quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Solidões compartilhadas: Wilson Fort vivendo a inexorabilidade do tempo

Hoje compartilho minhas solidões poéticas com o poeta valenciano Wilson Fort, mais um artista do riquíssimo universo virtual do grupo do facebook "prana puro". Às vezes irônico, quase sempre implacável em suas críticas, paradoxalmente, Wilson Fort traz um repertório lírico de sensibilidade apurada e de grandes poemas filosóficos. O poema dele que posto no blog hoje fala sobre a efemeridade do tempo e questiona a forma tola como convivemos com isso. Boa leitura!



E vamos tocando
Os dias passam, inexoravelmente
Por vezes tão mergulhados em um assunto
Quando vemos, quanto tempo!

Na vida fundamental é viver
Não há tempo para cálculos
O que somos, somos!
Mesmo quando não achamos.

Sempre é assim!

Mas há quem pense que dirige a própria atuação
E, pior, pensa que todos fazem assim!

E se importam com os títulos,
Com os nomes e sobrenomes
Status e saldos!

Mergulhados neste assunto,
Não vivem, calculam!
Quando vêem, quanto tempo!

O que sou, sou!
Mesmo que você não ache!

2 comentários:

  1. "O que sou, sou!
    Mesmo que você não ache!"

    Interessante esses versos. As vezes nem nós mesmos concordamos com o que somos. Melhor, as vezes nem sabemos o que somos.

    Será que faz alguma diferença que concordemos ou que concordem ou não com o que somos?

    Será que de fato somos capazes de mudar algumas coisas de nossa natureza?

    Concordo com A possível ironia? rsrsr do verso de Wilson "Mas há quem pense que dirige a própria atuação".

    De minha parte, fico sempre a imaginar o que seja livre-arbítrio, liberdade. Sempre caio numa sintese conceitual de ATO E POTENCIA aristotélica, de CONTINGENCIA e RELATIVIDADE. Mas enfim, me redimo, pois não tenho a certeza de Descartes e menos ainda a verdade absoluta do divino. Prefiro o cliche atribuído a Sócrates "só sei que nada sei" e provavelmente continuarei assim ad infinitum (não tenho certeza se é essa expressão rsrs).

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  2. Excelente!! Traga mais poemas deste fera pra cá! E essa frase dá música facilmente: "O que sou, sou! Mesmo que você não ache!" Excelente mesmo!

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