segunda-feira, 25 de julho de 2011

Meu poema inédito bukowskiano

O poema abaixo, ainda inédito em livros, foi composto por mim, após uma tarde na rodoviária de Teresópolis, em meio a encontros desencontros com uma estranha, entre leituras de poemas do livro “O amor é um cão dos diabos”, de Charles Bukowski (por sinal, imitei o estilo do mestre):

Livro que me inspirou a fazer o poema.
Quanto a musa que o inspirou, terão que usar
a imaginação de vocês.
Eu vi um poema de Bukowski

hoje eu vi um poema
de Bukowski
caminhando pela rodoviária
eu esperava meu ônibus
e ela o dela
infinitamente doida
infinitamente esguia
ela era o poema mais louco
lírico
e lascivo
de Charles Bukowski

cuidado senhoras moralistas
porque ela para todo mundo
ela fuma
ela é louca
ela grita
conta retalhos imaginários
de uma vida impossível
foi advogada
agora é cineasta
exibe as marcas furiosas
de seu namorado invisível
e ciumento
e intensa arrebata meus ouvidos
com relatos maliciosos
de saudosos sadomasoquismos
de outros tempos
o marido passado invencível
enfurece o namorado ausente
ela expõe suas feridas
com closes amadores
a imagem dói
mas ela sorri

horrível
mentirosa
orgulhosa
louca inatingível
é agora a estrela
das paradas de ônibus
veículos chegam
veículos partem
veículos vêm e vão
e ela permanece
pinta suas unhas
na área de fumantes
não é prostituta
não quer amantes
fala comigo
como se conversasse com o vento
ou consigo mesma
ela grita
ela é louca
ela respira furiosamente
na rodoviária ela é um avião
em turbulência
que sobrevoa mitos
de uma vida inexistente
feia e desengonçada
é a garota mais linda da rodoviária
vai viajar
vai sumir
vai fugir
de tudo
assim como foge de si

ela diz adeus
mas permanece
seu nome hoje é Taís Gonçalves
amanhã ninguém sabe
(talvez apenas o saiba o velho Charlie
aquele velho safado)
ela está de partida
e ninguém a viu chegar
ela está de partida
pra nenhum lugar
ela é sempre
nunca mais
um poema perdido
de Bukowski
ela é a feia mais linda
da rodoviária
um poema vivo
de meu amigo falecido
lá se vai desequilibrada
infinita e inconstante
lá se vai um poema de Bukowski
louca e arrogante
ela se vai
perdida e deslumbrante
lá se vai
adeus!

Um comentário:

  1. Muito interessante poema, Carlos, também gosto muito de fotografar esse tipo de perfil subjetivo das pessoas...
    Um grande abraço,
    Luana Barcelos

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