domingo, 6 de maio de 2012

Solidões compartilhadas: "Um amigo que se vai", de Cíbilia Farani

Hoje a tarde apresenta um dia meio nublado com tímidos raios de sol, ressaca da maior e mais bela lua cheia vista no céu de 2012. Hoje, também, um novo talento brilha, mais radiante que a lua de ontem, muito mais intensa que o sol de hoje, e compartilha suas solidões poéticas no blog: é a artista valenciana Cíbila Farina, musa, amiga, cantora, encantadora intérprete, agora também estrelando suas próprias poesias. 
O poema dela, que posto hoje, foi uma lírica homenagem, uma elegia em prosa ao radialista Joelson Jaime Laureano, coordenador artístico e apresentador da Rádio Itatiaia -Juiz de Fora, que numa fatídica manhã desse ano foi encontrado morto, provavelmente vítima de assalto. Ela não o conhecia, mas se abalou muito com sua morte, já que era chefe e amiga da Beatriz Lacerda, amiga de Cíbila e locutora dessa mesma rádio na qual Joelson trabalhava. "De certa forma, o poema acabou sendo direcionado à minha amiga Beatriz, de quem ele era amigo.", contou-me Cíbila. Um poema para refletir, para lembrarmos dos amigos, que, em nossos corações, sempre se vão cedo demais, deixando uma lágrima brilhante em nossa tristeza, como o sol que hoje invade as nuvens nubladas e serenas...

Um amigo que se vai



"Um amigo que se vai é um sorriso deixado no canto da boca, imóvel, surpreso consigo mesmo pelo estranho fato de não conseguir sair.
Um amigo que se vai é folha de livro grudada, onde não se sabe o que ali está escrito e com quem aconteceu o que.
Um amigo que se vai é bola de sorvete caída no chão, é batida de porta de carro no dedo, é mordida na língua, é bicho abandonado e faminto, é injustiça, é falta de perdão.
Um amigo que se vai é o vazio das tardes de domingo, onde a estranheza das horas é só o que se tem. Um amigo que se vai é o que não se deseja a ninguém."

Um comentário:

  1. Lamentei muito a perda de Joe, cuja bela voz, a simpatia e a gentileza pude constatar em vários momento. Fique em paz.

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