Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
domingo, 7 de novembro de 2021
Relembrando meu segundo poema pandêmico (perdido na esperança de um mundo melhor, no Mundo das Ideias de Platão, coitado): I s o l a m e n t o coletivo social
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Homenagem ao Dia Nacional do Livro: Alguns poemas meus dedicados à Literatura, meu multiverso mais visitado e minha musa favorita
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| Imagem encontrada em: https://filipemiguel.com/2018/10/29/dia-nacional-do-livro-brasil/ |
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Solidões Compartilhadas: A luz lírica de Mateus Machado em "Dia Nublado"
sábado, 16 de outubro de 2021
Relembrando meu primeiro poema pandêmico de 2020 em um sábado nublado de 2021: O último teorema de Fermat ([En]ferma{t})
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| Quadro "Dia Nublado", de Jose Navarro Llorens |
A primeira variante é o contágio:
a febre dos lábios encontra apenas travesseiros gelados
- a morte ronda o colchão imenso
cheio de espaços.
O que não é, o que não deveria ser
agora é permanente
presente
doente!
Pandêmicas, as ausências se espalham,
contaminam toda casa.
E a nós, ilhas de um continente despedaçado,
resta o pertencimento ao mesmo arquipélago
aglomerado de naufrágios.
O que quase não foi é o que nunca vai ser.
A segunda variante é o isolamento,
o ato forçado de evitar ruas, praias e festas,
pois estás em todas elas.
Mesmo trancado pro mundo,
tua falta desfila em meus mais obscuros pensamentos
me intimando
intimidando
intumescendo a minha nova solidão...
Passadas as variantes mais graves,
chega-se à resolução irresoluta do novo normal:
distância calculada em proximidade casual,
sorrisos amarelos em coloridas máscaras
- Oi, tudo bem?
(No céu da boca, o sol da verdade se cobre em nuvens que o implodem)
Resposta superficial, até logo... tchau,
como gripe que passa, doença banal...
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Homenagem às crianças: O poema que Tia Patricia me pediu sobre os Direitos das Crianças do Brasil
Hoje é Dia das Crianças e o poetamigo e eventual blogueiro que vos escreve traz um poema inédito e uma boa recordação. Em 2019, a professora Patricia Ignácio, na época do Pré II da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, com quem já havia realizado em parceria dois fodásticos projetos (um poema sobre a Primavera para o Pré II [que se encontra aqui no blog no link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2018/09/de-volta-velha-infancia-no-equinocio-da.html ], e a participação teatral-iluminada do Pré II com os nonos anos na peça “Monólogos de Dor & O Circo Musical do Amor”[precisava muito dos pequenos para amenizar o clima dolorido da peça e trazer alguma esperança – também está aqui no blog no link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2019/07/lembrando-momentos-marcantes-do.html ]), pois bem, voltando, a Patrcia me propôs um novo pedido-desafio: escrever um poema em homenagem aos 10 princípios dos Direitos da Criança (no Brasil, amparados pela lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, também chamada de Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA]). Passei por um processo de crise criativa, mas a superei e consegui, um mês após o pedido, criar o poema (não foi dos meus mais inspirados – considero o da Prima Primavera muito melhor -, mas foi uma vitória conseguir escrevê-lo, pois 2019, como o ano anterior e os anos consecutivos a ele foram [e continuam sendo] bastante complicados).
Um, dois, três,
Nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.
O primeiro direito
É fácil de entender,
Mas o adulto às vezes
Finge esquecer:
Toda criança tem direitos garantidos por lei,
Seja menino, menina ou o que quiser ser,
Brasileiro ou estrangeiro,
Branco, negro, amarelo, vermelho,
Moreno, cafuzo, mameluco, mulato ou pardo,
Católico, evangélico, judeu, islâmico,
Sem religião ou de religião oriental ou afro,
Filho de esquerda, de direita ou de centrão,
Toda criança tem vez,
Por isso xô preconceito,
Abaixo a discriminação!
O segundo direito
É mais fácil ainda,
Mas ainda tem adulto
Que pra lei faz birra:
Toda criança tem direito à proteção
Para se desenvolver bem
Em toda sua amplidão.
Por isso devemos defender:
Deixa o menor bem crescer
Pra ser um maior legal,
Com desenvolvimento bem natural.
O terceiro direito
Parece bobo,
Mas é certeiro
E reforça uma necessidade:
Toda criança tem direito a nome e nacionalidade.
Todo nascido ganha um nome bonito,
Pode ser curto ou comprido,
Simples ou difícil,
Por isso nada de “Ei, psiu, ei, você aí, psiu!”
Todo nome é lindo e merecido,
Que deve ser falado, cantado e celebrado
Em um país, em um Estado, em uma cidade.
Todo nascido tem nome e localidade.
Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.
O quarto direito
É complicado
E muito adulto esquecido
Precisa que ele seja lembrado:
Toda criança tem direito à alimentação, à recreação
E à assistência médica.
Por isso a arrecadação de impostos, a contribuição,
A colaboração de toda a nação.
Precisamos acreditar no bom trabalho, na boa ação,
No respeito maduro, na boa administração,
E é por isso que dizemos pra todo mundo:
Abaixo o político mentiroso e narigudo,
Abaixo a corrupção,
Queremos honra com o dinheiro público,
Queremos boa distribuição de recursos!
O quinto direito
À criança especial
Diz respeito
E é importante lembrar:
Toda criança portadora de necessidades especiais
Terá direito a tratamento, educação e cuidados especiais,
Lembrando que o diferente não é doente,
E sim, como todos nós, carente,
Mas carente de uma forma diferente.
Todo especial merece carinho especial,
Com respeito, ser diferente é normal.
O sexto direito
Fala da arte do afeto
Diz respeito
A sentimentos eternos:
Toda criança precisa de amor e compreensão,
Por isso façamos da troca de amor infinito
Uma grande revolução:
Abrace sua amiga e o seu amigo
Como se todos fossem seus irmãos,
Jamais negue afeto ou carinho
Às meninas e aos meninos desse mundão
Tão carente de emoção.
Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Sete, oito, nove
Até o dez nos comove.
Hoje nós vamos aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter.
O sétimo direito
Fala de ensinamentos,
Da educação
Dos nossos pequenos:
Toda criança terá direito a receber educação,
Que será gratuita pelo menos no grau primário.
Por isso temos escolas em toda região
Pra garantir a matrícula da criancinha e do crianção,
Podemos chegar nela a pé, de carro, de carroça e de buzão,
Lá aprendermos o abecedário e a ser mais cidadão.
Por isso respeitemos o profissional da educação,
É na escola que aprendemos a ser uma grande nação.
O oitavo direito
Fala de saúde e prioridade,
Ajudar primeiro a criança
É nossa responsabilidade:
Toda criança estará, em qualquer circunstância,
Entre os primeiros a receber proteção e socorro.
Por isso, se o pequeno ou a pequena passa mal,
Ele ou ela é nossa preocupação única e principal.
Se a criança está em perigo,
O futuro bonito que ela constrói
Também está em risco.
Por isso corre, adulto herói,
Corre ao seu auxílio!
O nono direito
Está na nossa cara,
Mas tem adulto que avacalha;
Criança é criança – não trabalha!
A criança será protegida contra qualquer crueldade e exploração,
Por isso nada de trabalho escravo, trabalhinho pesado ou trabalhão,
Nem abandono, violência ou opressão.
Bico de criança é chupeta,
Bico de trabalho pra criança só dá treta
E o responsável irresponsável pode parar no camburão.
Pequenos estudam, brincam, fazem recreação;
Trabalho é coisa de adulto, não me venha com inversão!
Chegamos no décimo e último direito
Com muito carinho e muito respeito:
Toda criança terá proteção contra atos de discriminação.
Por isso aceitemos a todos sem diferenciação.
Com cada vez mais amor no coração,
Transformamos o afeto em revolução;
Abracemos sempre a outra e o outro com muita emoção!
Xô, preconceito, xô,
Chega de ódio e de horror,
Agora somos feitos só de paz e de amor!
Um, dois, três,
Quatro, cinco, seis,
Sete, oito, nove,
Dez direitos nos movem
E um futuro lindo eles constroem.
Acabamos de aprender
Com tia Patricia,
Comigo e com vocês
Todos os dez direitos
Que as crianças devem ter
E nem eu, nem tia Patricia, nem vocês
Jamais devemos nos esquecer
Os direitos que fazem a gente direito crescer.
Respeitem as normas, respeitem as leis,
Nós, crianças, somos os futuros de vocês!
domingo, 26 de setembro de 2021
A educação como prática de manipulação: Paulo Freire e eu passeando pela Educação Capitã Gancho da Terra do Nunca
Paulo Freire faria 100 anos neste ano (possivelmente, dificilmente fizesse diante de tantos surtos que encararia vendo os seus detratores no poder manipulando planos de 100 anos de atraso para educação). Além de escritor, sou professor. E, como professor, devo meus aplausos à educação como prática de liberdade de Paulo Freire; sim, ele é um dos poucos pedagogos que realmente me inspirou plenamente. E, diante de antipedagógicos planos de retorno às aulas presenciais, ouvindo a denominação de ensino híbrido ao que está longe do real e potencial híbrido e muito próximo do burocrático, new-skinnerano-fascistocrático e bizarro (se liguem: primeiramente atiraram pessoas ao vírus sem proteção numa subversão tosca da expressão “imunidade de rebanho” – que só acontece com vacinação -; agora, com menor visibilidade [porque, no fundo, no fundo, no fundo, pode confessar, ninguém liga bulhufas pra educação há muito tempo, desde que a família seja preservada com os filhos bem ocupados, atirados à responsabilidade de outrem], fazem escolas de repositórios pra politiqueiro poder se orgulhar enquanto a expressão “ensino híbrido” ganha deformações aliens; a educação nunca esteve tão mal educada, para felicidade dos infelizes governadores da Retrogracia Dominante), diante dessa porra toda (não gostou do palavrão, fui mal educado? Pois é... né... foda-se: falar atualmente de educação – como apaixonado por ela - me deixa bastante mal educado diante da farsa que se encena) e diante de um convite do escritor-amigo Alessandro, da Oficina Poesia & Criação, fiz uma crônica inspirada nas minhas idas e vindas com Paulo Freire.
Carlos Brunno
Silva Barbosa
Minha relação com Paulo Freire foi marcada
por idas e vindas, ausências e plenitudes.
Confesso que o conheci mais tardiamente
que esperava. Dirigindo-me ao túnel do tempo, nos redemoinhos que a memória
faz, meu eu presente, ao rever caminhos e descaminhos do meu passado, viajando
aos meus tempos de aluno, até ouve alguns sussurros de Paulo Freire que saíam
meio sufocados em algumas raras práticas pedagógicas. Mas basicamente vejo-me
orientado por um ensino mais tradicional e, muitas vezes, ainda engessado do tecnicinismo da recém-encerrada, porém,
infelizmente, jamais suplantada, era ditatorial brasileira. Salvos alguns
professores brilhantes, lutando desarmados contra tanques de automatização, fui
educado no regime mais tradicional e imbecilizante conservador possível, num
processo muito bem elaborado, competente, mas frígido. Minha formação escolar
me gera sentimentos contraditórios: não há como negar o enriquecimento
enciclopédico que me forneceram, mas também não se pode ignorar que me fizeram
um estudante coberto de conhecimentos extravagantes, untado numa forma
uniforme, fabril, mas falível em inteligência emocional e burro para
entendimentos de meu papel social.
Só vim a conhecer e reconhecer a educação
pela prática de liberdade de Paulo Freire na faculdade. E, mesmo assim, de
forma paradoxal: conheci o trabalho do formidável pedagogo através de aulas
expositivas e da leitura de seus livros, fiquei admirado, mas toda essa
revolução educacional fascinante ainda me era apresentada por acadêmicos
geniais, mas ainda entranhados de tradicionalismo e tecnicinismo. Muitas palestras e declarações apaixonadas sobre
Paulo Freire, mas tudo transmitido em estruturas rígidas, conservadoras e
consciente e inconscientemente conservantes. A educação preconizada por Paulo
Freire continuava sendo uma menina linda, cantada por todos, mas relação
prática íntima com ela, nada (você está na faculdade, rapaz, se vira!).
Ainda hoje, como professor, convivo com
este paradoxo. Conservo o legado e inspiração de Paulo Freire, tento, com os
meios parcos que possuo, praticar – este é o verbo, que fica só sendo
verbalizado, e raramente aplicado – sua educação libertária. Pratico algumas
adaptações de suas técnicas: evito livros didáticos como muletas, produzo meu
próprio material de acordo com o contexto dos alunos (em aulas iniciais, uso
gêneros como autodescrição em sites de redes sociais virtuais, autobiografia,
etc, para colher informações pessoais dos estudantes para melhor conhecimento
das turmas, numa tentativa de replicar a genial ideia freiriana de se
entrevistar e conhecer a realidade de sua comunidade escolar antes de elaborar
o seu material de aula), me desdobro com atividades que possibilitem que os
alunos tomem consciência de seus papéis sociais e tenham voz no processo
ensino-aprendizado, mas, de vez em quando, o próprio sistema de ensino e a
sociedade engessam os profissionais da educação, limitando-nos com preconceitos
e/ou sufocando-nos com papelada e documentações que empacam em tradicionalismo
e tecnicinismo. Confesso que, às
vezes, exausto, traio Paulo Freire e caio em facilitações, mas só damos um
tempo; depois voltamos e nos revoltamos aos princípios retrógrados que ainda
regem a educação brasileira.
E, nesses longos anos de harmoniosa
relação, com breves hiatos de instabilidade, Paulo Freire e eu xingamos os
opositores da educação libertária freiriana, que, em sua maioria, nunca leram
nada deste formidável pedagogo e ainda têm a audácia de fakenewar que a educação brasileira está no fundo do poço por causa
do magnífico – e agora centenário – pedagogo. A verdade é o oposto: a educação
brasileira está no fundo do poço, porque atiram a pedagogia freiriana como se
ela fosse um conjunto de frases motivadoras, ao invés de realmente praticá-la.
Salvo raras exceções, nunca tivemos a educação freiriana realmente praticada,
executada. Fica aqui a minha conjuração, a minha confessa inconfidência:
educadores, tiremos a educação freiriana do mundo das ideias e pratiquemos mais
a educação concretamente libertária. Só assim tiraremos as algemas que prendem
a educação brasileira ao fundo do poço, situação ignorantemente empoçada (e empossada)
por nós mesmos.
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Conto de vergonha alheia solitária coletiva: Estocolmo (Ou Colmo Estamos)
Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar
Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...
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Recebi um dos desafios mais inusitados desde que o blog foi criado: uma garota chamada Lara Lima, observando que as postagens de meu blo...
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- Sorria e o mundo lhe sorrirá, Cândido. Encantado com o sorriso faceiro do filósofo que lhe dirigira a palavra, Cândido foi conhecer ...
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Meus eus líricos femininos retornam ao blog, desta vez tomando o corpo de Sherazade, a personagem árabe cujo destino heróico é contar his...










