sexta-feira, 25 de maio de 2012

Solidões compartilhadas: Pulando muito com Suelen Cristina


Hoje compartilho minhas solidões poéticas com mais um talento da E. M. Alcino Francisco da Silva, a genial poetaluna Suelen Cristina. Estudante do 9.º ano do Ensino Fundamental, fã da noite e poeta dedicada, Suelen tem me apresentado variados textos de sua autoria, sempre preocupada com a estética de seus textos (ela faz, refaz, pede opinião, solicita análises apuradas, pede-me que eu lhe confesse segredos da poesia, ufa, é uma escritora viciada na escrita). Seus contos e poemas trazem um estilo extremamente próprio e, ao mesmo tempo, metamorfoseado – a jovem poeta apresenta influências diversas, ao mesmo tempo em que marca seus textos com um estilo próprio e intenso demais. 
O poema “Pulando”, de Suelen, o primeiro que posto no blog (aviso que a presença dos textos dela serão uma constante no blog, tamanho o talento e empenho da jovem escritora) tem uma razão especial para ser o pioneiro nesta páginas virtuais: ela me mostrou esse poema essa semana, após as aulas de figura de linguagem nas letras de música de Renato Russo e, segundo ela, é uma homenagem aos ídolos desse professor poeta pateta que vos fala e também aos gostos artísticos de sua mãe (reparem que, no poema, o eu lírico apresenta músicos – vivos e falecidos, seja como for, eternos – e livros). Por coincidência lírica, nessa semana, eu me preparo pra me apresentar no evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, cujo tema desse mês é “Homenagem à Expressão Social e Poética do Rock Nacional” (os leitores que quiserem aparecer,  o evento rola no “Café do Bom, Cachaça da Boa”, na Rua da Carioca, neste sábado, a partir das 12h), então o excelentíssimo poema de Suelen acabou se encaixando na minha apresentação. Pra ler, pulando muito!

Pulando

Pulando na minha cama,
saindo do estado normal
para uma pequena loucura inocente,
eis que me aparece o Cazuza
que exageradamente me pede
para pular também.

Logo depois, veio Renato Russo
que começou a pular
e me fazer lembrar
de todas pessoas que eu amei
como se não houvesse amanhã.
Infelizmente são as que mais me fizeram sofrer...

A Lua também quis pular
então ela desceu e parou o luar.
As estrelas, cheias de inveja,
também desceram.
E lá vem Toquinho
com a aquarela da vida louca!
Até o Pequeno Príncipe veio
porque o essencial é invisível para os olhos,
só se vê bem pulando.
A noite só ficou olhando e pensando:
Não quero estar aqui, quando amanhecer!

Só faltou Cássia Eller chegar
e dizer: “Bobeira é não viver a realidade”.
Fala sério, Cássia!!!
Por que não viver a loucura
quando a realidade está sobrecarregada?

Um comentário:

  1. "sempre preocupada com a estética de seus textos (ela faz, refaz, pede opinião, solicita análises apuradas, pede-me que eu lhe confesse segredos da poesia, ufa,"

    Isso mesmo suelen, suga o máximo possível desse professorpoetapateta. Isso é que é poesia. Todos falam muito da inspiração, mas o burilamento é também primordial, pois revela a preocupação do poeta em dar o seu melhor tanto da inspiração quanto da labuta em si. O poeta sem dúvida é um artífice da palavra que nos provoca sensações.

    Agora Carlos, vai me dizer que tu não tá feliz da vida por ver teus pimpolhos a te "azucrinar" a ideia? rsrsr. Tenho a impressão que numa certo Escola Municipal, Alcino Francisco da Silva, encontra-se um foco poético que em breve, torço muito por isso, se dissiminará gradativamente para aliviar as almas sequiosas de poesia e boa Literatura, Desenho, Cinema, e quantas mais artes existir.

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