sábado, 11 de agosto de 2018

Latinidade Valenciana Ludovicense: Apenas 3 poemas latino americanos sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes


Como eu já dissera na postagem anterior, no último período de folga, retornei a São Luís-MA para participar do"IV ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL", em São Luís/MA/Brasil, de 19 a 21 de julho, e curti muito essa jornada lírica ludovicense. Durante o evento, além ter tido o privilégio de declamar vários poemas meus, entre eles, como já informara na postagem anterior,  tive a sublime emoção de ver ao vivo e em múltiplas cores o lançamento da I Coletânea Poética da Sociedade de Cultura  Latina do Brasil: Construindo Pontes”, em comemoração aos 30 anos de fundação dessa importante instituição multicultural. 
A minha participação nessa coletânea é muito importante para minha bibliografia, pois, apesar da liberdade de temas, foquei nos meus 3 poemas inseridos na obra minha visão lírica de latinidade (mais próxima da ‘américa latinidade’) e seus elos históricos e suas pontes às vezes firmes, às vezes frágeis.
E, como o número de exemplares da coletânea são limitados, impedindo-me de doar, emprestar para cada leitor, trago hoje ao blog estes 3 poemas (2 inéditos – “Lá Tino” e “A cidade latina dos náufragos”  e 1 já publicado anteriormente no blog – San Vicente dos Convalescentes”).
Espero que tenham uma boa leitura. Abração (estou de volta!) e Arte Sempre!




Levaram meu ouro, minhas jazidas de sonhos e mataram parte de minha rebeldia.
Ainda assim, carrego comigo toda riqueza perdida nos olhos sem brilho cheios de fantasias.
Trago em meus sorrisos mais naturais todas as inconfidências tolhidas e dores incidentais.
Imagino sempre vinganças vãs e nunca cumpridas contra meus exploradores ancestrais.
Navego em calmarias revoltosas em busca eterna da metrópole a retratação.
O passado é um legado de sangue, dor e ingloriosa conquista que nunca deixo pra trás.

Tino

Latino é um ser assassino em potencial incapaz de assassinar qualquer forma de vida.
Ainda que a fúria incontida incendeie os olhos e a rotina, infinita é apenas a fumaça dos dias.
Tenho a faca da revolução nas mãos, mas apenas acaricio suas lâminas com amor e hesitação.
Impossível negar o clamor guerrilheiro, mas a guerrilha aberta só se manifesta
Nas trincheiras internas, nos confins do coração descompassado pelos fracassos diários.
O inglorioso legado de ser nativo explorado implode meu corpo que desfila
Sem brilho e pacífico no meio da violenta multidão.




A cidade latina dos náufragos

Ainda ontem mataram mais uma pomba da paz
Que passeava inocentemente pelas estradas da vida
Cantando músicas de conciliação
Para a população faminta e oprimida
De nossa cidade latina, ainda gripada com o vírus da farda
Trajada e disseminada por golpistas ancestrais.

Hoje os culpados são pegos aclamados por seus discursos de preconceito
Nas vias públicas e redes sociais virtuais.
Hoje os culpados são pegos, mas quem vive preso é o bom senso,
Encarcerado nas celas do retrocesso de uma nova e poderosa Alcatraz.

Ainda ontem espancaram mais um defensor dos humanos direitos
Que pensava inocentemente que haveria respeito
À vida de todo ser vivo que caminha pela cidade latina em busca de paz.
Enquanto o mundo se mata pela estável economia,
Aqui explodem granadas sobre os defensores do direito à vida pacífica;
A discussão estúpida mais popular é se devemos ou não nos matar.

Hoje a febre é verde e amarela e mata-nos um pouco a cada dia;
A doença se alastra por ruas e avenidas.
A falta de razão e de cortesia é agraciada
Pela nação violenta e enlouquecida.

Ainda ontem chorei de saudades pelos tempos cerebrais
Que os anos e a internet não trazem mais.
Hoje a vida acuada me visita,
Aflita com as novas notícias falsas e as vozes assassinas,
Com medo que novamente nos arrombem as portas
E marchem contra sua existência divina.

Declamo-lhe então essa vã poesia
E, mesmo refém do mesmo receio que a exila,
Abro a porta de casa pra vida.
A morte, popularizada, compartilhada e querida,
Ronda armada a vila e ameaça minha acolhida.
- Nesse continente insensato de nossa sociedade latina,
A vida e eu agora somos uma náufraga ilha...



San Vicente dos Convalescentes

Era um imenso coração sangrando
Que avistei em teus olhos castanhos
Indispostos pra vida ou pra morte
Com uma dor de nada que tudo invade.
Era o monstro e a verdade
Um horror de sina sem sorte
Eu vi nossa doce ilusão mancando
Depois do tiro e do golpe.

A América latina, com consciência,
É outra vez um gigante que adormeceu
Nas camas sitiadas de San Vicente,
Governada pelos demônios e suas cruzes.
Nas praças plácidas de San Vicente,
As velhas estátuas armadas de sobrenomes
Assistem a seus novos varões clamando
Por mais rancor entre os ricos e os pobres.

Os livros de História eles já rasgaram
E o que era sonho vivo desfaleceu.
Enquanto tu suspiravas
Por uma estrada nova pra San Vicente,
Os porcos cercavam tua avenida,
Mantendo a América convalescente.
Agora vejo velhos barões gritando
Por um novo circo cada vez mais torpe.







terça-feira, 7 de agosto de 2018

Entre Bibliotecas de Babel e Beijos Cibernéticos no retorno à Ilha do Amor: Fragmentos de mim no IV Encontro Nacional da Sociedade de Cultura Latina do Brasil em São Luís MA


No último recesso, retornei a São Luís-MA para participar do"IV ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL", em São Luís/MA/Brasil, de 19 a 21 de julho, e aproveitei (muito!)  pra curtir mais essa capital maranhense que amo de paixão (o finalzinho saiu brega mas sincero). Durante o evento, tive o privilégio de declamar vários poemas meus, entre eles, “Biblioteca de Babel”, de meu nono livro “O nada temperado com orégano – Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita” [2016], e “Beijo cibernético (1998)”, de meu quarto livro “O último adeus (ou O primeiro pra sempre)[2004]”.
Hoje relembro estes poemas, já postados em publicações anteriores no blog, e trago o vídeo com fragmentos de minha interpretação para os dois poemas.
Espero que gostem. Abração (estou de volta!) e Arte Sempre!


Biblioteca de Babel

Sou Maiakovisk às vezes eufórico, depois desesperançado, na Rússia Revolucionária,
Sou Kerouac atravessando as glórias e agruras na estrada dos Sonhos Americanos,
Sou Che Poeta, escrevendo versos entre revoluções armadas e os exércitos de La Paz,
Sou Churchill Moço, esquecendo os cabelos brancos e a bomba atômica,
Sou o rico mais pobre, o plebeu mais nobre, a chama invisível de Camões,
O carnaval cinza de Bandeira, o colorido melancólico de Oswald,
Sou o bandido mais querido, o mocinho mais temido, o vazio que enche nossos corações,
O Todo Mundo dos Altos dos Autos da Lusitânia,
O Ninguém das Epopeias, de Todos Os Odisseus,
Sou Todo Seu e também sou Eu e Outras Poesias,
Sou a acomodação e a rebeldia, a distorção e a harmonia,
O Amor maiúsculo e o amor tosco, o Arcanjo e o Anjo Torto,
Sou o Tao, sou humilde, Yin e Yang, a praia e o mangue,
Sou Deus, Zeus e o Demônio da Teoria,
Sou Talmud, Corão, Hieróglifos, sou popular e erudito,
Sou Temporada no Inferno e Comédias Divinas,
O Jesus Menino de Torga e o Menino Jesus da Bíblia,
O Evangelho das Selvas e o Bhagavad-gita,
Sou toda inércia que nos agita,
Sou os olhos cegos de Borges que leem sem parar,
Sou o leitor de tudo, com o lírico nada incluso,
Sou raso, sou profundo, sou a volta e a falta que o parafuso faz,
Sou a procura perdida de todo sentido na falta de sentido de Dadá,
Sou o viajante parado dando a Volta ao Mundo sem sair do lugar.

Beijo cibernético (1998)

Aposte, invista na crise
pois ela cresce mais que a ação
pare a ação
ligue-se na internet
sinta o site
mande um e-mail
solidaoarrobapontocompontobr
conte bytes caso não consiga dormir
especule o movimento
beije seu software
tecle enter pra amar
invista no desemprego
desfile no enredo do FMI
jure sobre os juros
reze pro prédio não cair
vote eletronicamente
confirme a clonagem
encha o disco
desligue o aparelho de CD
disque 0900
faça um curso de inglês
passe a bola pro francês
que a taça agora é dele também
desista do português
porque esta língua está em baixa na bolsa de valores
conte-me como foi sua primeira vez
na cama com Bill Gates
globalize o coração
delete a consciência
privatize suas emoções
venda sua poltrona
compre à vista uma bomba atômica
escolha o filme que escolheram pra você
aperte play pra explodir o vídeo-cassete
observe se seus três filhos estão bem
a tevê, o celular e o computador
obedeça a ordem
deixe que o progresso faça o resto
provoque um curto-circuito
aproveite a queda de energia
pra anular o comando esquecer
acesse o banco de dados
e finalmente perceba:
a única máquina que respira em sua casa é você.

sábado, 28 de julho de 2018

O Cordel do Carrossel das Burrinhas


Isso aconteceu no Programa Passa Ou Repassa, apresentado por Celso Portiolli, no SBT, e, devido à gafe, bombou em vídeos cômicos do Youtube: as atrizes Marcelina Guerra e Alicia Gusman, conhecidas por suas atuações na novela Carrossel, quando interrogadas no quadro do programa Passa ou Passa qual era a identidade do personagem de histórias em quadrinhos Tony Stark, cada uma deu uma resposta mais insólita que a outra com uma certeza comicamente equivocada – uma citou Super-Homem e a outra, eufórica, citou Batman.
Tempos depois, tal acontecimento não escapou dos olhos antenados e líricos dos artistalunos do nono ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ, que, durante a aula de introdução ao gênero lírico cordel, produziram coletivamente o cordel “Carrossel das burrinhas”, postado, juntamente com o vídeo da gafe, logo abaixo.
Bom divertimento e Arte Sempre, amigos leitores!




Carrossel das burrinhas

Isso aconteceu
No Passa ou Repassa
Com Celso Portiolli
Não foi sem graça
Tinha duas burrinhas
Que se fizeram de palhaças

Elas tinham que acertar
De Tony Stark a identidade
Disseram Super-Homem e Batman
Mas isso não era verdade
Um mico pagaram
E viraram do riso celebridades.
(Escrito por Isabella Silva Valentim, Giovanna da Silva Rodrigues,Eduardo da Costa Pinto Cabral, Fellipe Patricio da Rocha, João Pedro Pimenta Ramos e Lucas Lucindo da Silva, sob supervisão do Professor Carlos Brunno, durante a  aula de Redação de introdução ao cordel de 10/07/2018)



domingo, 8 de julho de 2018

As Novas Cartas de Amor aos Mortos, escritas pelo Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ


Inspirados na proposta de redação sugerida nos primeiros fragmentos do romance “Cartas de Amor aos Mortos”, da escritora Ava Dellaira, os escritores alunos do Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ produziram cartas em homenagem a seus ídolos que faleceram.

                No livro “Cartas de Amor aos Mortos”, tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno da protagonista Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Já os escritores alunos do Centro de Ensino Serrano escolheram outros ídolos para seu “Correio do Além”: parentes queridos que partiram (estas cartas, mesmo sendo belíssimas, foram omitidas nesta postagem, em razão do caráter extremamente pessoal  e confessional dos escritos), Martin Luther King Jr., Stephen Hawking, Ayrton Senna, Roberto Gomez Bolaños  e Renato Russo.
Hoje, trago algumas dessas cartas, que fizeram parte da exposição da Feira Literária do Centro de Ensino Serrano de 2018.
Boa leitura e Arte Sempre!



Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 


Querido Martin Luther King Jr.,


Olá, Martin, decidi escrever para você porque hoje é o dia em que você morreu, porém exatos cinquenta anos depois. Gosto muito de seus discursos e suas frases. A que mais gosto é: “Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa”.


Sei que, na sua época, você tinha muitos inimigos e era contra toda política americana e contra o racismo. Porém, com somente 39 anos, já tinha conseguido balançar todos os Estados Unidos com uma política de paz.


Atualmente, você, Martin Luther King Jr., é o maior símbolo contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo. O que você disse no seu discurso “Eu tenho um sonho” se tornou realidade, e não só para seus filhos, mas para o mundo.


Atenciosamente,


Daniel da Rocha Lima


Teresópolis/RJ, Brasil, 10/04/2018 

Querido Stephen Hawking,

Venho, por essa carta, te dizer que você foi um guerreiro, pois, com essa doença degenerativa, você poderia simplesmente “desistir da vida”, mas foi além, fez cálculos complexos e escreveu livros, ações que homens “normais” não fazem.

Você lutou até o fim, ao ponto que só conseguiu falar usando um adaptador que captava o movimento de sua bochecha.

Obrigado por todas suas frases ditas nesse mundo.

Adeus,

Arthur Andrade Corrêa de Melo


Teresópolis/RJ, Brasil, 12/04/2018 

Ayrton Senna,

Gostaria de te conhecer, pois as pessoas me falam que você corria muito e, quando botava o carro na frente dos outros, ninguém conseguia chegar em você e te passar.

Você poderia ter muitos anos de carreira, mas infelizmente morreu.

Atenciosamente,

Filipe Soares Pereira de Medeiros


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

Incrível pesquisador sobre Física e lutador Stephen Hawking,

Gostaria de parabenizar você.

Sei que nasceu na Inglaterra, Oxford, em 8 de janeiro de 1942. Ao contrário do que seu pai desejava, que era que você cursasse Medicina, seguiu sua paixão que era saber mais sobre a galáxia.

Aos seus 21 anos, descobriu sua doença que não havia cura, a esclerose lateral amiotrófica.Você participou de filmes e seriados conhecidos, entre eles The Simpsons, Futurama, Dexter’s Laboratory, The Big Bang Theory. Seus temas abordados eram sensacionais, como: natureza da gravidade, a origem do universo. Apesar de sua luta em relação à doença, você não deixou de lutar e estudar. Em um de seus documentários, alegou que é uma necessidade sua saber mais sobre o universo.

Você morreu em casa em Cambridge, na Inglaterra, no começo da manhã de 14 de março de 2018, com 76 anos. Foi elogiado em diversas áreas na Ciência.

Milla Miranda Silva Carvalho


Teresópolis. 9 de abril de 2018.

Caro C. S. Lewis,

Acho admirável seu trabalho, principalmente as suas produções voltadas ao cristianismo, como “Protestantismo Puro e Simples” e sua coleção “Milagres”. Gosto de assistir ao “As Crônicas de Nárnia”, que foi inspirado no seu livro.

Meu irmão tem uma biografia sua que foi escrita por David Downing, “C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos”. Esse livro tem como foco o período da sua infância até o início dos seus 30 anos, quando viveu uma jornada tumultuada de pesquisa espiritual e intelectual. Penso como marcou a história com suas obras, do modo que começou no início de 1930 e ainda é conhecido atualmente, em como seus livros escritos detalhadamente há anos são sucessos de vendas.

Você usou dedicação para defender sua fé – isso é admirável.

Respeitosamente,

Vitória Lopes de Carvalho Vidal 


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

El Chavo,

Olá, Roberto Gomez Bolaños, eu não te conhecia com esse nome como creio que todos os meus amigos também não. Nós te conhecemos como Chaves. Eu sempre te via na televisão, suas piadas nunca perdiam a graça.

Todo o Brasil te conhece como Chaves, seu programa fez parte da infância de todos. Mesmo falecido, seu programa ainda faz sucesso. Se você estivesse vivo, estaria orgulhoso pelo império que construiu de pessoas que te conhecem.

Atenciosamente,

Anderson Siqueira Junior 


Teresópolis/RJ, Brasil, 14/04/2018 

Querido Renato Russo,

É um grande prazer escrever uma carta para um grande ídolo como você.

Gostaria de agradecer pela grande geração de músicos que se espelham em você e em suas composições. Gostaria de agradecer também pelas suas músicas que são como uma herança para o mundo.

Fico triste por saber que muitas pessoas ainda não conhecem suas músicas e a Legião Urbana. Mas isso pode mudar, essa “geração coca-cola” pode mudar, e isso me deixa entusiasmada.

Às vezes brinco dizendo que “nasci na época errada” e que nunca irá existir alguém como você, um grande cantor e compositor, com tanta dedicação pelo nosso país, que infelizmente está cada vez mais em decadência; não digo só em relação à política, mas à cultura. Como sua música cita: “Que país é esse?”.

Beijos,

Giovanna Pimentel Lage




sexta-feira, 6 de julho de 2018

Os mais que fodásticos Planos e Poemas de Nanny Oliveira


E, mais uma vez, a Seleção Brasileira, “a pátria de chuteira no pé”, é eliminada nas quartas de final  da Copa do Mundo  (já colecionamos 4 eliminações [3 nas quartas] para seleções europeias, cujos países possuem um índice muito superior ao nosso no investimento em saúde, educação e, pasmem, até no esporte do qual somos tão vidrados). Como afirma a fodástica escritoramiga valenciana Nanny Oliveira, com sua ironia lírica sutil, “pelo jeito, acabou a alegria do brasileiro, volta a rotina... Fora Temer, abaixar a gasolina.... e não ser liberado mais cedo do trabalho!”
E por que estou falando da fodástica artistamiga Nanny Oliveira? Porque, pela primeira vez no blog, tenho a honra de compartilhar minhas solidões poéticas com os mais que fodásticos escritos dela. Conheço Nanny Oliveira há tempos, antes mesmo de ela surgir com esse quase pseudônimo (na verdade, é uma espécie de diminutivo do nome dela – e fato poético: com essa diminuta alteração, ela revelou sua grandeza lírica). Conhecia-a com seu nome de batismo, com seu nome do dia a dia, da rotina e das muitas vezes que nos esbarramos na zoeira ou no caminho para casa (somos de bairros vizinhos em Valença/RJ). Já a Nanny Oliveira conheço há pouco frequentando a rede social virtual facebook (“como eu não conhecera esse lado lírico dela antes?”, minha alma sedenta pelo vigor da fodástica poesia me pergunta, constrangida) não deixa de ser a Regiane dos dias a dias às vezes loucos, às vezes simplesmente iguais a outros dias,  vive a mesma rotina, mas a sublima com um lirismo espetacular. Ela mesma se define: “Não sou fofa, não sou doce, sou amorosa com quem sabe extrair o meu melhor. Mas sei uma aspereza, uma rispidez e um sarcasmo que não desejo a ninguém. Isso pode ser chamado de crueldade. Eu chamo de posicionamento”. 
Sua prosa poética e seus contos breves, todos sem títulos, atirados à efemeridade das publicações no facebook,  trazem aquela alma esfacelada, mas rebelde, lutadora, resistente, grandiosa apesar de toda a falta de grandeza nos nossos dias (sim, combina exatamente com minha estética de “poeta da derrota gloriosa”; sim, foi fascínio à primeira vista ler as atualizações líricas de Nanny Oliveira). Como blogueiro e criador da seção das Solidões Compartilhadas, espaço onde apresento novos, velhos e eternos fodásticos autores amigos, não podia deixar esses textos apenas no espaço passageiro das publicações do facebook, pedi, implorei que Nanny Oliveira liberasse seus fodásticos escritos para serem postados aqui no blog. E ela disse sim! (Fiz o sinal da Cruz e Sousa quando ela permitiu, agradecendo a todos os Deuses da Poesia por essa sublime permissão).
Pensam que eu estou exagerando, amigos leitores? Pois então leiam, amigos, e tenho certeza de que ficarão tão fascinados quanto eu pelos mais que fodásticos escritos líricos de Nanny Oliveira. Boa leitura e Arte Sempre!

“Seu Moço, acordei me perguntando por que a vida é essa reunião de sucatas e sucessão de ressacas. Pedaços de sonhos enferrujados espalhados pelo chão. Abraços a doses de euforia escorridas pelos dedos da mão. Pés bambeiam em lugar nenhum, coração se machuca em jejum e a cabeça lateja.
Veja: o nosso intento é um infortúnio. Por que destinos e bebidas sempre fogem ao nosso intuito? A gente se embriaga de planos e poemas e, no fim, nenhum sorriso é gratuito. Eu só pretendia colocar para fora o desejo que me preenche o peito e engolir uma garrafa cheia de mundo. É pedir muito?
Eu queria só por uma vez pagar a conta e chegar em casa com a certeza de que a felicidade realmente exige pouco. Mas, se tiver somente moedas de dor, Seu Moço, dessa vez não precisa trazer o troco.”
Nanny Oliveira



“Reconstruí meus dias do que não deixei ficar pelo caminho e percebi que o que restou foi minha mais pura essência.
Mergulhada em mim,decifrei todos os meus mistérios,encontrei a saída dos labirintos que o tempo causou,cicatrizei feridas que sofriam por doer,apaguei mensagens antes gravadas,que martelavam em meu ser de forma ensurdecedora.
Busquei a coragem que se acovardara na incerteza.
Agora me vejo inteira com as quatro estações dentro de mim: sei onde buscar meu sol e a hora de me deixar florir!”
Nanny Oliveira



“E bateu a exaustão.
Não, não da quarta-feira, mas sim dessa gente hipócrita e mesquinha, que fala uma coisa e faz outra, e que não faz nada de útil.
Bateu a exaustão dessas pessoas de sentimentos passageiros, do "eu te amo" sem valor algum que é dito como se fosse um "oi, tudo bem?".
Ela anda sem paciência com a maioria das pessoas, até se culpa por isso, mas não entende como atrai tanta gente imbecil pra sua vida.
Bateu a exaustão, das promessas não cumpridas, de doar-se e não ter o menor sinal de reciprocidade, de tentar resolver os problemas de todo mundo, e só receber ingratidão em troca.
E agora ela cansou de apanhar da vida, não vai bater de volta, não vai ficar revoltada, nem muito menos querer vingança por sofrimentos passados.
Bateu o amor próprio, ela apanhou todos os sorrisos que deixou pelo caminho e seguiu.”
Nanny Oliveira



terça-feira, 12 de junho de 2018

Solidões Compartilhadas de Eterno Amor: O Poema Romântico de Tuane Miranda finalmente no blog!


Mais um 12 de junho se inicia e o amor está no ar: é Dia dos Namorados! E é claro que o blog não poderia deixar de comemorar essa data com uma maravilhosa estreia na Seção Solidões Compartilhadas:  hoje tenho a honra de compartilhar neste espaço lírico-virtual um fodástico e romântico poema da super-professora-poetamiga teresopolitana Tuane Miranda.
Tuane Miranda é professora dos anos iniciais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva – sim, é ela quem prepara, dá a base lírica para os futuros poetalunos para os quais lecionarei nos anos finais do ensino fundamental. Há tempos, durante as viagens pela BR 116, de casa para a escola, Tuane confessara que possuía “uns poemas guardados”. Desde então, o blogueiro que vos escreve tem insistido com a tímida poetamiga que ela me apresentasse seus escritos poéticos há tanto tempo guardados para que eu pudesse lançar seus inéditos e fodásticos poemas no blog. Durante muito tempo, insisti, mas a poetamiga Tuane fez que “nunca nem viu” meu pedido e seu lirismo permaneceu oculto, em gavetas secretas, trancadas pela própria poeta autora.
Mas o tempo passou, os deuses do lirismo conspiraram a favor de novas revelações poéticas e a proximidade do Dia dos Namorados influenciou na nova tomada de decisão de Tuane: finalmente ela resolveu revelar um de seus escritos poéticos e ainda permitiu que eu publicasse o sublime poema nessa data especial em que comemoramos o eterno amor entre os mortais!  Por isso, hoje publico e divulgo o fodástico e romântico poema “Meu amor por você”, de Tuane Miranda, declaradamente dedicado ao muso inspirador Leonardo Monteiro, marido e eterno (e)namorado da talentosa poetamiga. Vale destacar a emoção à flor da pele, presente nos versos confessionais de Tuane, além do excelente uso de figuras de linguagem (anáforas pontuais, metáforas singelas, etc) e do ritmo envolvente baseado em rimas simples que traduzem a sublime simplicidade do verdadeiro amor.
Apaixonemo-nos e celebremos o amor, amigos leitores, juntamente com o romântico eu lírico da fodástica poetamiga Tuane Miranda. Boa Leitura! Amor e Arte Sempre!

Meu amor por você

Eu procurei
Por muito tempo
Eu busquei
Um alguém que me amasse
Um alguém que me bastasse

Por muito tempo eu achei
Talvez não sei
Que tudo fosse ilusão
Que eu nunca preencheria meu coração

Nesse momento então
Te encontrei
Você era o amor
Você era o basta
A exatidão do que sonhei

E a ilusão?
Ah! Ela nunca mais coube
No meu coração.
Tuane Miranda



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Solidões Compartilhadas: A Revolta Lírica da Revolucionária Poetamiga Gisleny Almeida


Segundo o Ibope, sete em cada dez brasileiros estão insatisfeitos com governo Temer. E olha que essa pesquisa é de abril deste ano – nem a greve dos caminhoneiros tinha ocorrido, nem o aumento abusivo dos preços do combustível, nem a crise de abastecimento, etc... A insatisfação com a classe política em geral é tão grande quanto a que temos com o desgoverno atual do Brasil. E isso não é de hoje, como podemos comprovar pelo poema da fodástica poetamiga teresopolitana Gisleny Almeida.
No ano passado, Gisleny (que já foi uma das grandes poetalunas da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, onde leciono) me enviou o fodástico poema de elevada revolta e crítica social com o qual compartilho minhas solidões poéticas hoje. Na época, ela me pediu que eu o declamasse em um evento, porém não tive a oportunidade de realizar o desejo dela (não houve microfone livre; entrei mudo e sai calado rs). Seja como for, outras oportunidades para declamá-lo virão. Por enquanto, divulgo-o como um grito calado, com um eu lírico feroz e disposto a atirar em versos cortantes todas as suas mágoas com os descaminhos da pátria que há tempos deixou de ser “mãe gentil”. Vale a pena destacar a energia lírica do poema, impulsionada pelo ritmo forte, pela escolha de palavras e expressões contundentes e pela rebeldia inabalável transformada em apelo poético (não se pode ignorar o vigor lírico da premiada poeta, traduzindo em versos a insatisfação de nossa nação).
Reflitamos e nos revoltemos juntos com o feroz eu lírico da fodástica poetamiga Gisleny Almeida, amigos leitores.

Ei, a injustiça tá demais
E ninguém se importa mais
Já cortaram nossas pernas
Já cortaram nossos braços
E ai, vai deixar que cortem mais?

Zumbi lutou tanto pra conquistar a liberdade
Tiradentes teve o corpo espalhado pela cidade
E hoje a liberdade tá ai, cativa e liberta
Será que a gente a utiliza de forma certa?

Justiça só contra pobre
Não é justiça, é ditadura
Não vão calar minha voz,
Nem vou me fazer de surda!

Teve quem tentou calar minha boca
E até me calava
Mas só com o meu dedo do meio
Falei tudo que eu precisava

No meu mundo, o dinheiro traz comida pra mesa...
Mas lá fora eu o vi levando maldade e frieza

Tristeza, fome, poluição
O mundo anda assistindo o mundo
Em defecação
Pessoas sendo compradas e vendidas
Sem nem ter noção.

Criminosos  amadores são presos,
Os profissionais são eleitos,
Um Brasil que não sabe lidar
Com seus eternos defeitos!

Eles ficam com a carne
Nós ficamos com a banha
A gente que dá duro
E só a massa corrupta e rica que ganha
Se isso é ordem o que é desordem então?

Então vamos lutar
E fazer nossa parte
Pessoas ordinárias
Não calarão nossa arte.



Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...