quarta-feira, 27 de março de 2013

Solidões Caninas Compartilhadas: O labra-latas Ozzy mostra como se faz um poema dadaísta nos dias de hoje

Além de artista incompreendido,
Ozzy é atleta de esportes
que só ele compreende

Em tempos de coelhinhos de páscoa que botam ovos de chocolate para crianças, compartilho minhas solidões poéticas com Ozzy, o cachorro labra-latas de Isabel Cristina Rodegheri, mãe de minha namorada Juliana Guida Maia. Já conhecido por seu temperamento anárquico e destrutivo (o cachorro adora destruir vestes humanas, caixas de fósforos, cinzeiros, panos, etc), Ozzy atualmente tem se dedicado a devorar cultura, ou seja, rasgar, comer e triturar livros didáticos antigos. Boa observadora, Juliana Guida Maia percebeu que o cachorro não destruía completamente os livros, deixando pequenos fragmentos das páginas espalhados por toda casa.
Um dos poemas dadaístas
produzido por Ozzy
Lendo os pedaços deixados pelo inquieto cachorro artista, descobrimos assim o novo talento de Ozzy: ele mostrou ter talento pra produzir poemas dadaístas!!! O dadaísmo foi um movimento artístico que surgiu na Europa (cidade suiça de Zurique) no ano de 1916. Possuía como característica principal a ruptura com as formas de arte tradicionais. Portanto, o dadaísmo foi um movimento com forte conteúdo anárquico. O próprio nome do movimento deriva de um termo inglês infantil: dadá (brinquedo, cavalo de pau). Daí observa-se a falta de sentido e a quebra com o tradicional deste movimento. Baseado nisso, Tristan Tzara, criador do dadaísmo, pregou uma nova forma de se produzir um poema:
“Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.”
A matéria-prima
dos poemas de Ozzy
(os livros didáticos antigos
de Português do Cereja
são seus favoritos)
Pois bem: observando o processo criativo do cachorro Ozzy, em movimento de destruição de livros didáticos e construção de fragmentação das folhas arrancadas, percebemos que o estilo do labra-latas, impossibilitado do uso da escrita humana, aproximava-se da estética dadaísta. Se, ao invés de recortar e escolher palavras aleatórias, o cachorro destrói o livro inteiro e espalha pedaços, é porque Ozzy pratica um neo-dadaísmo, reflexo dos tempos contemporâneos de insanidade e violência gratuitas. Ou seja, Ozzy está criando um novo movimento artístico, um avanço do Dadaísmo!!!
Ozzy, compenetrado,
produzindo novos poemas
Yeah, Ozzy, além de anarquista, é um poeta, um artista revolucionário, sem ter escrito uma linha sequer! Abaixo, deixo uma de suas obras-primas, o que restou de uma página arrancada por ele, um pedaço de papel encontrado por Juliana Guida Maia, um trabalho artístico que sobreviveu à limpeza de Isabel Cristina Rodegheri, dona do cachorro-poeta, ainda incompreendido em sua manifestação artística, assim como tantos outros artistas à frente de seu tempo.

Quem disse que os cães não produzem poemas? O talentoso Ozzy está aí pra provar o contrário! 

Apenas um pedaço de papel
que meu cachorro não comeu
(Poema dadaísta latido)

o cesto de frutas
a cobra que se achata
que destila líquido
procedente do
vaso.

Um comentário:

  1. hahauhauhuahuhauhauhau! hauhauahuahuahuahuahuahah!uhauahuahuahuahuahauhuah!uahuahuahauhauhauhauahuahuahua!

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