![]() |
| Maria Eduarda Fernandes, a premiada poeta de "Assimétricos" |
![]() |
| Em 9 de novembro de 2019, na II Felivre, ao lado da mais que fodástica poetamiga Maria Eduarda Fernandes e de Neusa Magali Carvalho, diretora do polo da Cederj em Volta Redonda/RJ |
Depois de 9 de novembro, conversamos esporadicamente por WhatsApp, e, assim, tive contato com o mais-que-fodástico poema premiado de Maria Eduarda Fernandes, intitulado “Assimétricos”. O poema apresenta, em versos livres (ou seja, diversos como o tema que aborda) e ritmicamente harmônicos, ao mesmo tempo que diversificados (novamente, observem: conteúdo e forma se abraçam no premiado escrito lírico), a beleza da assimetria na diversidade de nosso povo. Cabe destacar a intencional ausência de padrões de rima, com o uso principal de rimas imperfeitas (quando há correspondência, mas não igualdade, de sons), esporadicamente intercaladas com rimas perfeitas (em que há correspondência total de sons, havendo repetição tanto dos sons vocálicos como dos sons consonantais), mas, neste último caso, também intencionalmente pobres quanto ao valor (quando as palavras que rimam pertencem à mesma classe gramatical), o que mantém um ar de espontaneidade e simplicidade, aspectos tão caros ao tema diversidade proposto pelo poema. Também vale ressaltar a variação de uso de versos [di versos] transbordados com hipérbatos (quando há inversão da ordem natural das palavras de uma oração) na maioria das estrofes, intercalados esporadicamente com versos que seguem a ordem mais natural da oração (sujeito-verbo-complementos), mais uma vez, apresentando, de forma genial, a diversidade tanto na forma quanto no conteúdo. Como vocês sentirão, o efeito da leitura - tanto superficial quanto profunda - do mais que fodástico poema de Maria Eduarda Fernandes é de supernatural maravilhamento diante do magnífico escrito lírico.
Diante da obra prima de Maria Eduarda Fernandes, logo lhe pedi para publicar o poema no blog, solicitação aceita e correspondida pela autora. Mas eis a novela das postagens: envolto em dramas como eu já citara logo no início e que não sei explicar, tenho publicado muito pouco e muito inconstantemente neste espaço lírico coletivo. O mais que fodástico “Assimétricos” foi muito injustamente adiado diversas vezes para as raras postagens que publico nos últimos tempos. Mas hoje, nestes dias iniciais de úmido outono, de folhas melancolicamente caindo e da natureza se renovando, enquanto dança entre climas indefinidos (ora garoa, ora breve calor, quase frio, quase quente, quase sempre quase sendo pleno em sua diversidade), finalmente, faço minha reparação e, hoje – finalmente! -, compartilho minhas solidões líricas com o poema “Assimétricos”, de Maria Eduarda Fernandes. Tenho certeza de que vocês, prezados e atenciosos amigos leitores, irão, como eu, adorar o mais que fodástico poema de Maria Eduarda Fernandes.
Assimétricos
Maria Eduarda Fernandes
Em versos digo
Diversos somos
Assimétricas rimas
Em vidas, em sonhos
De tantos cantos
Fluindo
Abrilhantando
Nossas histórias
Tem muitas cores
Misturas santas
De nossas peles
Diversos são
Nossos amores
Andamos por aí
Apenas humanos
Sem padrões a cumprir
Um olho não vê
Mas a mão afaga
Alguém não te escuta
E outras línguas fala
São versos e flores
Nesta melodia
Diversos sabores
Estes que te espantam
Viva a liberdade de crer
Ou não crer
Além da palavra
A que é dita santa
Ecoam lamentos
De canaviais
Ressoam tambores
Girando nas saias
Brincando nas praias
De tantos Brasis.


.jpg)




.jpg)
