quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Solidões compartilhadas: Raquel Leal antropofagicamente sedenta

Quadro "Antropofagia",
de João Carlos Marques

Hoje compartilho mais uma vez minhas solidões poéticas com a poetamiga valenciana Raquel Leal, que atualmente reside em Volta Redonda/RJ. E, desta vez, a poeta nos revela sua face antropofágica: como Oswald de Andrade, sua personagem deglute a arte ao seu redor e digere as suas influências numa poética nova, num estilo todo próprio. Em tempo: esse poema foi declamado pela própria Raquel Leal no último Sarau Solidões Coletivas In Bar Especial (o “Sarau Punk Rock Noise Horror Show: O Halloween Lírico das Solidões Coletivas", cujos vídeos estão disponíveis em postagem anterior do blog).
Vale a pena ler e reler o poema, saboreando-o ao som de Caetano, Gil e outros tantos compositores de essência rara.
Que a Antropofagia Artística nos mantenha unidos, amigos leitores!

Antropofagicamente sedenta

Acordou a mulher
Com desejos antropofágicos
Como os de Oswald.
Se lembrou que sonhou,
No sonho devorou o poeta
Como Caetano a Leonardo
Ao som de Easy.
Degustou-o coberto de sal
A beira-do-mar
Como Gil a sua sereia
E delirou com o sabor
Da essência rara
Sorvida do sangue
Do poeta distraído.
Sugou-lhe a artéria
Para beber-lhe bem quente
Sob o sol do meio-dia,
E celebrou seu banquete
Como uma Viking luxuriosa.
Dos lábios do poeta
Comeu todos os beijos,
Abriu-lhe o peito
E partiu carregando consigo
O coração vivo
Do poeta devorado.


2 comentários:

  1. Adorei, tudo tão literalmente visceral. Raquel parabéns!!!! Uma verdadeira Hannibal poética.

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  2. olá, acabei de visita-lo e adorei seu blog, semelhante ao meu. sucessão!!!! éeee... uma verdadeica canibal poética!!!!

    oitentagraus.blogspot.com

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