Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
Hoje compartilho mais uma vez solidões poéticas com o
poetamigo valenciano João Júnior. Desta vez, o conhecido e reconhecido
intérprete e compositor da banda de rock Black Bullets nos traz o seu poema
premiado em primeiro lugar no Concurso de Poesias do Colégio Estadual
Theodorico Fonseca, onde o poeta fazia o Curso Técnico de Informática. A obra
premiada nos traz uma prece ao tempo apressado.
Paremos o tempo para lermos o fodástico poema de João
Júnior, amigos leitores!
Pela segunda vez, mas pela primeira em versão solo (na solidão
compartilhada anterior, ele dividia seu espaço com um grupo seleto de
poetalunos premiados em concursos literários), compartilho minhas solidões poéticas
com um dos poetalunos de maior talento que já tive, o atual teresopolitano (ele nasceu em Além Paraíba/MG) Geovane
Alves dos Reis, da E. M. Alcino Francisco da Silva. Botafoguense e dono de uma
poética extremamente própria e apaixonada, Geovane nos apresenta sua estrela lírica
e solitária: um poema de ganhos e perdas, com mais ônus que bônus, inspirado em
“Virgem”, de Marina Lima, e “Someone Like You”, de Adele (interessante que o
poema também me faz lembrar a Legião Urbana fase “Tempestade” – “Diários das
solidões”, de Geovane Alves dos Reis, tem um quê de “Longe do meu lado”, “Livro
dos dias”, canções de Renato Russo em seu momento mais derradeiro e difícil).
Aproveito para recomendar o fodástico blog do jovem poeta
(ele possui apenas 14 anos e já traz um lirismo maduro e de qualidade rara),
atualizado sempre com excelentes poemas, crônicas, impressões e, como nos reafirma
o nome do blog, “palavras do coração”. Segue o link para os leitores que querem
sair da racionalidade fria do dia a dia e esquentar os olhos com palavras de
emoção: http://palavraasdocoracao.blogspot.com.br/
E agora leiamos o “diário das solidões” que Geovane Alves
dos Reis nos traz:
Hoje relembramos, por mais um ano, o terrível ataque de
terroristas afegãos às Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001. Faz 12
anos do acontecido e o rancor cego permanece cada vez mais invencível entre
estadunidenses e afegãos. A sensação que temos quando tocamos no assunto é a de
que algo pode voltar a explodir, destruir a qualquer momento. O ataque
terrorista do 11 de setembro gerou a famosa “Guerra ao terror”, que, ao contrário
do que o nome propôs, gerou mais terror e rancor entre as nações.
Pensando nisto, fiz uma paródia séria - o que chamamos de paráfrase, texto que faz referência a outro texto, sem o teor humorístico da paródia - da canção “Flores
astrais”, de Secos e Molhados (a imagem do verme passeando na lua cheia me faz
lembrar o ódio rondando nas luzes de paz efêmera de nossa civilização, cada vez
mais violenta em seu processo ‘civilizatório’), para refletirmos sobre os males
e monstros que procriamos quando tentamos medicar nossas dores (sim, o quarto
verso do poema é uma referência ao romance “O médico e o monstro”, de Robert
Louis Stevenson – como os Estados Unidos, todos temos um lado médico
aparentemente cordial que oculta um monstro altamente destrutivo para o mundo
ao redor e para nós mesmos). A referência a Judas, no antepenúltimo verso, é
clara: assim como este foi apóstolo de Jesus, Bin Laden foi disciplinado pelos
próprios Estados Unidos, e, tanto Judas quanto Bin Laden, tornam-se inimigos
mortais de seus Mestres.
"Autorretrato" do pintor israelita
Menahem Shemi.
Está exposto nesta postagem
por uma coincidência de datas:
houve uma exposição
dos quadros dele
no Museu de Arte de Tel Aviv,
no dia 11 de setembro de 2009.
É interessante observar
o jogo sóbrio de cores e
pensar na arte como alternativa
pra currarmos nossas feridas,
sem despertar-nos o monstro ferido.
Que plantemos flores ao invés de armas nos setembros
futuros, pelo bem de nosso mundo, pela não extinção da verdadeira civilização.
Hoje um sol intenso abraça na janela dos quartos do mundo, renovando velhos sonhos de infância. Por esse motivo, novamente compartilho minhas solidões poéticas com a poetamiga fodástica, a valenciana Jaqueline Cristina, autora do blog "Deliciosa Ilusão" (vai o link: http://deliciosailusao.blogspot.com.br/).
Voltemos à inocência, amigos leitores! Pra ser lido, ouvindo "Imagine", de John Lennon.
Gostaria de voltar à inocência,
sorrir sem me preocupar com o que irão pensar de mim,
viver como se homens maus existissem só em televisão,
Faz exatamente um ano que compartilhei solidões poéticas
pela primeira vez no blog com o fodástico poeta valenciano Felipe Souza. Dono
de um lirismo grunge pós-moderno misturado a uma filosofia oriental com pitadas de ironia melancólica, elementos que imprimem ao poeta um estilo único e extremamente autoral, Felipe Souza passou por uma fase poética minimalista na época em que
organizávamos o UniVersos Culturais de Valença, em janeiro de 2009. Relembrei
disso porque encontrei, anotados pelo próprio poeta dentro de um caderno de
anotações meu, alguns dos poemas que ele escrevera nessa época – há algum
tempo, perguntei ao autor se ele lembrava desses escritos e ele mesmo confessou
não se lembrar. Por isso, retiro esses poemas da poeira do tempo e revelo-os ao
próprio autor e aos leitores. Que os poemas acordem do esquecimento e
renovem-se na eternidade.
Setembro começou com um grito antecipado de Independência da Arte Valenciana!
Bar da Néia, Bairro Parque Pentagna, Valença/RJ, dia 01 de
setembro de 2012 - Antecipando a Independência do Brasil no Parque Pentagna, o
Sarau Solidões Coletivas In Bar realiza uma edição especial do evento,
homenageando os "Belos e malditos - O underground e a periferia na
arte".
Abaixo seguem os vídeos desse sarau libertário:
Nesta primeira parte, vemos a abertura com Carlos Brunno S.
Barbosa declamando "Independência ou Morte", hit da banda Fábrica
Brasil; a "Cena underground" com Karina Silva; o "Rap do
PP", com Giovanni Nogueira e Mc Remf; a comédia stand-up com Ronaldinho
Brechane; a estreia de Rafael S. Barbosa declamando "Benditos sejam os
malditos", de Carlos Brunno S. Barbosa; Duarte; Patrícia Correa; Cíbila
Farani; Giovanni Nogueira declamando poema interativo com apoio musical de Zé
Ricardo (com direito a um trecho de música do Nirvana incidental); Zé Ricardo
com nova canção "ainda sem nome".
Nesta segunda parte, vemos a abertura com Carlos Brunno S.
Barbosa declamando "Solidão moderna", em parceria com Karina Silva;
Gilson Gabriel; Mc Remf com Pequitito e Zé Ricardo nos violões (essa parte do
vídeo foi prejudicada, pois o cartão de memória da cãmera ficou cheio bem no
meio da apresentação); nova parceria do casal Érick Ramos e Viviane Ramos;
Carlos Brunno S, Barbosa declamando poema de Alexsandro Ramos; o
"Underground" com Giovanni Nogueira; Ana Rachel Coêlho declamando o
poema "Esse ódio", do poetaluno Ivan Esteves, da E. M. Alcino
Francisco da Silva, de Teresóplis/RJ; Duarte; Cíbila Farani; Patrícia Correa;
Chico Lima; Luciana; Wagner Monteiro mandando poemas próprios e um 'cover' do
fodástico Manoel de Barros; Luciana declamando um poemaço de Álvaro de Campos,
heterônimo de Fernando Pessoa; Juliana Guida Maia esbanjando lirismo com um
novo velho poema.
Nesta terceira parte, vemos o free style de Mc Wallace Remf
com Pequitito (violão) e Giovanni Nogueira (baixo); nova interpretação de Ana
Rachel Coêlho em prol da libertação dos corpos; Duarte; Sonia Rachid; Wagner
Monteiro; a estréia de Fernandinho no sarau homenageando Zé do Caixão; o
tributo punk poético ao Lobotomia com Carloa Brunno S. Barbosa (declamação),
Bruno Luís (guitarra) e Giovanni (baixo); Karina Silva e os poemas undergrounds
de Giovanni Nogueira.
Nesta quarta parte, temos o show antológico da banda Black
Cult, com músicas próprias e covers de Nirvana e Iron Maiden, para delírio dos
frequentadores do sarau. Apresentação de Giovanni Nogueira e participação de
Carlos Brunno, com a declamação mais heavy lírica de sua vida.
A banda Black Cult é formada por Gabriel (voz), Davi Barros
(guitarra), Babi (guitarra), Mauricinho "Throll Cadaver" (baixo) e
Uli Hel (bateria).
Nesta quinta e última parte, vemos Carlos Brunno S. Barbosa
declamando poemas de Alexsandro Ramos, de Érick Ramos e de sua própria autoria;
free style de Mc Wallace Remf acompanhamento de sua avó no pandeiro, Giovanni
Nogueira, Babi e Davi Barros mandando ver com a banda prog noise Gadernal;
Ronaldinho Brechane com sua infame piada final; Renato sem palavras pra
expressar seu poema (rs); e o making of do sarau, filmado por Giovanni
Nogueira.
Estou de volta, amigos leitores! Após dias de saraus
intensos e muitos trabalhos na escola (o terceiro bimestre é um dos mais
corridos; quem é profissional da educação sabe disso), volto com uma postagem
de um poema antigo, mas que tem tudo a ver com a suposta ‘independência’ que
comemoramos nesse 7 de setembro.
Pra começar, lembremos que a História oficial de nossa
Independência é uma farsa completa: o tal “Grito de Independência às margens do
rio Ipiranga” só aconteceu na imaginação do pintor Pedro Américo; D. Pedro I
estava com uma dor de barriga imensa e mal teve condições físicas de
declarar-nos independentes de Portugal (lembrando que as dívidas da Coroa
portuguesa foram todas passadas para o Brasil recém-independente e que passamos
a ser governados pelo filho de quem nos colonizara durante tanto tempo, tanto
que nosso processo de independência foi o menos sangrento de toda América
Latina). Deixando essa dura versão à parte (“A verdade é que não existe
verdade”, já dizia Pablo Neruda), o poema postado hoje, anteriormente publicado
em meu terceiro livro “Note or not ser” (2001), usa como eu lírico a
personalidade oficial de nossa Independência, o D. Pedro I criado pelos antigos
historiadores, lamentando, do céu, a nossa falta de liberdade nos dias atuais. O
poema ainda cita problemas do cotidiano que continuam ‘incuráveis’, como a
superlotação em ônibus, a quebra das fábricas nacionais – principalmente as
têxteis – durante o processo desigual do início da globalização – quem era rico
ficou mais rico, quem era pobre ficou mais pobre, mas alimentado com a promessa
de que um dia poderia ficar mais rico que os países do invejado Primeiro Mundo.
Eis meu retorno: procurando o grito de independência
sufocado em nosso cotidiano. Pensemos e procuremos nossa liberdade, amigos leitores,
antes que o imaginário Grito de Independência torne-se, ao invés de realidade,
um mero feriado nacional, o qual, às vezes, nem nossos alunos reconhecem.