
Passadas as variantes mais graves,
chega-se à resolução irresoluta do novo normal:
distância calculada em proximidade casual,
sorrisos amarelos em coloridas máscaras
- Oi, tudo bem?
(No céu da boca, o sol da verdade se cobre em nuvens que o implodem)
Resposta superficial, até logo... tchau,
como gripe que passa, doença banal...



terça-feira, 12 de outubro de 2021

Homenagem às crianças: O poema que Tia Patricia me pediu sobre os Direitos das Crianças do Brasil


Hoje é Dia das Crianças e o poetamigo e eventual blogueiro que vos escreve traz um poema inédito e uma boa recordação. Em 2019, a professora Patricia Ignácio, na época do Pré II da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, com quem já havia realizado em parceria dois fodásticos projetos (um poema sobre a Primavera para o Pré II [que se encontra aqui no blog no link:
https://diariosdesolidao.blogspot.com/2018/09/de-volta-velha-infancia-no-equinocio-da.html ], e a participação teatral-iluminada do Pré II com os nonos anos na peça “Monólogos de Dor & O Circo Musical do Amor”[precisava muito dos pequenos para amenizar o clima dolorido da peça e trazer alguma esperança – também está aqui no blog no link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2019/07/lembrando-momentos-marcantes-do.html ]), pois bem, voltando, a Patrcia me propôs um novo pedido-desafio: escrever um poema em homenagem aos 10 princípios dos Direitos da Criança (no Brasil, amparados pela lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, também chamada de Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA]). Passei por um processo de crise criativa, mas a superei e consegui, um mês após o pedido, criar o poema (não foi dos meus mais inspirados – considero o da Prima Primavera muito melhor -, mas foi uma vitória conseguir escrevê-lo, pois 2019, como o ano anterior e os anos consecutivos a ele foram [e continuam sendo] bastante complicados).
Deixo aqui o resultado-poema da proposta-desafio de Patricia para a apreciação dos amigos leitores, sempre em agradecimento e oferenda pela insistência sublime em apoiar com todos os olhos líricos e coração este relapso blogueiro que prossegue com o blog em atualizações inconstantes, mas ainda apaixonadas como dos primórdios do blog - obrigado pelo apoio e magnífico DIa das Crianças a todos, todas e todes (não se engane: independentemente da idade, ainda trazemos a infância latente e radiante em nós).


Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez direitos vou contar pra vocês


Um, dois, três,
Nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.

O primeiro direito
É fácil de entender,
Mas o adulto às vezes
Finge esquecer:
Toda criança tem direitos garantidos por lei,
Seja menino, menina ou o que quiser ser,
Brasileiro ou estrangeiro,
Branco, negro, amarelo, vermelho,
Moreno, cafuzo, mameluco, mulato ou pardo,
Católico, evangélico, judeu, islâmico,
Sem religião ou de religião oriental ou afro,
Filho de esquerda, de direita ou de centrão,
Toda criança tem vez,
Por isso xô preconceito,
Abaixo a discriminação!

O segundo direito
É mais fácil ainda,
Mas ainda tem adulto
Que pra lei faz birra:
Toda criança tem direito à proteção
Para se desenvolver bem
Em toda sua amplidão.
Por isso devemos defender:
Deixa o menor bem crescer
Pra ser um maior legal,
Com desenvolvimento bem natural.

O terceiro direito
Parece bobo,
Mas é certeiro
E reforça uma necessidade:
Toda criança tem direito a nome e nacionalidade.
Todo nascido ganha um nome bonito,
Pode ser curto ou comprido,
Simples ou difícil,
Por isso nada de “Ei, psiu, ei, você aí, psiu!”
Todo nome é lindo e merecido,
Que deve ser falado, cantado e celebrado
Em um país, em um Estado, em uma cidade.
Todo nascido tem nome e localidade.

Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.

O quarto direito
É complicado
E muito adulto esquecido
Precisa que ele seja lembrado:
Toda criança tem direito à alimentação, à recreação
E à assistência médica.
Por isso a arrecadação de impostos, a contribuição,
A colaboração de toda a nação.
Precisamos acreditar no bom trabalho, na boa ação,
No respeito maduro, na boa administração,
E é por isso que dizemos pra todo mundo:
Abaixo o político mentiroso e narigudo,
Abaixo a corrupção,
Queremos honra com o dinheiro público,
Queremos boa distribuição de recursos!

O quinto direito
À criança especial
Diz respeito
E é importante lembrar:
Toda criança portadora de necessidades especiais
Terá direito a tratamento, educação e cuidados especiais,
Lembrando que o diferente não é doente,
E sim, como todos nós, carente,
Mas carente de uma forma diferente.
Todo especial merece carinho especial,
Com respeito, ser diferente é normal.

O sexto direito
Fala da arte do afeto
Diz respeito
A sentimentos eternos:
Toda criança precisa de amor e compreensão,
Por isso façamos da troca de amor infinito
Uma grande revolução:
Abrace sua amiga e o seu amigo
Como se todos fossem seus irmãos,
Jamais negue afeto ou carinho
Às meninas e aos meninos desse mundão
Tão carente de emoção.

Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Sete, oito, nove
Até o dez nos comove.
Hoje nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.

O sétimo direito
Fala de ensinamentos,
Da educação
Dos nossos pequenos:
Toda criança terá direito a receber educação,
Que será gratuita pelo menos no grau primário.
Por isso temos escolas em toda região
Pra garantir a matrícula da criancinha e do crianção,
Podemos chegar nela a pé, de carro, de carroça e de buzão,
Lá aprendermos o abecedário e a ser mais cidadão.
Por isso respeitemos o profissional da educação,
É na escola que aprendemos a ser uma grande nação.

O oitavo direito
Fala de saúde e prioridade,
Ajudar primeiro a criança
É nossa responsabilidade:
Toda criança estará, em qualquer circunstância,
Entre os primeiros a receber proteção e socorro.
Por isso, se o pequeno ou a pequena passa mal,
Ele ou ela é nossa preocupação única e principal.
Se a criança está em perigo,
O futuro bonito que ela constrói
Também está em risco.
Por isso corre, adulto herói,
Corre ao seu auxílio!

O nono direito
Está na nossa cara,
Mas tem adulto que avacalha;
Criança é criança – não trabalha!
A criança será protegida contra qualquer crueldade e exploração,
Por isso nada de trabalho escravo, trabalhinho pesado ou trabalhão,
Nem abandono, violência ou opressão.
Bico de criança é chupeta,
Bico de trabalho pra criança só dá treta
E o responsável irresponsável pode parar no camburão.
Pequenos estudam, brincam, fazem recreação;
Trabalho é coisa de adulto, não me venha com inversão!

Chegamos no décimo e último direito
Com muito carinho e muito respeito:
Toda criança terá proteção contra atos de discriminação.
Por isso aceitemos a todos sem diferenciação.
Com cada vez mais amor no coração,
Transformamos o afeto em revolução;
Abracemos sempre a outra e o outro com muita emoção!
Xô, preconceito, xô,
Chega de ódio e de horror,
Agora somos feitos só de paz e de amor!

Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Sete, oito, nove,
Dez direitos nos movem
E um futuro lindo eles constroem.
Acabamos de aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter
E nem eu, nem tia Patricia, nem vocês
Jamais devemos nos esquecer
Os direitos que fazem a gente direito crescer.

Respeitem as normas, respeitem as leis,
Nós, crianças, somos os futuros de vocês!



Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...