sábado, 25 de abril de 2015

Clube da Esquina das Bicas (Liberdade e Solidões Coletivas, ainda que tardias)

E lá se vão 3 anos de Sarau Solidões Coletivas... Passando por altos e baixos, loucura sensata sensitiva e lírica louca lucidez, o Sarau Solidões Coletivas sobrevive, às vezes ‘trupica’, mas jamais cai, sempre coletivo, apesar dos males dos que só acreditam em sonhos individuais. Por isso, é momento de comemorar – por isso, realizaremos hoje, dia 25/04, a partir das 19:00h, nossa festa lírica de aniversário de 3 anos, com o tema “COMUNA DA ESQUINA DAS BICAS: LIBERDADE E SOLIDÕES COLETIVAS AINDA QUE TARDIAS” - TRIBUTO LÍRICO AOS POETAS ÁRCADES E AO CLUBE DA ESQUINA, na Comuna da Quinta das Bicas (quintal da casa do Gilson Gabriel), em Valença/RJ, e convidamos a todos os amigos e artistamigos para participarem desse evento de suor e resistência em prol da arte coletiva.
Em homenagem a todo esse clima festivo e a essa homenagem ao Clube da Esquina e ao Sarau Solidões Coletivas, trago 4 poemas inéditos, de minha autoria, intitulados “Clube da Esquina das Bicas (Liberdade e Solidões Coletivas, ainda que tardias)”  que fiz especialmente para a ocasião.
E sonhos não envelhecem, amigos, comemoraremos hoje 3 anos de eternidade, e não de envelhecimento. Vida Longa ao Sarau Solidões Coletivas! Liberdade e Arte Sempre!

Clube da Esquina das Bicas (Liberdade e Solidões Coletivas, ainda que tardias)

Prisioneiro do cafezal

O anel de Zapata machuca meus dedos,
o anel de Zapata não me cabe mais,
mas eu insisto na loucura de mantê-lo
em minhas mãos pálidas sem paz
Quero entregar minha utopia pra ti,
mas tu não queres mais sonhar.

Tu preferes o colonial,
tu preferes a monarquia,
imperatriz do capital,
derrubaste todas as minhas guerrilhas.

Prisioneiro do cafezal,
planto sozinho as sementes de uma manhã perdida.
Prisioneiro do cafezal,
em prantos, sozinho, de frente pro amanhã sem vida.

Cantiga de esquina de amigo sem amor (Medieval do rio sem mar)

É outro quarto de hora
neste quarto sem lar
e as praias de outrora
navegam nos rios de cá.
É o sal no só dos olhos sem mar,
é  tua imagem de novo a me escapar.

Ausência presente no orvalho da aurora,
és presente noturno na manhã que acorda,
dança solitária que a dois convoca inglória
serenata passada queimada pelo sol do depois
sem pois sem nós sem nos nem dois.

E eu bailo pálido com o fantasma de teus braços,
e eu te abraço frágil com a força e aço de um asmático
que não quer se perder, que não quer te perder, mas perde o ar
e, assim, perdido, sempre vem te encontrar, mesmo sem te encontrar
e eu vou te encontrar apesar de pesar sem pesar apesar de todo pesar.

É outro quarto, senhora,
neste quarto sem hora
e os meus rios sem lar
nadam pras praias de lá
E lá é só eu só com o advérbio adverso a te afastar,
é o teu mar conjugando de novo o velho verbo escapar.

Um cafezal anoitecido pelo sol do desespero

Café, pica-pau, crescer e sonhar
A infância azul no peito amarelecido
 A fé, cafezal, se perder sem rogar  
Por onde andam os garotos perdidos?

Se eu chorar não me interne não
É só nostalgia
Eu só preciso beber com você
Num dia cinza
Sinto gosto de lembrar
Poesias perdidas
Quando vou crescer?

Pó, sonrisal, frenesi lento drogar
Por onde anda aquele velho menino?
Má fé, matagal, entardecer sem lograr
Um cafezal anoitecido pelo sol do desespero

Se eu fumar não denuncie não
É só loucura
É saudade de fazer antigas travessuras
É o velho menino fugindo da realidade crua
Estou sozinho a ferver?
Você se queima também?
Ou será que é só a tarde a queimar?

O meu desapego tem a palidez de um velho menino
Ou o cafezal que tem a escuridão de um pesadelo?

Esquina da Contradição

Quero beijar o besouro louco
que dança em bocas pintadas,
 cometer crimes sem vilania,
desfazer o que não se desfaz,
dançando no descompasso, passo, passo...

Eu quero toda vertigem
daqueles homens risonhos
porque os tristonhos me envelhecem
sempre trabalhando tardes
sem verde e sem oxigênio
Prefiro os faunos, faunos, faunos...

Que venha uma nova paz, maresia...

E basta de cortar os matos
e basta de contar perigos
que esse fogo é meu amigo
e a sujeira da contradição
vem da proibição
do que é límpido, límpido...

Que venha a liberdade, ainda que tardia...

E o límpido é culpado inocente,
incriminado pelas barreiras
de políticos torpes religiosamente ímpios.
Na esquina escura vaga-lumes brilham
escondendo luzes inocentes,
sentes, sentes, sentes...




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