segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Diários de luto coletivo: Santa Maria profanada


Hoje a postagem sai por impulsividade, infelizmente natural, apesar de afetada, infelizmente gritada, apesar do silêncio da madrugada; são quase uma hora da manhã aqui (o relógio do blogger segue outro horário e ainda não sei arrumá-lo) e me vejo deitado na cama ao lado de minha namorada. Antes de nos deitarmos, vimos mais um noticiário sobre o incêndio no Clube Kiss, em Santa Maria/RS, durante uma festa universitária. O trágico evento já registra 233 mortos e centenas de feridos e a repórter informa que o clube não tinha, no momento, alvará para eventos daquele porte, nem alvará de prevenção a incêndios. Quando nos deitamos, vejo minha namorada e eu tão vivos, ao mesmo tempo em que a morte queima em nossos olhos após vermos a notícia; mesmo distantes geograficamente de Santa Maria, vemos a dor; o luto não tem distância. Esse poema surgiu nesse momento de tristeza e é assim postado.

Santa Maria profanada

Chamas em ti,
Desespero neles,
Tristeza em nós.

Leis descumpridas,
Diversões impróprias,
Sem licença para queimar,
Hoje a dor arde no lugar do amor.

A festa virou luto,
A vida virou tragédia,
Hoje o fogo nada clareia,
Hoje o que queima são lágrimas.

Primeiro os gritos dos que partiram,
Depois mais gritos dos que ficaram,
E agora só o grito dos silêncios
Na sala assustada com o noticiário.

Santa Maria, Senhora dessa desmerecida Desgraça,
Perdoai pelas velas antecipadas
E rogai por nós, inocentes pecadores,
Nessa hora de tantas mortes,
Nessa hora em que não podemos salvar ninguém... 

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