domingo, 5 de julho de 2015

Ode Melancólica para o Desfile Cívico Popular de 2015 na ferida (mas ainda linda e viva) Teresópolis


Amigos leitores, Teresópolis/RJ, a cidade serrana na qual trabalho e resido, a cada dia sofre novos golpes devido ao desgoverno municipal atual, até nos momentos que deveriam ser os mais célebres para o município. O mais recente golpe foi o cancelamento do habitual Desfile Cívico no aniversário de 124 anos de fundação da cidade (o omisso desgoverno do [des]Prefeito Arlei Rosa conseguiu acabar com mais um evento tradicional do município, culpando a crise que a própria [des]administração atual proporcionou). Mas, por amor a Teresópolis, nós, o povo, incentivado pelos movimentos de servidores públicos municipais, estamos nos organizando para realizarmos, em tom de protesto, o tradicional Desfile Cívico que o atual desgoverno municipal foi incapaz de fazer. O Desfile acontecerá amanhã, dia 06 de julho, às 10h, partindo do Parque Regadas até a Prefeitura. Vamos, amigos, todos juntos desfilar em protesto ao atual quadro crítico político de Teresópolis e por amor à (outrora) “mais formosa das cidades do Brasil”.
O poema, inspirado no hino e na História (antiga e atual) da cidade serrana, que posto hoje é uma homenagem a essa fodástica iniciativa popular e aos 124 anos de fundação de Teresópolis, nosso formoso abrigo, ferido pela incompetência dos políticos da cidade, mas ainda nosso abrigo, cidade serrana belíssima ainda que ferida, que jamais deixaremos de defender.   

Ode Melancólica para o Desfile Cívico Popular de 2015 na ferida (mas ainda linda e viva) Teresópolis

Teresópolis, mãe de guerreiros timbiras e temiminós,
já abrigaste em teus seios o corpo ferido dos escravos fugidos,
já deste eco à voz do povo oprimido e hoje abrigas novamente
o grito sufocado em cada um de nós.
Povoaste o longo caminho entre a Corte e a Província das Gerais
com a fazenda-modelo do incansável George March,
encantaste o Brasil ainda menino das famílias imperiais
e hoje, com uma prefeitura em desatino, procuras novos destinos
em nossa marcha revoltada pelas tuas feridas belezas naturais.
Outrora berço da paz e da harmonia, hoje sofres com desgovernos sucessivos
que violentam teu sorriso antigo, abrigo de grandes festivais.
Vítima de Arleis Napoleônicos, vereadores cúmplices incompetentes e de sindicatos patronais,
a luz e amor no meigo perfume de tuas flores agora só sobrevivem em teu hino,
cada vez mais esquecido pelo enriquecimento ilícito e pela falta de lisura
de teus filhos mais omissos; oh, Teresópolis, perdes o ar puro e a textura,
perdes o brilho e a cor nas manobras venenosas e obscuras de monstros sem pudor.
Donos de cruéis zoológicos e de ganâncias colossais,
eles pisam sem carinho em teus verdes campos em flor;
és paraíso profanado pelas pragas da corrupção e da falta de amor,
oh, Teresópolis, hoje desfilamos, choramos e nos revoltamos com a tua dor;
nós, os bichos rebeldes que fugiram das jaulas do teu porco opressor,
nós, os seres famintos pela ressurreição de todo teu esplendor,
nós, todos órfãos e viúvos pela falta de hospitais,
nós, todos desabrigados pela carência de um novo lar;
oh, Teresópolis, hoje desfilamos, choramos e nos revoltamos em tua avenida destruída,
pois queremos trazer-te de volta à vida, oh, beldade serrana infinita,
cobertos por um lindo céu de anil, hoje fazemos nosso desfile civil
pra resgatar a ti, Teresópolis, a mais formosa das cidades do Brasil! 

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