sábado, 29 de setembro de 2012

Canção sertaneja de despedida sem adeus para a Flor do sertão


Hoje estou envolvido em dois eventos (o “Identidade Cultural & Movimento Culturista”, organizado por Janaína da Cunha, às 11:30h, no Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa, na Rua da Carioca, no Rio de Janeiro/RJ, e o “Arte Valença 2”, organizado por Giovanni Nogueira, às 22:45h, no Circo Volante, no bairro Aparecida, em Valença/RJ), mas não posso partir, antes de deixar aqui um poema pra minha querida atriz e amiga Ana Rachel Coelho, que, devido a problemas de saúde na família, terá que partir de Valença para o Ceará, sem prazo de retorno. Como ela faz parte do Sarau Solidões Coletivas e também faz parte de meus amigos, minha história e minha vida, o poeta que vos fala não pode deixá-la sem compartilhar de sua dor. Não, não posso deixá-la sem ao menos um sorriso de poesia, uma lembrança cheia de amor, um adeus sem despedida:

Canção sertaneja 
de despedida sem adeus
para a Flor do sertão

Flor do sertão,
Por que estás tão murchinha,
Se o mundo e eu precisamos tanto
De um sorriso teu
Nesses instantes de agonia?

Flor do sertão,
Eu entendo a tua partida,
Sei que precisas enfeitar outros jardins,
Perfumar aos desertos da distância
Com tuas fragrâncias de alegria,
Mas pra que a lágrima, flor nordestina,
Se a primavera te sorri?
Pra que as trevas se trazes o bom dia?

Flor do sertão,
A primavera está tão fria
E sei que tens que ir
Para resgatares a estação perdida,
Mas não há calor se permaneceres aflita;
Leva na bagagem somente alegria,
Quero um sorriso teu na efêmera despedida.
Parte sem adeus, flor nordestina,
Parte, mas leva o mundo e eu na lembrança amiga;
Parte sem adeus, parte em harmonia!

Flor do sertão,
Deixa-me sem velórios de partidas,
Deixa-me como a valsa do casório,
Com a promessa de eternas idas e vindas,
Pois a primavera e eu precisamos de ti sempre florida.
Não me diga adeus, flor nordestina,
Diga-me apenas até breve, até outro dia!
Parte sem adeus, Flor do sertão, parte infinita!


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As Solidões Coletivas nos traços primaveris de João Paulo Maia

Hoje mais uma vez compartilho as minhas solidões poéticas com os poemas sem palavras do desenhista e artista plástico  valenciano João Paulo Maia. O último Sarau Solidões Coletivas ("Primavera nos dentes e Flores Astrais") marcou o retorno de João Paulo Maia ao evento e, cada vez que ele aparece, seus desenhos ganham novos contornos ao vivo (sim, ele produz os desenhos na hora, ao vivo, durante o sarau) e se tornam mais febris (o cara desenhou tanto, que usou até o papel toalha da mesa do bar, como vocês podem conferir nas fotos finais). 
A arte de João Paulo Maia dispensa comentários (o que não quer dizer que devamos esquecer de elogiar o fodástico artista). Leiamos as imagens dele e deixemos, amigos leitores, deixemos a poesia entrar pelo olhar.
















Desenho de João Paulo Maia feito no papel toalha de mesa,
onde rolava o Sarau Solidões Coletivas In Bar 6.

Desenho de João Paulo Maia feito no papel toalha de mesa,
onde rolava o Sarau Solidões Coletivas In Bar 6.

Quem quiser conhecer melhor a arte de João Paulo Maia, aí vai o link do artista (vale - muito mesmo - a pena conferir esse excelente portfólio):  http://www.flickr.com/photos/jpaulomaia/   


Expomusic 2012: Yeah, eu reencontrei o Paraíso da Música!



Parte 1: Come with me to Paradise!

“Venha comigo até o Paraíso / Vamos voltar novamente, / Vamos voltar novamente! “ – esses versos da letra de música “For tomorrow”, da banda de power metal / heavy metal Shaman (na letra original em inglês:  “Come with me to Paradise / Let's return again, / Let's return again!”) me vem à cabeça quando retorno ao Expo Center Norte, em São Paulo/SP, no dia 22 de setembro de 2012, para visitar a 29.ª Feira Internacional da Música, mais conhecida como Expomusic 2012. E não é à toa que associo letras de música da banda Shaman ao meu retorno ao Expo Center Norte, após quase um ano da Expomusic 2011 (foi em 24 de setembro do ano passado; confiram a postagem no link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/09/expomusic-2011-por-um-mundo.html ): o Shaman foi uma das principais atrações da Expomusic 2012 e, assim como a banda, retomo uma estrada sonora inesquecível; assim como a banda, tive um longo caminho – com muitas perdas, mas também com muitos ganhos – pra chegar até aqui.
Em 2006, André Matos declararia o fim do Shaman, fato efêmero se lembrarmos que Thiago Bianchi (vocal), Léo Mancini (guitarra), Fernando Quesada (baixo), Ricardo Confessori (bateria) e Juninho Carelli (teclado) deram continuidade à banda, em 2007, e permanecem em atividade, com a mesma energia, até os dias atuais. A boa música não morre, amigos; como a fênix, ela se refaz das cinzas e retorna sempre ao espetáculo da vida com cada vez mais força. Em 2012, pouco tempo antes de embarcar no ônibus de excursão para a Expomusic, organizado pelo músico professor e amigo José Jorge Pinheiro, em Valença/RJ, ameacei desistir da viagem: minha companheira Juliana estava com 38,5º de febre e não podia me acompanhar no passeio; profissionalmente eu estava com serviço até o pescoço, visto que o período marca também o final do terceiro bimestre (uma das épocas mais infernais e estressantes para quem, como eu, é professor), além de que viajar me custaria o sacrifício do conforto no paraíso do descanso, pois, no domingo, dia 24 de setembro, eu teria domingo letivo na escola – a Festa da Primavera da E. M. Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ (e ainda existem seres sem noção que dizem que funcionário público não faz nada...). Mas viver é passar por obstáculos e embarquei no ônibus, rumo ao Paraíso da Música. Yeah, leitores, come with me to Paradise!

Parte 2: In Paradise

Sabe aqueles sonhos bons que nos fazem esquecer todos os pesadelos que já tivemos? É assim que me sinto quando meus pés percorrem mais uma vez os stands musicais da Expomusic 2012. Não há cansaço, não há dor, apenas música, música de todos os gêneros, estilos, música por todos os lados, música, música!!! Estar dentro da Expomusic 2012 é como freqüentar um universo paralelo perdido, no qual o mundo é guiado (e muito bem guiado!) por acordes de guitarra, cordas harmoniosas de violões, vozes melodiosas, toques de baixos, infinidades de teclados e pianos e bons solos de baterias e percussões. Já experiente, com a Expomusic 2011 na bagagem da memória, me deixo levar pelas melodias, mas, neste ano, estabeleço um roteiro pra não perder as principais atrações.
Inicialmente, mais uma vez um turista solitário, guio meus olhos pelos ouvidos (mais uma vez, como “Shaman”, que significa "aquele que enxerga no escuro") e encontro o show de Victor Roufsen, cantor e guitarrista cego que vê notas sublimes em canções de Skank e em músicas próprias, alcançando melodias que todos os meus sentidos outrora eram incapazes de perceber. Música faz isso: faz-nos perceber as nossas limitações na superação do outro, ensina-nos que toda deficiência é efêmera e que a arte pode nos levar muito além dos nossos limites. Com o show finalizado na eternidade, cego de intensa e radiosa luz, Victor Roufsen recebe os carinhos da fama e sorri para os milhões de flashes de cãmeras que ele não vê, mas que lhe dá eternidade nos olhos dos fãs que o fotografam.
Sigo em frente e esbarro em outro estande com Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, tirando fotos e distribuindo autógrafos. Entro na fila, uau, o cara está próximo de mim, o cara é feito de carne como eu (e suas feições me lembram as do baixista Renatinho, da banda valenciana de blues Delta Mood)!!! Música faz isso: transforma-nos em deuses e ídolos humanos, nos faz próximos, nos torna deuses semelhantes na arte, por mais diferentes que sejamos.
Mais a frente, o tecladista holandês Bert Smorenburg apresenta em seu pocket show a infinidade de músicas que ele consegue reproduzir em seu instrumento: de Bethoven a heavy metal, de heavy metal a bossa nova, de bossa nova a Mozart, de Mozart a progressivo, de progressivo ao infinito. “Eu posso tocar qualquer coisa com isso!”, Smorenburg nos informa em inglês, apontando para o teclado, e o tradutor nos traduz o que nossos ouvidos já compreendiam: a música rompe os limites e obstáculos da geografia, da língua, dos povos; todos se compreenderiam na Torre de Babel, se, ao invés de insolentemente falarem e discutirem, como faziam, todos se comunicassem por música; a arte é esse nada que é tudo: comunicar-se além das barreiras da comunicação, é tocar tudo, até o silêncio tocante de quem te ouve.
Até o momento solitário, esbarro com Rafael Duret, amigo músico, ex-baixista da extinta (porém, não esquecida) banda valenciana Humanos, perdido de seu grupo de amigos. Pronto, agora a viagem solitária é coletiva! Seguimos juntos pelos stands de música; informo-lhe que haverá show da banda Shaman no palco da Yamaha, e os olhos fã-náticos dele brilham: “Bora pra lá, cara!” Antes, no palco da Gianini, vemos um show de Rafael Bittencourt, guitarrista da banda Angra. A multidão parece hipnotizada pelos acordes tocados por Bittencourt; o som mágico dele em harmonia com o silêncio apaixonado de quem o ouve. Ali, esbarramos com Léo Mancini, guitarrista da banda Shaman; Rafael Duret não pensa duas vezes e tieta o cara: tira foto com ele e mostra-me pela tela da câmera a imagem, com ares de criança feliz (sim, na música, os deuses são de carne e osso, estão ao nosso lado, ao nosso redor e, sim, na música, nos perdemos e nos reencontramos!).
Corremos para o palco da Yamaha e, depois de certa espera, assistimos ao divino show da banda Shaman. Estávamos bem a frente do palco, um show cheio de energia boa, um heavy metal levemente intimista, pulamos, cantamos, repetimos refrões, as canções perfeitamente bem executadas; nem o problema na mesa de som, nos instantes finais do show é capaz de modificar a lembrança perfeita do antológico show. Estamos no paraíso, amigos leitores (imagino que o Inferno deve ser um silêncio pesado e vazio de arte)!!! Mais tarde, reencontramos o vocalista Thiago Bianchi cantando músicas próprias, Iron Maiden e outras bandas que influenciaram a banda Shaman. Nesse mesmo momento, também tietamos e conversamos com o baixista Fernando Quesada, baixista do Shaman, e ele afirma se lembrar da gente do show do palco da Yamaha. Rafael Duret entra em êxtase: “Cara, ele lembrou da gente!!! ELE LEMBROU DA GENTE LÁ!” A História das Expomusics agora se divide entre o nosso fã-natismo anônimo ao Shaman e o nosso fã-natismo reconhecido pelos músicos do Shaman. Sim, a música nos faz isso: nos faz reconhecer o desconhecido, enxergar além, música lembra música e todos nós somos uma canção bem ritmada chamada vida.
Procuramos, depois, o show da banda brasileira Korzus. Reparo que o show foi riscado da programação; essa é a única música que eu não gosto: o silêncio da ausência. Minha expectativa era grande, à espera do show do Korzus, mas não foi desta vez... Mas a música, assim como o tempo, não para! Mais tarde, no palco da Sonotec, encontramos o show da fodástica banda curitibana Punkake (por sinal, que nome maneiro pra banda!), formada só por mulheres. O som delas traz uma energia fora do comum, o estilo da vocalista Bacabi me lembra aquelas deusas pin-ups das décadas de 1950/1960 (e ela não para de agitar um minuto! yeah!), a música é uma mistura de estilos alucinante (uma verdadeira punkake – como os múltiplos significados do nome da banda nos traz). “O som delas é muito bom, cara!”, diz Rafael Duret; eu concordo pulando em silêncio, hipnotizado pelo som da banda. No final, o prêmio: recebo das mãos da vocalista Bacabi, o Cd “Tão sexy”, da banda (por sinal, estava ouvindo ele há pouco: “me desculpe se te fiz voltar / culpa minha se te fiz olhar / pra mim / pra mim / yeah, yeah!”, fragmento do hit “Cometa” que viaja em minha cabeça). Música é isso: é fazer-se notável, é ousar, é ir além, viajar na cauda de um cometa, se afogar numa piscina sonora e respirar a vida como nunca imaginara respirar tanto em toda a sua vida (essa parte final é inspirada no verso “vem se afogar comigo...lá lá lá (wow)!”, da canção “99”, do Cd que ganhei da Punkake).
Mais pra frente, paro extasiado diante de um show da banda “Velhas Virgens” (caralho! São eles! Caralho! Du caralho! Puta que pariu!!!). Eu amo o som desses caras (!!!), um misto de blues, puro rock’ roll, com pitadas embriagantes de escracho. Estavam apenas o vocalista e o guitarrista e o som, mesmo assim, era contagiante demais! Todos cantavam as canções, somos todos das Velhas Virgens, somos todos um escracho, uma piada pro tempo, somos a eternidade, somos a mesma sintonia para o infinito. Música faz isso: vivemos demais em breves instantes, formamos uma banda para vencermos os limites da vida e vivemos demais, curtimos demais, somos eternos mesmo que seja por um breve momento!
E Rafael Duret e eu continuamos rodando pelos estandes, ouvindo milhões de sons, sem noções de horas (“Cara, o tempo passou rápido demais”, dirá mais tarde meu camarada de viagem sonora), colecionando paletas, fotos, CDs, fazendo graça em cabines de fotos, fingindo tocarmos todos os instrumentos musicais do universos. E seguimos os sons, seguimos a arte, até o infinito, até a Expomusic fechar! Antes de partirmos, ouvimos André Martins e banda cantando “Bete Balanço”: “Pode seguir a tua estrela / O teu brinquedo de star [...]”. E seguimos as nossas estrelas (Yeah, quem vem com tudo não cansa, amigos leitores!) e a música faz isso: partimos da Expomusic, mas o som continua aqui, infinito dentro de nós.

Parte 3: O Epílogo que não termina

O longo retorno de volta a Valença/RJ, do meio da noite até o fim da madrugada, a consciência de que trabalharei como um zumbi no domingo letivo, não, nada disso importa nessa crônica. Importa que a música está aqui, em mim; o corpo sobrevive, depois eu descanso, minha alma reencontrou o paraíso na Expomusic 2012; o que importa é que a arte está de volta em mim pra sempre! Esse é o poder da música, da arte: sublimar a dor, resgatar alegrias, eternizar a vida, por mais breve que seja a nossa existência.  

Esse vídeo contém um pouco do que vi na Expomusic 2012. A qualidade de áudio não é das melhores, mas vale como registro do universo múltiplo e musical da 29.ª Feira Internacional Da Música.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Motivos para o desaparecimento do blogueiro Carlos Brunno


Após algum tempo desaparecido, estou de volta! Assim como os amigos leitores, resolvi me perguntar a causa da falta de postagens em meu blog nos últimos dias. Para isso, investiguei-me e cheguei às seguintes pistas e conclusões:

Pista n.º 1: Ingresso da excursão para a Expomusic promovida por Pinheiro Aulas de Violão, marcada para o dia 22 de setembro (o nome do investigado blogueiro consta na lista dos presentes no evento).
Pista n.º 2: Presença no domingo letivo da Festa da Primavera da E. M. Alcino Francisco da Silva no dia 23 de setembro (o nome do blogueiro consta na lista de professores presentes, além de aparecer em diversas fotos que os alunos papparazzi tiraram).
Pista n.º 3: Diário do professor Carlos Brunno S. Barbosa indicando fim de bimestre (o conhecido objeto de tortura para todo o profissional da educação apresenta notas, provas, contas, correções, além de estar uma zona quase completa, passiva de diversos remendos e broncas da equipe diretiva da escola).
Conclusões: O desaparecido blogueiro Carlos Brunno possivelmente passou por diversos percalços no último fim de semana. Estudando a geografia do país e seus fusos horários, podemos perceber que, em um apenas dois dias (sábado e domingo), o investigado blogueiro esteve em três cidades completamente distantes umas das outras, apesar de pertencerem à mesma região Sudeste: Carlos Brunno esteve, na madrugada de sexta-feira, em Valença/RJ, onde embarcou num ônibus para São Paulo/SP, local onde ocorreria a Expomusic, no sábado, dia 22 de setembro. Saindo de São Paulo/SP, Carlos Brunno retornara a Valença/RJ, por volta das 4 da madrugada de domingo, dia 23 de setembro. Em torno das 7 horas da manhã do mesmo dia, o investigado foi encontrado embarcando num ônibus em direção da Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro/RJ. Às 11h da mesma manhã de domingo (consta-se que o investigado xingara muito por não haver passagem para o horário das 10h), Carlos Brunno embarcou num ônibus para Teresópolis/RJ. Também se descobriu que o investigado, após mofar na rodoviária de Teresópolis (testemunhas dizem ter visto um zumbi, muito parecido com o investigado, xingando a falta de horários de ônibus da Viação Teresópolis com destino aos distritos afastados aos domingos), embarcou num ônibus em direção a Volta do Pião, onde se localizava a escola na qual o desaparecido blogueiro lecionava. Várias testemunhas informam ter visto, na tarde de domingo, um professor zumbi ocupado com a sonorização da festa da primavera da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Observando as fotos do evento, descobriu-se que o professor zumbi citado tratava-se do então desaparecido blogueiro Carlos Brunno S. Barbosa, que ficara na festa até o seu término (em torno de 17:30h / 18h).
Analisando o trajeto do louco suspeito (ou suspeito louco, como alguns preferirem) e tomando conhecimento do funcionamento do corpo humano, podemos chegar a uma hipótese: o desaparecido blogueiro não resistiu e, após 48 horas de atividades intensas, deve ter permanecido em estado de sonolência durante a segunda-feira, dia 24 de setembro. Porém, sabendo-se que o investigado é professor e o período do desaparecimento coincide com a época de fechamento de notas do terceiro bimestre da escola, podemos suspeitar que Carlos Brunno não descansou devidamente (consta-se também que o investigado agendou dois eventos de poesia para o próximo sábado, dia 29 de setembro – o Identidade Cultural e Movimento Culturista, organizado por Janaína da Cunha, que ocorrerá no Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa, no centro do Rio de Janeiro/RJ, na tarde do próximo sábado, e o Arte Valença 2, organizado por Giovanni Nogueira, que ocorrerá no Circo Volante, no bairro Aparecida, em Valença/RJ, cuja apresentação de Carlos Brunno está marcada para o fim da noite de sábado. Esta agenda do lunático investigado, se [ou melhor, quando] confirmada, comprova a loucura potencial energética e passível de internação do alucinado blogueiro artista desaparecido).
Enfim, chegamos à conclusão que o desaparecido blogueiro não está tão desaparecido assim (ao contrário: nunca se viu um desaparecido querer aparecer tanto quanto o louco investigado suspeito) e, em breve, trará bilhões de novidades para os amigos leitores.
Mas que esse tal de Carlos Brunno deve estar cansado pra raio, ah, isso, com certeza, ele está! rs   

sábado, 22 de setembro de 2012

Sarau Solidões Coletivas 6: Primavera nos dentes e Flores Astrais


Bar e Restaurante Costelão, Bairro Getúlio Vargas, Valença/RJ, 15 de setembro de 2012 – E a tradição artística permanece: no terceiro sábado de setembro, aconteceu a sexta edição do Sarau Solidões Coletivas In Bar, comemorando a sexta edição de retorno do Jornal Valença em Questão. E, com uma presença cada vez maior de fodásticos artistas convidados, as Solidões vão ficando cada vez mais coletivas!
Seguem anexos os vídeos do Sarau:
Neste primeiro vídeo, vemos a apresentação de Cíbila Farani e João Júnior interpretando, respectivamente, as canções “Primavera nos dentes” e “Flores Astrais”, de Secos & Molhados. Ambos os artistas foram acompanhados pelo músico Zé Ricardo, que, logo após, fez parceria com Carlos Brunno S. Barbosa, na declamação de “Armas mortais”, poema que parafraseia a canção “Flores Astrais”. O vídeo também destaca a leitura emocionante de Rafael Silva Barbosa para a crônica de sua autoria “Ser professor...”, Ronaldo Brechane brilhando mais uma vez com seu stand-up comedy e a participação lírica e super-especial, (bem) vinda de Niterói, Janaína da Cunha, artista fodástica e organizadora do Identidade Cultural & Movimento Culturista.  
Nesta segunda parte, temos a visão lírica da primavera nos cosmos de Karina Silva; as estréias de Osvaldo Fonseca, Rabib Jahara (lendo William Blake), Alessandra (interpretando poema de Patrícia Correa), Anderson (conhecido pelos apelidos de Teco e Xingu) e Marilda Vivas (ensinando-nos a arte do haicai); os raps fodásticos de Mc Wallace Remf, acompanhado musicalmente por Zé Ricardo e Fael Campos, o dueto poético de Carlos Brunno e Jaqueline Cristina, as interpretações de Ana Rachel Coelho para o poema primaveril de Lauany Rodrigues, poetaluna do 7.º Ano da E. M. Alcino Francisco da Silva, e poema de Marilda Vivas; o setembro ‘nerudeano’ de Gilson Gabriel, a leitura envolvente de Cíbila Farani para o poema de William Blake e os brilhantes ‘pingos nos is’ e o ‘não querer se casar’ de Patrícia Correa. 

Nesta terceira parte, temos dois poemas fodásticos de João Júnior, declamados pelo próprio autor; Patrick novamente com Baudelaire, Wagner Monteiro, Viviane Ramos declamando poema de Alexsandro Ramos, Alessandra interpretando poema de Patrícia Correa, os duetos de Janaína da Cunha, primeiro com Carlos Brunno S. Barbosa e, depois, com Juliana Guida Maia e a apresentação espetacular do músico, cantor e compositor Hélio Sória, do projeto Garagem Acústica de São Gonçalo, interpretando George Harrison (“Sweet Lord”), R.E.M. e Titãs (“Sonífera Ilha”).
 
Nesta quarta parte, temos Cíbila Farani declamando poema de Aquiles Peleios, acompanhada pelo violão de Zé Ricardo; o dueto de Erick Ramos e Viviane Ramos; Fael Campos & Zé Ricardo tocando Engenheiros do Hawaii, fragmento da parceria de Gilson Gabriel e Zé Ricardo (o cartão de memória acabou bem no meio do poema L); Giovanni Nogueira mandando uma versão acústica fodástica de Supercílios e Juliana Maia nos lembrando liricamente da primavera. 



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Solidões compartilhadas: O sol no coração de Karina Silva

Hoje compartilho mais uma vez minhas solidões poéticas com a poetamiga valenciana Karina Silva. Desta vez, Karina nos oferece um sol de esperança, bem apropriado para esses dias radiantes de fim de inverno. 
É momento de bronzearmos nossos olhos nesse Novo Sol de Karina Silva, amigos leitores!


Sol no coração

Um deslumbrante sol arrasta meu coração
Sob um céu de azul perfeito
Meu coração vai desenhando
Pequenos traços de sonhos
Com sombreados de emoção
Debaixo da minha pele
Sinto o batimento quente do coração
Queimando nas chamas do sol
Meu coração está aquecido
No calor de um novo Sol
O amanhã chegará
E por este caminho a luz do sol teima em brilhar

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Solidões compartilhadas: Um mergulho na alma feminina com Janaína da Cunha


Dia quente, nada melhor que um melhor que um mergulho nas águas efervescentes dos eus líricos femininos. Hoje tenho o prazer de compartilhar mais uma vez com a fodástica poeta Janaína da Cunha - bisneta do imortal, Euclides da Cunha -  jornalista, poeta, escritora, atriz, acadêmica da ALB e correspondente da ALB/Suíça, agitadora cultural, militante artística, empreendedora, apresentadora do Evento Identidade Cultural e líder culturista. E, desta vez, nossas solidões poéticas são compartilhadas em dueto. Explico: no último Sarau Solidões Coletivas In Bar (6), realizado no Bar e Restaurante Costelão, no dia 15 de setembro (em breve, enviarei os vídeos, ansiosos leitores), Janaína confirmou presença e pediu a minha namorada Juliana Guida Maia que elas fizessem um dueto. Ao ler o fodástico poema que Janaína enviara para Juliana, um dos meus eus líricos femininos despertou e pedi a Ju que eu fizesse o poema que ela iria declamar com a Janaína.
Inspirado na poética do mestre Chico Buarque (muito mais experiente que eu em abordagens líricas femininas), numa postagem recente, com poema de eu lírico feminino, do blog “Impressões digitais”, de Paulo Ras, e estimulado pela excelente poética de Janaína da Cunha e de outras poetas fodásticas que me acompanham no sarau (destaco a própria Juliana Guida Maia, Patrícia Correa – influência essencial nesse poema que fiz -, Jaqueline Cristina, Cíbila Farani, Juliana Maia, Raquel Leal, Raquel Freire e Karina Silva produzi uma espécie de poema-resposta-continuidade, um ressurgir após o mergulho.
Não posso deixar de destacar aqui uma fonte inesgotável de inspiração: o blog “Santos & Profanos” da fodástica poetamiga Janaína da Cunha (segue a dica e o link: http://janainadacunha7.blogspot.com.br/ ).
Essa é para todos os grandes fingidores poéticos que não têm medo de revelar do oceano de seu espírito masculino a alma de uma mulher.

MERGULHO

Janaína da Cunha


Mergulho
em águas bravias
de misteriosas incertezas.

Mergulho
de olhos vendados,
descobertos...
fechados, abertos...
mergulho.

Banho o corpo dos meus versos
no magnetismo refletido
em outro olhar.
A imagem do verbo
no espelho das águas ocular
atrevidamente me chama...
e eu vou!

Poeta:
misto de benção e maldição!

Por que amamos com tanta intensidade...
com tanta entrega?
Por que nos deixamos levar em ondas de delírios que vem e vão...
que vão e vem...
vem e vão em vão... ou não?!

Porque essa necessidade louca,
quase mórbida,
de ser, sentir...?
Se amar é sofrer...
então, me sinto viva na dor?
Eu quero é ser feliz!

Mergulho em sinônimos
antônimos
antagônicos plurais.

Perco o fôlego, quase morro...
Reavivo no boca a boca da vida,
retorno e me corto entre corais...
Sobrevivo.
Insisto!
E novamente mergulho!
Sim... eu mergulho.

A alma de um homem
é o meu Oceano!


Ressurjo

Carlos Brunno S. Barbosa


Ressurjo
de tua água alma
calma agitada.

Ressurjo
de corpo aberto,
olhos fechados...
louca, cada vez mais lúcida
ressurjo
de teus braços.

Molhada, seco minhas mágoas
na lembrança abstrata
de teu corpo concreto.
A imagem mais uma vez me resgata
a nossa perdição apaixonada...
Eu te amo, eu sou tua,
minha e tua, eu te sou...
molhada, eu atiço fogo sobre tuas águas!

Sou sereia no deserto
cantando em teu oásis,
seca e molhada por teus mares de calor.

E tuas ondas batem em meu corpo,
vêm e vão, sempre ardentes, nunca em vão.
Mesmo estáticas, quando te afastas,
elas sempre vêm e vão
na ilusão da memória,
na memória de um verão fora de hora,
pontuais, as tuas ondas, concretas ou abstratas,
sempre vêm e vão...

Até quando essa eternidade
guardada em cada efemeridade
de um mergulho nosso em teu eu,
em meu eu, em todos os nossos nós?
Até quando esse quando queimando
em nossa carne água, seca e molhada,
sou tua, és meu, somos todos eus em nós...

Ressurjo em teu espelho avesso,
tão igual a mim e tão diferente,
tão igual em mim, tão dentro de mim,
e eu tão fora de mim que quase me sou indiferente.

Respiro a tua falta de ar, o teu excesso de vida,
quase vampira, sou sereia saciada por teus cantos de bardo safado,
poesia de cama, mesa e banho, estou molhada pelo deserto de mágoa
do amor febril que tão viril
teu corpo gentil agressivo me dá.
Sim... eu ressurjo em ti!

Minha alma de mulher
ressurge das cinzas molhadas de tuas águas ardentes...
Embriagada, ressuscito sóbria na cama deserta de pudor,
após o mergulho em teu masculino oceano... amor!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Divas, rainhas, homens pressão e eus líricos bêbados: O Tributo ao Queen organizado por Carina Sandré

Setembro é mês de aniversário de Freddie Mercury (se estivesse vivo, o vocalista da banda britânica Queen faria 67 anos em 05 de setembro de 2012, mas, infelizmente, o astro faleceu de broncopneumonia, causada pela Aids, com 45 anos, em 24 de novembro de 1991). O sublime artista falece, mas sua arte nunca morre: no dia 14 de setembro deste ano, a rainha voltarredondense do rocksoulpopsambafunktudodebom, a fodástica Carina Sandré, juntamente com sua banda e convidados especiais, organizaram um Tributo ao Queen, no Piano's Bar Embaixador, para delírio dos fãs de Freddie Mercury. Graças à sensibilidade poética da organizadora, o Sarau Solidões Coletivas não ficou fora dessa: fui convidado por Carina Sandré para declamar meus rockpoemas em homenagem ao Queen. Lá, declamei o poema "Homem pressão", uma homenagem-subversão da fodástica "Under Pressure" e "Rapsódia dos eus líricos bêbados", uma releitura poético-subversiva do clássico "Bohemian Rhapsody", já publicado aqui no blog no ano passado (pra quem não conhece aí vai o link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/11/uma-nova-rapsodia-pra-velha-rainha-meu.html)
A diva Carina Sadré
em seu Tributo a rainha Queen
A postagem de hoje contém o meu rock poema queenmaníaco "Homem pressão" (esse, infelizmente, não tem vídeo, pois minha temperamental câmera não funcionou na hora) e o vídeo da declamação de fragmentos da "Rapsódia dos eus líricos bêbados", seguido da fodástica performance de Carina Sandré e banda para o eterno hit "Bohemian Rhapsody".
Agradeço mais uma vez a Carina Sandré, que sempre acreditou nessa união de música e poesia, aos fãs voltarredondenses de Freddie Mercury, que foram super-receptivos aos poemas e colaboraram com o tributo com muita energia positiva diante da apresentação impecável dos artistas que homenagearam o Queen. Vida longa à lembrança da banda rainha do rock Queen, vida longa à lembrança do rei Freddie Mercury, vida longa à diva rainha Carina Sandré e vida longa a todos nós, amigos leitores fanáticos por arte! Carreguemos o Queen na eternidade!


Homem pressão


Homem pressão:
Uma bomba atômica sobre o jardim,
Destruindo as flores, beijando a dor.
Homem pressão:
Um filho que mata o pai,
Um cinza sobre o azul,
As pessoas de todo país.

É o terror do novo capital selvagem
Atropelando toda gente,
Destruindo-nos agora!
Eu demoro, eles me despedem
Os donos do vício, os donos de todo país.

Eles te querem mal, um bom consumidor
De seus estoques, de seus produtos de morte
Os vampiros do país
Os donos do país

Tento me manter longe destes falsos homens
Mas é impossível fugir de tudo que existe
Então te ofereço essa canção singela de dor
Dor, dor, dor!
Então eles me escondem, fingem não ouvir,
Continuam a fingir, não me dão nenhuma chance,
Eles não ouvem, não me dão nenhuma chance,
E continuo com minha dor,
A tua dor, a minha dor, a nossa dor, contínua dor...

E o amor irresistível os ofende
Então eles prendem-no em frios cubículos,
em vínculos empregatícios com a dor,
em lindas grades de ouro 
Dos vampiros do país
E o amor trancado, ele quer gritar e protestar
Contra os vampiros do país
Mas eles continuam a prendê-lo e não tem jeito:
Há uma parede entre nós e ele
E o amor, contrariado, bate contra a parede
E ele bate cada vez mais forte contra a parede
E, contra a parede, o amor vê a morte

No homem pressão
Homo pressão
Opressão...

Vídeo: Tributo ao Queen, introdução poética de Carlos Brunno e performance fodástica de "Bohemian Rhapsody" de Carina Sandré e banda

Lembrando: pra ler esse poema 
"Rapsódia dos eu líricos bêbados", na íntegra,
em homenagem a "Bohemian Rhapsody", do Queen, 
declamado no vídeo acima, clique no link abaixo:






sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Solidões compartilhadas: A prece atemporal de João Júnior ao tempo apressado


Hoje compartilho mais uma vez solidões poéticas com o poetamigo valenciano João Júnior. Desta vez, o conhecido e reconhecido intérprete e compositor da banda de rock Black Bullets nos traz o seu poema premiado em primeiro lugar no Concurso de Poesias do Colégio Estadual Theodorico Fonseca, onde o poeta fazia o Curso Técnico de Informática. A obra premiada nos traz uma prece ao tempo apressado.
Paremos o tempo para lermos o fodástico poema de João Júnior, amigos leitores!

Prece ao Tempo Apressado


pra que a pressa dessa urgência,
se o mais urgente é não ter pressa?
porque a reza por clemência
se para o nada o sujeito reza
e esse sujeito dessa oração sem jeito
a essa hora já se esquece
que essa prece a muito se ora
e só a demora é o que se cresce?
essa pressa a muito sem hora
e só a espera é que envelhece.
mas porque moras nessa espera?
porque olhas pra essa esfera
em que nela o tempo pulsa
e no teu pulso giram vesgos
ponteiros que contam as horas
e guardam no bolso de um tic-tac
caem do alto de um big ben
ecoa o sino em seu badalar
desbota o fio capilar
dobra a ruga de seu rosto
dobra a esquina de sua rua
o tempo corre
escorre a areia
numa ampulheta sem fundo
em que nela então se esvai
cai
vai
e simplesmente, não volta mais


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Solidões compartilhadas: O Diário das Solidões de Geovane Alves dos Reis


Pela segunda vez, mas pela primeira em versão solo (na solidão compartilhada anterior, ele dividia seu espaço com um grupo seleto de poetalunos premiados em concursos literários), compartilho minhas solidões poéticas com um dos poetalunos de maior talento que já tive, o atual teresopolitano (ele nasceu em Além Paraíba/MG) Geovane Alves dos Reis, da E. M. Alcino Francisco da Silva. Botafoguense e dono de uma poética extremamente própria e apaixonada, Geovane nos apresenta sua estrela lírica e solitária: um poema de ganhos e perdas, com mais ônus que bônus, inspirado em “Virgem”, de Marina Lima, e “Someone Like You”, de Adele (interessante que o poema também me faz lembrar a Legião Urbana fase “Tempestade” – “Diários das solidões”, de Geovane Alves dos Reis, tem um quê de “Longe do meu lado”, “Livro dos dias”, canções de Renato Russo em seu momento mais derradeiro e difícil).
Aproveito para recomendar o fodástico blog do jovem poeta (ele possui apenas 14 anos e já traz um lirismo maduro e de qualidade rara), atualizado sempre com excelentes poemas, crônicas, impressões e, como nos reafirma o nome do blog, “palavras do coração”. Segue o link para os leitores que querem sair da racionalidade fria do dia a dia e esquentar os olhos com palavras de emoção: http://palavraasdocoracao.blogspot.com.br/
E agora leiamos o “diário das solidões” que Geovane Alves dos Reis nos traz:    

Diário das solidões

Quando comecei a te amar
Me tornei prisioneiro do amor,
Me entreguei sem me preocupar com o perigo,
Sem me preocupar com a dor
E só percebi que me tornei um refém
Quando da solidão não consegui me libertar.

Viver o amor é mesmo assim:
Quando comecei a te amar,
Você se tornou parte de mim,
Mas, quando você se afastou
E por outro me trocou,
Abriu no meu peito uma imensa ferida...
Agora meu coração só vai voltar a bater, a viver
Quando ele entender
Que nem as coisas nem ele precisam de você.

Ah! Se eu pudesse voltar
No passado e me impedir
De me apaixonar por você
Hoje não estaria escrevendo
Um diário das solidões
E procurando alguém como você...