terça-feira, 31 de março de 2015

Mais uma dose lírica? É claro que eu tô a fim!!! Sarau Solidões Coletivas Exageradas foi fodástico demais!


Aconteceu no no sábado, dia 28/03/2015, às 17:30h, na Biblioteca Municipal D. Pedro II, no Centro de Valença/RJ (em frente ao Shopping 99), mais uma fodástica festa lírica do Sarau Solidões Coletivas, o ""Solidões Coletivas Exageradas:A nossa arte a gente reinventa com lágrimas no paraíso pra se distrair", um tributo lírico a Cazuza, Eric Clapton, Cecilia Meireles e Nicia Cadinelli. Mais um evento de sucesso, organizado pelo Sarau Solidões Coletivas e Coletivasom!

Abaixo, compartilho os vídeos deste fodástico evento e o vídeo De uma entrevista super-bacana feita comigo pela galera do Canal Coletivasom (Davi Barros Azevedo, Wagner Monteiro e Paulo Roberto Gonçalves), durante os preparativos do mais recente evento do Sarau Solidões Coletivas - o "Sarau Solidões Coletivas Exageradas"! !

Neste primeiro vídeo, Gilson Gabriel apresenta suas “reinvenções” poéticas, em resposta à ideologia de Cazuza; Gilda Maria Rachid Dias apresenta seu poema-diálogo com Cazuza e declama um fodástico poema agnóstico de seu poetamigo português Ribadouro Campos;  eu declamo poemas e canções de Cazuza e Cecília Meireles; o retorno de Isabel Cristina Rodegheri com seus fodásticos haicais e microcontos; o retorno de Déia Sineiro, com seu poema-ode homenageando os artistamigos do Sarau Solidões Coletivas; Patricia Corrêa declama poemas de Cecília e outro, inédito e confessional, de sua autoria, escrito durante o evento (!); Wagner Monteiro comanda a festa declamando o tradicional “A vida é um saco (Então foda-se)”, de minha autoria, e outros fodásticos de sua autoria; a estréia de Nilda declamando poemas da sacola de perólas-maravilhas poéticas de Marcia Cristina (que, neste sarau, participou ainda mais ativamente nas declamações) e Juliana Guida Maia manda a letra de música – descarrego “Simpatia de giz”, de Oswaldo Montenegro.
Uma errata: No vídeo, disse erroneamente que Cazuza faria aniversário em 4 de março, quando o que eu queria dizer era a data exata: 4 de abril.

Neste segundo vídeo, Marcia Cristina declama poemas de grandes autores, como Cecilia Meireles e Mario Lago; Wagner Monteiro homenageia Chaplin e Cecilia; eu declamo poemas de João Jr., o fodástico poema cazuzístico da poetamiga voltarredondense Rosangela Carvalho e a tradução da canção “Tears in Heaven”, de Eric Clapton ; poemas novos de Déia Sineiro; Luana Cavalera, a musa lírica do underground, brilhando como sempre!; a homenagem a Nicia Cadinelli – que, infelizmente, não pôde estar presente fisicamente (mas jamais ausente liricamente) neste evento – feita por Juliana Guida Maia e Luana Cavalera; Leticia Corrêa homenageando Cecilia Meireles; Lucimauro Leite declamando o mais-que-fodástico Patativa do Assaré; Patricia Corrêa declamando poemas de sua autoria e o cinepoema de seu poetaluno Paulo Vitor; Juliana Guida Maia traz mais um poema de Cazuza, transformado em música por Humberto Gessinger; Emanuel Coelho, do Acoustic Project, e músicos amigos (como Luiz Guilherme Monteiro, Jonas Eduardo, Gabriel Carvalho e outros) homenageando Eric Clapton (com “Tears in Heaven”) e o Barão Vermelho pós-Cazuza (“Por você”).

Neste terceiro vídeo, vários poetamigos acompanhados da banda mística jam do Acoustic Project com o Broken Hearts (Gabriel Carvalho, Luiz Guilherme Monteiro, Jonas Eduardo Lopes e Cia): eu declamando poema de Luiz Guilherme, Gilson Gabriel com seu “Voo cego”, Luana Cavalera, Patricia Corrêa declamando Cartola, Wagner Monteiro com mais um poema visceral, Gilda Maria Rachid Dias. E mais: Chico Lima com a clássica “Uma pedra no meio do caminho”; Luciana Miranda com poema de Leandro Flores; a despedida de Déia Sineiro com o fodástico poema do ultrarromântico Laurindo Rabelo, meu poema “Quando Cazuza beijou Cecilia (Eduardo e Mônica em versão cazuzística com ritmo de Cecília e solos de Clapton) regado ao som de “Cocaine”, de Eric Clapton, executado pela banda mística jam do Acoustic Project com o Broken Hearts, que ainda mandou outros sons psicodélicos próprios e de outros músicos consagrados.

Neste quarto vídeo, continua rolando o show psicodélico-blues da banda mística jam do Acoustic Project com o Broken Hearts (Gabriel Carvalho, Luiz Guilherme Monteiro, Jonas Eduardo Lopes, Emanuel Coelho e Cia), com participação especial minha declamando poema de Juliana Guida Maia e o fodástico encerramento com poema rapperizado em free style por Paulo Roberto Gonçalves – o Graveto Old Style – e o som do Coletivasom em tributo a Chico Science! 


Entrevista para o Canal Coletivasom


sábado, 28 de março de 2015

Solidões Cazuzísticas Compartilhadas: O poeta visionário de Gilda Maria Rachid Dias

Yeah, amigos leitores, baseados nos mais-que-fodásticos artistas (Cazuza, Cecilia Meireles e Eric Clapton) que serão homenageados no próximo Sarau Solidões Coletivas, que acontecerá hoje, sábado, dia 28/03, às 17:30h, na Biblioteca Municipal D. Pedro II, no Centro de Valença/RJ,  muitos artistamigos estão cazuzeando, ceciliando e ericlaptiando.
Hoje trago mais uma maravilhosa escritoramiga que entrou na onda lírica das homenagens: Gilda Maria Rachid Dias, em seu poema inédito e super-recente (ela me enviou o fodástico texto lírico ontem) “Meu poeta visionário”, traz um maravilhoso diálogo entre seu eu lírico coletivo (seria melhor dizer “nós líricos”) e Cazuza, cheio de referências às canções do eterno poeta da música popular brasileira.

Meu poeta visionário

É, poeta...
O tempo não para.
Quem diria que agora o sonho acabou ou está se acabando?
É, poeta...
Ideologia você queria uma pra viver.
Nós também queremos uma pra viver
Em tempo de coxinhas e ptralhas.
Cadê nossa ideologia?
Nós apostamos alto, poeta. E você nos alertou:
Brasil mostra a sua cara.
Quero ver quem paga pra gente ficar assim.
Será? Que vai mostrar a cara da frente? Ou a cara de trás?
É, poeta...
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
E ela continua a ficar rica
Agora nossa bandeira é salvar a poesia
Que está sufocada na garganta dos poetas
Que vagam em meio a esse caos da burguesia fedida
Os poetas fodidos.
Bete Balanço, meu amor, me avise quando for a hora.
Porque aqui nos perdemos nas horas
Absurdas horas do tudo e do nada
Do novo e do velho
Dos sonhos e das decepções
É, poeta...
Vamos pedir piedade.
Senhor piedade.
Para os pobres, caretas e covardes
Pobres de caráter
Caretas por pregarem uma falsa moral
Covardes por roubarem o que é de todos
E aí seguimos, poeta.
Num trem pras estrelas.
Depois dos navios negreiros.
Outras correntezas.
Correntezas que avançam e retroagem.
E nós navegamos nessas correntezas.
Outras correntezas.
Meu poeta visionário.
Outras correntezas...
Depois dos navios negreiros.
Persiste a escravidão.
Enfim, poeta,
Somos todos exagerados.
Exageradamente humanos e brasileiros.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Quando Cazuza beijou Cecilia (ou Eduardo e Mônica em versão cazuzística com o ritmo de Cecilia e solos de Clapton)

Não sei se já lhes contei, amigos leitores, mas meus pais foram hippies (não daqueles convictos, digamos que foram pseudo-hippies rs) em sua juventude – talvez por isso minhas inspirações e lirismo surjam de forma tão alucinógena e psicodélica. Baseado nos mais-que-fodásticos artistas (Cazuza, Cecilia Meireles e Eric Clapton) que serão homenageados no próximo Sarau Solidões Coletivas, que acontecerá no próximo sábado, dia 28/03, às 17:30h, na Biblioteca Municipal D. Pedro II, no Centro de Valença/RJ (em frente ao Shopping 99) e super-inspirado nos mais-que-fodásticos poemas de Lisérgio Virabossa (alter ego de Alexandre Fonseca, autor do blog “Algum canto em meu sorriso”), me veio a proposta poética louca de, ao invés de homenagear cada artista com um poema – como o Mestre Alexandre Fonseca já fez primorosamente -, misturá-los como loucos personagens de um poema-pseudoquaseantiépico-festivo.
Peço que me perdoem a psicodelia, amigos leitores, é que minha loucura lírica possivelmente vem de berço...

Quando Cazuza beijou Cecília (ou Eduardo e Mônica em versão cazuzística com o ritmo de Cecilia e solos de Clapton)

Anjo de asas feridas,
fatigada de amores suicidas,
Cecília era um misto
de tristeza incontida
com ares inconfidentes
de pequenas alegrias.

Conheceu Cazuza numa festinha
de poetas loucos e princesas vadias.
Rapaz burguês mendigando orgias,
Cazuza lhe parecia um maior abandonado,
capaz de largar todo dinheiro herdado
por mais uma dose de poesia.

Cada vez mais próximo de Cecília,
Cazuza bebia com seu amigo Eric
uns drinks de blues
misturados com cocaína.
Fã de todas as liberdades
ainda que tardias,
Cecília não os condenava,
Cecília nada dizia.

Nem homem, nem mulher,
Cecília instigava Cazuza
a imaginar ousadias:
no vazio de anseios femininos ou masculinos
daquela senhora tão menina,
ele podia inventar todas as fantasias.
Teria os prazeres de homens, mulheres,
sapatões  e bichas
na viuvez sexual rebelde
da andrógina Cecília.

Exagerado, jogou mil rosas roubadas
no colo ardente da amena Cecília,
seu novo vício,
sua mais pura heroína.
Enquanto isso, seu amigo Eric
em outro canto, fazia
poções de rock
em caldeirões de psicodelia.

Então Cazuza finalmente beijou Cecília
e, a partir daquela delícia, toda poesia explodiria
em flits paralisantes de festiva melancolia.

As juras de amor eterno
que ambos fizeram naquela noite
duraram apenas até o raiar do dia.
Cecília se sentia lua adversa
e Cazuza era doente de boemia,
porém o beijo deles
guardaria implacavelmente
a eternidade prometida:
Cecília sopraria pro vento
a efemeridade do tempo,
o derramar de amor
em cada despedida,
enquanto Cazuza a Eric confessaria
que com os outros transou
a morte e a vida,
mas somente com Cecília,
ele gozou poesia.


domingo, 22 de março de 2015

Sábado de sonhos, sonetos e versos soltos: Sarau Solidões Coletivas no Grande Circuito Cultural do Movimento Identidade Cultural, FEBLACA e ANBA

No sábado, dia 21/03, a partir do meio-dia, aconteceu o Grande Circuito de Cultura do Movimento Identidade Cultural, FEBACLA e ANBA, no Restaurante Bela Vista, em São Gonçalo/RJ. 
Durante o evento, tive a oportunidade de assistir a grandiosas apresentações artísticas e realizações sociais de todos os tipos (teatro, poesia, artes plásticas, práticas esportivas para menores carentes, o lançamento do tão esperado livro de poemas “Versos Soltos”, da fodástica escritoramiga Janaína da Cunha, etc). Tive a honra, também, de ser premiado nas solenidades realizadas pelas entidades culturais responsáveis pelo evento: indicado pelo Movimento Identidade Cultural, fiz parte da lista dos contemplados com a Medalha Qualidade Ouro, dada a artistas e ativistas do Estado pela diferença que fazem - através de suas atividades e projetos - em nossa sociedade.
Nesta postagem, tenho o orgulho de lembrar que fiz parte desse fodástico evento cultural, que me proporcionou o privilégio de me apresentar ao público gonçalense, representando o grupo Sarau Solidões Coletivas, de Valença/RJ, nesse fodástico evento cultural, idealizado pela super-artistamiga Janaína da Cunha e sua formidável equipe.

O vídeo contém a minha apresentação, declamando o "Soneto Espancado", poema de meu quinto livro "Eu & Outras Províncias" (2008).


Soneto Espancado

Não. Nem cantigas de amor, nem de amigo;
Trago apenas um soneto de angústia,
Quatorze versos de abandono e fúria,
Métrica das dores que vêm comigo.

Rasga os versos se evitas o que digo;
Rasga-me! Estou pronto para a renúncia
(Já conheço-a até com certa volúpia).
Na casa da ilusão, não faço abrigo.

Mas, se atentares pra estas linhas tortas,
Verás que este meu frio também comportas
No oculto do peito, no obscuro da alma.

Chora, flor bela, chora cada espinho
Destes versos sem calor, sem carinho;
Sente... assenta... neste jardim sem calma.



sexta-feira, 20 de março de 2015

Otelo 2015: O mouro em tempos de paranóia comunista

Depois do sucesso das "Crônicas Coxi-Lhas", trago uma releitura da famosa peça shakespeariana "Otelo" numa perspectiva fictícia "coxidramática":





Otelo 2015: O mouro em tempos de paranóia comunista





Ato I – Sede do Partido Coxinha Democratária. Partidários aplaudem Otelo Fidélix com cartazes de “Viva o novo presidente do PCDem”. Sandra Sherazade puxa Iago Bolsonaro, o afasta do público e ficam num canto à distância.


SANDRA SHERAZADE (sorrindo para o público, mas dando bronca em Iago): Como podes permitires que um deselegante, ex-classe C, como aquele mouro do Otelo, se torne uma das principais lideranças do Partido Coxinha Democratária, Iago? E ainda o aplaudes?!? Estou pasma!

IAGO BOLSONARO (sorrindo para o público, mas respondendo ácido a Sandra): Compartilho da mesma ojeriza e veneno que trazes em seus lindos lábios e pérfidos pensamentos, Sandra. Minha repulsa e fórmula mortífera pela condecoração pecaminosa dada ao ser citado pelo partido do qual faço parte há tempos fluem furiosas em todo meu corpo, mas controlo minha intervenção militar com a força maquiavélica de minha mente. Os tempos são outros, querida e pérfida amiga. Guardo minhas forças armadas como as nuvens cinzas seguram o despertar da tempestade que arrasará com toda a cidade. Finjo-me de amigo de Otelo para que eu possa tomar-lhe o poder sem o mouro perceber. Já conheço os pontos fracos de meu intolerável partidário: são Desdêmona Rousseff, sua dedicada esposa, e Cássio Neves, seu fiel amigo – fiel apenas até esse momento, creio eu rs... Ambos são os pilares da força de Otelo e não há pilar em meu caminho que resista a minha força - sou um empresário liberal, demolidor de patrimônios públicos; sei inutilizar o que é considerado útil, sei corromper o que parece incorruptível. Como hipotético amigo, fabricarei mentiras na cabeça de Otelo. Como aqueles usuários mais parvos e inconseqüentes, tornarei as farsas mais estapafúrdias e incoerentes em torpes verdades absolutas. Otelo não resistirá, Sandra, e, em breve, a glória do mouro vai cair e eu recuperarei a presidência que a mim deveria ter sido destinada.

SANDRA SHERAZADE: Não entendi nem metade do que falaste, Iago, mas reconheço agora um membro digno da família de articuladores Bolsonaro. Sou meio prática, sabe? À medida que destilares o teu veneno, vai gravando, postando foto e me detalhando pelo Whatsapp, ok?

IAGO BOLSONARO: Claro, Sandra, claro que não faria isso, querida, ou pensa que já não conheço tua requintada perfídia? Enviar-te arquivos de minhas articulações seria como entregar o pescoço ao vampiro, tornar-me refém de teus anseios golpistas. Fica apenas com minha garantia: Otelo cairá, Sandra, custe o que custar.

SANDRA: Ah, Iago, és sempre tão espertinho! Precisamos nos aliar mais, preciso de uma dose desse teu veneno vigoroso, querido... Bem, mas ao menos uma selfie desse momento posso tirar? Quero guardar esse momento de lembrança no Instangram.

IAGO BOLSONARO: Claro, querida, isso tu podes, mas não coloques Ferraris a mais na garagem antes de reformarmos essa parte da mansão. Anota na legenda da foto: “Iago e eu curtindo a promoção de nosso amigo Otelo. #vidalongaaonovopresidente #eleiçõespcdem2015”

Iago a abraça e ambos posam para a foto.

Ato II - Entrevista na manifestação.

REPÓRTER FERNANDINHO: Estou aqui com o presidente do PCDem, Otelo Fidélix, um dos líderes da manifestação pró-impeachment do rei Sam McDonalds. O evento reuniu mais de um bilhão de pessoas descontentes com o governo. Foi um sucesso, não é, Otelo Fidélix?

OTELO FIDÉLIX: O povo não é bobo, Fernandinho. Apesar de nosso rei ser um rico empresário, explorador de altos impostos e agiota cruel de diversos reinos vizinhos, todos já perceberam a conduta comunista daquele safado: como pode um rei, que ganhou um cargo absolutista, ficar sorrindo para a plebe? Ele tem que sorrir pra nós, grandes empresários, não pra eles, que só fazem isso por que ele vive oferecendo brioches de má qualidade pros desdentados. Os brioches são nossos, seu rei safado, somos nós que pagamos; aqui não vai virar uma Sodoma e Gomorra, onde as classes sociais se misturam! O povo não é bobo; cada um sabe a qual classe pertence e essa diferença deve ser solidificada!

REPÓRTER FERNANDINHO: Mas, Otelo, o senhor não veio de uma classe inferior e ascendeu na vida? Como pode propor a não-mistura de classes?

OTELO BOLSONARO: Só porque subi, agora que tenho que pagar pra outros subirem também, Fernandinho? Que comentário absurdo com águas passadas! Subi com meus esforços, servindo aos donos do poder, e não ganhando brioches de um rei sem vergonha que gosta de mamatas. Então se o céu é pra todos, seu petralha, e o inferno como fica? Se o céu se lotar, não vai ter espaço pra toda elite e vamos fazer o quê: aguardar no purgatório ou passar a residir no inferno? Ora! Falta sensatez nessas suas perguntas. A plebe vive no inferno e é feliz, pra que mudar?

REPÓRTER FERNANDINHO: Mas, no governo do rei McDonalds, só se inventou a possibilidade de as classes ascenderem, Otelo Fidélix, mas a realidade que tudo está como antigamente.

OTELO FIDÉLIX: Calúnia, seu repórter petralha, todo mundo sabe dos planos do McDonalds e chega dessa entrevista infame, seu cupincha comunista! Ninguém vai sujar o nosso direito democrático de fazer uma marcha contra esse governo ditador, que não permite que expressemos nossas opiniões divergentes. Por sinal, bonita camisa verde e amarela que carregas como nós, Fernandinho. Pena que, no fundo, és um infiltrado dessa corja de distribuidores de brioches pra plebe. Entrevista encerrada, fim de papo!

Otelo volta-se a Iago Bolsonaro e Cássio Neves, que o assistiam e o esperavam.

IAGO BOLSONARO: É isso aí, Otelo, é assim que se fala!

CÁSSIO NEVES: Não sei, amigo Otelo; acho que devíamos ser mais cordiais com nossos repórteres, afinal eles estão na marcha com a gente. É sempre bom debater sobre a nossa causa de forma moderada para que as questões mais polêmicas pareçam simples; não sei direito como fazer isso, mas era bom ter um assessor, um daqueles advogados renomados (como o que liberou nosso partidário Nero Calígula das denúncias de propina), pra nos expressarmos melhor, de forma coerente apesar de todas as coerências...

IAGO BOLSONARO: Ah, Cássio Neves, és sempre moderado! Conselho de amigo: sê mais enérgico, pois vivemos tempos extremistas. És jovem, por isso talvez não lembres, mas tua proposta me lembrou aqueles discursos do ex-rei Maduro Castro, comunista nato! Não acha, amigo Otelo, que nosso parceiro partidário está tendendo para outros lados?

OTELO FIDÉLIX: Que isso, Iago, meu fiel escudeiro e amigo Cássio jamais cederia aos reinos de Sodoma e Gomorra!

IAGO BOLSONARO: Tudo bem... Não está mais aqui quem falou, amigo!

CÁSSIO NEVES: É isso aí, Iago, não me ponhas à prova que te coloco num pau de arara. Rs Brincadeirinha, amigo! Estamos todos no mesmo partido, jamais faria isso contigo. Mas peço-te que não mais de minha fidelidade partidária duvides. Bem... Já que a manifestação acabou, deixa-me ir, afinal, em algum canto desse reino, há uma patricinha solitária à espera de meus carinhos. Abraços, amigos!

CÁSSIO NEVES sai.

IAGO BOLSONARO (para Otelo, assim que Cássio sai): Estranho, né, amigo Otelo, me veio uns pensamentos estranhos que não sei se me cabem te alertar...

OTELO FIDÉLIX: Fala logo, amigo Iago, sabes que não sou homem de meios termos, nem de guardar curiosidade...

IAGO BOLSONARO: Sei como és, amigo, mas também sei que és condescendente com os amigos partidários, principalmente com Cássio, mas depois de vê-lo contrariar tua nobre entrevista, outros momentos me vieram à mente. Por exemplo, aquele momento no qual entramos no famigerado boteco para conquistarmos a adesão da estúpida plebe – todos nós pedimos um daqueles nojentos salgados gordurosos; tua esposa, tu e eu pedimos risole, mas Cássio, sempre diferente, pediu coxinha. Por que será?

OTELO FIDÉLIX: Ora, Iago, só havia 3 risoles. Só restava a Cássio a coxinha!

IAGO BOLSONARO: Tudo bem, mas precisava devorar a coxinha, símbolo maior do nosso partido, com tamanha voracidade? Comemos comedidamente aqueles nojentos risoles, por que ele fez questão de se deliciar com a coxinha, como se devesse suprimir a presença dela naquele antro plebeu?

OTELO FIDÉLIX: Ah, Iago, paranóia tua, amigo... Quanta maldade!

IAGO BOLSONARO: Talvez por que coxinha lembre uma parte humana muito admirada por Cássio nas mulheres... Pena que a detentora da coxa mais admirável é tua esposa, com todo respeito, né, amigo Otelo, nosso colega Cássio vai ter que adorar tal parte do corpo humano em outras garotas. Tua esposa não te quis acompanhar até o final da manifestação, Otelo...

OTELO FIDÉLIX: Depois de comer aquele risole engordurado, ela passou mal, Iago, não está acostumada a comer estas coisas. Senão, com certeza, ela nos acompanharia até o final, amigo, Desdêmona Rousseff é tão fiel a mim quanto Eva Braun foi a Hitler. Rs

IAGO BOLSONARO: Realmente... mas estranho teu fiel escudeiro e amigo Cássio Neves também se recolher tão cedo... E o caminho pelo qual ele partiu não é o mesmo que nos leva a tua casa, Otelo?

OTELO FIDÉLIX: Queres me enlouquecer, homem, o que insinuas?

IAGO BOLSONARO: Calma, Otelo, sou teu amigo! Dói em todo meu ser ter de abrir teus olhos, mas, como amigo, não devo abandonar-te refém de intrigas; és um homem poderoso agora e todos querem tomar-te o poder, mesmo que seja por tabela, através de, com o perdão da palavra, tua insinuante esposa. Lembro-te que Desdêmona foi filha de Cristina Chávez, uma antiga apoiadora do comunismo em nosso reino, lembro-te também que me contaste que ela enganou a mãe dizendo que saía com um universitário do Congresso Petralha Único, quando, na verdade, armava um casamento escondido contigo. Ela enganou a mãe comunista, mas não pode abandonar o vírus genético corruptor, nem perder o dom de mentir que toda mulher tem. Ora, Otelo, abre os olhos: Cássio Neves e Desdêmona Rousseff possivelmente estão tendo um caso, estão fazendo intrigas pelas tuas costas. Não podes ser tão cego, homem!

OTELO FIDÉLIX: Que isso, Iago, não pode ser!

IAGO BOLSONARO: Lembra naquela festa do partido do mês passado, no qual a tua esposa trajava um sensual vestido vermelho e preto? Um vestido que contém vermelho numa festa anticomunista, como ela pôde?

OTELO FIDÉLIX: Ora, Iago, várias mulheres usavam vestido vermelho e preto naquela festa. Estávamos com os dirigentes do Flamengo ou esqueceste?

IAGO BOLSONARO: Mas logo a mulher do presidente do PCDem com um vestido quase comunista? E precisava aparentar estar tão contente?

OTELO FIDÉLIX: Ela é flamenguista fanática, Iago!

IAGO BOLSONARO: Como a mãe, que também era flamenguista fanática... E comunista! Ou esqueceste, Otelo? Ora! Mas, se queres bancar o cego tudo bem. Parto agora, pois sou teu amigo e não quero participar desta chacota contra a tua nobre e honrada pessoa!

OTELO FIDÉLIX: Ca-Calma, Iago, me metralhaste com munições que ferem toda minha alma. Como podes saíres assim? Vamos beber algo, um uísque, e conversarmos melhor.

IAGO BOLSONARO: Ok, amigo, até porque perdemos tempo... Cássio já deve ter visitado tua esposa e, neste momento, já está em seu lar rindo de ti, assim como a tua esposa...

Ato III – Sala do Presidente do PCDem. Iago Bolsonaro está sentando no trono da presidência. Sandra Sherazade entra.

SANDRA SHERAZADE: Ora, ora, meu amigo Iago, conseguiste o trono tão sonhado! Soube que Otelo Fidélix, extremamente bêbado, não conseguiu esconder seu potencial ar de classe C, chegou em casa enlouquecido, agrediu tão violentamente a esposa que acabou matando-a. O nefando ex-presidente de nosso partido, agora eterno inimigo e renegado, está em todas as primeiras páginas policiais nos principais jornais do reinado, e seu fiel escudeiro Cássio Neves, devido ao amargo destino do amigo, perdeu qualquer possibilidade de substituir Otelo na presidência, devido ao vínculo que tinham um com o outro.

IAGO BOLSONARO: Sim, minha querida Sandra, vivemos, nesses tempos de extremismos, um breve período de conforto sem o mal estar de conviver com aquele bruto mouro. Otelo sempre foi muito passional em tudo; era óbvio que um dia sua Ferrari desabalada atropelaria alguém e sua precipitação o condenaria. Otelo me ligou naquela madrugada fatídica, informando o trágico fim de sua estúpida discussão com a esposa. Como um homem de bem, tive que abrir mão de minha amizade a ele e denunciar o fato às autoridades competentes. Otelo cometeu seu suicídio político, Sandra. Devido a minha denúncia, a minha comprovada honra com a verdade e a minha impostura contra os crimes realizados por políticos amigos ou inimigos, ganhei a tão almejada presidência do PCDem. É algo parecido com uma delação premiada, né? rs

SANDRA SHERAZADE: É verdade, querido Iago, foste competente em tua promessa, mas, quanto ao teu sonho político, lamento dizer-te que teu poder é grande, mas breve...

IAGO BOLSONARO (pela primeira vez, surpreso): Como assim, Sandra?

SANDRA SHERAZADE: Também tenho um compromisso com a verdade e carrego uma impostura ainda mais inflexível que a tua contra os crimes realizados por políticos amigos ou inimigos. Gravei aquela nossa conversa no dia do empossamento do presidente Otelo pelo celular. A essa hora, os outros membros do partido devem estar assinando a retirada de seu nome da presidência, após ouvirem a gravação. Nesses períodos de intensos protestos contra a corrupção de ambos os lados, eles costumam ser bastante rápidos. Daqui a pouco, estarão batendo aqui na porta.

Som de alguém batendo na porta.

SANDRA SHERAZADE: Não disse? Já chegaram.

IAGO BOLSONARO: Ora, sua vagabunda! Pensei que nós... Ora! O que ganhaste com isso, serpente asquerosa? 

SANDRA SHERAZADE: A indicação de meu esposo, Eduardo Temer, para a presidência do partido, querido, por sinal, ele está entre os que vieram te expulsar, logo nem adianta argumentar. E, por favor, contenha teus impropérios, é muito deselegante! Bem... Não quero mais tomar os poucos segundos que te restam no poder, Iago... Beijinho no ombro, querido, nos encontramos em outras manifestações contra o rei McDonalds depois que assumires um partidinho qualquer de menor expressão. Bye, bye!



terça-feira, 17 de março de 2015

Crônicas Coxi-lhas (Crônicas dos tempos de Coxinhas versus Petralhas)

A onda de protestos que ocorre no Brasil, que envolve, principalmente, aqueles que defendem a continuação da presidente Dilma no poder (quase sempre chamados pelo ofensivo apelido “petralhas” – junção da sigla “PT” com os vilões de desenho animado “metralhas”) e os que defendem o impeachment da presidente eleita (quase sempre chamados pelo ofensivo apelido “coxinhas” – apropriado da gíria criada em São Paulo que servia para ofender os adolescentes riquinhos, burgueses, que usam roupas de marca, vão na famosa balada Disco, frequentam a Starbucks), tem complicado a comunicações de fatos banais no cotidiano das pessoas, como podemos ver nas crônicas abaixo:

Crônica Coxi-lhas 1: Por que Osteovaldo perdeu a mulher

Após uma viagem de negócios bem sucedida, Osteovaldo chegou em casa festivo. A esposa Etelvina, petralha convicta, recebeu o marido cheia de mimos:
- Está com fome, querido? Quer que eu improvise algo na cozinha para você comer?
- Ah, não precisa, querida! Comi duas coxinhas no aeroporto, estou satisfeito.
Osteovaldo foi expulso de sua própria casa pela própria esposa a pontapés.
- E não adianta vir com intervenção militar, seu traidor, que aqui você não entra mais e daqui ninguém me tira! – foram as últimas palavras que ouviu da esposa, antes de Etelvina trancar a porta. Jamais ouviria o som da voz de sua esposa novamente, nem seria ouvido por ela; Osteovaldo estava definitivamente bloqueado na sua relação conjugal.

Crônica Coxi-lhas 2: Por que Astolfo se tornou petralha

Torcedor fanático do América/RJ, Astolfo nunca ligou para os acontecimentos de seu país – tanto que, na última eleição, elegeu na urna eletrônica o número 82 em homenagem ao título conquistado por seu time de coração em 1982 (o Torneio dos Campeões, organizado pela CBF, com a presença dos maiores clubes do Brasil). De segunda a segunda, toda vez que saía, Astolfo usava uma das suas sete camisas do América, em defesa do não-esquecimento de seu grande clube de coração.
Preocupado com a situação de seu time, atualmente na segunda divisão do Campeonato Carioca, Astolfo passeava cabisbaixo pela Cinelândia na fatídica sexta-feira, 13 de março (véspera da estréia do América no campeonato estadual, contra o terrível rival Audax), e acabou confundido como manifestante na aglomeração de pessoas que trajavam camisas vermelhas e defendiam a permanência de Dilma na presidência (fato que deixou Astolfo confuso: “mas o presidente do América não é o Léo Barros Almada?”). Puxado para o canto por um dos manifestantes, Astolfo recebeu do apressado homem o pagamento por sua participação no ato: R$ 35,00. Astolfo até pensou em negar a propina (“torcer pelo América não tem preço, amigo”, pensou em dizer), mas o homem já havia desaparecido na multidão de camisas vermelhas.
Astolfo retornou para casa feliz, pensando que aquele acontecimento sinalizava que, no dia seguinte, o América brilharia em sua estréia na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Mas não foi bem assim: jogo duro no Estádio Moça Bonita, placar final Audax 2 x América também 2. “Até que um empate não foi nada mal, afinal é estréia, jogo fora de casa, o Audax é um time experiente; o negócio é ganhar o próximo jogo no nosso campo e se manter próximo das primeiras posições.”, Astolfo avaliava o resultado com os seus solitários botões.
No dia seguinte, após tantas emoções na torcida do jogo passado, Astolfo resolveu repor as energias dando um passeio pela praia de Copacabana. Passou por uma aglomeração de pessoas com camisas verdes e amarelas (“ué, teve jogo da seleção hoje?”, se perguntou Astolfo). Viu que aquela aglomeração de pessoas defendia o impeachment da presidente Dilma (“mas o presidente da CBF não era o Marin?”, perguntou-se) e, meio assustado (“não vou me meter nisso não; a CBF já persegue demais meu América pra eu entrar nessas polêmicas”, refletiu), Astolfo assistiu à manifestação de longe. De longe e por pouco tempo. Seu passeio por Copacabana naquele domingo, dia 15 de março, seria marcado como um dos dias mais trágicos de sua vida: vários defensores do impeachment de Dilma, incitados por um manifestante míope, correram atrás de Astolfo, atirando-lhe objetos e xingando-o de “comunista petralha”. A PM, a fim de evitar o confronto, jogou Astolfo num camburão e levou-o para longe da manifestação. “Se nem os opositores do Marin são a favor do América, o que será do meu time?”, perguntou Astolfo ao policial, antes de seguir seu caminho de volta pra casa. O policial não entendeu a pergunta, mas, dado a expressões filosóficas de efeito, deixou-lhe uma enigmática resposta: “Vivemos tempos loucos, amigo... Agora segue seu caminho.”
De volta pra casa, Astolfo refletiu sobre os acontecimentos dos últimos dias e concluiu: “se petralha é como chamam aqueles torcedores do América que conheci na sexta-feira, ok, sou petralha com muito orgulho e com muito amor!”

Crônica Coxi-lhas 3: Por que aquele jovem casal enamorado passou a viver um drama de Shakespeare

Aos prantos, Ele escreveu para sua Amada a mensagem pelo e-mail:
“Minha eterna e terna amada,
Vivemos tempos difíceis neste mundo intolerante e cheio de ódio. Os visitantes de nossas atualizações no facebook, desconhecedores do real sentido da palavra amor, nos últimos dias, condenam minhas declarações públicas de afeto por ti, minha querida mulata.
Jamais esqueci nossos beijos naquele baile de máscaras no último dia de carnaval e conto os dias para revê-la, por isso fiz aquela declaração de amor para ti no grupo de casais apaixonados do qual éramos membros naquele famigerado facebook. Mas os monstros corruptores do verdadeiro amor invadiram minha linha do tempo e quiseram pôr meu amor por ti a prova; condenavam nossos nomes e incluíram comentários de ódio e repulsa por odiarem os nomes que nossas famílias nos deram. Maldita era essa que vivemos, minha amada, pois sofremos pelo mal da leitura superficial e somos condenados e bloqueados pelo que trazemos desde o berço. Diante de tantos ataques desses infelizes, não pude resistir, minha querida, e tomei uma atitude drástica: me matei virtualmente, excluí minha conta no facebook. E agora sou injustamente exilado do direito de acompanhar as tuas atualizações nessa rede social. Escrevo-te em prantos esse e-mail para justificar meu desaparecimento de teu grupo de amigos; queria continuar em teus círculos virtuais, mas não toleraria mais nenhum minuto diante do computador, assistindo aos milhões de impropérios colocados em minha linha do tempo contra o teu nome e o meu. A única solução possível para assegurar a pureza de minha declaração de amor por ti era afastá-la do facebook e trazê-la para esse e-mail, onde só tu e eu podemos ver:
Sempre te amarei, Dilma, és a única que governa meu coração.
De teu amante e escravo,
Luís Inácio.” 

domingo, 15 de março de 2015

I Sarau Poetizar: O lado brilhante e lírico de The dark side of the moon

Aconteceu ontem, dia 14/03, no Billa’s Bar, no bairro Monte D’Ouro, em Valença/RJ, mais um fodástico evento cultural na Princesinha da Serra: o I Sarau Poetizar, em tributo poético ao antológico álbum da banda britânica de rock progressivo Pink Floyd. Organizado por Cíbila Farani, Raquel Leal e Helen Farina, o I Sarau Poetizar foi um sucesso e teve a participação de fodásticos artistamigos de outras cidades, do Clube Literário Palavras ao Vento e do Sarau Solidões Coletivas.
No vídeo que posto hoje no blog, há o registro de alguns grandes momentos desse fodástico I Sarau Poetizar, comigo, Juliana Guida Maia e Patrícia Corrêa - os 3 representando o Sarau Solidões Coletivas -, Nicia Cadinelli, Cíbila Farani, Raquel Leal, Alexandre Fonseca, Guilherme Grape (de Juiz de Fora/MG) e Ronaldo Brechane (com um poema inédito, escrito na hora!), todos quase sempre acompanhados pela banda pinkfloydmaníaca formada por Felipe Martins, Cláudio Morgado e Fred Ielpo.

Vida longa a fodásticos eventos culturais como o Sarau Poetizar e Arte Sempre!


sábado, 14 de março de 2015

Rock Poemas Pinkfloydmaníacos: O lado escuro de MUon ou A ditadura dos Mobs

Yeah, amigos leitores, hoje retorno com dois rock poemas inéditos, inspirado no célebre álbum “The Dark Side Of the Moon”, da banda britânica de rock progressivo Pink Floyd.
Produzido em 24 de março de 1973 (período em que o Brasil ainda [sobre]vivia [a]os macabros anos de Ditadura Militar), o álbum “The Dark Side Of the Moon”  marcou uma nova fase no som do Pink Floyd, com letras mais pessoais e instrumentais menores, contendo alguns dos mais complicados usos dos instrumentos e efeitos sonoros existentes na época, incluindo o som de alguém correndo à volta de um microfone e a gravação de múltiplos relógios a tocar ao mesmo tempo. Os temas explorados na obra são variados e pessoais, incluindo cobiça, doença mental e envelhecimento, inspirados principalmente pela saída de Syd Barrett, integrante que deixou o grupo em 1968 depois que sua saúde mental se deteriorou.

“The Dark Side Of the Moon” foi um sucesso imediato, chegando ao topo da Billboard 200 nos Estados Unidos e já fez mais de oitocentas e três aparições na parada desde então, tendo vendido mais de quinze milhões de cópias e estando na lista dos álbuns mais vendidos da história no país, também no Reino Unido e na França, com um total de cinquenta milhões de cópias comercializadas mundialmente até hoje. A obra também recebeu aprovação total dos fãs e aclamação da crítica especializada, sendo considerado até hoje um dos mais importantes álbuns de rock de todos os tempos. Tal aclamação já foi reafirmada pelo famoso compositor, cantor e músico gaúcho Humberto Gessinger, que já declarou que “tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, com exceção dos LPs do Pink Floyd, que tinham dois lados bons”.
A importância artística de “The Dark Side Of the Moon”, somado ao fato que ele se tornou tema do primeiro Sarau “Poetizar”, organizado por Cíbila Farani, Raquel Leal e outros fodásticos artistamigos, , que acontecerá hoje, dia 14 de março, às 19:30h, no Billa’s Bar, no bairro Monte D’Ouro, em Valença/RJ, me inspiraram a fazer (sub)versões poéticas de algumas canções do aclamado álbum da banda Pink Floyd. Escolhi duas canções do álbum (na verdade, 3, pois uma tem o conteúdo parecido com outra): “Speak to Me" (muito parecida com "Breathe") e “Time”. Para construir a subversão poética, me baseei (como quase sempre faço) na melodia em detrimento do conteúdo das canções. Nas minhas (sub)versões, coloquei como temática o contexto histórico do Brasil de 1973, época na qual o álbum foi lançado (essa escolha não foi à toa, visto que atualmente vemos diversos fanáticos, analfabetos funcionais de nossa História, pedindo o retorno de um dos regimes mais macabros, autoritários e sanguinários que o Brasil já teve). Para manter a atmosfera progressiva de releitura, rebatizei o álbum de “O lado escuro de MUon” (o nome “MUon” é uma corruptela do nome do popular jogo em 3D “MU Online”, ambientado numa atmosfera medieval). O subtítulo inventado (“A ditadura dos Moobs”) segue a mesma lógica: moobs são os montros que habitam o continente de MU. Os títulos dos poemas foram inspirados em versos das canções que subverto: “Os conselhos do coelho corredor” é inspirado no verso “Run, rabbit, run”, da canção “Speak to Me", enquanto “O tiro da largada que nós perdemos” vem do verso “You missed the starting gun”, de “Time”.
Como sempre, não sei se o resultado das minhas subversões poéticas agradará aos amigos leitores, mas confesso que me divirto com essas brincadeiras líricas, afinal fazer arte é experimentar as possibilidades infinitas da escrita e tentar de, alguma maneira, viajar progressivamente em busca de uma revolução na fazer poético. Espero que gostem, progressivos amigos leitores!
    
O lado escuro de MUon
(A ditadura dos Mobs)

I
Os conselhos do coelho corredor
Para ser lido ao som de "Speak to me / Breathe" 

Brinde, brinde o que não quer
Só vive aquele que o caçador bem quer
Minta, minta inclusive pra mim
Louve a sorte
De se dividir entre Grécia e Roma.

Agora você vive no high society
Sem que nenhum caçador o cace
Todos os demônios lhe tratam bem
O único problema é se tornar demônio também.

Dance, dance com quem roga a morte
Finja que há amor pelos que derramam sangue
Esconda os fatos, evite os danos
Pois só morre
O que se indigna com tanta falta de amor.

Agora você vive no high society
Sem que nenhum caçador o cace
Todos os demônios lhe tratam bem
O único problema é que agora é demônio também.





II
O tiro da largada que nós perdemos
Para ser lido ao som de "Time"

Eu sempre odiei aqueles momentos porcos em que me guardei
Frente a você deixando aqueles caçadores nos vencerem
Eu passava mal, mas pela paz do mal eu lhes pagava pau
E deixei que um por um eles tirassem todos nossos bens

Tarde demais, nenhuma chance
Eles levaram o bom em mim e em você
Os caçadores fazem novas bodas hoje
E riem de covardes como eu, como você
E ainda saboreiam a nossa carne
Nos seus churrascos de aniversário
Nós sempre os tolos e eles ganhando
Mais um governo, mais quatro anos

E ano após ano os caçadores sambam e fingem
Que são mui amigos e que só matam desertores e gays
Mas você sabe e eu sei o poço de sangue e de roubo
Que eles escavam toda vez que têm o que querem.

Mais uma vez os cínicos jogam
E sorriem cheios de vaidade
São os fingidos representantes do povo
Podem matar a humanidade mais à vontade
E roubam, roubam, pregando o ódio a desertores e suspeitos gays
É a velha gestapo com novas roupas
Se perdessem, tomariam o poder.

Rolo, rolo outra vez
Pelas altivas lápides do velho novo poder
E o antigo cão rosna como no passado
Escute todos os bons serem sacrificados
Os caçadores continuam aqui
Pintando de sangue o arrabalde
E você nada fez e eu nada fiz
E deixamos que o poço do caçador se esbalde.