quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Solidões compartilhadas: Um mergulho na alma feminina com Janaína da Cunha


Dia quente, nada melhor que um melhor que um mergulho nas águas efervescentes dos eus líricos femininos. Hoje tenho o prazer de compartilhar mais uma vez com a fodástica poeta Janaína da Cunha - bisneta do imortal, Euclides da Cunha -  jornalista, poeta, escritora, atriz, acadêmica da ALB e correspondente da ALB/Suíça, agitadora cultural, militante artística, empreendedora, apresentadora do Evento Identidade Cultural e líder culturista. E, desta vez, nossas solidões poéticas são compartilhadas em dueto. Explico: no último Sarau Solidões Coletivas In Bar (6), realizado no Bar e Restaurante Costelão, no dia 15 de setembro (em breve, enviarei os vídeos, ansiosos leitores), Janaína confirmou presença e pediu a minha namorada Juliana Guida Maia que elas fizessem um dueto. Ao ler o fodástico poema que Janaína enviara para Juliana, um dos meus eus líricos femininos despertou e pedi a Ju que eu fizesse o poema que ela iria declamar com a Janaína.
Inspirado na poética do mestre Chico Buarque (muito mais experiente que eu em abordagens líricas femininas), numa postagem recente, com poema de eu lírico feminino, do blog “Impressões digitais”, de Paulo Ras, e estimulado pela excelente poética de Janaína da Cunha e de outras poetas fodásticas que me acompanham no sarau (destaco a própria Juliana Guida Maia, Patrícia Correa – influência essencial nesse poema que fiz -, Jaqueline Cristina, Cíbila Farani, Juliana Maia, Raquel Leal, Raquel Freire e Karina Silva produzi uma espécie de poema-resposta-continuidade, um ressurgir após o mergulho.
Não posso deixar de destacar aqui uma fonte inesgotável de inspiração: o blog “Santos & Profanos” da fodástica poetamiga Janaína da Cunha (segue a dica e o link: http://janainadacunha7.blogspot.com.br/ ).
Essa é para todos os grandes fingidores poéticos que não têm medo de revelar do oceano de seu espírito masculino a alma de uma mulher.

MERGULHO

Janaína da Cunha


Mergulho
em águas bravias
de misteriosas incertezas.

Mergulho
de olhos vendados,
descobertos...
fechados, abertos...
mergulho.

Banho o corpo dos meus versos
no magnetismo refletido
em outro olhar.
A imagem do verbo
no espelho das águas ocular
atrevidamente me chama...
e eu vou!

Poeta:
misto de benção e maldição!

Por que amamos com tanta intensidade...
com tanta entrega?
Por que nos deixamos levar em ondas de delírios que vem e vão...
que vão e vem...
vem e vão em vão... ou não?!

Porque essa necessidade louca,
quase mórbida,
de ser, sentir...?
Se amar é sofrer...
então, me sinto viva na dor?
Eu quero é ser feliz!

Mergulho em sinônimos
antônimos
antagônicos plurais.

Perco o fôlego, quase morro...
Reavivo no boca a boca da vida,
retorno e me corto entre corais...
Sobrevivo.
Insisto!
E novamente mergulho!
Sim... eu mergulho.

A alma de um homem
é o meu Oceano!


Ressurjo

Carlos Brunno S. Barbosa


Ressurjo
de tua água alma
calma agitada.

Ressurjo
de corpo aberto,
olhos fechados...
louca, cada vez mais lúcida
ressurjo
de teus braços.

Molhada, seco minhas mágoas
na lembrança abstrata
de teu corpo concreto.
A imagem mais uma vez me resgata
a nossa perdição apaixonada...
Eu te amo, eu sou tua,
minha e tua, eu te sou...
molhada, eu atiço fogo sobre tuas águas!

Sou sereia no deserto
cantando em teu oásis,
seca e molhada por teus mares de calor.

E tuas ondas batem em meu corpo,
vêm e vão, sempre ardentes, nunca em vão.
Mesmo estáticas, quando te afastas,
elas sempre vêm e vão
na ilusão da memória,
na memória de um verão fora de hora,
pontuais, as tuas ondas, concretas ou abstratas,
sempre vêm e vão...

Até quando essa eternidade
guardada em cada efemeridade
de um mergulho nosso em teu eu,
em meu eu, em todos os nossos nós?
Até quando esse quando queimando
em nossa carne água, seca e molhada,
sou tua, és meu, somos todos eus em nós...

Ressurjo em teu espelho avesso,
tão igual a mim e tão diferente,
tão igual em mim, tão dentro de mim,
e eu tão fora de mim que quase me sou indiferente.

Respiro a tua falta de ar, o teu excesso de vida,
quase vampira, sou sereia saciada por teus cantos de bardo safado,
poesia de cama, mesa e banho, estou molhada pelo deserto de mágoa
do amor febril que tão viril
teu corpo gentil agressivo me dá.
Sim... eu ressurjo em ti!

Minha alma de mulher
ressurge das cinzas molhadas de tuas águas ardentes...
Embriagada, ressuscito sóbria na cama deserta de pudor,
após o mergulho em teu masculino oceano... amor!

3 comentários:

  1. Bem o que me resta senão lamentar não ter estado presente nesse dia. Belissimos poemas carlos, parabéns aos dois. Estou em estado de graça, mas vou escolher alguns versos para exprimir algo e dizer que o neologismo fodástico nunca antes em toda a história do fodástico foi tão fodásticamente expresso rsrsrsrs. Um dia talvez fale mais, por hora, só quero reler e me deleitar.

    "A alma de um homem / é o meu oceano!"

    " Minha alma de mulher
    ressurge das cinzas molhadas de tuas águas ardentes...
    Embriagada, ressuscito sóbria na cama deserta de pudor,
    após o mergulho em teu masculino oceano... amor!"



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  2. Celebro emocionado nestas horas que se agitam
    sinto tão profundamente á emoção destes dois versos agora lidos e sentidos.
    Camarada e caro amigo, belo poema sublimamente belo, e da grande poeta Janaína da cunha cujo seus versos me deleito, um profundo mergulho á forte alma feminina.

    Celebrando estes líricos encantos
    sorrio satisfeito deste gole de bom lirismo
    Qualquer datas destas eu aparecerei no solidões coletivas meu amigo, singrando os sapatos nos oceanos calcinados de concreto. "ON THE ROAD MY LIFE"

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  3. Adorei poder compartilhar desse dueto com a minha leitura, uma honra sempre poder declamar Carlos Brunno (fodástico sempre) e um prazer enorme fazer isso "respondendo" a esse poema maravilhoso da Janaína!

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