sábado, 5 de abril de 2014

Dançando (e chorando) no escuro

Um dos filmes que mais mexeu comigo e do qual jamais me esquecerei é o mais-que-fodástico-e-tenso-pra-raio “Dançando no escuro”, do polêmico diretor Lars Von Trier (por sinal, foi o primeiro filme dele ao qual eu assisti – depois disso, sinto sempre um aperto no coração, um certo incômodo extasiado de lirismo inexplicável e um certo medo, quase pânico, da sociedade da qual fazemos parte, quando me preparo para assistir a outro filme dele).
Assisti ao filme pela primeira vez, acompanhado do artistamigo Max Vitor Sarzedas, numa sessão especial realizada no SESC e organizada pela fodástica psicanalista Eveline Mello S. Miranda. A história da operária imigrante com problemas de visão (interpretada pela cantora Bjork), tentando a vida nos Estados Unidos da América, transformando todos os ruídos opressivos das máquinas e da vida em música, sua luta e sofrimento pelo dinheiro para a operação do filho (para que ele não fique cego como ela, pois a doença é hereditária), sua resistência (inicialmente) pacífica e lírica à crueldade da sociedade que a cerca, todos esses elementos foram me causando encantamento (e, mesmo que apenas levemente, me fizeram até lembrar levemente de meus tempos de operário em fábrica de papel, quando me apelidaram de peão letrado, porque eu escrevia poemas, fazia faculdade e trabalhava arduamente – apesar de algumas trapalhadas como Chaplin em “Tempos Modernos” rs). Porém, a hora final do filme é um soco na cara: a crueldade da sociedade mata todo lirismo e sonhos da personagem. Resultado: depois da identificação e torcida pela personagem, nos resta a sensação de desconsolo, derrota coletiva, o pior de todos os sufocos toma nosso corpo e toma-nos pra sempre como um vírus indetectável. Parabéns, Lars Von Trier, detonou todas as minhas ilusões de um mundo melhor em duas horas e pouca de filme, meu mal estar agora é eterno e, por mais sadomasoquista que soe, mesmo esse tormento e desconforto são de uma beleza dura e indecifrável. Aprendi a detestar ainda mais os Estados Unidos da América com os filmes dessa fase de Lars Von Trier – the american dream is over pra sempre.
Em tributo a este fodástico filme, vai meu poema de hoje, meio tradicional, meio moderno, e bastante sufocado!
 
Dançando (e chorando) no escuro

Não pensei que as trevas fossem tão úmidas...
Revejo a moça na estrada deserta
Dançando sozinha, de alma liberta,
Com passos leves sobre as terras ríspidas.

Ela traz nos olhos a noite incerta,
Mas seu sorriso sustenta a luz lânguida
De uma perspectiva estranha, translúcida,
Qual vento que ampara a porta entreaberta.

E quanto mais o tempo lhe atropela,
E quanto mais a vista se esfacela,
Mais sons no escuro seus pés encontram.

E quanto menos o tempo lhe cede,
E quanto menos a vida concede,
Mais choro se meus olhos a encontram...

domingo, 30 de março de 2014

Poemas históricos: Memórias do Abril Despedaçado (Pelo futuro do vermelho em teus lábios)

Dia 1.º de abril está chegando e sempre recordamos dele como o Dia da Mentira. Dentre as grandes mentiras desta data, há a maior de todas, a famigerada 'revolução' de 64 (leia-se golpe dado por uma cambada de filhas da puta armados), na verdade, o cretino Golpe Militar dado no Brasil, sob patrocínio dos Estados Unidos da América (leia-se pretensioso dono metido à besta e babaca da América), sempre paternalista e temeroso de que seus filhos, tratados como bastardos, saíssem de suas acolhedoras garras e mudassem para sonhos anti-estadunidenses. A pedido e incentivo da fodástica artistamiga e ativista social Rosangela de Castro, construí a poucas horas atrás, um poema que relembra esses momentos sombrios da História brasileira.
Um poema pra lembrarmos de não esquecer, um poema para que o sonho interrompido pela ditadura militar volte a ser sonhado. 
 Em tempo: Amanhã, 50 anos depois do turbulento acontecimento, será realizado um Ato contra o Golpe Militar, na Calçada da Fama, no Centro de Teresópolis/RJ, às 17:30h. Vale a pena participar, vale a pena não deixarmos a nossa história e sonhos morrerem. Arte sempre e sempre à esquerda!


Memórias do Abril Despedaçado 
(Pelo futuro do vermelho em teus lábios)

Em todo dia primeiro de abril, me lembro da Revolução da Mentira,
Os lobos maus fardados fingindo de boas meninas,
Nós armados em nossas gargantas,
Nós amarrados na intolerância,
Nossos anos de chumbo,
Nossos ânus imundos
Pela invasão dos dedos duros
Dos fiscais da tortura e da boa conduta.
Presos em celas secretas
Por pensarmos em nossa Sierra Maestra,
Eles estupraram nossas fantasias
E, até hoje, comemoram o fim de nossa rebeldia.

Todo grito de protesto hoje teme ser beijado pelo cacetete do soldado,
Todos os direitos se calam diante do desrespeito do Estado Armado;
Em Teresópolis, a Liberdade de Expressão virou nome de sala de opressão
Em Câmaras de vereadores e de bajuladores da situação.

E aquele velho general, honey baby, condecorado por sua violência
Hoje posa sorrindo com seus filhos, futuros candidatos à Presidência;
E aquele artista rebelde, honey baby, torturado quase até morte
Hoje é um homem perdido, mendigando nas ruas com nomes de coronéis,
Perdeu os dedos e os anéis, está entregue à própria sorte,
Espera um bilhete premiado num jogo de esquerda que não existe mais.

O mundo todo repousa à direita, honey baby, e dorme estagnado
Em coletivos caros e lotados,
Em coletivos privados
Que os pobres não podem pagar,
Enquanto o sol vermelho nasce do outro lado
E ninguém consegue mais enxergar...
Aquele velho navio perdeu a direção no Estado do Rio
E hoje vive atracado em um porto vazio
E eu não sei, honey baby, quando vamos reencontrar a passagem
Pra realizarmos aquela velha viagem
Mas, nem por isso, vou deixar de procurar!
Mesmo derrotado, não vou me render,
Mesmo ferido, não posso esquecer,
Porque é só lembrando, honey baby, que vamos rever
O paraíso interrompido pelos soldados e pela tevê.
Honey baby, o sonho ainda está vivo,
Vermelho e constante como o nosso sangue,
Contra o verde desbotado dos tanques,
O sonho ainda está vivo em mim e em você! 


Ao Vivo: Os Filhos das Flores Bebem Beatles e Silêncios no Identidade Cultural

Um dos eventos dos quais mais curto participar (além do Sarau Solidões Coletivas, é claro, que em breve vai voltar) é o Evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, organizado pela mais-que-fodástica artistamiga e ativista cultural Janaína da Cunha. E a mais recente edição do evento, ocorrida no dia 15 de março, no Bar e Restaurante Amarelinho da Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro/RJ, foi um dos mais especiais. O evento comemorava 2 anos de existência, resistência e pluralidade cultural e, nele, tive a oportunidade de apresentar meus poemas beatlemaníacos ao lado do fodástico músico e amigo Leandro Ribeiro e do rapper T G Monteiro. Abaixo, posto o vídeo desse mais-que-fodástico encontro lírico-musical.
Em tempo: Leandro Ribeiro e eu faremos nova parceria no evento "Encontro Musical", organizado pelo próprio músico, no dia 09 de abril, às 20h, no Papaloka Choperia & Creperia, em São Gonçalo/RJ. 




quarta-feira, 26 de março de 2014

Solidões compartilhadas de resistência lírica: Victor Martins, o Escravo da Palavra (com muito estilo e prazer!)

Um dos fatos que, apesar das postagens espaçadas, me faz insistir no blog é a mais-que´fodástica interação entre escritores que esse espaço virtual coletivo me proporciona. Há algum tempo, tive o prazer imensurável de receber do poetamigo e também blogueiro Victor Martins (ele possui um blog fodástico de poemas chamado “Desaba Devaneios” – segue o link: http://desabadevaneios.blogspot.com.br/), inspirado em meu poema “Elegia 2014”, publicado recentemente aqui no blog. “Saiu simples e direto! Tanto que, quando li o teu post e tua elegia,saiu espontâneo...e a poesia tem que ser assim: natural!”, afirmou o fodástico escritor paulista Victor Martins, após me enviar o seu mais-que-fodástico poema pela caixa de mensagens do facebook.
É claro que eu não poderia deixar de publicar para os amigos leitores essa obra-prima de Victor Martins. Por isso, hoje tenho a honra de dividir minhas solidões poéticas com esse formidável poetamigo que traduziu, de forma e lirismo fascinante, a nossa insistência e resistência em continuar escrevendo poemas, buscando palavras, desabando em devaneios, apesar de todos os pesares que o mundo nos traz, o eu lírico de Victor Martins nos lembra de que é preciso continuar fazendo arte, independente dos obstáculos.
Que a poesia permaneça inabalável e maravilhosa em nosso universo, como nos mais-que-fodásticos escritos líricos de Victor Martins. Enfrentemos a dura realidade com arte, amigos leitores, nunca nos esqueçamos da saudação: Arte Sempre!!!
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Escravo da Palavra

Sou escravo da palavra
ainda que minhas preces estejam escassas
e minhas estruturas abaladas
ainda assim serei escravo da palavra

Ainda que o monstro da rotina
me atormente nas estradas
afundando minha nuca no travesseiro
serei o poço fundo da esperança

Ainda que a noite caia no mundo
inundando meu corpo na escuridão
sem mostrar piedade divina
terei ainda a luz da sala ligada

Ainda que o campo minado me atormente
com seus pequenos espaços de sobra
num caminho tortuoso de correntes
segurarei firme o meu lápis e meu caderno

Ainda que a sociedade esteja caída
perdida como formigas sem um percurso
no firme circulo do desespero
ainda assim serei escravo da palavra!


sexta-feira, 21 de março de 2014

As canções que ninguém fez pra mim, mas são minhas mesmo assim: Por que não consigo viver com ou sem “With or Without You”

Demorei, mas retornei outra vez! E não poderia voltar de outra forma: trago hoje uma nova seção ao blog, batizado de “As canções que ninguém fez pra mim, mas são minhas mesmo assim”, onde contarei as lembranças que tenho de canções que marcaram minha vida.  Estréio com a lembrança da canção “With or Without You”, da banda U2. Em tempo: contei essa história, numa das dinâmicas que realizei com os alunos da E. M. Alcino Francisco da Silva, durante o Curso de Carta Argumentativa com o tema “Como a música influencia minha vida”, onde cada um trazia uma canção e dizia por que ela fazia parte da trilha sonora de sua vida.
Toquemos as lembranças e leiamos as canções da trilha sonora de nossas vidas, amigos leitores!




Por que não consigo viver com ou sem “With or Without You”

Na primeira vez que ouvi a canção “With or Without You”, da banda U2, senti múltiplas sensações, inexplicáveis para os meus tímidos 14 anos.
Ouvi a canção pela primeira vez num filme exibido na Tela Quente, na TV Globo, chamado “Contagem regressiva” (não me lembrava bem do nome;  o Google que me auxiliou nesse resgate de minhas memórias rs). No filme, entre explosões e muita ação, o terrorista Lian Gearity, interpretado pelo fodástico Tommy Lee Jones, em seu percurso de vingança contra seu ex-pupilo Jimmy Dove, (Os dois participaram do grupo terrorista IRA, o Exército Republicano Irlandês, que atua na Irlanda contra a ocupação inglesa no país. Lian não se importava de matar inocentes nos atentados do IRA, mas Jimmy sim. Por não concordar com isso, Jimmy vai morar nos Estados Unidos, deixando seu mentor ser preso), o vilão – carregando diversas mágoas e angústias do passado – compra uma fita da banda U2 com uma vendedora numa feira. A partir daí, o personagem de Tommy Lee Jones passa a armar suas bombas, ouvindo U2 em seu walkman, mantendo seu plano de explodir com parte dos Estados Unidos e detonar a reputação de Jimmy. O enredo é explosivo, mas o que achei mais fodástico na época é que as músicas do U2, quando tocavam, vinham legendadas em português; nunca vou me esquecer daqueles momentos tensos em que Lian armava uma bomba, ouvindo “With or Without You”, a tradução da canção passando na tela, Jimmy com os nervos à flor da pele, sem achar uma solução para o conflito e ainda sem saber ainda bem onde e o que estava enfrentando.
“See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side
I wait for you
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait... without you”
(Veja a pedra surgir em seus olhos
Veja o espinho enganchar em seu lado
Eu espero por você
Ilusão e ironia do destino
Sobre uma cama de pregos ela me faz esperar
E eu espero... sem você)
Aquele lance do refrão “I can’t live / With or without you” (“Eu não consigo viver/Com ou sem você”) me dava um nó na garganta, explodia minha cabeça tímida de 14 anos (vivia trancado em meu quarto, ouvindo música, lendo, vivendo paixões invisíveis em sonhos e namorando mulheres fantasmas), aquela entrega repetida insistentemente (“And you give yourself away / And you give yourself away / And you give/ And you give / And you give yourself away” – “E você se entrega / E você se entrega / E você / E você / E você se entrega”), os paradoxos profundos demais para meus sentimentos em parafusos (“she's got me with / Nothing to win / and nothing left to lose” – “Ela me tem com / Nada a ganhar e / Nada mais a perder”), que desespero era aquele? Que angústia podia ser tão desesperadamente calma? Como uma dor podia ser tão bonita, tão lírica? “My hands are tied”... Minhas mãos estavam atada e eu não podia mais ver o mundo de forma simples e não podia  viver mais com ou sem aquela música do U2. Enquanto bombas explodiam na tela, eu implodia um novo eu em mim... mas ainda não havia experimentado completamente aquela música...
2 anos depois, já nos meus 16 anos de idade, em meus passeios pela subida da rua da Catedral Nossa Senhora da Glória, no centro da melancólica e interiorana Valença, reencontrei a música “With or Without You”. Naquela subida, super-movimentada na época, havia, no antigo Casarão, o Bar do Santanna, cujo dono, volta e meia, numa programação contagiante e constante,  deixava tocando, em alto e potente som CDs e LPs de canções de rock, entre eles o do U2 – esse repertório rock do Bar do Santanna embalou a juventude da época, que, à noite, vagava  na rua e parava, muitas vezes, ao lado do estabelecimento citado (o bar ficava literalmente “no coração da rua”).
Foi numa dessas idas e voltas pelo pequeno (mas movimentadíssimo) centro de Valença, que parei ao lado do bar e ouvi mais uma vez a canção “With or Without”, eu, com as minhas calças rasgadas, minhas camisas pretas de bandas undergrounds,meu tênis furado,  meus resquícios de ‘grog’ (estilo que inventei pra mim, uma espécie de movimento dos viúvos do grunge), minha poesia ainda engatinhando. Eu prestava a atenção na canção (como aspirante a poeta, sonhava fazer uma letra fodástica daquela algum dia...), quando meus devaneios foram interrompidos por meu amigo: “Hey, tem uma garota a fim de te conhecer”. A tal garota era uma espécie de menina veneno morena, ninfeta precoce de 14 anos; meu amigo me alertara que ela já tinha ficado com vários caras, inclusive ele, e que ela era fogo, tinha o apelido de “desmancha bolinho”, pois, quando separava de um, logo logo ficava com um amigo do indivíduo, provocando relações tensas entre círculos de amizade. Se eu ficasse com ela, deveria ter cuidado. De todos os seus conselhos, só ouvi os “uma garota tá a fim de você” e “ficasse com ela”; ninguém tem cuidado aos 16 anos de idade. Fiquei com a garota e fui ficando e me apaixonei (eu era 2 anos mais velho, mas ela estava mil anos luz a minha frente, ah, aos 16 anos, nós, rapazes, não passamos de um bando de bobos!)... “I can’t live”... Eu já não me imaginava com ou sem ela.
Então vieram as brigas, ela me acusou do que eu não fiz, chorou, me fez me sentir o pior dos seres humanos e, conforme meu amigo me profetizara, ela ficou com um conhecido meu. É aí que a canção “With or Without You”, do U2, me persegue. Eu me sentindo o pior dos lixos, o maior detrito de todas as sarjetas do mundo (é, aos 16 anos, somos dramáticos a ponto de beirarmos o tragipatético), não conseguindo imaginar uma forma de tirá-la da cabeça, estava ao lado do Bar do Santanna, tentando só sofrer por dentro e manter uma máscara de sorriso. Então a canção do U2 tocou, ah, desgraça!... Parecia uma cena de cinema, daquelas mais desesperadoras, enquanto a canção tocava (“My hands are tied / My body bruised” – “Minhas mãos atadas, meu corpo machucado”), avistei lá embaixo ela passando de mãos dadas com meu amigo. Não chorei... por fora, mas as explosões do filme “Contagem regressiva” e a sensação de traição e desejo de vingança do personagem de Tommy Lee Jones retornaram em minhas lembranças como um atentado terrorista. Só que nesse ataque, só eu, o tolo homem-bomba, explodiu. Então a letra fez todo sentido; comecei a entender o que era não saber viver com ou sem ela. E, por mais sofrido que tenha sido o aprendizado, encontrei uma dor bonita em tudo aquilo; eu estava pronto pra escrever mil poemas. E assim aprendi a desabar em versos... “Through the storm we reach the shore” (“Através da tempestade, alcançamos a costa”). “With or without you” Era preciso continuar com ou sem ela.
Volta e meia, a canção do U2 me retorna. Ouvi-la de novo é retornar às raízes de minhas dores mais adolescentes e mais bonitas, é sentir a paixão e o abandono como se fosse a primeira vez, é reencontrar os amigos no primeiro Bar do Santanna - hoje uma lenda antiga em meio às ruínas do Casarão, é experimentar explosões esquecidas, é ver o filme de sua vida passando no ritmo de uma poesia.
Não, eu não consigo viver com ou sem essa canção...

sábado, 15 de março de 2014

Solidões Compartilhadas de Adeus: Vânia Ribeiro ensina "Como dizer"

Não há nada melhor que retornar ao blog, um dia depois do Dia Nacional da Poesia, com mais uma descoberta lírica: na última semana, durante uma oficina textual que realizei na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, conheci mais uma fodástica poetaluna! Seu nome é Vânia Ribeiro, cursa o oitavo ano do ensino fundamental, ama rock e conhece as escalas líricas dos sons e palavras que vêm da natureza e do coração.
O poema de Vãnia Ribeiro traz aquelas palavras que nos faltam na hora de um adeus, no momento de partir, dar a volta por cima, mudar um ciclo amoroso que não está dando certo. Vale a pena ler e reler o poema - há música no silêncio de suas palavras, há espaços de angústias que gritam entre uma e outra estrofe, há uma dor linda na dificuldade da partida.
Aprendamos com a fodástica poetaluna Vãnia Ribeiro como dizer o que muitas vezes não sabemos dizer.


Como dizer

Como dizer que te esqueci?
Como dizer que já não te amo?
Como dizer sem te magoar?
Tudo o que queria:
Saber como...

O sentimento que eu sentia
Aos poucos se apagou
A distância muito dificultou
E eu não sabia...

Cada dia sem você
Parecia uma eternidade
Mas agora não
Não sei como explicar
Enfim, coisas do coração...

Não sei o que a gente tinha
Mas sei que era muito bom
Porém não dá para continuar
Tudo na vida tem um fim
Infelizmente o nosso chegou.

Saiba que eu te amei muito
Mas não posso continuar
Desculpa, já não sei
Como é te amar...


sábado, 8 de março de 2014

Solidões Femininas Compartilhadas: No Sótão com Luana Cavalera

Hoje é o Dia Internacional da Mulher no universo real. Aqui no blog, na arte dos Diários de Solidões Coletivas, todo dia é Dia Internacional da Mulher, seja com as escritoramigas que compartilham comigo suas solidões coletivas, seja com as leitoramigas, comentaristas ou não comentaristas, que doam seu tempo e seus olhos a essa página lírico-virtual e a tornam parte do universo lírico-real, seja com os eus líricos femininos que todo artista carrega (artista que é macho tem que admitir seu lado feminino!), seja como for, sempre houve e sempre haverá uma mulher em cada poema, em cada escrito, em cada pintura, em cada olhar.
E, pra brindar esse dia especial, compartilho minhas solidões poéticas com a fodástica poetamiga valenciana Luana Cavalera, uma das maiores defensoras da volta do Sarau Solidões Coletivas (em breve, breve, artistamiga!), rainha da poética underground (reinado que divide com a poetamiga Karina Silva) e uma das escritoras que mais evoluiu e transcendeu sua artitude (arte + atitude) a cada sarau que fizemos.
Que tal darmos um passeio pelo sublime sótão poético da fodástica poetamiga Luana Cavalera neste Dia Internacional da Mulher?
 
No sótão (ou No sotton)

Tentando se esconder, se anular dos olhos críticos
Leva sua bebida, cigarros e um livro.
Olha da janela... os erros repetidos lá fora
O céu poluído, a cidade suja, pessoas respirando mentiras
Olhe pra você: o que você vê?
Você é só uma garota diferente.
O que tem seu tênis sujo, seu jeans rasgado?
Se preocupe com seus olhos cansados e pesados...
Como se uma tempestade fosse chegar
Entre as coisas esquecidas no sótão, você é só mais uma.
Acredite que pode ser melhor.
Reabra as cortinas sem medo.
Ninguém tem poder sobre você,
Ninguém pode lhee dizer como viver,
Por que deixar de ser você? Pare de se esconder
Desça!
E comece a ser o que eles não são
Desça degrau por degrau,
sem medo, sem culpa por não ser igual!

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...