terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pra se lamentar: Armas mortais ao invés de flores astrais


Hoje relembramos, por mais um ano, o terrível ataque de terroristas afegãos às Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001. Faz 12 anos do acontecido e o rancor cego permanece cada vez mais invencível entre estadunidenses e afegãos. A sensação que temos quando tocamos no assunto é a de que algo pode voltar a explodir, destruir a qualquer momento. O ataque terrorista do 11 de setembro gerou a famosa “Guerra ao terror”, que, ao contrário do que o nome propôs, gerou mais terror e rancor entre as nações.
Pensando nisto, fiz uma paródia séria - o que chamamos de paráfrase, texto que faz referência a outro texto, sem o teor humorístico da paródia - da canção “Flores astrais”, de Secos e Molhados (a imagem do verme passeando na lua cheia me faz lembrar o ódio rondando nas luzes de paz efêmera de nossa civilização, cada vez mais violenta em seu processo ‘civilizatório’), para refletirmos sobre os males e monstros que procriamos quando tentamos medicar nossas dores (sim, o quarto verso do poema é uma referência ao romance “O médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson – como os Estados Unidos, todos temos um lado médico aparentemente cordial que oculta um monstro altamente destrutivo para o mundo ao redor e para nós mesmos). A referência a Judas, no antepenúltimo verso, é clara: assim como este foi apóstolo de Jesus, Bin Laden foi disciplinado pelos próprios Estados Unidos, e, tanto Judas quanto Bin Laden, tornam-se inimigos mortais de seus Mestres.
"Autorretrato" do pintor israelita
Menahem Shemi.
Está exposto nesta postagem
por uma coincidência de datas:
houve uma exposição
dos quadros dele
no Museu de Arte de Tel Aviv,
no dia 11 de setembro de 2009.
É interessante observar
o jogo sóbrio de cores e
pensar na arte como alternativa
pra currarmos nossas feridas,
sem despertar-nos o monstro ferido.
Que plantemos flores ao invés de armas nos setembros futuros, pelo bem de nosso mundo, pela não extinção da verdadeira civilização.  

Armas mortais
(ou O incêndio das flores astrais,
ou Simplesmente Infelizmente 11 de Setembro)

Explosivos nas asas da estrela
ferem o mito das Torres Gêmeas
e o ódio cinza reluz
nas ruínas do médico, o monstro ferido.

Todas as dores
e outras mais
proliferam armas
mortais.

A morte rodeia
os Judas de outras ceias.
A morte festeja
a fúria que nunca freia.

4 comentários:

  1. E infelizmente os vermes do neoliberalismo continuam passeando na Terra cheia.
    Fodástico o texto!

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  2. Poucas palavras,mas palavras que só poetas interpretam.

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  3. Excelente poema Carlos. Engraçado, só o 11 de setembro de 2001 é lembrado todos os anos. Não vejo menção a 7 de outubro de 2001 (quando os E.U.A, Reino Unido, Canadá e Austrália invadiram o Afeganistão). A vida dos estadunidense tem mais valor do que as dos afegãos. Ninguém se indignou quando os cidadãos americanos incentivaram seus filhos a doarem 1 dólar para as crianças do Afeganistão. A mídia exaltou a atitude. Classificaram como benevolência, fraternidade e tantos outros sentimentos altruistas. Afinal de contas, era a guerra contra o TERROR. Será que esqueceram de mencionar que 1 dólar era o equivalente para pagar a vida dos pais daquelas crianças. Cinismo, crueldade, como classicar? Tantos absurdos que já nem sei o que pensar, porque coisas desse tipo são inimagináveis para mim.

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    1. Hey, Helene, gostei do tema! Dia 07 de outubro aguarde um poema engatilhado contra a 'affganância' do Terrível Elo do Terror contra o Terror (acho que os E.U.A, Reino Unido, Canadá e Austrália não vão gostar) ;)

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