terça-feira, 12 de março de 2013

Solidões compartilhadas: O Pleonasmo do amor de Suelen Cristina


Esses tempos de breves, suaves garoas e intensas saudades da pessoa amada me fizeram lembrar de um fodástico poema que minha ex-aluna Suelen Cristina, carioca, atualmente residente em Teresópolis/RJ, fez há tempos atrás: “O pleonasmo do amor”.
Com seu estilo inconfundível, extremamente lírico, ritmado e emotivo, Suelen nos apresenta o amor e os seus pleonasmos (figura de linguagem que consiste na repetição redundante de um termo da oração com o objetivo de enfatizar a mensagem. Ex.: No título da canção de Marina Lima, “Eu te amo você”, o “te” já esclarece quem ela ama e o “você” é uma redundância, uma repetição pra destacar como ela ama intensamente o outro. Há o pleonasmo ruim, o vicioso, um vício de linguagem, que usamos não pra embelezar, mas por distração, dizendo coisas óbvias. Ex.: “Eu saio pra fora”, da canção “Entre tapas e beijos” – se ele sai, é óbvio que sua direção é o lado de fora). O fodástico do poema de Suelen Cristina é que, através do amor, a poeta transforma os pleonasmos viciosos, ruins para a linguagem escrita, em bons pleonasmo, em arte sublime, um presente encantador para os olhos de todo leitor que é capaz de se deixar emocionar, sem medo dos pequenos ridículos que todo amor nos faz passar.
Devido a minha admiração a tamanho talento e saudades dessa grande poetaluna que encheu de lirismo as nem sempre poéticas salas de aula, compartilho com vocês esse fodástico poema.
Em tempo: esse poema foi declamado por mim no último Sarau Solidões In Bar Especial da Mulher, realizado no dia 09 de março, na Cantina Água na Boca, em Valença/RJ (os vídeos sairão em breve, pois ainda estou devendo terminar de postar as gravações do sarau que foi realizado em fevereiro).
Vamos sentir, sentindo, para que todo amor faça realmente sentido, amigos leitores!

O pleonasmo do amor      

Chorar, chorando
como
a chuva, chovendo.

Sentir, sentindo
o perigoso gosto
de seus beijos.

Cair, caindo
quando você
larga a minha mão.

Fechar, fechando
os olhos
para não ver você indo embora...

"Chuvinha 04", foto de Felipe Paim
(http://www.flickr.com/photos/felipaim/3689610823/)

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