quinta-feira, 2 de abril de 2015

Solidões Compartilhadas: O homem livre no poema de Carlos Patryk Stvanin Ramirez

Há algum tempo atrás, na edição de fevereiro do Sarau Solidões Coletivas, tive a alegria de rever o escritoramigo Carlos Patryk Stvanin Ramirez, de Valença/RJ. E não apenas revê-lo: durante o evento, o talentoso artistamigo se dedicou febrilmente a escrever um novo poema, enquanto o sarau acontecia. Relembrei esse fato devido ao período de Páscoa, onde refletimos sobre a morte, vida e ressurreição, tema bem próximo de “Homem livre”, poema escrito por Patryk naquele dia, o qual compartilho hoje no blog.  
Como já disse antes, a escrita poética de Carlos Patryk Stvanin Ramirez é febril, dada a momentos de escrita quase automática, com jogos de frases e palavras que lembram os momentos mais frenéticos da poética de Álvaro de Campos, heterônimo do genial e mais-que-fodástico poeta português Fernando Pessoa, somados a momentos místicos e alucinados como alguns dos textos escritos pelo lúcido e louco poeta Gentileza. Declaradamente fã de Baudelaire, Carlos Patryck não traz uma leitura fácil, do tipo que podemos ler distraidamente; sua escrita é fodasticamente tensa, de um lirismo incomum e único.
Vale a pena ler e reler o poema de Carlos Patrik Stvanin Ramirez, amigos leitores, e que venham mais incríveis textos desse talentoso gênio lucidamente louco!

Homem livre

Viver na verdade é morrer.
Morrer é a cada instante.
Para viver, basta estar vivo.
Quando este tempo acaba – o de estar vivo – é preciso ter vivido
e para estar vivo é necessário manter a vida,
então mantenha,
mas aí se percebe que a vida lhe foi cedida pela morte
que vive solitária por si mesma,
por ser um ser egoísta,
apesar de repartir sua essência,
é um ser egoísta.
Para não ser independente dos vivos que morrem,
para viver quando estiver difícil,
morra lentamente e depois viva mais rapidamente
e, nesse momento que se vive mais rápido,
morrendo mais devagar para depois morrer mais rápido,
morrendo mais devagar para continuar entre os vivos,
até mesmo quando ou enquanto morrem
porquanto vivem a matar ou morrem por viver.
Quando morrem por matar então é preciso morrer por fazer matar.
Por vivo estar, este absurdo é possível.
Depois que não for mais, então estarei a viver o absurdo que não mais há.
Um homem que precisa ser livre, primeiro precisa ser livro
e, quando se der conta, deixou de ser apenas livre e se tornou livro,
verdadeiramente livre,
o homem livro.

Carlos Patryk Stivanin Ramirez


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