sábado, 5 de maio de 2012

Poema Speed Racer na estrada da poesia

Hoje compartilho meu tributo poético ao músico, compositor e vocalista da banda Os Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, que fez aniversário ontem. Presente atrasado (foi mal, poeta guitarrista, mas a inspiração só veio na primeira neve de sol desta manhã), o poema-homenagem foi elaborado, tomando como base nomes de canções dos três álbuns solos de Herbert Vianna (entre as canções citadas estão: "A primeira neve", "Rio severino", do solo "Ê batumaré", "Speed Racer", "Dos margaritas", "A palavra certa", de "Santorini Blues", e "Une chanson triste", do "Som do sim"). Há também referências à banda que Herbert lidera e aos próprios títulos de dois de seus álbuns solos. 
Para construir o poema, criei um eu lírico deslumbrado com o poeta motorista que dirige seus versos incertos na estrada da vida, sensação de fascínio aproximada aos sentimentos que tomam meus ouvidos quando ouço uma nova composição eternamente atemporal de Herbert Vianna, um poema de fã-nático, uma oferenda musical de silêncio admirado a um dos ícones do autêntico rock nacional.


Speed Racer na estrada da poesia

Speed racer sem lenço nem documento
Lá está ele em seu carro de poesia
Seguindo apressado a estrada da vida.
Os paralamas de sonhos acesos
Contra a noite dos dias sem sentimentos
Ele parte m busca da cidade lirismo,
Ele procura trevas de luz e moinhos de ventos.

E a sua falta de habilitação
Para guiar a hipocrisia cansada que corre em nossas mãos
É sua carta de motorista,
Documentação necessária para aqueles que seguem a pista
Das emoções sem desvios, dos amores sem placas,
Lá está ele correndo em outra estrada,
Longe da polícia rodoviária que interrompe a travessia
Daqueles que dirigem na contramão do não e da rotina,
Ele dirige a favor do sim, na trilha invisível das margaridas
(Seu carro ultrapassa as flores do mal em busca dos jardins de uma nova vida)

E talvez em seu rádio toque um blues de santorini,
Talvez uma canção de Clapton ou une chanson triste,
Seja qual for a música, sua velocidade é constante,
Acelerada e insinuante
Ele atravessa a neve das idades e os severinos circulares
Em busca da estrela congelada no deserto,
No caminho certeiro dos sonhos incertos,
Ele mantém a palavra certa no combustível de seu carro,
Ele mantém vivo o movimento invisível do universo estagnado.

Speed Racer sem lenço nem documento
Lá vai ele em seu automóvel de utopia
Permanentemente acelerado em sua lírica autopista,
Eternamente atropelado por um caminhão de sentimentos
(Seus olhos queimam na largada de um novo verso de contentamento). 

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