sábado, 20 de abril de 2013

Solidões compartilhadas: Raquel Leal entre a Guerra e o Poema


Hoje compartilho mais uma vez minhas solidões poéticas com a fodástica  poetamiga valenciana Raquel Leal, atualmente residindo em Volta Redonda/RJ. Hoje ela nos traz mais um emocionante poema, “escrito a alguns dias atrás e inspirado pelas dores que a dengue trouxe à poetamiga. Raquel Leal também se inspirou em "And so it goes", composição já cantada por Renato Russo, em um poema que fiz com o também fodástico poetamigo Aquiles Peleios ("O diálogo do poeta e do guerreiro", já publicado aqui no blog) e o título veio de "Armas químicas e poemas", um dos temas do Sarau Solidões Coletivas In Bar, que acontecerá hoje, inspirado na canção homônima dos Engenheiros do Hawaii.
Em tempo: Raquel Leal já confirmou presença no festivo Sarau Solidões Coletivas In Bar de hoje, dia 20 de abril, às 19 h, na Boite Mr. Night, em Valença/RJ, comemorando 1 ano do sarau!
Encontremos a luz do lirismo, entre as guerras de nossos íntimos e o poema quase perdido que nos ressurge, amigos leitores!
 
Entre a Guerra e o Poema

Desculpa, meu capitão.
Em tempos de guerra,
Escolhi a armadura errada,
Projetei em teus olhos
Minha clarividência
E fiquei com a visão embaçada.

Mas olha, o erro foi corrigido,
Um anjo que protege os iludidos
Guiou-me pela mão,
Mostrando-me que a leveza:
Era a salvação pro meu conflito.

Meu escudo é o vestido
Bordado de pérolas,
No qual brilham lágrimas invisíveis,
Mas que enfeitam os sorrisos
Oferecidos aos meus fantasmas.

Nessa guerra santa
Que se faz em terreno conhecido,
Meu maior inimigo
É o meu coração,
Bomba que não quis
Explodir na tua mão
Pra não te machucar.

E os cacos lançados
Da minha implosão
Voaram beijos radioativos,
Munição delirando de febre
Num corpo em guerra
Contra a própria perdição.

Infeliz se fez por um instante
Esse cansado e desfalecido
Estilhaçado, implodido
Coração de ninfa Oceania.

Mas Aquiles,
Aquele amigo guerreiro,
No instante derradeiro
Entre a falência e a vitória
Lembrou-me que a glória
Faz-se da união
De ombros cansados
Postos lado a lado.

A lembrança desse ensinamento antigo
Salvou meu coração iludido
Da mais terrível derrota
Que se daria a um poeta:
O silêncio...








Um comentário:

  1. Uiiiiii, em tempos de dengue, com um poema desses, quem é que diabos lembra desse mosquito, pelo menos o leitor, já o poeta, não sei dizer, talvez que as dores sejam o remédio, a cura e uma das maiores fontes de inspiração deste.

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