quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais um poema nirvanamaníaco: Todas as apologias (inclusive nenhuma)

Nos momentos mais solitários que passei no início desse mês de julho, fechando notas, me preparando para o recesso que todo professor já em frangalhos recebe para não surtar completamente, nesses momentos de suave desespero, entre frios, solidões e efêmeras e quase melancólicas alegrias, nesses momentos de perigosa paz e angústia inominável, quando gigantes voltam a dormir depois de farrearem sua onda de revolta e descontrole, depois do apito final do jogo, quando as torcidas adversárias ameaçam se estranhar, mas a partida foi péssima para ambos os times, nesses momentos em que tudo é tão quase nada, mas um quase nada que dói, que dá vontade de chutar o universo pra que em algum momento ele se transforme em quase tudo, nesses momentos delicados em que a minha alma pede violência pacífica, eu ouço as canções de Nirvana e me inspiro. E uma das canções que mais tenho ouvido é "All Apologies" - talvez pela sua sonoridade melancólica dilacerada, talvez por não ter hipótese ou talvez, eu gosto do som e me identifico com a música e uma coisa que aprendi com a geração grunge é que nem tudo precisa ter algum mirabolante motivo; na verdade, nada tem sentido se procurarmos motivos. 
Já estou falando demais, Kurt Cobain me faz divagar; vamos ao poema: trago aqui meu poema nirvanamaníaco, escrito após ouvir incessantemente a fodástica "All apologies", de Nirvana. A minha (sub)versão poética tem muito pouco a ver com o conteúdo da letra original, mas traz um pouco da filosofia niilista-nem-aí de Cobain.
Às vezes meus poemas precisam gritar como Cobain, amigos leitores...

Todas as apologias 
(inclusive nenhuma)

Olá, todos os reis Luís XV,
todos os apóstolos de Jesus,
todos que me dizem o que eu não sei,
todos aqueles que apóiam os gays,
todos que chegam em casa tarde,
e todos aqueles que me dizem nunca mais
Olá, todos os estranhos pra mim,
todos os ecologistas

Olá, todo som
todo som da sua voz
todo som,
todo som
que ferve
e me fere

Boa tarde pra todo vazio,
inclusive aos preenchidos;
boa tarde pra todo homem são,
inclusive ao louco sem pão;
boa tarde pra todo homem de bem,
inclusive pra aquele pastor gay;
boa tarde pra todos seres rastejantes
que comem todos os restos de liberdade degradante.

Boa tarde pra todo som,
todo som de nossos gritos sós,
todo som,
todo som
que berre
e me ferre
e fere,
fere, ai, ai, ai, ah!

Boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
que só tive no tempo jamais,
no tempo jamais... 



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