terça-feira, 27 de setembro de 2016

Relembrando homenagens a pessoas marcantes em minha estrada lírica: Um poema antigo à professoramiga Rita D'avila

Hoje uma grande professoramiga, a mais-que-fodástica Rita D’avila, com quem tive o privilégio de trabalhar na mesma equipe escolar (na Escola Municipal Nadir Veiga, entre 2008 e 2010), está fazendo aniversário, 53 anos de muita folia, profissionalismo, saúde e talento! Além de grande companheira profissional, Rita também me apresentou parte da Teresópolis da boemia e do samba; curtimos boas baladas juntos. Devido à correria dos nossos cotidianos de trabalho – ambos costumamos acumularmos quinhentas funções e atividades ao mesmo tempo -, há tempos não conseguimos frear a rotina cansativa e colocar a conversa em dia. Mas, mesmo afastados, os laços e histórias permanecem e hoje revelo no blog um poema que fiz em homenagem a ela, no seu 45.º aniversário. Foi escrito durante as comemorações do aniversário de Rita em um bar e, como costumo fazer, pedi que os presentes me dessem um conjunto de palavras e construí o poema a partir das zoações que a professoramiga adorava fazer com o professor André Alvarenga, que também estava presente naquele dia alegre e divertido (usei como recurso, a primeira pessoa, forjando um eu lírico parecido com a homenageada; ou seja, no poema, fingi ser Rita D’avila – que chamo de Rita Baiana, em louvor às origens dela e como citação a uma personagem marcante e festiva do romance “O cortiço”, de Aluísio de Azevedo).
Aí vai, amigos leitores, pela primeira vez no blog, o poema que escrevi há 8 anos atrás em homenagem à formidável professoramiga Rita D’avila!

Recado para André
Poema em homenagem ao aniversário de Rita Damiana (4.5 )

Já te falei, meu amigo,
a vida é uma passagem sem ida,
por isso não viajes, cara!
Curta o caminho
com amor, amizade e carinho
e não esperes nada
- nem ônibus, nem carreata.
Já estamos aqui juntos, unidos,
por isso esqueça estes anseios
pelo infinito...
Eu tenho noção, meu camarada,
já segui errante, perdida;
confia em mim, cara,
tenho 4.5.
Dá-me um isqueiro,
sente o tesão com que o fogo
queima tua ilusão
e esse incêndio de realidade
é a nossa essência,
é a chama que não acaba.
Te dou minha palavra:
a vida é o agora
e não essa promessa de fuga
em futuros distantes...
Confia em mim, amigo,
confia em quem te ama,
sei o que digo, tenho 4.5,
sou Rita Baiana.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Hoje os sinos dobram por ti, Sayuri...

Foi há um bom tempo bom atrás, na época em que eu dava aula de Português na Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, região rural de Teresópolis/RJ (sim, foi muito antes da tragédia das chuvas de 2011, foi num tempo em que meus sonhos bailavam menos melancólicos)... Naquela época, em nossa pequena imensa escola, eu via cotidianamente a jovem Sayuri Taminato – as lembranças que tenho de sua imagem são sempre angelicais: ora sorrindo com aquele sorriso sereno e iluminado que espantaria as nuvens mais tenebrosas do céu, quase sempre do tipo quietinha, uma aluna aparentemente tranquila, sempre trazendo aquela luz vital permanente, qualquer estrela por mais brilhante admiraria o seu brilho humano e natural. Poucas vezes estive na sala de aula com ela – era aluna das turmas nas quais a professoramiga Rosangela Alves de Castro lecionava; estive apenas umas poucas semanas na turma de Sayuri quando Rosangela esteve de licença médica, mas o pouco tempo não desfaz o muito que sinto pela sua partida. Vinha acompanhando-a virtualmente, como seu amigo no facebook e, nossa, tão jovem e já construía uma família imensa, unida e feliz, como o tempo passa, Sayuri, e como o tempo para e inacreditavelmente mortalmente nos transpassa sem sentido, sem explicar. Como a própria Rosangela citou, Sayuri “morreu em uma circunstância que não cabe: dando a vida ao pequeno Rafael”, seu 4.º filho (tão jovem e já construía uma família imensa, unida e feliz, meu Deus!). E até o drama de sua partida comprova sua face de super-heroína: Sayuri partiu nas complicações do parto, mas, mesmo assim, deu a jovem vida pelo surgimento de outra nova vida (poucos conhecidos do nosso dia a dia seriam capazes de encerrar uma trajetória de luz de forma tão heroica assim...). Não sei se são os ares melancólicos do céu nublado em Teresópolis, não sei se é a lembrança infinita do sorriso lindo dela, não sei se é a juventude que tive e que Sayuri não mais poderá curtir, não sei se foi o inesperado, o inacreditável, não sei o porquê, mas sua morte me tocou bastante, mesmo sem conhecê-la tão profundamente. Como Rosangela disse, “a gente se afasta, mas não deixa de amar essas pessoas que são parte da nossa construção como profissionais, parte da nossa vida!” Como diria John Donne, " [...] a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti". Não consigo evitar a canção elegíaca de Renato Russo nesse momento: “É tão estranho... Os bons morrem jovens... Assim parece ser quando me lembro de você...” Vai em paz e mantém a paz lírica que sempre transmitiste com teu sorriso, jovem Sayuri Taminato... Vivemos tempos difíceis... Deus deve estar precisando de anjos formidáveis e grandiosamente amorosos como você. Na tristeza fúnebre deste momento, tento me confortar com a lembrança de teu lindo sorriso, com a torcida pela vitalidade da família que deixas contra tua vontade, mas não consigo evitar as lágrimas de lamentação por uma juventude iluminada que inexplicavelmente de repente se apaga. Hoje o sol nem tentou dar as caras, jovem Sayuri, escondeu-se em luto, lamentando a energia que os raios dele só encontravam quando abraçavam um sorriso teu... 


domingo, 25 de setembro de 2016

Dos gritos às vacas simpáticas: o dia a dia de Larissa Paim

Cheguei da efervescente Anchieta/ES há pouco e me deparei com uma Teresópolis/RJ cinza e melancólica, completamente oposta à imagem que esse dia merece – cadê o sol de primavera? Cadê as luzes que deveriam dar um toque de bom humor e lirismo nesse dia tão especial? Sinto-me desapontado com o mau tempo, afinal hoje é um dia especial, que deveria oferecer um clima de sol e risos, hoje é um dia muito especial, pois outra grande escritoraluna que conheci durante as aulas na Escola Municipal Alcino da Silva faz aniversário, hoje é o dia do aniversário da jovem e talentosa escritoraluna teresopolitana Larissa Paim!  Pensando bem, talvez eu entenda porque o sol não vem neste dia tão especial – a escrita lírica e iluminada de Larissa Paim já é o próprio sol retirando a mancha cinza de nossos sisudos olhos.
Irmã da exímia cronistamiga Diana Paim, parente da surpreendente poetaluna Maria Emilia de Oliveira, Larissa Paim não fica para trás no quesito talento na escrita. Seus textos trazem desenvoltura, poesia, inovação e bom-humor a aspectos outrora vistos como cotidianamente ordinários ou sem lirismo. Uma prova disso é a fodástica crônica “Dos gritos às vacas simpáticas: o meu dia a dia”, texto finalista no concurso interno de crônicas dos nonos anos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Na crônica citada, Larissa descreve fatos banais do cotidiano em um bairro rural de Teresópolis/RJ (Providência, para ser mais preciso) de forma singela e com pitadas humorísticas que colorem de energia e alegria o nosso outrora entediante dia a dia. Com um estilo todo próprio, a jovem escritoraluna sublima o seu universo particular, inovando a forma de se descrever o cotidiano de uma jovem moradora de um ambiente rural – fatos que poderiam ser vistos como tediosos ou repetitivos são transformados em aventuras incríveis do caminho diário em meio à paisagem bucólica Não é à toa que sua crônica tornou-se uma de minhas leituras favoritas neste ano. . Larissa Paim cumpre com habilidade incrível uma das missões mais difíceis de todo fodástico cronista: transformar o simples em algo formidável e mágico sem abandonar a simplicidade e a naturalidade.
Hoje é o aniversário de Larissa Paim, mas os presenteados somos nós, amigos leitores. Compartilho hoje minhas solidões líricas com a magnífica, mais-que-fodástica crônica da talentosa escritoraluna aniversariante.
Que nossos olhos reencontrem o sabor colorido, mesmo em dias cinzas como este, a partir da leitura da iluminada crônica da espetacular escritoraluna Larissa Paim, amigos leitores!

Dos gritos às vacas simpáticas:
 o meu dia a dia

Providência, 6:31 da manhã. Minha amiga Jade me acorda aos berros para eu ir ao ponto de ônibus. Deveria ter saído de casa um minuto antes, mas cá estou eu sendo acordada aos gritos. Desespero: estou atrasadíssima. Jade esquenta o café, pega meu sapato, a escova de cabelo, arruma minha bolsa e lá vamos nós correndo no meio da lavoura do tio Jilmar. Chegar no ponto: essa é a hora que as alunas atletas do nosso Professor de Educação Física Genaldo começam o atletismo.
No ônibus, encontro minhas outras amigas Ana Luiza e Andressa, ambas de cabelo em pé com nosso atraso. Após um tempo, chegamos na nossa segunda casa – a escola.
Na sala, tudo começa na preguiça, depois há as conversas com as amigas. A Thaís, a mais faladeira, é quem começa tudo.
Chegando da escola, a caminho de casa, me deparo com um cachorrinho preto, lindo e brincalhão, mas com imenso medo de as pessoas encostarem nele. Na ponte, aquela correria de sempre de carros e motos. Seguindo em frente, passamos por uma bela casa amarela, onde tia Altina, com seus 100 anos, fica esperando minhas amigas e eu chegarmos da escola para nos cumprimentar com o costumeiro boa tarde. É só o começo, ainda há um longo caminho para percorrer.
Mais uma vez, me deparo com muito mato. Nesse trecho, tem uma vaca que apelidamos de Mimosa; ela é boa, até conversamos com ela. A parte mais legal são as nossas brincadeiras perto do lixão. Ana Luiza todo dia pega uma garrafa para bater em Jade. Andressa só ri, igual uma hiena. Agora eu nem falo nada, ‘deixo baixo’. Após esses momentos divertidos, chegamos no eucalipto, onde também tem a lavoura de alface da tia Natalina.
A partir daí, cada uma toma seu rumo. Amanhã faremos tudo de novo. 


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Solidões Compartilhadas: Os casos e acasos de amor de Paula Costa


Nesta madrugada, preparo minhas malas para seguir viagem para Anchieta/ES, onde farei uma sessão de autógrafos dos meus livros e terei a honra de receber o DIPLOMA ESPECIAL "PERSONALIDADE CULTURAL E ARTÍSTICA 2016" no "Sarau Poético Assunção", acontecerá no Centro Cultural de Anchieta, localizado no antigo Hotel Anchieta, Centro da Cidade. no dia 23 de Setembro de 2016, SEXTA FEIRA, com início as 19 horas. Mas não posso partir e deixar o blog sem postagem, sem lembrar que hoje é um dia muito especial: é no dia 23 de setembro que comemoramos o aniversário de uma jovem e supertalentosa  poetaluna para quem tenho o privilégio de dar aula na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, região rural de Teresópolis. O nome dessa fodástica artistaluna é Paula Costa.
Há pouco tempo atrás, ela me confiou vários escritos poéticos de sua autoria. E é com algumas dessas pérolas líricas de Paula Costa que compartilho minhas solidões poéticas neste dia especial, amigos leitores.
Vida Longa e Muitas Inspirações, espetacular poetaluna Paula Costa!  Eis algumas das maravilhosos poemas e prosas poéticas da talentosa aniversariante Paula Costa, amigos leitores!

O amor

Desde o princípio, quando com você sonhei, me levantei
Nesse dia sozinha eu estava
Até o seu olhar com o meu se encontrar.

O primeiro momento
Desde o dia em que eu te vi, meu coração bateu por ti
Foi tão lindo o que eu senti
Tu foste tudo pra mim!

Nunca o deixarei
Nosso amor me faz ter forças para vencer
E esquecer toda tristeza.

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Nessa vida tudo que acontece tem uma razão. Nós nos encontramos tão por acaso, em uma das voltas que a vida dá... E neste “por acaso” nos surpreendemos com o resultado! Como a vida é uma caixinha enorme e com muitas surpresas dentro, conseguiu dar o seu jeitinho de nos unir! Uniu e conseguiu fazer com que, a cada dia, eu me importe cada vez mais com você...

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O amor II

O amor nasceu,
Me envolveu,
Me surpreendeu,
Preenchendo meus dias com felicidade,
Me aconselhando,
Me completando,
Meus melhores momentos são com você!
Nossas horas voam,
Porque em seus braços eu me sinto segura,
Seja conversando, brincando, sorrindo,
Ou dizendo bobagens,
O nosso amor nos preenche, nos basta,
Mesmo que distante, ainda estou com você!


Carta para o Amor eterno, mesmo que às vezes deprimente

Amor eterno, mesmo que às vezes deprimente,

Desculpe se não sou suficientemente boa pra você. As suas expectativas sobre minha pessoa, a de fazer de mim um anjo de perfeição, não me fazem bem, pois as vezes que falhei me fazem ver a decepção em seu olhar. Gostaria de ser a pessoa que você sonhou e idealizou, ficar com o sorriso estampado no rosto o tempo todo, andar arrumada e bem disposta o dia todo, mas não posso e também não quero ser uma bonequinha para consumo eterno. Olha um pouco para dentro de mim e abrace não só o meu lado bom, mas também o ruim. 


sábado, 17 de setembro de 2016

O Cavaleiro das Trevas em Quadrinhos e Poesia: Comemorando o Batman Day com meu novo bat-soneto

Hoje, dia 17 de setembro, comemora-se o Batman Day, evento internacional em homenagem ao Homem-Morcego, meu personagem favorito das histórias em quadrinhos de super-heróis da DC Comics (quando criança, a minissérie “O Cavaleiro das Trevas” e o arco de histórias “Batman: Ano Um”, ambos roteirizados pele mestre dos quadrinhos Frank Miller, deram um nó na minha cabeça e modificaram meus conceitos ingênuos de quadrinhos).
Neste ano de 2016, que comemora o 77.º aniversário de Batman, a DC estabeleceu o dia 17 de setembro como data oficial. E eu, como fã-nático pelo Homem-Morcego (esse fato já virou até motivo de chacota de meu amigo Lucimauro Leite, que sempre me canta a canção “Batman”, da irreverente banda punk Garotos Podres, e me lembra que estou abraçando um personagem capitalista – esquecendo-se de todo o lirismo gótico, super-humano e melancólico do super-herói, que tanto me atrai), deixo aqui meu soneto-homenagem ao sombrio defensor de Gotham City.
Com vocês, amigos leitores, a minha homenagem lírica ao famoso Cavaleiro das Trevas.

O Cavaleiro das Trevas

Atravessa as trevas mais uma vez o cavaleiro.
Seus olhos têm o brilho amedrontador de um morcego
que, refém da noite, apenas na sombra encontra achego.
Ele caça os lobos na Gotham de poucos cordeiros.

A cidade inchada adoece no desassossego,
maculada por palhaços loucos e carniceiros.
Corrompida, a urbe clama por seu velho justiceiro
e o filho órfão retoma a tez do homem morcego.

O herói que protege Gotham dos crimes mais vis
revê o beco, onde um garoto vagava feliz
até um ladrão matar seus pais e roubar-lhe o viço.

Hoje o guri busca sossego agredindo bandidos,
ele atira-se sobre as bestas como anjo caído,
Batman revê a paz sorrir-lhe com dentes postiços.


Solidões compartilhadas in memoriam: A Teresópolis esbranquiçada pelo orvalho de Maria Neuza Menezes de Paula

Desde quarta-feira desta semana, por mais que tenha disfarçado para lidar com os compromissos cotidianos, venho me sentindo um tanto introspectivo, guardando dentro de mim pequenas revoltas contra os deuses que regem nossos destinos e escolhem qual é nosso momento de viver e de morrer. Na última quarta-feira, abri, durante a tarde, um recado deixado pela escritoramiga Mirian Santos, artistamiga que conheci quando eu lecionava nas turmas da EJA, à noite, no CEROM.  Abri a caixa de mensagem na expectativa vã de ler um boa tarde ou bom dia ou encontrar um novo escrito da talentosa escritoramiga, que há tempos não me apresentava uma nova arte sua. Mas a mensagem não  trazia alegria, poesia ou alívio, e sim pesar: Mirian me dava a triste notícia que a escritoramiga Maria Neuza Menezes de Paula havia falecido há mais de uma semana. Lembrei-me de Maria Neusa na hora; dei aula para ela nas turmas noturnas da EJA, no CEROM: era uma senhora super-alegre, sempre sorridente e excelentíssima escritora, tanto que ganhara, de forma unânime, o Concurso de Textos de Memórias da EJA, em 2012, com o seu mais-que-fodástico texto “Teresópolis esbranquiçada pelo orvalho” (o texto é tão bom que até já  usei-o em provas e exercícios de turmas de oitavos anos no ensino relugar).  A partir de 2013, não tive muitas notícias de Maria Neusa, pois me afastei das aulas da EJA, no CEROM, mas seu texto e sua aura cheia de vida (sempre conversávamos durante os intervalos da aula) permaneciam eternos no recanto de minhas melhores lembranças dos tempos da EJA. E hoje o dia me acorda meio nublado, com uma melancólica neblina em Valença/RJ... me relembro, triste, da Teresópolis cheia de esperança e molhada de orvalho de Maria Neusa – será que o orvalho, outrora símbolo de beleza, tornou-se também uma lágrima da natureza, constatando sua partida, Maria Neusa?  Acho que você me diria que não – sempre tão mais otimista que eu! -, mesmo falecida, acho que você me diria que o orvalho continuava a ser beleza e, talvez, também um sorriso sereno que você nos deixara após a sua partida.
Hoje deixo para os amigos leitores aquele premiado e belíssimo texto seu, Maria Neusa. Que os vivos mantenham a esperança em seus escritos eternamente viva na cidade partida, querida e saudosa escritoramiga.

Teresópolis esbranquiçada pelo orvalho

Teresópolis era cidade mansa, calma, com seus pastos verdes. No inverno, mudava a sua cor, ficava esbranquiçada pelo orvalho, parecia neve. Seus rios pareciam chorar, cheios de água, conseguiam até peixe criar. Eram rios vivos em cujas margens nasciam flores e todo o seu redor era colorido.
A praça da Igreja São Pedro era de muita poeira e muitas árvores, sem decoração, mas era o melhor lugar para brincar e, depois, na sombra das árvores, descansar. Hoje está decorada e reservada. Suas festas não tem mais fogueira, as tardes não têm mais sombra.
A Reta, chegada principal da cidade, era arborizada, anunciava ao turista algo especial, um contato direto com a natureza. Que pena! O homem tirou as árvores, mas a natureza é mãe e uma mãe não mata seu filho.
Na casa da minha irmã, passava um rio. Eu adorava dormir lá, pois escutava barulhos de cachoeira. O Morro do Tiro era um lugar carente e de muita gente, mas também de muita vegetação. Hoje, onde não tem algo construído, está descampado, como se tivessem passado uma lâmina. É lamentável! Essa é a evolução dos tempos? Será que precisa acontecer alguma coisa para o homem entender que a conscientização é o milagre que o mundo precisa alcançar?
Mas ainda temos o que ninguém tem e nunca terá: um Dedo de Deus a nos abençoar!

Maria Neuza Menezes de Paula


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Solidões Compartilhadas: O Professor, um conto de Marcela Nascimento Mello

Sabe, às vezes, diante do caos da realidade, me bate um desânimo imenso e essa sensação melancólica de falta de perspectiva de mudanças e melhores condições de vida costuma me incentivar o isolamento, atitude tal que me afasta de ser mais constante no blog. Mas, quando tudo parece estar perdido, sempre surge uma luz – e não a luz de mais um trem de frustrações para nos atropelar novamente, é a luz da arte, sim, só a arte e a luta pela sobrevivência dela salvam, amigos leitores. Num desses períodos, fui privilegiado pela mensagem-surpresa pelo facebook de uma antiga artistamiga que há tempos não vejo: era Marcela Nascimento Mello, minha conhecida de Valença/RJ – por intermédio do artistamigo Anderson da Silva Thomé, a conheci quando ela estava envolvida na apresentação de meu sexto livro “Diários de Solidão”, em 2010, com o grupo teatral Companhia Artística Phoenix em parceria com o Grupo Arte-Ofício; algum tempo depois, veria Marcela novamente em outras apresentações do primeiro grupo citado, entre elas, a fodástica história de um fantasminha medroso, adaptação teatral de um famoso livro infantojuvenil (a memória me trai, não me lembro do nome da peça), apresentada na Casa Léa Pentagna -, bem, até as mensagens mais recentes, só conhecia as incursões de Marcela no mundo teatral, qual não foi minha grata surpresa ao saber que ela também é uma fodástica escritora.
Nos últimos tempos, Marcela me compartilhou o segredo de seus escritos e vem me enviando fodásticos contos e prosas poéticas de sua autoria, Até o momento, mesmo com uma certa insistência minha, ela resistiu em revelar sua veia literária aos demais leitores, mas, finalmente, amigos, recebi uma mensagem de Marcela, dando-me permissão de postar um de seus contos!!! E hoje tenho a sublime honra de estrear e compartilhar minhas solidões poéticas com o fodástico conto “O professor”, da jovem e hipertalentosa escritoramiga Marcela Nascimento Mello! O conto de Marcela é uma versão com olhar inverso de meu conto “A última poeta” (publicado no livro “Diários de solidão” [2010] e já postado aqui no link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/10/poema-letivo-ultima-poeta.html); em sua emocionante narrativa, temos olhar da aluna para o professor (no meu conto, o olhar é do professor para a aluna) numa escrita bastante lírica e excelentemente bem elaborada.
Emocionemo-nos, amigos leitores, com o emocionante conto “O Professor”, da fodástica escritoramiga valenciana Marcela Nascimento Mello!

O Professor

Sempre gostei de chegar mais cedo no colégio, pois sempre ajudava o inspetor de aluno a apagar os quadros e colocar giz nas salas.
Gostava de ser a primeira aluna a quem o professor visse, adorava quando elogiava meu empenho na aula.
Sempre admirei meu professor de português, adorava o jeito que me ensinava, os escritores que ele me apresentava em suas aulas, a forma como ele me incentivava a escrever poesias e outras minhas redações, adorava quando tirava notas altas, pois sempre queria que meu professor ficasse feliz. Não gostava quando meus amigos tiravam notas baixas, pois ele ficava chateado.
Era uma sexta feira quando fui me despedir do meu professor, pois iria me mudar de escola, me mudar de cidade.
Não gostei desse nosso último encontro... Ele ficou triste e me deu um adeus sem futuro, não tinha mais a certeza se um dia eu o veria de novo. Com medo de jamais voltar a vê-lo, deixei-lhe uma carta:

Adeus, meu professor,
Continuarei a gostar de poesia, mas te prometo, você foi e será meu único professor favorito de versos e prosas.
Um dia tenho certeza que irei te encontrar, meu querido professor, pois quero te mostrar tudo que aprendi com você e quero te mostrar que virarei uma escritora como você me ensinou a ser.
Beijus,
Sua eterna poeta

Depois disso, nunca mais vi aquele que fez encantar-me por poesia e literaturas. Será que ele leu a carta? Preciso voltar e lhe perguntar...


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mais um poema esquisito meu com um título grande demais pra ser título da postagem: Uma forma inusitada de retornar ao blog

Yeah, amigos, faz um tempão que não venho aqui pelo blog, eu sei – há momentos da vida que passamos off pro virtual pra ficar online pra vida real, tão cheia de virtuais ilusões e desilusões. Pra comemorar esse retorno, trago um poema superinédito (e superestranho) de minha autoria, que estava há tempos na minha cabeça, mas só se concretizou há poucos minutos atrás. É uma espécie de tentativa neoconcretista dadá, esquisito e assombrosamente descrente de sonhos mas cheio de som e ous rs, algo que meio que me fez sentido meio sem fazer, como o próprio fazer poético que às vezes a gente faz sabendo que nem sempre se sabe o estar fazendo. Minha namorada, Juliana Guida Maia, aprovou e achou fodástico, mas ela é suspeita pra analisar. Como pai do estranho corpo poético, só o achei esquisito, ‘esquizofrenesético’. De qualquer forma, vale como um retorno extravagante às postagens no blog.
Não sei se espero que vocês gostem... Realmente não sei o que esperar... De qualquer forma, é sempre bom retornar ao blog!

Realidades paralelas ou O Jogo do Acrônimo ou O som dos HOS ou Hidden Object Scene ou Harnessing of Spirit ou Horizontal Over Scan ou Human Operator Simulator ou Sempre HOS nos ous ou Exercício Neoconcretista Dadá ou Quando deixei de ser músico antes mesmo de começar a (me) tocar

Houve um tempo que eu tinha sonhos.
Ouve: Um tempo. Quê? Eu tinha sonhos...
Ou vê um tempo que eu tinha... Sonhos!
Houve
Ouve
Ou vê
Son
hos...
Som
e ous...