quarta-feira, 2 de maio de 2012

Velhos poemas juvenis: O último ultra-romântico

Hoje lamentamos o falecimento de um dos mais expressivos artistas ultra-românticos, o poeta francês Alfred Musset (1810-1857), que, assim como o inglês Lord Byron, influenciou nosso ultrarromantismo do século XIX (Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e outros poetas fodásticos da época). Considerado "o mais clássico dos românticos e o mais romântico dos clássicos", Alfred Musset conquistou diversos seguidores com sua poética apaixonada e melancólica (é célebre a sua frase: "nada é tão bom como o amor,nem tão verdadeiro como o sofrimento). 
Em homenagem ao ultrarromantismo - primeira escola literária que, em minha juventude tragipatética-poética, realmente me inspirou e me fez acompanhar as obras de seus poetas como se eu seguisse as pistas de falecidos rockstars (o ultrarromantismo foi o primeiro movimento literário realmente organizado por jovens escritores desajustados, que, quase sempre - por passar dos 40 anos, Musset foi uma rara exceção deste grupo de líricos suicidas -, viviam louca e intensamente e morriam jovens, mais rock que isso impossível!), em homenagem a Musset, em homenagem a todas as gostosas que passam vibrantes diante de nosso olhar juvenil apático de nervosos desejos, em homenagem à intensidade que adormece no tédio nosso de cada dia, eis minha última peça tragipatética-poética ultra-romântica, publicada em meu terceiro livro "Note or not ser" (2001):

O último ultra-romântico

Morri de amor
 ao vê-la passar
  sensual e manhosa
   como virgem desvirginada
     pelo próprio andar.
       Fechei meus olhos
         nem pensei em pensar
           preferi sentir o bom
                                  do mal
                                    de amar.

Morri de amor
 ao vê-la passar
  mas (que pena)
    ela não me viu
     era boa demais
       p'ra olhar p'ra trás.
        Continuou seu caminho
          enquanto eu abraçava postes
                                   e beijava meio-fios.

Morri de amor
 ao vê-la passar
  mas ninguém viu a dor
    que se é morrer disso
     e, se antes o amor era lindo,
              agora só sinto o seu frio
                                              a me queimar.

"Lua Cheia VI - O submisso", Acrílico s/ tela 80x80 de Claudia Correia da Silva


2 comentários:

  1. Such sad poetry yet very meaningful with each word that is written, too bad I probably lost some in the translation. That disappoints me that I don't always get the full meaning. Thanks for posting :)

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